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08/06/2015

Vilipêndio e Ignorância a respeito da cruz.



Que tristes e miseráveis cenas o tolo orgulho pelos pecados produzem...
Se alguns pensam que podem contestar verdades com suas encenações, opiniões, imposições e prazeres, saibam que não podem, sobre isso todos somos impotentes...
Nunca existiu um vilipêndio ou escândalo maior do que um fato incomparável e que foi realizado num ato exclusivo que não pode ser reproduzido por ninguém.
Ninguém pode tornar mais ofensivo o que foi a maior de todas as ofensas; ninguém pode tornar mais escandaloso o que foi o maior de todos os escândalos; ninguém pode tornar mais humilhante o que foi a maior de todas as humilhações; ninguém pode tornar mais dolorosa o que foi a maior de todas as dores, de todas as angústias, de todos os sofrimentos...
A angústia, a humilhação e o martírio na cruz foi algo que somente Cristo pôde sofrer verdadeiramente. E de forma eficaz.
Ainda que todas as pessoas se insurjam contra esse fato que alguns reduziram a mero símbolo do cristianismo, a cruz, e ainda que todas as pessoas do mundo se unam para tripudiar desse símbolo, toda essa tentativa, todos esses esforços somados, todo o seu vilipêndio, todos os escárnios, todas as releituras e adaptações que as pessoas possam ousar propor jamais afetarão o verdadeiro significado e os efeitos verdadeiros do que foi a morte de Cristo na cruz. Nada pode ser mais ofensivo ou repulsivo do que aquilo que Cristo suportou na maldita cruz.
No máximo as encenações dos escarnecedores afetarão a subjetividade do sentimento religioso de alguns que nutrem simpatia pela cruz. Alguns podem se sentir ofendidos ou escandalizados, mas atos humanos nunca poderão afetar a verdade que o evento na cruz significa e proporciona.
Nada se compara ao vilipêndio sofrido por Cristo, o maior dos escândalos. Se alguém pensa que pode fazer da cruz um pretexto para a subversão, um meio para uma nova mensagem ou transformá-la num espetáculo grotesco, saiba-se que toda essa tentativa é inútil... semelhante tentativa é fruto de ignorância, é perversa, mas é mera ingenuidade. Na verdade esse tipo de atitude é apenas mais uma dentre incontáveis transgressões que fizeram a cruz de Cristo um fato necessário. Nossas transgressões, quaisquer que sejam apenas justificam o fato de que Cristo tinha que morrer de forma miserável numa cruz, tal como foi.
A morte de Cristo na cruz foi o maior de todos os vilipêndios. Na cruz foi evidenciado, como num espetáculo cruel, humilhante, sanguinário e perverso o quanto as nossas perversões e iniquidades são horrendas, ofensivas e destrutivas e nela também foi evidenciado que o amor do Criador pela sua criatura humana é maior que o mal que nutrimos em nós mesmos através dos nossos pecados e que ofende a sua santidade.
Deus, por meio da cruz, mostrou o quanto nos ama apesar de sermos a Ele ofensivos e são justamente os efeitos da cruz que nos faz aceitáveis por Deus.
Na cruz o Deus que criou todas as coisas tomou uma atitude extrema para reconciliar consigo a sua amada criatura humana, que por ter sido criada à sua imagem e semelhança pôde usar da sua liberdade para transgredir, para macular-se, para deformar seu próprio ser numa descaracterização destrutiva da sua natureza que, diante do alto padrão de Deus, da sua santidade, glória e perfeição, transformaram o ser humano em algo repulsivo.
O pecado é rebelião e é maldição e a sua consequência é o banimento de Deus. Ele é a fonte de toda vida e de todo bem e o pecado nos coloca num estado de banimento da Graça que de Deus emana. Nesse estado de banimento nos resta apenas um estado de trevas na irremediável condenação à morte.
O pecado nos macula e destrói e desse mal todos somos participantes. Não existe um único inocente, um único justo. Por causa do pecado nos tornamos avessos à santidade do Criador, ao passo que sua santidade repele o mal que nutrimos em nosso ser. Nós e Ele estamos separados. Em Deus está a nossa verdadeira identificação mas nós aprendemos a ignorá-lo, a detestá-lo e na necessidade de referenciais criamos outros deuses, feitos para satisfazer às nossas perversões e necessidades (e costumamos misturar essas coisas).
Cultuamos a nós mesmos, cultuamos os nossos bens e aos nossos prazeres deformados e esse nosso distanciamento de Deus nos reduziu a formas patéticas de humanidade, somos apenas sombras disformes e detestáveis do que deveríamos ser, sabemos o que é justo e bom mas transgredimos a lei moral de Deus que está impressa nas nossas consciências. Se um dia fomos o reflexo da imagem e da semelhança do Criador, porque foi assim que Ele nos concebeu, agora somos a imagem da sua deturpação e da sua desfiguração, somos seres repulsivos, blasfêmias ambulantes e semiconscientes que agonizam diante da morte iminente e que buscam formas de se entorpecer diante da desgraça sentida.
Todos somos assim, pecadores carregados do mal que o distanciamento de Deus produz em nós, tal como cânceres, tal como feridas que nos apodrecem de dentro para fora. Mas ainda somos! ainda existimos, sobrevivemos e acreditamos, equivocadamente, que merecemos aceitação e celebrações. Queremos que nossas chagas, que nossos pecados, com os quais tentamos nos acostumar, sejam celebrados como se fossem coisas naturais, queremos que os nossos horrores sejam considerados belos, queremos acreditar que o mal que nos assola é coisa boa! Enganamos a nós mesmos quando afirmamos que nossos ideais ou razões são verdadeiros. Estamos enganados a nosso próprio respeito, damos demasiada credibilidade às nossas limitações e utopias e a nossa negligenciada corrupção nos cega e enlouquece cada vez mais. E nessa loucura e cegueira apenas perseveramos no descaminho da autodestruição, do banimento e da morte.
