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24/06/2026

A ciência pode ser manipulada para disseminar mentiras

 


A "ciência" pode ser um argumento idólatra.

Nessa semana estive num polo astronômico, um lugar que deveria servir à experiência científica baseada em fatos comprováveis. Grande engano!

Logo no início, o profissional que conduzia as experimentações que ainda veríamos, fez uma piada sobre as distinções entre um astrônomo e um astrólogo, deixando claro que a astronomia é a ciência da observação dos corpos celestes em contraste com os misticismos infundados de alguns supersticiosos, aqui tipificados nos astrólogos, que tentam ler as sortes nas estrelas. Até aí estava indo tudo bem, até o astrônomo enfiar a ideia da possibilidade de existir vida alienígena na conversa.

Seguimos, então, o roteiro do passeio e entramos no planetário para iniciar uma sessão de cinema projetado no teto em formato de cúpula que foi uma verdadeira tortura com cerca de 40/50 minutos baseada em especulações.

O filme começou bem, com projeções de constelações e algumas explicações sobre o sol e as estrelas. Mas logo partiu para o questionamento sobre a possibilidade de existência de vida em outros planetas e, daí em diante, apesar de assumir claramente que não existe nenhuma evidência da existência de vida alienígena, toda a narrativa foi baseada em especulações sobre como seriam esses seres alienígenas numa pregação de crenças enfadonhas que empobreceu a experiência e corrompeu o propósito supostamente científico da exposição num conteúdo que parecia um irmão pobre dos cenários e criaturas bizarras do filme Avatar.

Ao ir ao planetário, pensei que iríamos ver projeções sobre fatos, sobre planetas, cometas, estrelas, buracos negros e constelações. Mas em lugar disso vimos um show de especulações sobre vida alienígena, ainda que se tenha assumido que do ponto de vista científico não existem evidências dessa existência. Mas se não existem evidências, por que usar da roupagem científica para pregar uma suposição especulativa que não passa de crença? O que vi naquele planetário foi o uso do aparato científico para propagar ideias não científicas, uma desonestidade imposta numa armadilha, quando o ingresso comprado era para se ver ciência, evidências, fatos que não podemos apreciar a olho nu, mas não servir como plateia cativa para a propagação de ideias infundadas como as crenças em ETs e em seres supostamente mais desenvolvidos do que a humanidade. Apesar da piada inicial que procurou distinguir astrônomos de astrólogos, a narrativa do aparato astrônomo em questão incorreu em puro misticismo.

Ao sair da torturante experiência de lavagem cerebral no planetário, seguimos para ver os telescópios do local para a apreciação real das constelações. Aí sim a experiência foi excelente, sem filminho propagador de crendices travestidas de ciência, mas pura observação de realidades que a olho nu não conseguimos contemplar. Pena que quando os astrônomos tiveram voz ativa eles usaram o argumento da ciência para propagar suas próprias crenças aos seus ouvintes - e eu estou certo de que esse hábito corruptor também é usual e muito comum por parte de todas as categorias de cientistas que usam da sua autoridade no assunto em que se especializaram para embutir em suas narrativas e pareceres as suas predileções, as suas crenças pessoais e as suas distorções, e isso possibilitado também pelos interesses de quem financia o fazer científico, gente que também está interessada na fabricação de narrativas, talvez, para vender um produto - farmacêutico, por exemplo. Até que ponto, por exemplo, essa manipulação no "fazer ciência" não se desdobrou em manipulação das massas como a feita durante a pandemia? A fórmula é simples: adota-se um discurso, dão a ele um rótulo científico para lhe conferir autoridade inquestionável e vende-se uma ideia ou tecnologia que estejam alinhados à premissa. Pronto, muita gente acumula riqueza com essa fórmula, a de se usar o rótulo da "ciência" para validar uma ideia que é imposta à sociedade como verdade inquestionável. O certo é que não existe ciência feita com total isonomia, pureza e honestidade, pois todo o fazer científico é maculado, seja pelo seu financiador que deseja ter os resultados previamente desejados, seja pelo operador da ciência que não é imune às corrupções dos processos e que tem, ele mesmo, as crenças próprias que evidentemente quer comprovar no tipo de ciência que faz. No planetário, por exemplo, ficou evidente que os astrônomos locais queriam sugerir à sua plateia que aliens não apenas podem, mas que muito provavelmente existem - mesmo não existindo nenhuma evidência que corrobore essa ideia meramente especulativa, mas que fizeram parecer ser cientificamente fundamentada. 

Oras, se ciência for exame de fatos, então a forte sugestão especulativa vendida não é ciência, é pregação de crença, e esse tipo comum de deturpação da ciência já vendeu ideias como as neuroses coletivas sobre o fim do petróleo, o buraco na camada de ozônio, a superpopulação da Terra, o aquecimento global, etc. O ex presidenciável dos EUA que vendeu seu discurso viral em "Uma verdade inconveniente" ficou muito mais rico com o que na época parecia ser um alerta mas que hoje se comprovou falso - tudo supostamente científico...


Veja também:

Toda a criação foi afetada pelo pecado do homem (também sobre a impossibilidade da existência de vida alienígena)- https://atitudeprotestante.blogspot.com/2026/06/toda-criacao-foi-corrompida-pelo-pecado.html

A obra do Senhor Jesus Cristo https://atitudeprotestante.blogspot.com/2023/11/a-obra-do-senhor-jesus-cristo.html

13/11/2024

Idolatria do púlpito

 


A idolatria do púlpito e a corrupção na invenção de um tipo de sacerdócio distinto dos demais crentes.

A Palavra de Deus deve ser pregada, ensinada e crida. 

