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21/03/2026

Tempos de paz diante do fim?


 Tempos de paz diante do fim?

Nas décadas recentes vivemos um período de utopia, de relativa paz entre os povos (ou boa parte deles), uma época de "globalização" sob as sombras de um país hegemônico - os EUA, com sua proeminência cultural, bélica e econômica - que, à semelhança da "pax romana", nos permitem interagir com relativa segurança, viajar pelo mundo, trocar experiências e produtos. Nunca antes, em toda a história das civilizações, se viveu tamanha "paz" - claro, não perfeita nem plenamente, porque nunca deixaram de ocorrer conflitos e guerras pontuais. 

Mas parece que esse tempo de "paz" do atual globalismo está ruindo, está caminhando para o fim, para um novo período que começa a se desenhar. Os tempos de relativa paz exigiram dos países mais desenvolvidos que afrouxassem suas fronteiras, e assim os povos com suas culturas locais foram enfraquecidos a ponto de às vezes parecerem estar em vias de serem apagados pela substituição por outros povos com suas culturas, que migraram dos seus decadentes locais de origem para se imporem nos locais onde o desenvolvimento com suas promessas de bem estar eram maiores. O multiculturalismo inevitavelmente produziria, como já se vê, a reação das culturas locais em reação, e defesa, contra aqueles que se impõem como parasitas que se assenhoram do que foi cultivado e que pertence a outros. Na história das cilivizações, o outro povo sempre tende a ser uma ameaça, um inimigo - e essa distinção do outro sempre é percebida na distinção religiosa, ou de costumes, ou da cor da pele, ou da origem geográfica, da língua, ideologia, etc. O outro é o "não eu" e portanto é uma ameaça ao que eu sou, a cosmovisão do outro não pode coexistir com a "minha" cosmovisão. O homem é o lobo do homem e a sua história sempre foi, e será, a história do embate das civilizações, de um povo tentando tomar as terras e riquezas do outro povo, e tentando impor sobre ele a sua cultura, domínio, religião e cosmovisão.

A relativa paz que temos, até então, nunca foi fruto de uma ampla fraternidade e aceitação. Mas sim a imposição por força de quem poderia obrigar os demais a aceitar os termos do dono do tabuleiro. E, apesar da imposição à força, o ideal do "destino manifesto" dos EUA forjou um mundo mais inclusivo e global. Se na história sempre se tem um reino impositivo, parece-me que a proeminência histórica e ainda vigente dos EUA fez do mundo um local relativamente mais justo, embora, obviamente, sempre despótico - nenhum "senhor" é realmente democrático. Mas nos bastidores todos conspiram, armam reações, ciladas, e era perfeitamente previsível, se considerarmos a natureza humana exposta pela nossa história, que a falsa e forçada paz dos nossos tempos um dia iria colapsar. Muito provavelmente estamos vivendo os últimos tempos de um tipo de civilização sob as sombras e a proeminência dos EUA. Os outros "reinos" (ou nações) também querem o seu destaque e hegemonia. Os povos não são iguais, são rivais, e todos anseiam pelo seu tempo de glória. Sempre foi assim e sempre será assim. E a alternância dos poderes na reorganização do mundo sob uma nação, reino ou cultura dominante sempre é feita através da disputa de forças, sempre é por meio da guerra.

Provavelmente as peças do tabuleiro do jogo do poder no mundo estão se organizando para uma nova guerra de proporções mundiais em que boa parte da população mundial (atualmente mais de 8 bilhões de pessoas - um número excessivo e problemático) morrerá, não acidentalmente, mas intencionalmente a fim de que se reconfigure, também, o fluxo das coisas e a economia mundial.

Essa realidade perversa foi apontada pelo Senhor Jesus:

"Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; eu não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize." (João, 14: 27)

Palavras ditas pelo Senhor Jesus Cristo aos seus discípulos para distinguir a paz que Ele dá ao seu povo (à igreja, como embrião do seu Reino neste mundo perverso) em contraste com a "pax romana" como modelo transitório, decadente e inconsistente da paz mundana.

20/10/2023

Cristianismos esvaziados do Senhor Jesus Cristo e as utopias por paz

 

Martin Luther King Jr.
Um herói dos direitos civis nos EUA
mas um teólogo liberal, um pastor muito questionável na sua fidelidade ao Senhor.

Os perigos das boas mensagens e das virtudes esvaziadas do Senhor.

Não é uma característica recente a propagação de ideais cristãos destituídas da pessoa do Senhor Jesus (essa é uma característica do pós-cristianismo, um subproduto cultural amplamente praticado por quem despreza a fé no Senhor mas quer ter suas virtudes morais), e isso pode ter efeitos práticos positivos em causas pontuais como a defesa dos direitos civis mas não tem nenhum efeito nas causas que importam mais e que são os objetivos primários e fundamentais do Senhor e do seu Evangelho - a nossa reconciliação com Deus.