O pecado é o que fazemos conosco, nos maculamos, nos distanciamos do Criador e nos entregamos às consequências de uma escuridão que primeiro devasta a nossa própria alma, é expressado em nosso comportamento, destrói o nosso mundo e por fim destrói a nossa existência. Nesse nosso estado atual, destituídos da Graça de Deus, não nos importamos mais com nossa desgraça, talvez nem a percebemos e está fora do nosso alcance qualquer reparação. A morte absoluta é uma consequência inevitável.
Mas Deus nos fez à sua imagem e semelhança... contudo hoje somos a desfiguração e o vilipêndio dessa imagem, é isso que fizemos conosco mesmos.
Contudo Deus ama a sua criatura humana e nem mesmo o nosso sacrilégio e profanação puderam confrontar a realidade poderosa e imutável do seu amor por nós.
E é por isso que Deus tomou uma atitude drástica: a cruz!
Nós não podemos mudar o mal que impregnou o que somos, não podemos mudar essa torpe natureza pecadora. Não podemos nos elevar ao Altíssimo, não podemos curar nossas feridas, não podemos apagar as marcas destrutivas do pecado e não podemos arcar com as dívidas decorrentes dos nossos erros, injustiças e maldades.
Mas Deus podia...
A quebra de toda Lei tem consequências, toda alma que pecar morrerá e sem derramamento de sangue não há remissão de pecados.
Então, o Todo-Poderoso, o Insondável, o Mistério que antes nos era desconhecido e que antes havia se apresentado como o "Eu Sou", o Deus Criador do Céu e da Terra rebaixou-se à nossa semelhança. O Deus Triúno não ficou impassível diante da nossa desgraça e então, a segunda Pessoa da Trindade se retirou, ainda que por um tempo, do seu alto e sublime trono e se humilhou, se fez homem na pessoa de Cristo, o Messias, a expectativa que todas as pessoas anelam por redenção, a manifestação da salvação divina. Nasceu milagrosamente o menino Jesus da virgem Maria, o verdadeiro Filho de Deus, seu unigênito. Ele cresceu e viveu entre nós para nos ensinar a respeito das verdades de Deus. Ele nos mostrou o caminho, a verdade e a vida e, mais do que simplesmente ensinar verdades e doutrinas Ele veio ao mundo para ser o Cordeiro que foi enviado por Deus para pagar, com o seu próprio sangue pelos pecados cometidos por muitos. Jesus, o Senhor de Toda a Glória veio ao mundo com uma missão específica: para ser humilhado e para MORRER pelos pecadores para livrá-los da maldição do pecado, assumindo Ele mesmo as culpas de outras pessoas diante da justiça de Deus, tomando sobre si os efeitos da nossas maldades, das nossas perversões, da nossa desgraça. Em Cristo a Justiça de Deus foi satisfeita, as penas que cabiam ao seu povo foram pagas com o derramamento do seu sangue. Em Cristo toda a impiedade dos homens foi confrontada, toda perversidade vencida. Ele foi moído pelas nossas transgressões e transpassado pelos nossos pecados. Todos nós o ferimos, todos nós escarnecemos dele, todos jogamos sobre Ele o nosso ódio e desprezo, todo vilipêndio e maldade foi jogada sobre seus ombros, esbofeteamos sua face com nossa ira, cuspimos nele todas as nossas perversões, o esmagamos com nosso desamor e incredulidade, zombamos dele com nossa idolatria, ferimos Ele e o fizemos sangrar até a morte com todo o mal que faz parte da nossa natureza pecaminosa e Deus aceitou a oferta, o sacrifício perfeito e o holocausto definitivo onde um justo pagou pelas penas de muitos para que muitos injustos pudessem ser justificados, pudessem ser perdoados, redimidos, santificados, recebidos como filhos adotados por Deus com todas as honrarias que pertenciam somente ao seu Unigênito.
Podemos aumentar o vilipêndio sofrido por Cristo com nossos atos tolos de insurgência ou de idealismo?
Não! Ele já foi esmagado por nós, por causa dos nossos atos, por causa do nosso pecado.
Mas esse não é o final da história.
O Rei dos reis e Senhor dos senhores morreu na cruz por amor aos pecadores, gente que o detestava, que não o compreendia e que não o conhecia. Mas Jesus Cristo é Deus, é Santo e é Todo-Poderoso, a morte não podia detê-lo e também a morte foi por Ele vencida, assim como o pecado, com a sua ressurreição. Hoje, Cristo vive e reina no seu trono celestial, Ele é soberano sobre todas as coisas e a nossa atual história é apenas uma página transitória que logo será virada pelo Senhor da história. Muitos irão para o seu Reino enquanto que muitos outros simplesmente perseverarão no seu descaminho de perdição e trevas rumo a completo banimento de Deus, o inferno.
Por isso, diante do evento da cruz de Cristo, cabe a nós apenas nos arrependermos dos nossos pecados, não celebrá-los, e seguirmos ao Senhor da vida no seu caminho verdadeiro da verdadeira dignidade humana: A SALVAÇÃO através da fé em Cristo.
"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna."
João 3: 16
"De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,
Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus,
Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;
E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.
Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome;
Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra,
E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai."
Filipenses 2:5-11