Em toda a Bíblia ocorre a comunicação da Palavra de Deus aos seus receptores, aos ouvintes, um trabalho feito por mensageiros de Deus que receberam dele mesmo a mensagem a ser transmitida, sejam profetas, mestres, apóstolos, pastores e evangelistas. Mas não existe, em nenhum caso, descrições ou ensinos sobre a arte a ser aprendida para pregar. A ênfase bíblica está no conteúdo, nunca na forma. Não existem ensinos sobre oratória e retórica na Bíblia, não existem descrições de técnicas de comunicação, nem de persuasão - o que vemos em alguns casos é Deus dar a sua mensagem para alguém que não se mostra apto para pregá-la às outras pessoas. Às vezes o sujeito é gago, outras se mostra como uma criança, quase sempre é alguém absolutamente comum, um pescador ou um cuidador de rebanhos... Também não existem descrições de púlpitos como centralizadores da pregação da Palavra de Deus na Bíblia.

O que existe é a ordem dada aos discípulos de eles mesmos propagarem a mensagem recebida. São os discípulos, aqueles que aprenderam as doutrinas do Senhor, que devem comunicá-las às outras pessoas, fazendo outros novos discípulos. São os crentes no Evangelho que receberam a comissão dada pelo Senhor de evangelizarem todo o mundo. E como eles devem fazer isso, centralizando a pregação do Evangelho nos púlpitos? Não! Eles mesmos devem fazer a evangelização e o discipulado nas formas naturais de convivência com as outras pessoas, no "indo" conforme irem por aí, conforme suas vivências se desenrolarem no andamento da história. 

Pregação não é, portanto, apenas um trabalho profissionalizado que alguma casta distinta dos crentes tem a prerrogativa de fazer. Não! Esse é um trabalho de semeadores, de gente comum que espalha as sementes da Palavra de Deus por toda parte.

Nós temos uma ideia estrutural de igreja que herdou práticas do catolicismo e que deveriam ser corrigidas. Ainda preservamos a ideia do clero, uma invencionice que reinventou um sacerdócio distinto, um ofício que existia apenas no contexto do Antigo Testamento por causa dos serviços cultuais que eram feitos no Templo, mas que caducaram com os atos do Senhor Jesus quando Ele se entregou no holocausto da cruz. Não existem mais sacrifícios oferecidos no Templo porque essas coisas eram sombras que apontavam para o Cordeiro de Deus entregando a sua vida na cruz, e como não existem mais serviços cúlticos no Templo também não existem mais a figura do operador desses serviços, o ofício dos sacerdotes. Portanto, não existem sacerdotes destacados no corpo de Cristo, pois todos os crentes são igualmente ministros do Evangelho e são igualmente participantes dos tesouros da sua Graça. Contudo, ainda que não exista mais o caducado ofício dos sacerdotes cultuais, evidentemente existe hierarquia na igreja, que deve ser liderada, sob o senhorio do Rei Jesus, por anciãos (os mais velhos, sábios - ênfase na experiência), pastores (cuidadores de ovelhas - ênfase na função), bispos (superintendentes - ênfase administrativa) ou presbíteros (equivalente ao ancião de uma assembleia), todos esses termos são equivalentes, são sinônimos e intercambiáveis e que mudam conforme os textos apenas em função das ênfases do que cada uma dessas expressões significa. Então, a hierarquia na igreja é formada pela liderança de irmãos mais velhos na experiência cristã, os mais conhecedores das Escrituras e por isso mais aptos e sábios para ensinar as verdades da fé cristã aos demais a fim de que os outros também possam aprender, praticar e ensinar outros novos crentes. O ministério da Palavra na igreja é, nessa perspectiva, como uma corrida de bastão em que uma geração de crentes passa o conhecimento da Palavra de Deus para a geração seguinte, que por sua vez faz a mesma coisa com a próxima, fazendo assim com que a Palavra de Deus seja disseminada por todo o mundo e por toda a história, disseminando as sementes que o Senhor fará brotar onde Ele mesmo quiser, produzindo salvação por toda parte. 

Por isso, a distinção hierárquica no governo da igreja não é a mesma coisa que ter nela uma casta sacerdotal mais privilegiada espiritualmente e que seja distinta dos crentes comuns, como muitos pensam ser, pois o Senhor Jesus é o nosso único suficiente Sumo Sacerdote (e debaixo dEle todos os crentes são sacerdotes no mundo) e Ele é o único Mediador entre Deus e os homens. Debaixo dEle todos estamos nivelados e os líderes na igreja estão muito mais para professores numa sala de aula do que para o ideário corrupto que é praticado pelo catolicismo romano.

Assim, a ideia centralizadora na pregação da Palavra também tem causado danos no pleno ministério de todos os crentes, pois muitos tem se acomodado numa pregação centralizada em torno da qual os crentes orbitam, acomodados, quase como se o púlpito representasse novas formas de se praticar o santo lugar - e nesse sentido é praticada uma forma de idolatria. Para muitos é ali que Deus fala, e a palavra de Deus é o que o pregador falará a partir dos desdobramentos do texto lido, e não o próprio texto. Na prática, muita gente pratica a corrupção que diz que a Bíblia "contém" a palavra de Deus - uma vez que é seu subproduto pregado que seria a palavra revelada ou a "porção de Deus para aquela ocasião" - quando na verdade a Bíblia é , em si mesma, a Palavra de Deus, cabendo ao pregador apenas expô-la fielmente. Não são poucas as corrupções praticadas na idolatria dos púlpitos...

Deus fala com qualquer crente que foi reconciliado com Ele pela eficácia do sangue de Cristo. E ele o faz pelas Escrituras na iluminação do seu autor, o Espírito Santo, seja no culto público de adoração ou em qualquer circunstância. Por isso, não acontece nada de mais especial quando a Bíblia é lida e pregada num púlpito do que quando é lida e ensinada numa singela devocional familiar, pois a Palavra de Deus em todos os casos é a mesma, o Espírito Santo que inspirou o texto sagrado e que ilumina os crentes na sua leitura é o mesmo e o sacerdócio dos crentes é universal, sujeito aos mesmos poderes do Deus que nos fortalece na verdade tanto no culto dominical que nos foi ordenado, quanto numa leitura bíblica feita por qualquer crente verdadeiro de forma individual ou compartilhada.