É óbvio que a igualdade das gentes é causa importante, que os direitos civis devem ser igualitários, que deve haver liberdade e justiça, mais ainda que todos os dilemas humanos e suas injustiças sejam solucionados, tais coisas seriam apenas bens provisórios e efêmeros e não resolvem o nosso problema primário e fundamental: somos pecadores que carecem de salvação, da reconciliação com Deus, o autor e sustentador da vida.

O problema das causas e das militâncias que se apropriam de princípios cristãos como igualdade, justiça, amor e perdão mas as desvinculam da pessoa onde essas e outras virtudes subsistem é que, necessariamente, todas essas virtudes passarão a ser aquelas que o gênero humano corrompido pelo pecado pode praticar, e assim, todas elas serão frutos corrompidos pela nossa natureza corrompida, serão meras caricaturas decadentes das verdades que o cristianismo prega.

Não é possível comunicar ou praticar as excelências do Senhor sem que se proclame a sua pessoa e a sua obra. Não é possível ter a justiça e a fraternidade apontadas por Cristo sem que Cristo esteja presente. E esse foi o defeito, crasso, cometido por muitos líderes cristãos que se tornaram em figuras proeminentes por suas militâncias aparentemente justas, pois os ideais do mundo exigiram deles que retirassem a exclusividade do senhorio, da proeminência e da glória do Cordeiro de Deus, o Senhor Jesus Cristo, dos seus discursos para que esses ideais, agora mais fluidos e despersonalizados, tivessem maior aceitação em contextos plurais e laicos, incluindo naqueles contextos onde se desejam as virtudes de Cristo sem o seu senhorio. Vendeu-se, assim, a verdade, reduzindo-a ao que ela não é.

Essa é uma das formas de secularização, de mundanismo da igreja e da sua apostasia. Pois às vezes no afã de militar nas causas do mundo as igrejas e suas lideranças se rendem às suas pautas e se submetem às exigências do mundo em lugar das exigências do Senhor 

Não existe cristianismo sem a glória, a primazia e a proeminência do senhorio exclusivo do Senhor Jesus Cristo.

No Evangelho, ou você aceita e se submete a tudo, ou não tem nada de Deus. Não há acordo.

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Castelos de areia

Não existe e jamais existirá qualquer possibilidade de redenção humana com o homem procurando em si mesmo e nos seus esforços os meios de se alcançar um ideal de paz, de harmonia e de felicidade. Todos os esforços por fraternidade são efêmeros, incapazes de produzir o bom fruto desejado, pois todos estamos sob a maldição do pecado, naturalmente quebrados no que deveria ser o nosso fundamento, estamos destituídos de Deus e entregues às vaidades das nossas imaginações sempre inclinadas para a oposição da santidade do Criador, pois a sua luz nos repele e o seu fogo nos consome, e nada do que façamos nos restaurará. 

Na condição de pecadores, e sob essa maldição, nós somos autodestrutivos. A história humana é a história do embate entre civilizações, das disputas dos poderes, das ambições e da rapina. O homem é o lobo do homem e esse é um dos efeitos da sua miséria como raça banida de Deus e destinada à morte.

Nessa condição miserável do pecado os nossos esforços por paz e fraternidade são como os risíveis riscos que traçamos na areia de uma praia, no subir da maré tudo desaparecerá. Nossos tratados de paz são apenas fumaça. Basta um passo errado e todos os esforços e acordos dos homens viram ruínas. O problema não está baseado nas fragilidades das relações humanas, mas sim na quebra da nossa comunhão com a fonte de todo bem, verdade e justiça. O nosso problema é com o Deus que é o Criador, e Sustentador de todas as coisas e que é a única fonte possível da nossa necessária redenção.

Foi Deus, o Criador e Senhor de todas as coisas, quem impôs inimizade entre os povos como consequência da rebelião de todos eles contra o Senhor (Gênesis 10), e essa inimizade que acarreta em disputas, opressões e guerras só pode ter fim sob o cetro e a coroa do Rei dos reis e Senhor dos senhores, com o domínio do nosso Redentor Jesus Cristo, aquele que nos reconcilia com Deus e também nos reconcilia uns com os outros. Sob o senhorio de Cristo os convertidos são todos irmãos reunidos numa única Igreja.

A única redenção possível está além de nós, e é a interferência do Deus de quem fomos banidos para, por meio da sua encarnação, morte na cruz e ressurreição, os maiores milagres em toda a história, sermos reconciliados.

A única salvação possível, a restauração da nossa plena humanidade conforme a imagem do Criador revelada no Senhor Jesus Cristo é o arrependimento e a fé no seu Evangelho. Em Cristo estão os feitos da nossa salvação, nele deve ser posta a nossa fé, a Ele devemos seguir e servir e Ele é o nosso modelo, fundamento e referência.

Todo o resto é utopia, engano, mentira e multiplicação de iniqüidade sobre iniqüidade. Crenças, descrenças, cientificismos, ideologias, niilismo, tradições, religiões... Não existem esperanças verdadeiras fora das misericórdias oferecidas pelo Evangelho do Senhor Jesus, o Deus encarnado e a plenitude em torno de quem tudo se fundamenta.