19/06/2013

A onda de manifestações no Brasil.

  

1) O cenário caótico

Há alguns dias (em 06 de junho) fiz o seguinte desabafo sobre a realidade brasileira e a inércia do seu povo:

Brasil!


Terra do futebol, apesar de ocupar o 22º lugar no ranking da Fifa.

Na mente dos gringos é a terra da safadeza, das mulheres-objeto (e das crianças-objeto), do sexo fácil, do carnaval, da avacalhação e da exploração de gente ignorante que faz de tudo por uns trocados.

Na mente dos brasileiros é uma terra abençoada, sem terremotos ou vulcões, com sol na maior parte do tempo... um lugar propício à vida-mansa, do pouco pensar e do pouco realizar. Se o samba tá tocando, se a cerveja tá gelada, se a mulata tá dando mole e se o time estiver ganhando não importa se o resto estiver desabando! Eita gente egoísta e burra! Incapaz de olhar para o futuro, de construir, de ter disciplina! Fomos formados apenas para cantar, não para pensar, criar, debater e construir. E cantamos de forma irresponsável.
Essa é a terra da corrupção institucionalizada, do jeitinho e da trapaça, onde a população quer se dar bem a qualquer custo, mesmo sem dar duro, mesmo sem estudo. É onde os malandros são celebrados e alguns chegam ao topo do poder para mandarem e desmandarem de acordo com seus caprichos, sempre visando altos ganhos, seus e de seus aliançados.
É a terra que fornece energia, matéria-prima e alimento para muitos em troca de serviços péssimos, de exploração, de má-vontade, de lixo. Nossa economia é poderosa mas nosso povo é demasiadamente servil e vazio. Nossa telefonia é péssima, nossos carros são péssimos, nossa infra-estrutura é péssima, nosso cuidado com o povo-gado é péssimo... mas celebramos a chegada da Copa do Mundo, mesmo capotando ladeira abaixo.