Não é do ensino bíblico que se formou toda uma tecnocracia em torno da pregação e do ministério da Palavra centralizada nos púlpitos, e sim da filosofia grega e dos modos com que os filósofos aperfeiçoaram sua comunicação, sua dialética, por meio de técnicas de oratória e retórica - técnicas essas que certamente podem ser usadas no trabalho dos crentes e das igrejas, e elas foram absorvidas pelas igrejas desde o início da história do cristianismo, mas com o necessário discernimento de mantê-las no campo a que pertencem, como meras técnicas e habilidades humanas que são, coisas da carne que por natureza não são nem espirituais nem ordenadas por Deus e, portanto, não são centrais para que a Palavra de Deus seja pregada e ensinada. São apenas acessórios adicionais tanto quanto são a guitarra e a bateria para a realização dos louvores. Tire os instrumentos musicais e a eficácia dos louvores será rigorosamente a mesma - pode ser que a música fique menos agradável aos nossos ouvidos, mas não o será para o Deus que contempla os corações. Tire o aparato técnico e cênico das pregações, e pode ser que elas não sejam mais tão agradáveis aos nossos ouvidos, mas isso será irrelevante para o Deus que fala na força do seu poder e que convence pecadores acerca da verdade sempre e exclusivamente pela atuação e poder do Espírito Santo. Deus é o poder da eficácia da sua mensagem que a toda a igreja foi confiada para praticar e disseminar.

Ensinemos a Palavra de Deus! Por mim a figura dos púlpitos deveria dar lugar às conversas de mesa (e como eu as tenho preferido ultimamente!), nelas todos os crentes têm os seus "púlpitos", ou nos sofás, nas praças, nos parques, nos bancos dos ônibus, etc e em todos os lugares nós podemos comunicar as mesmas verdades de Deus, cada qual com o seu jeito de comunicar e se expressar, pois todos somos como vasos de barro, sempre imperfeitos e multiformes, mas que carregam em si um riquíssimo tesouro e nós podemos distribuir a riqueza e o poder do Evangelho sem a dependência centralizadora dos púlpitos - eles podem ter importância como modelo organizacional, uma técnica para que haja ordem e decência nos cultos feitos para Deus, contudo os púlpitos nunca foram ordenados por Deus e, portanto, nunca foram e não são imprescindíveis. O profissionalismo dos operadores do púlpito tem sido um desdobramento do ministério pastoral que em inúmeros casos tem sido corrompido. A institucionalização da igreja a tem corrompido sistematicamente, fazendo com que a potência da verdade seja condicionada aos interesses corporativistas de verdadeiras castas que, a pretexto de a servirem, em muitos casos a manipulam e subvertem - coitados desses homens! Deus os cobrará.


Veja também:

https://atitudeprotestante.blogspot.com/2023/12/pastores.html

01/10/2024

Cultos que são superproduções imersivas.


Cultos que são superproduções imersivas.

Vivemos uma epidemia apóstata da tendência de transformação do culto a Deus em eventos de imersão em experiências sensoriais. 

O verdadeiro culto cristão é a prática de um conjunto de ações que são biblicamente orientadas para a adoração a Deus, somente. 

O Evangelho é a nossa reconciliação com Deus, realizada pela obra redentora do Senhor Jesus Cristo, o único Mediador entre o povo e Deus. Portanto, por meio do Senhor Jesus Cristo o povo congregado está na presença santíssima e sublime do Todo-Poderoso, e nós devemos adorá-lo em cumprimento do propósito primeiro da nossa existência, pois fomos criados para adorarmos a Deus e desfrutar dEle. 

A adoração a Deus que nos é requerida é feita por meio de Cristo e jamais se baseia em nossos méritos. Nós nos baseamos somente nos méritos do Senhor Jesus, pois somente Ele cumpriu toda a Lei e se ofereceu como sacrifício perfeito, o Cordeiro de Deus oferecido no holocausto da cruz para pagar pelos nossos pecados, e assim somente Ele satisfaz às exigências da Lei e da santidade de Deus e assumiu, perante Ele, as maldições das nossas dividas, sofrendo a santa e justa ira de Deus em nosso lugar, nos outorgando o seu perdão pleno, fazendo-nos, então, aceitáveis diante da suprema santidade do Deus-Pai que nos adota como filhos com o seu Unigênito, agora Primogênito dentre muitos irmãos.

Diante disso, o culto a Deus não consiste em nós, no que queremos, no que julgamos serem as nossas prioridades, mas sim na glória do Cordeiro de Deus que nos resgatou e que ressuscitou dos mortos, triunfando da morte, do pecado e do inferno, e que vive e reina para sempre. O verdadeiro culto cristão é focado no Senhor, na sua obra e na sua glória e não em nós. E por estar focado e baseado no Deus que é Espírito, e que não pode ser visto, nem sentido pelos nossos atributos carnais, mas conhecido pela fé somente, e que é Santo e incontaminável, o culto a Deus deve estar fundamentado nesses mesmos fatos e nesses elevadíssimos valores que nós não podemos reproduzir - não no que vemos, não nas nossas obras, mas somente no que de Deus conhecemos pela sua auto-revelação que é feita nas Escrituras. 