A única esperança está aberta e clamando diante de todos. O Evangelho é uma porta aberta para um caminho oferecido a todos para que se arrependam, creiam e sejam salvos. E quem tiver ouvidos que ouça e venha a Cristo - não há salvação sem Ele!


Veja também: O Evangelho 

https://atitudeprotestante.blogspot.com/2023/08/o-evangelho.html

18/04/2017

Que tipo de SABEDORIA é exaltada através do sábio rei Salomão?



Que tipo de SABEDORIA é exaltada através do sábio rei Salomão?


A sabedoria que Salomão tinha teve início no temor a Deus (Provérbios 9: 10), e levou a ele e ao seu reino Israel à prosperidade. Mas no final da vida Salomão se perdeu numa inaceitável decadência espiritual, tornando-se idólatra por influência do excesso de esposas e de concubinas que tinha como resultado das suas políticas (1 Reis 11) - casamentos de reis e de nobres eram parte de acordos políticos na antiguidade, por meio de casamentos reinos estabeleciam acordos de paz.

Salomão era sábio, mas o tipo de sabedoria que ele tinha está mais para a de um exímio estadista, um grande diplomata, um líder que precisa saber fazer política, que faz concessões e acordos, que sabe agradar a todos, que adota o politicamente correto, que une diferentes tradições com paz e harmonia entre diferentes culturas e crenças e que chega ao ponto de estabelecer a idolatria em seu país, lado a lado com a santa religião do Senhor. 

Sim, do ponto de vista humano essa capacidade de unir e de construir pode ser tratada como virtude, uma grande sabedoria. Um estadista que agir assim, construindo pontes entre culturas diferentes e costurando a união entre costumes diferentes certamente seria um promotor da paz e da prosperidade sob sua administração.

Esse é o tipo de sabedoria que é esperada dos líderes políticos, dos estadistas, dos administradores públicos. Uma sabedoria que nasce de princípios divinos, do temor do Senhor de onde procedem as nossas noções de justiça, de humanidade, de liberdade e de bem. É da Lei do Senhor que tiramos nossas noções de direitos humanos. Mas os governos lidam com a diversidade de culturas, de costumes, de crenças e, apesar desses líderes serem instrumentos de Deus para a condução da história (Romanos 13) eles servem aos reinos dos homens e não ao Reino de Deus. Então a sabedoria que eles podem ter pode ser elevada mas nunca será completa, ela tem apenas início no temor do Senhor mas não avança nesse temor, ignorando aspectos fundamentais das verdades de Deus como a necessidade de se lidar com o problema do pecado humano e da devoção cultual ao único Deus que se revelou a nós por meio de Cristo.

Diferentemente da sabedoria diplomática que tem apenas o seu princípio no temor do Senhor, o Evangelho, que é a sabedoria de Deus revelada em sua plenitude (1 Coríntios 1: 21; 3: 19) não lida diplomaticamente com o mundo ou com os seus valores. O Evangelho aponta para Cristo como Messias, Salvador e Senhor e apregoa a vinda do Reino de Deus em contraste com a condenação deste mundo. Ele não negocia os seus valores com um mundo submerso no pecado - pelo contrário declara a necessidade de arrependimento e de perdão - e exige que as pessoas se coloquem no seu lugar correto diante do Deus Santo e Criador. Por tudo isso, o mundo repudia a plenitude da sabedoria de Deus revelada no Evangelho de Cristo (João 17: 14 - 18; 1 João 2: 15). Os fatos de Cristo ter sido crucificado e de os cristãos da igreja primitiva terem sido, em grande parte, martirizados por causa das verdades de Deus que pregavam apenas evidenciam o conflito, o contraste irremediável entre os valores deste mundo com os valores do Reino de Cristo. 

Por isso, política e religião são irremediavelmente distintas (não existe e nunca existirá uma bancada verdadeiramente "evangélica"). O Estado deve ser laico e a Igreja não deve se intrometer em política.

A sabedoria que Salomão possuía não era "evangélica", ele não consta na galeria da fé de Hebreus 11 e não é, portanto, um exemplo de fé para os cristãos. Mas ele certamente era um sábio estadista, um diplomático, alguém que nos dias atuais poderia muito bem ser enquadrado como um humanista, um liberal, um grande pensador ou filósofo que teve seus pensamentos originalmente baseados em princípios divinos mas que em suas elucubrações divagou para muito longe dos caminhos do Senhor assim como da perfeita sabedoria.

O modelo de sabedoria diplomática de Salomão tem sido buscada e praticada também nas universidades que foram fundadas a partir de princípios cristãos, mas que reduzem o Evangelho a meros princípios e substitui suas afirmações por diálogos com a diversidade (acatando ídolos), tornando essas instituições, na prática, em promotoras de uma pluralidade de ideias e de valores que aos olhos seculares são chamadas de virtudes, mas que inevitavelmente descambam para a idolatria que é vista numa pluralidade onde não existe lugar para os valores absolutos do Evangelho.

Em Salomão devemos aprender que toda a sua glória não supera a frágil beleza de uma erva do campo (Mateus 6: 28-30) - é passageira tal como um castelo de areia.