Diante disso, as opções:

1º) apagar a luz, fechar a porta e mudar para o Chile, Austrália ou Groenlândia; 
2º) chutar o balde e quebrar tudo, incitar uma revolução civil com enforcamentos dos corruptos;
3º) apelar à consciência da população brasileira para sua mobilização... sim, eu sei que isso não é opção, é uma piada utópica, pois essa população só se mobiliza por assuntos banais, é propositadamente ignorante e confere poder aos idiotas;
4º) com paciência e boa vontade fazer minha pequena parte na esperança de somar-me a outros que lançam mão ao arado sem olhar para trás, mesmo sabendo que, provavelmente, meu trabalho será inexpressivo diante de toda desordem.


2) A repulsa inicial pelas manifestações por causa da violência e depredação

Mas fui surpreendido com grandes manifestações que a princípio repudiei por causa da depredação e da violência:

COMO JUSTIFICAR O LINCHAMENTO DE UM POLICIAL POR MOLEQUES DE FACULDADE?

Revolta histérica de jovens órfãos de uma causa que saem por aí mascarados para confrontar um sistema que os serve inspirada por histórias sobre uma ditadura de uma época em que esses mimados sequer haviam nascido.

"IPHONE
Um manifestante do grupo que voltou à avenida Paulista após os primeiros confrontos com a Polícia Militar desferiu cinco "voadoras" até conseguir quebrar um dos vidros da entrada da estação Trianon do metrô. Após destruir o vidro, sacou seu iPhone e registrou o feito."

O quê dizer sobre isso? O cara que quebrou patrimônio público após cinco voadoras e sacou seu IPHONE (custa R$ 2.399,00!!!- comprado pelo papai) para postar seu feito no feicebuqui... por causa de R$ 0,20 no aumento na tarifa de Ônibus!


"Valores extremamente equivocados estão sendo disseminados em algumas faculdades, um verdadeiro subproduto ideológico carente e estúpido ávido por depredação gratuita.


Dê-lhes políticos corruptos e eles ficarão calados, coloque muita injustiça social diante dos seus olhos e eles fingirão que nada vêem. Mas não lhes tirem o pirulito e não ousem aumentar em R$ 0,20 a passagem do ônibus, pois nesses casos eles não apenas espernearão, mas farão todos pagarem o preço por sua carência de uma causa justa."

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3) Sinais de um despertar! O gigante acordou?

E depois de ver a violenta reação policial diante das agressões que eles haviam sofrido na véspera (como o policial que foi covardemente agredido na porta do Tribunal de Justiça) eu também pensei que esses movimentos poderiam incluir causas mais amplas e transformadoras para o bem de toda sociedade.

Vídeo mostrando início de manifestação pacífica mas brutalmente reprimida pela polícia.


"Acho que esses protestos estão sim assumindo uma força política muito importante, não de partidos corrompidos pelo poder, mas de uma população que resolveu agir. Se assim for sou partidário."



Muito além dos R$ 0,20... 




"Não vamos pagar para ver e assistir de camarote o cenário turbulento. Temos que atuar, sejamos apontadores de caminhos e inspiradores de ideias em tempos em que os caminhos e as ideias vigentes estão ruindo. Certamente oportunistas se apresentarão diante desse cenário e cabe à Igreja ser sempre a voz profética que aponta para o caminho seguro.
Podemos optar pela omissão ou pela atuação. A missão primordial da Igreja é com o Reino de Deus. Mas estamos no mundo e temos que trabalhar nele. Neste momento, muitas aspirações desses movimentos têm muito a ver com noções de justiça e de verdade, reflexos pálidos e idealizados da justiça e verdade em sua manifestação plena, coisas confiadas por Deus à Igreja de Cristo. Ou seja, nós somos os portadores daquilo que muitas dessas pessoas, em essência, buscam."




4) Os pontos negativos desses movimentos 

Sinais de perigo:



I - a falta de organização e de propostas:


Líderes do Passe-Livre no programa Roda-Viva de 17/06 que mostra que a única reivindicação desse movimento é a questão da tarifa de ônibus e o movimento não tem propostas para viabilizar o que exigem.
"Infelizmente essa afirmação parece ser muito verdadeira. O protesto tem fundamento mas faltam objetivos concretos e não faltarão oportunistas para se aproveitarem dessa situação."

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II - a continuidade de violência gratuita por parte de diversos manifestantes, especialmente no centro do RJ e em SP:

Depredações, vandalismos, agressões, invasões e destruições de prédios públicos no Rio de Janeiro e em São Paulo.