O culto é a adoração a Deus na beleza da sua santidade. O culto tem um destino definido, tem uma beleza definida e tem um modo santo e incontaminável definido. É Deus que deve ser contemplado, apreciado, e nós só o podemos conhecer pela sua auto-revelação que é por meio das Escrituras somente. Portanto apreciamos o que as Escrituras dizem sobre Ele, o verdadeiro louvor a Deus é a proclamação dos seus atos e dos seus atributos. Nós não inventamos coisas sobre Deus, nós proclamamos o que sabemos sobre Ele, o que Ele mesmo diz. Nossas invencionices não cabem nesse contexto.

O culto é um serviço congregacional oferecido a Deus, é quando os crentes, os santos de Deus, que são chamados de santos porque Deus os comprou com o precioso sangue de Cristo, separando-os do mundo para si, se reúnem para cumprir o que Deus requer deles como povo de sua propriedade exclusiva. Esse povo adora a Deus declarando seus atributos, as virtudes que de Deus conhecemos na mesma medida em que delas desfrutamos em santa e solene reunião. Não são as belezas que podemos produzir nem as virtudes que podemos praticar que saudamos ou louvamos, nós exaltamos o Deus invisível que preenche o recinto com a sua glória excelsa, porque podemos adentrar o Santíssimo lugar sob a cobertura justificadora e santificadora do seu Filho, o nosso Redentor. E a Palavra de Deus que diz respeito ao próprio Filho de Deus encarnado, porque toda ela se refere a Ele, nos é proclamada, e nela as grandezas do Todo-Poderoso se evidenciam e nós as assimilamos, e a nossa fé é edificada, e somos santificados, limpos, guiados, fortalecidos e instruídos. A glória do Deus Espírito nos preenche e transforma a nossa consciência à semelhança de Cristo. Mas o que fazemos enquanto as glórias do Todo-Poderoso se tornam evidentes é a simplicidade de quem não tem coisas semelhantes às grandezas recebidas para oferecer. Tudo o que temos para oferecer é o esvaziamento de nós mesmos. São petições de suplicantes, não exigências. São louvores aos atributos de Deus, e à beleza da sua santidade, e aos seus grandiosos feitos, não expressões da vaidade humana. O eu diminui em contraste com a evidência da sublimidade das glórias do Deus Santo que nos concede a graça de estarmos numa presença tão grandiosa e incomparável. O comportamento adequado da nossa parte, então, é de contrição, de quebrantamento e humilhação, de santo temor e de consciência da nossa finitude e pequenez diante da glória suprema do Santo dos santos. Não é lugar para auto-exaltação, nem de palavras de ordem. Diante do Senhor toda a Terra deve se calar pois é Ele quem tem a prerrogativa da fala.

Então, por mais gloriosa que seja a natureza de um culto a Deus, o que fazemos nele é singelo, simples, humilde e cheio de santo temor. A grandeza não está no que fazemos, mas sim do Deus que é adorado. Da nossa parte, começamos alinhando nossas consciências para que a congregação esteja num mesmo espírito e propósito. Uma reflexão quieta em preparação e uma oração coletiva na adoração iniciada. Nela agradecemos pela oportunidade de obedecermos às ordens da adoração congregacional no dia do Senhor para desfrutarmos do seu amor, e suplicamos a benção do Deus-Espírito em receber e dirigir a nossa adoração coletiva. E imploramos o seu perdão pelos pecados cometidos para, purificados, podermos adentrar o Santo lugar, não as instalações físicas do prédio onde estamos, isso não é um templo, mas o local espiritual onde o Todo-Poderoso exerce sua soberania sobre todas as coisas nos céus e na Terra. E assim, adentramos com ousadia na sua santíssima presença onde anjos não ousam descobrir seus rostos por temerem a grandeza do Senhor de todos, mas nós, cobertos pelo sangue de Cristo podemos contemplar o que antes nos era impossível. E então nós o louvamos, apreciando assim as suas virtudes, os seus feitos, a sua glória. E enquanto o adoramos Ele se agrada de nós e como verdadeiro Pai que é nos ama, nos cura, nos instrui e transforma. O culto de adoração a Deus é a forma mais excelente de desfrutarmos da sua comunhão, verdadeira intimidade e conhecimento. E quando terminamos o nosso louvor, coisa simples porém feita em submissão às Escrituras e de todo o coração, força e entendimento, Ele nos dá mais de si, da sua graça na medida em que pregação fiel da sua Palavra é feita ao povo.  O culto é uma dialética, uma conversa entre o povo congregado com o Deus que é adorado. E Ele responde.

É assim o culto de adoração a Deus, nós estamos reunidos como congregação na presença de Deus por meio de Cristo para adorá-lo na beleza da sua santidade, e não para nos impactarmos uns aos outros com qualquer coisa que nós possamos fazer. 

Cultos imersivos em emoções fabricadas pelo homem estão colocando a glória baixíssima dos homens caídos no lugar da sublimidade da glória do Deus Santo e Todo-Poderoso, e isso é uma inaceitável corrupção do culto, é uma profanação dele, é uma idolatria porque está se praticando a adoração às coisas criadas em lugar do Criador. Cansa ver "ministros" de louvor se esforçando para "contagiar" sua plateia enquanto agem como animadores de auditório em cima de palcos como em shows, teatros e em circos. Mas essas desgraças são pragmáticas, elas funcionam, atendem bem aos desejos hedonistas daqueles que repudiam o culto santo ao Deus Santo porque, em última instância, o odeiam. Os shows exigem mais trabalho por parte dos que os produzem, mas atendem aos apetites dos sentidos ao promoverem o entorpecimento das emoções a quem chamam, equivocadamente, de "mover de deus".