"Essa é a parte estúpida e desnecessária das manifestações e isso deve sim ser reprimido. Trata-se de crime, de violência desnecessária praticada por descontrolados mascarados que mancham os propósitos pacifistas. Lamentável..."

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2013/06/17/grupo-de-manifestantes-tenta-invadir-palacio-dos-bandeirantes-em-sp.htm

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III - a não inclusão por parte do movimento Passe-Livre em sua agenda de diversas questões que fizeram com que muitas outras pessoas aderissem às manifestações:


Postagem do Passe-Livre em sua página do Facebook conclamando as pessoas a novas manifestações até que as tarifas de ônibus sejam reduzidas. Tentam responsabilizar o prefeito e governador de SP pelo caos visto no centro da cidade, ao passo que foi o Passe-Livre que planejou as manifestações que estão fugindo do controle e da civilidade enquanto os políticos estão tentando encontrar soluções emergenciais possíveis. O Passe-Livre é que é intransigente e suas exigências penalizarão a população, especialmente em outras áreas públicas (como educação, saúde e segurança...):

O protesto generalizado que ocorreu hoje em São Paulo tornou claro o nível de indignação da população em torno do aumento da tarifa. Os atos se espalharam não somente pelo centro como por diversas regiões da periferia da cidade, como Cidade Dutra, Raposo Tavares, Socorro e M’Boi Mirim. São Paulo vive dias de revolta popular.


O tamanho das últimas manifestações e a radicalidade assumida pelos manifestantes em episódios como os que ocorreram nessa terça em frente à Prefeitura e segunda em frente ao Palácio do Governo só evidenciam o caráter insustentável da opção de Alckmin e Haddad pela intransigência. Ambos têm ignorado a pressão popular pela revogação do aumento das passagens. Até quando eles irão esperar?



Até lá, continuaremos nas ruas!

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IV - reivindicações estúpidas se multiplicando em meio a toda confusão:

Clamores por IMPEACHMENT!

Alguns querem o IMPEACHMENT da Presidenta Dilma. Ok... mas será que esses sabem quem ocuparia seu lugar? Pela ordem, o primeiro a ocupar o cargo seria o seu vice: Michel Temer (presidente eterno do sombrio PMDB), e depois dele o Presidente da Câmara dos Deputados, nosso ilustre claramente corrupto Renan Calheiros!
Por isso, mais do que simplesmente exigir o impeachment de forma impensada e irresponsável de alguém, precisamos urgentemente de uma REFORMA POLÍTICA, além da necessidade de APRENDERMOS A VOTAR!

Ah, antes de exigirmos o impeachment do Governador ou do Prefeito, precisamos considerar que o vice do Governador Alckmin é Guilherme Afif Domingos (que acumula os cargos de vice-governador de SP e de Ministro da Secretaria da Micro e Pequena Empresa - "fenômeno" que prova que em nenhum desses cargos o político efetivamente "trabalha" - não creio que o queiramos "não-trabalhando" no governo de SP) e que o vice do Prefeito de SP, Fernando Haddad, é uma tal de Nádia Campeão (?), uma espécie de tapa-buraco emergencial e mal-arranjado do PC do B que substituiu a então candidata a vice, Luiza Erundina, que não abriu mão dos seus princípios quando Haddad se aliançou com Paulo Maluf nas eleições municipais do ano passado.


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V - um movimento sem direção e objetivos claros que cresce por motivações diversas  e também pela falta de motivos definidos por parte de muitos - rebeldia sem causa:

"Seriam essas manifestações uma opção de entretenimento, um tipo de "balada" meramente fantasiada de ideologia passageira e facilmente posta à venda, um movimento orquestrado para atender a interesses de manipuladores obscuros ou um movimento legítimo que surgiu de aspirações idealistas? 

Foi assim com os caras-pintadas em 1992: Naquela época, participar das passeatas pelo Impeachment do presidente Collor era a maior "curtição". Por quê estávamos lá? poucos sabiam, mas era legal à beça. Era como malhar o Judas com milhares de heróis juvenis fazendo história. Sem perceber, acabamos por servir, alegremente, como massa pouco consciente do que estava acontecendo, mas de grande impacto para manobras políticas que atendiam aos interesses obscuros de terceiros. Grandes corporações e mafiosos políticos aplaudiram. Seria esse o caso atual?

Lindbergh Farias (http://pt.wikipedia.org/wiki/Lindberg_Farias), antigo líder do movimento estudantil, hoje é Senador (assim como o Judas "impeachmentado" Collor), um servidor desse sistema político atual e de reputação questionável por, adivinhe: CORRUPÇÃO.

O porvir responderá..."
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Passei a considerar que esse volumoso movimento precisa de uma análise crítica mais séria e depois das manifestações de irracionalidade, de fúria, de intransigência e falta de civilidade eu concluo que esse movimento passou a ser perigoso não apenas para as instituições, mas para a DEMOCRACIA.

Os movimentos de protesto que temos visto estão provando que têm fraca objetividade e fraca capacidade de organização, infelizmente.

O Passe-livre afirma que seu objetivo é apenas o valor da passagem e não é capaz de apresentar propostas para a viabilização da sua única reivindicação. Outras questões, reivindicações, denúncias e protestos são acréscimos - legítimos - que muita gente está apresentando por conta própria, sem articulações, sem propostas claras.

A ênfase dos articuladores desse movimento não é a corrupção, não é a segurança, educação ou saúde, não são os impostos abusivos com escasso retorno em serviços públicos, não são as injustiças sociais, não é a causa dos pobres, não é a cracolândia, não é o tráfico de drogas, não é a prostituição infantil, não é a situação dos presídios, não é o PCC, não é o investimento alto com a Copa do mundo ou outras coisas que agridem a população de bem. Nenhuma dessas questões foi debatida e as reivindicações das pessoas ecoam desorganizadas, sem rumo, sem objetivos concretos, o que faz desse movimento uma multidão desorganizada com reivindicações dispersas, algo impossível de compreender, de assimilar, debater ou atender. Isso tudo corre o risco de ser uma grande massa oca, uma empreitada mal-planejada, mal-resolvida e obviamente mal-sucedida.

Para muitos esses são movimentos de transformação política e social, o "gigante" teria acordado nos brados e cartazes destes. Mas ainda é um gigante sonolento, que não pensou bem antes de agir e que não sabe o que fazer.

Para outros, essa é a oportunidade de aparecer, de se crescer. Partidos nanicos, gente frustrada, gente que confundiu isso com balada e abutres oportunistas não perderão a oportunidade de se aproveitar da fraqueza ou exposição de uns, do novo modismo e da falta de orientação da maioria.

Para outros, os grandes imbecis, esses movimentos são oportunidades para depredar e arruinar. Aliás, é esse tipo de "gente", quase sempre mascarada, que é capaz de linchar policiais (servidores públicos, pais de família), depredar patrimônio público e privado. Esses devem sim ser impedidos de praticar seus delitos, a polícia deve sim recriminá-los, se preciso, à força. São criminosos e não podemos permitir que instituições públicas estabelecidas pela democracia selam cerceadas e destruídas por bandidos que estão participando, ou se aproveitando, desses movimentos. Alguns dirão: - "eles não são dos nossos!" - mas o fato é que o movimento deu força aos vândalos também e que não é capaz de impedi-los. Isso mostra o quanto esse movimento tem fraca capacidade de organização, apesar de ter conseguido juntar tanta gente. Gente aliás que, em sua maioria, está participando não por causa de 20 centavos, mas por diversas razões que julgam ser mais importantes. Por causa dos vândalos eu penso que já é hora de parar, afinal o recado sobre o valor das passagens já foi dado.

Além disso, se a causa desse movimento for mesmo apenas a tarifa de ônibus, provavelmente a massa que aderiu por outras reivindicações ficará enfraquecida, se sentirá traída e suas diversas causas perderão força. Será um tiro no próprio pé. Vejam que os corruptos ainda estão no poder e não se sentem minimamente ameaçados.

Por fim, este movimento acabou revelando que nossos governantes e nossos policiais estão despreparados. Não são capazes de lidar com algo assim, não previram as conseqüências, agiram de forma inconstante, às vezes reprimindo e às vezes pateticamente elogiando. Nossos políticos se deixaram cercear apesar de estarem ocupando cargos legítimos em conformidade com a democracia e era de se esperar que fossem mais determinados, mais decididos e mais preparados para agir, para negociar e para resolver problemas que lhes dizem respeito. A coisa está demorando demais.