É o entorpecimento, as fortes emoções induzidas por um conjunto de coisas embaladas por luzes, músicas muito bem produzidas (aliás, o que seria do movimento evangélico sem o movimento gospel com sua indústria musical?), muita técnica e pirotecnia, palavras de ordem e abordagens emocionais com a odiosa despersonalização e a descentralização de Deus no culto para em seu lugar ser praticada a ênfase no "eu", e no que "eu sinto", e no "meu bem estar", no meu acolhimento e empoderamento, na minha validação quanto à espiritualidade feita sob medida para mim num mercado religioso de múltiplas opções em que o senhor é o meu arbítrio. A corrupção do culto de adoração ao Senhor se transformou numa epidemia crescente de deturpação do ministério da igreja, que em muitíssimos casos tem se prostituído com modelos pragmáticos de se praticar o hedonismo, o culto das pessoas por elas mesmas e das suas emoções na busca do seu próprio bem-estar projetadas num "deus" idealizado que reflita as suas perspectivas e que costuma ser chamado de Jesus, um homônimo vazio do verdadeiro. Eis um culto idólatra e pagão que enche facilmente igrejas em franca apostasia e que profanam cada vez mais o Evangelho e que quebram todos os mandamentos ao adorarem ideais e deuses inventados enquanto invocam o nome do Senhor em vão para tentarem validar suas egolatrias.

O verdadeiro culto a Deus é desprezado pela maioria das pessoas porque elas simplesmente odeiam a Deus. Todos nós já fomos mortos espirituais, inimigos de Deus e da sua santidade, e por isso nos refugiávamos nas nossas idolatrias como desdobramento do nosso pecado, da nossa rebelião. E esse é o padrão humano à parte de Cristo até que o Evangelho nos salve, antes de tudo, de nós mesmos.

Por isso, o passo fundamental que é requerido pelo Senhor Jesus daqueles que pretendem seguí-lo é a renúncia de si mesmos, é a auto-negação e não a auto-aceitação nem a auto-validação, pois conversão é olhar para Jesus e não mais olhar para si mesmo, é esvaziar-se de si para se preencher com Ele.

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Os pilares da igreja são a Palavra de Deus pregada, crida e praticada em fidelidade, somente.

O fundamento da igreja é a doutrina dos Apóstolos, é a obra de Cristo e os seus desdobramentos e não as obras da carne, as ingerências dos homens caídos.

Mas nos nossos tempos os oportunistas têm envenenado a muitos com suas ideias inovadoras, com seus relativismos e ideias do marketing, com conceitos pragmáticos do ambiente corporativo, com abordagens da psicologia, da pedagogia e tantas outras intromissões que não são doutrinas nem ordens do Rei da igreja ao seu povo.

Essa sanha pragmática por resultados produzidos por técnica, controle humano e tecnologias para tornar a igreja num negócio que se expande artificialmente é um câncer em metástase no contexto religioso-evangélico e que fomenta ideias humanistas, meramente terapêuticas e sensoriais, contextos em que a Palavra de Deus é tratada como um meio de se obter algum bem estar e o próprio Deus é reduzido a um mordomo dos homens, algo que Ele não é. 

Essa aberração anticristã tem prosperado inclusive no contexto reformado onde, em muitos casos, o culto de adoração a Deus tem sido desfigurado num espetáculo sensorial feito aos homens que perderam a consciência da glória do Cordeiro e que buscam se sentir bem numa espiritualidade que sirva aos seus hedonismos - e, obviamente, por detrás desse circo existe um comércio oportunista que se agiganta, pois esse fermento levedador da massa do que deveria ser a pureza do Evangelho é sempre a mesma e velha obra da carne que, por sedução do Diabo, corrompe as coisas que deveriam ser santas sem parecer que essa degeneração faz com que rebanhos inteiros apostatem da fé genuína enquanto estão entorpecidos com as fortes luzes artificiais que são embaladas por meias verdades, ou melhor, verdades torcidas a ponto de tornarem-se em mentiras.


Um contraste com os modismos, um modelo santo.

24/09/2024

A idolatria é uma grande balada entorpecedora, uma perversidade socialmente celebrada

Igreja de Aparecida e a multidão de devotos da santa

Meca e a multidão de peregrinos muçulmanos 

Vídeo feito por inteligência artificial 

E se as seduções da Babilônia forem socialmente celebradas?

E se a idolatria e as degenerações humanas forem praticadas, também, nos entorpecimentos de shows e de baladas?

E se ofender ao Senhor Deus for divertido e a autodestruição humana for precedida por prazeres da carne?

E se tudo isso fosse celebrado em shows, raves e espetáculos repletos de jovens saudáveis que só querem se divertir?

Isso NÃO faria com que o pecado deixasse de ser pecado, que o arrependimento deixe de ser necessário, que o Evangelho deixe de ser a única verdade salvadora. Ainda que TODO O MUNDO se una contra Deus e a sua verdade, isso não invalidaria o seu justo juízo e a única misericórdia oferecida à humanidade continua sendo exatamente a mesma - o Evangelho.

"...seja Deus verdadeiro, e todo homem mentiroso..."

(Romanos, 3: 4)

Daniel 3: versos 1 a 30 - O grande ídolo da Babilônia e a fidelidade dos jovens judeus ao Senhor seu Deus comprovada na recusa de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego de se curvarem diante do grande ídolo conforme foi ordenado pelo rei Nabuconosor a toda a sua nação numa idolatria imposta por Lei.

Texto bíblico:

1 O rei Nabucodonosor fez uma imagem de ouro que tinha sessenta côvados de altura e seis de largura; levantou-a no campo de Dura, na província da Babilônia.

2 Então, o rei Nabucodonosor mandou ajuntar os sátrapas, os prefeitos, os governadores, os juízes, os tesoureiros, os magistrados, os conselheiros e todos os oficiais das províncias, para que viessem à consagração da imagem que o rei Nabucodonosor tinha levantado.

3 Então, se ajuntaram os sátrapas, os prefeitos, os governadores, os juízes, os tesoureiros, os magistrados, os conselheiros e todos os oficiais das províncias, para a consagração da imagem que o rei Nabucodonosor tinha levantado; e estavam em pé diante da imagem que Nabucodonosor tinha levantado.