Obs. Eu não votei no Haddad mas ele é, gostemos ou não, o Prefeito legitimamente eleito pela população paulistana através do voto, da DEMOCRACIA. Não podemos tolerar os bandidos que depredaram nosso patrimônio público, nossos símbolos (bandeiras e prefeitura) e que confrontam nossa sociedade com seus atos de vandalismo, violência e intolerância. Esses BANDIDOS devem prestar contas à sociedade e à justiça e o PASSE-LIVRE tem o dever moral de colaborar com isso, ajudando na sua identificação!


Um dos bandidos misturados às manifestações depredando patrimônio público.

5) Respostas mais amplas aos clamores 


Rev. Martin Luther King em manifestação pacífica por direitos civis nos anos 60.


Manifestantes cantam o Hino Nacional Brasileiro na estação Pinheiros do Metrô em 17/ 06/ 2013.

Os ideais de justiça e de verdade e o amor crescente que move muitas pessoas para fazerem de sua cidade ou país um lugar mais justo e que proporcione maior felicidade à sua população são coisas que podem dar um importante, mas incompleto significado de existência e de causa.

Mesmo os mais elevados ideais e as grandes realizações ou conquistas não podem preencher a alma humana de forma duradoura. Mesmo os mais belos atos humanos não podem ser totalmente imunes a uma natureza transgressora presente em todos nós e que tem a incrível capacidade de estragar o que é belo, corromper a justiça e transformar verdadeiros paraísos em infernos. Somos suscetíveis ao mal. Não existe perfeição em nossos atos, nem em nós mesmos. Não há justiça completa e integridade na obscuridade na qual estamos mergulhados. Lutamos nesse mundo e nessa vida à procura de algo que idealizamos, e que podemos querer muito, mas tentamos encontrar satisfação em coisas que sabemos não serem capazes de satisfazer nossa necessidade de uma vida plena em justiça, em amor, realizada e repleta de sentido. Nessa nossa condição decaída podemos idealizar, sonhar, lutar, construir e realizar importantes coisas, mas essas coisas sempre serão maculadas por uma natureza efêmera e pecaminosa que num tempo constrói e no outro subverte e destrói. A humanidade é assim.

Por isso, ainda que tentemos, não nos realizaremos. Não nesse mundo ou nessa querida Pátria chamada Brasil para a qual cantamos e por quem lutamos - ela também é efêmera, tal como os grandes impérios que já foram construídos e derrubados nesse nosso mundo. Assim também é efêmero o nosso cantar, nossa luta, nossa poesia, nosso amor, nossa história e nossa vida. Nosso canto é uma interpretação de um ideal maior que para muitos é desconhecido, mas ainda assim idealizado. Nossa alma carrega em si uma espécie de saudade que está sempre norteando os mais nobres ideais e as mais justas das causas. Um vazio que ecoa forte em nossos sentidos e que está plantado em nosso coração para que ele seja preenchido com a grande e única verdade que definitivamente o satisfaz, e isso para sempre: a poderosa e doce, Santa e transformadora presença de Deus preenchendo e acalentando, de uma vez por todas, o vazio dos nossos corações.

Ainda que a humanidade consiga, com seu trabalho, acabar com todas as injustiças e construir um tipo de sociedade que comporte bem a todos, ainda assim a sua miséria interior será latente e sua natureza pecaminosa estará intimamente apegada ao mal que a boa consciência reprova. Produzimos os infernos que nos atormentam tanto em vida como no porvir e nossa única esperança está na Graça do Deus que amou sua criatura humana e agiu para nos livrar de um estado de perdição que nos acomete nesta vida com consequências eternas. Nossos ideais de justiça, de verdade, de amor e nossas aspirações por um tipo de vida que não conhecemos neste tempo, mas que mesmo assim almejamos, são pálidas e distorcidas representações das verdades que não podem ser obtidas com nossos esforços, mas que inundam nosso coração quando Cristo é por nós recebido como Senhor e Salvador. Não como os mentirosos dizem, mas como nosso próprio coração anseia e como o próprio Deus diz.