4 Nisto, o arauto apregoava em alta voz: Ordena-se a vós outros, ó povos, nações e homens de todas as línguas:

5 no momento em que ouvirdes o som da trombeta, do pífaro, da harpa, da cítara, do saltério, da gaita de foles e de toda sorte de música, vos prostrareis e adorareis a imagem de ouro que o rei Nabucodonosor levantou.

6 Qualquer que se não prostrar e não a adorar será, no mesmo instante, lançado na fornalha de fogo ardente.

7 Portanto, quando todos os povos ouviram o som da trombeta, do pífaro, da harpa, da cítara, do saltério e de toda sorte de música, se prostraram os povos, nações e homens de todas as línguas e adoraram a imagem de ouro que o rei Nabucodonosor tinha levantado.

8 Ora, no mesmo instante, se chegaram alguns homens caldeus e acusaram os judeus;

9 disseram ao rei Nabucodonosor: Ó rei, vive eternamente!

10 Tu, ó rei, baixaste um decreto pelo qual todo homem que ouvisse o som da trombeta, do pífaro, da harpa, da cítara, do saltério, da gaita de foles e de toda sorte de música se prostraria e adoraria a imagem de ouro;

11 e qualquer que não se prostrasse e não adorasse seria lançado na fornalha de fogo ardente.

12 Há uns homens judeus, que tu constituíste sobre os negócios da província da Babilônia: Sadraque, Mesaque e Abede-Nego; estes homens, ó rei, não fizeram caso de ti, a teus deuses não servem, nem adoram a imagem de ouro que levantaste.

13 Então, Nabucodonosor, irado e furioso, mandou chamar Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. E trouxeram a estes homens perante o rei.

14 Falou Nabucodonosor e lhes disse: É verdade, ó Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que vós não servis a meus deuses, nem adorais a imagem de ouro que levantei?

15 Agora, pois, estai dispostos e, quando ouvirdes o som da trombeta, do pífaro, da cítara, da harpa, do saltério, da gaita de foles, prostrai-vos e adorai a imagem que fiz; porém, se não a adorardes, sereis, no mesmo instante, lançados na fornalha de fogo ardente. E quem é o deus que vos poderá livrar das minhas mãos?

16 Responderam Sadraque, Mesaque e Abede-Nego ao rei: Ó Nabucodonosor, quanto a isto não necessitamos de te responder.

17 Se o nosso Deus, a quem servimos, quer livrar-nos, ele nos livrará da fornalha de fogo ardente e das tuas mãos, ó rei.

18 Se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses, nem adoraremos a imagem de ouro que levantaste.

19 Então, Nabucodonosor se encheu de fúria e, transtornado o aspecto do seu rosto contra Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, ordenou que se acendesse a fornalha sete vezes mais do que se costumava.

20 Ordenou aos homens mais poderosos que estavam no seu exército que atassem a Sadraque, Mesaque e Abede-Nego e os lançassem na fornalha de fogo ardente.

21 Então, estes homens foram atados com os seus mantos, suas túnicas e chapéus e suas outras roupas e foram lançados na fornalha sobremaneira acesa.

22 Porque a palavra do rei era urgente e a fornalha estava sobremaneira acesa, as chamas do fogo mataram os homens que lançaram de cima para dentro a Sadraque, Mesaque e Abede-Nego.

23 Estes três homens, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, caíram atados dentro da fornalha sobremaneira acesa.

24 Então, o rei Nabucodonosor se espantou, e se levantou depressa, e disse aos seus conselheiros: Não lançamos nós três homens atados dentro do fogo? Responderam ao rei: É verdade, ó rei.

25 Tornou ele e disse: Eu, porém, vejo quatro homens soltos, que andam passeando dentro do fogo, sem nenhum dano; e o aspecto do quarto é semelhante a um filho dos deuses.

26 Então, se chegou Nabucodonosor à porta da fornalha sobremaneira acesa, falou e disse: Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, servos do Deus Altíssimo, saí e vinde! Então, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego saíram do meio do fogo.

27 Ajuntaram-se os sátrapas, os prefeitos, os governadores e conselheiros do rei e viram que o fogo não teve poder algum sobre os corpos destes homens; nem foram chamuscados os cabelos da sua cabeça, nem os seus mantos se mudaram, nem cheiro de fogo passara sobre eles.

28 Falou Nabucodonosor e disse: Bendito seja o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que enviou o seu anjo e livrou os seus servos, que confiaram nele, pois não quiseram cumprir a palavra do rei, preferindo entregar o seu corpo, a servirem e adorarem a qualquer outro deus, senão ao seu Deus.

29 Portanto, faço um decreto pelo qual todo povo, nação e língua que disser blasfêmia contra o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego seja despedaçado, e as suas casas sejam feitas em monturo; porque não há outro deus que possa livrar como este.

30 Então, o rei fez prosperar a Sadraque, Mesaque e Abede-Nego na província da Babilônia.

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O mal descrito no grande ídolo de Babilônia é repetido incontáveis vezes nas diversas formas de idolatrias que provocam a ira justa e santa de Deus todos os dias e em todos os lugares.

E a fornalha acesa não é mais a de Nabuconosor, mas será o inferno preparado para os réprobos.

Veja também:

Apostasia homeopática (Cold Play)

https://atitudeprotestante.blogspot.com/2023/04/apostasia-homeopatica.html

Sobre o inferno

https://atitudeprotestante.blogspot.com/2023/04/o-amor-de-deus-e-o-inferno.html

O Evangelho 

https://atitudeprotestante.blogspot.com/2023/08/o-evangelho.html

09/09/2024

Manifestação 7 de setembro



Minha placa fez sucesso, mas...

Eu fui na manifestação de 7 de setembro contra o Alexandre de Moraes porque acredito que ele e o Lula precisam ser confrontados e que a população deve se impor em luta porque a força da população consciente pode fazer mudar as coisas, pode fazer cair políticos e tiranos.

Contudo muito do que vi me causa frustração. Vi qua a idolatria do Bolsonaro está impregnada em muita gente que só consegue ver uma relação maniqueísta entre esquerda e direita representados no Lula e no Bolsonaro. Enquanto houver idolatria não haverá esperança.

Vi também um sincretismo doentio envolvendo noções rasas e impróprias do cristianismo com apelos da direita. Dói nos ouvidos ouvir versículos bíblicos totalmente deslocados dos seus contextos sendo tratados como gritos de guerra da direita; e ouvir líderes religiosos politizando a fé cristã em falas e em orações absurdas como se suas utopias e sandices correspondessem a estar sob a vontade de Deus ao som insurdecedor de músicas de baixíssima qualidade exaltando mitos humanos como se personalizassem as únicas esperanças que temos. 

Isso dá nojo!

Lula tem que cair, mas Bolsonaro não é esperança nenhuma! Esperança, no contexto político e social é por meio da consciência das coisas que gera ações corretas. E mesmo a consciência não se iguala à verdadeira esperança que é fundamentada no Senhor Jesus Cristo - mas isso é outra coisa muito diferente e superior ao debate político, é ministério da igreja, não dos políticos.

Reafirmo, fui para me opor ao bandido que está na presidência desse país para multiplicar suas corrupções e para me opor ao ministro do STF que tem agido ditatorialmente e com injustiça. Mas é terrível toda a idolatria que faz parte dessa mobilização.

Leia também:

https://atitudeprotestante.blogspot.com/2024/08/xandao-o-megalomaniaco-que-nao-passa-de.html

30/03/2024

Não faça imagens de Cristo


Desobedeça ao Senhor, descumpra a sua Lei, faça as coisas do teu jeito desconsiderando a ordem divina de não fazer imagens do Deus que se revela somente pelas Escrituras, numa ação que é sempre soberana do Espírito Santo, uma prerrogativa exclusiva dEle e que tem sido usurpada por homens.

E, apesar da tua prevaricação, insista em enganar a si mesmo e às tuas plateias afirmando que Deus aceita adorações maculadas pelas distorções e pelas rebeliões de muitos porque elas são feitas com a "sinceridade dos corações" - coração que é enganoso e desesperadamente corrupto e corruptor, ou seja, você caiu na cilada do teu próprio engano e não há culto nesse contexto que Deus receba assim como nunca houve um único culto maculado nos relatos das Escrituras que foi aceito por Ele, pelo contrário, todos esses cultos adulterados pelas imaginativas "sinceridades dos corações" acarretaram no juízo divino. Esaú fez um culto a Deus do seu modo, Nadabe e Abiú queriam apenas manter os seus incensários acesos, Uzá teve iniciativa e parecia ter boas intenções ao tentar segurar a arca, Ananias e Safira estavam na igreja e trouxeram suas ofertas (mas não foram inteiramente obedientes) - e todos foram reprovados severamente pelo Deus que requer o nosso culto, a nossa adoração fiel e obediente. Não faça como eles.

Faça a coisa certa! Cultos aceitáveis são liturgias de obediência. Não faça imagens de Cristo, uma profanação muito comum na semana da Páscoa. O Deus-Homem jamais deixou de ser o Deus que se revela apenas pela Palavra. Não atribua formas decadentes àquele que é digno de toda Glória e louvor e que não pode ser reduzido às decadentes imagens feitas pelas mãos nem pelas imaginações caídas dos homens, porque ao fazer isso você rebaixa a glória do Senhor aos padrões baixos de qualquer ídolo.

Obedecer a Deus é melhor do que fazer sacrifícios. Cultos aceitáveis ao Senhor são aqueles que obedecem às suas ordens, cultos cristãos são aqueles que proclamam e obedecem à Palavra de Deus.

1° e 2° Mandamentos 

(Êxodo 20: 3 - 6):

"Não terás outros deuses diante de mim.

Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.

Não te encurvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam e uso de misericórdia com milhares dos que me amam e guardam os meus mandamentos."

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Ver Jesus,

Como é possível?

Apenas escriturísticamente por iluminação do Espírito Santo e pela fé.

"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai."

(João, capítulo 1, verso 14)

"Disse-lhe Jesus: Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram."

(João, capítulo 20, verso 29)

"...porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade..."

(Colossenses, 2: 9)

"...nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e por quem fez também o mundo; sendo ele o resplendor da sua glória e a expressa imagem do seu Ser..."

(Hebreus, capitulo 1, trechos dos versos 2 e 3)

"...fitando os olhos em Jesus, autor e consumador da nossa fé, o qual, pelo gozo que lhe está proposto, suportou a cruz, desprezando a ignomínia, e está assentado à direita do trono de Deus."

(Hebreus, 12: 2)


Veja também:

  • The Chosen não é uma boa ideia:

https://atitudeprotestante.blogspot.com/2023/08/the-chosen-nao-e-uma-boa-ideia.html

  • Pregação sobre os 2 discípulos no caminho de Emaús - uma evidência de que o Senhor Jesus Cristo não é reconhecido pela sua imagem:

https://youtu.be/Vpc_rHo24sQ?si=PrugOltpzE-PHSbP

08/08/2023

Por que os protestantes não beatificam outros crentes que são modelos de fé, mas contam os seus testemunhos?


Por que os protestantes não beatificam outros crentes que são modelos de fé, mas contam os seus testemunhos?

"Esta saudação é de próprio punho, de Paulo. Lembrai-vos das minhas cadeias. A graça seja convosco."

(Colossenses, 4: 18)

A Bíblia é repleta de recomendações acerca de "lembrar-se" dos testemunhos de fé de outros crentes, vivos ou mortos, tanto para usarmos de compaixão para com os que sofrem como para o estímulo da nossa fé ao atentarmos para o alto valor da fé dos crentes fiéis. 

No final da sua carta aos Colossenses, o Apóstolo Paulo escreve de próprio punho uma breve saudação onde inclui um pedido, o de que seus leitores se lembrem das suas cadeias, dos seus sofrimentos por causa de Cristo. E considerando a atemporalidade e a inspiração das Escrituras, esse registro atendia uma demanda imediata e também se estende para um sentido mais amplo, e nesse sentido não nos é mais possível praticar alguma ajuda ao Apóstolo (possivelmente a demanda imediata), mas ainda nos é possível lembrar dos seus sofrimentos de forma didática, como estímulo à fé dos seus leitores em qualquer época. O testemunho e os sofrimentos de Paulo continuam pregando, corroborando a mensagem do Senhor a quem ele servia.

Hebreus 11 é uma famosa "galeria de heróis da fé" que tem esse propósito, o de estimular à fé no Senhor Jesus usando o recurso da descrição de alguns atos de crentes ao longo da história, cujos testemunhos são relembrados e isso é muito diferente deles serem usados para algum tipo de devoção a eles dirigida. Nenhum cristão verdadeiro comete o pecado de atribuir a esses ou a outros heróis da fé as devoções que somente ao Senhor devem ser dadas. Nenhum crente em Jesus que sabe que somente Ele é Mediador entre Deus e os homens ora a Moisés, nem a Davi, nem a Daniel, nem a Elias, nem a Maria, nem a Calvino.

Alguns costumam acusar os cristãos reformados de "beatificarem" alguns dos seus heróis de fé. E essa acusação é desonesta, é essencialmente maldosa. Talvez, primeiro precisamos entender o que é "beatificação" e o que é um "beato". Na igreja católica pratica-se a distorção de fé de se venerar aos "santos", e para eles essa veneração é bastante diferente da lembrança dos seus testemunhos de fé, pois consiste, também nas práticas de orações a eles dirigidas. A teologia católica ensina que os santos, dentre eles Maria, intercedem por nós como auxiliadores das intercessões do Senhor Jesus Cristo, como se as intercessões do Senhor não fossem suficientes e como se ajudas de outros fossem possíveis. Além de, supostamente, ouvirem as orações dos católicos - e nenhum santo faz isso - os santos são objetos de contemplação mística, espiritual (normalmente através de imagens amplamente condenadas na Bíblia) e para tentarem se eximir do pecado de idolatria, a teologia católica inventou a expressão "veneração" para tentar distinguir as devoções aos santos da adoração que somente a Deus deve ser feita. Na prática os fiéis dos santos se apegam a invenções tanto visíveis como imaginárias (ambas são práticas de idolatria) que são colocadas entre as pessoas e Deus. São muletas e penduricalhos que desviam da fé que seria suficiente em Cristo. E os "beatos" são, segundo a teologia católica, aqueles que já desfrutam das bem-aventuranças celestes (gente que já morreu e que está com Cristo) e que está num processo de reconhecimento por parte da igreja católica romana de ser reconhecido como um santo - isso porque eles dizem existir evidências, que estão sendo analisadas, de que esse beato faz milagres. Ou seja, as pessoas já têm orado a ele e o têm venerado e crêem que têm recebido suas bênçãos.

Mas os crentes em Jesus sabem que o Senhor é suficiente. Sua obra para a redenção, sua mediação entre Deus e nós e a sua intercessão pelos crentes que estão no mundo não precisam de nenhuma ajuda dos crentes (santos) que já morreram. Cristo basta! Por isso os cristãos reformados não beatificam ninguém e não tratam ninguém como santo no sentido de que o seu modelo, consagração e identificação com o Senhor, por mais iluminados ou bem-aventurados que sejam, jamais os tornarão aptos nem dignos para nenhuma forma de veneração ou adoração, porque essas práticas são corrupções da fé e peca gravemente quem as ensina e quem as pratica - pecados que requerem ARREPENDIMENTO, e não o reconhecimento, a aceitação ou a sua celebração. Não existe fraternidade ou unidade cristã no erro, na rebelião contra o Senhor. A nossa fraternidade e união são na verdade, na incorrupção do Evangelho e na fidelidade ao Senhor. Somente Deus deve ser adorado, Ele não divide a sua glória com ninguém e nenhum dos santos, sejam os crentes que já estão na glória com o Senhor Jesus ou os anjos, ousariam usurpar da glória do Senhor, seja (supostamente) aceitando venerações ou ouvindo orações dos crentes que estão no mundo.

Então, quando os cristãos reformados fazem memória dos seus "heróis da fé", eles o fazem com um propósito que não inclui devoções aos mortos, beatificações ou outras mentiras que foram introduzidas por falsos mestres e absorvidas por outras tradições cristãs que corromperam a fé no Evangelho. O propósito dos reformados é de estímulo à fé tendo por vista, também, atentar para os modelos de fé que nos servem de exemplos, ainda que de pessoas imperfeitas (como nós) mas que ainda assim são exemplos valorosos. E justamente porque são valorosos, muitos deles praticavam a humildade de não falarem de si e de desejarem o oposto do que queriam os fariseus que almejavam as glórias dos homens e os seus reconhecimentos - como ocorre, fartamente, entre os corruptores da fé, entre os falsos mestres e falsos profetas que muitas vezes corrompem a religião e usurpam as glórias de Cristo.

Por tudo isso, os testemunhos dos bons servos de Cristo costumam ser contados, não pelos seus próprios lábios, mas pelos lábios de outrem.

"Seja outro o que te louve, e não a tua boca; o estranho, e não os teus lábios."

(Provérbios, 27: 2)