Jesus Cristo, o ato supremo do amor de Deus, é o milagre maior que podemos experimentar, a manifestação do Deus criador através da efêmera criatura humana. Nele o próprio Deus se fez homem para nos apontar o caminho seguro da verdade. Ele agiu misericordiosamente para conosco e tomou sobre si a nossa corrupção, culpa e pecados e num sacrifício definitivo numa cruz as maldições que deveriam cair sobre todos nós não recairão sobre os que receberem sua Graça, porque essas maldições foram pagas em seu martírio. Jesus decidiu sofrer e morrer pelo seu povo para que seu povo receba a sua glória. E sua glória é eterna. E por ser Deus, poderoso e Santo, Jesus venceu também a morte e ressuscitou. Ele foi elevado aos céus, vive e reina sobre todo universo para sempre e o mesmo acontecerá com seu povo amado. Esta é a verdadeira e única realização que preenche nossas almas com os valores que antes podiam ser apenas idealizados, mas que precisam ser vividos. Ter a Deus em sua alma é a maior das realizações e isso nos destina a uma Pátria verdadeira e eterna e a uma morada muito mais elevada.


13/07/2012

Parada Gay e Marcha por Jesus


Faz sentido essa confusão altamente contrastante dessas passeatas formadas por milhões de pessoas que se ajuntam para “festejar” e “celebrar” seus modos de vida enquanto reivindicam direitos e proferem suas palavras de ordem num mesmo cenário, numa mesma cidade? Bem nenhum pode ser promovido por coisas assim, embora com aparência pacífica, ambas as “paradas” são prejudiciais ao bem comum.

Na “Parada gay” procura-se a imposição do homossexualismo à sociedade como se fosse algo que deve ser celebrado, absorvido à força, mesmo que ao preço do constrangimento de a sociedade ter que lidar com um apelo homossexual altamente erotizado em plena luz do dia e à vista de todos. Escândalo já não é mais algo que deve ser evitado, mas é quase que um chavão gay, algo que deve ser imposto. Perdeu-se a noção de privacidade, de individualidade e de respeito.

Homossexualismo, a prática sexual entre pessoas do mesmo sexo, é pecado e por isso não é algo natural e nem é saudável e por isso não é, e nunca será, um tipo de prática equivalente ao heterossexualismo, a prática sexual entre homem e mulher.

Por outro lado, o homossexualismo não é crime e por isso, deve-se o devido respeito à pessoa que tem este tipo de prática. Mas existe um abismo entre a não-ostilização ao homossexual com o devido respeito à sua pessoa e à celebração da prática.

Deve-se respeitar à pessoa homossexual, assim como a todas as pessoas, e garantir a ela que viva a sua vida com direitos e deveres como qualquer cidadão comum, sendo-lhe vetados apenas os direitos relacionados ao matrimônio com seu parceiro do mesmo sexo e a participação em certas práticas religiosas como a comunhão dos crentes na Santa ceia ou no batismo cristãos ou ainda, na prática de ministério eclesiástico pois tais práticas cristãs presumem auto-análise e fidelidade ao ensino bíblico. Quem se unir a alguém do mesmo sexo não comete crime, mas persevera no pecado e por isso não se pode reconhecer civilmente e nem como sendo saudável tal união além de serem mantidas certas restrições religiosas por conta da perseverança no pecado.

A discrição é necessária a qualquer relacionamento afetivo-sexual, pois a prática sexual saudável deve ser restrita ao casal. Demonstrações públicas de afeto erotizado não são saudáveis ou construtivas, pois expõem particularidades do relacionamento que deveriam ser mantidas na intimidade do casal. O namoro requer intimidade e a publicidade estraga a beleza do relacionamento afetivo-sexual, expondo-o como algo público, banal, pornográfico. Se ao namoro heterossexual a intimidade deve ser preservada, seria muito mais respeitoso que os homossexuais também fossem discretos, pois todos convivemos numa mesma sociedade e o respeito mútuo é necessário ao bem-viver na coletividade. Por isso, a parada gay é uma prática ofensiva àqueles que sabem que a prática homossexual é, à luz da Bíblia, um pecado e que isso faz muito mal a quem o pratica e à sociedade que o absorve como algo comum e equivocadamente saudável ou natural. O pecado, ao contrário de ser absorvido e festejado, deve ser confessado e abandonado. Diante do pecado sobra-nos apenas a opção do arrependimento (ou as conseqüências eternas da perseverança no erro).

Não se pode dizer ao mentiroso compulsivo que se ajunte a outros mentirosos compulsivos para que juntos façam uma passeata. Não se pode esperar o mesmo dos adúlteros, nem a qualquer outro tipo de pecador que quer se manter assim para que se una aos seus semelhantes para marcharem pela cidade e festejarem enquanto impõem aos demais o seu modo de vida. Como qualquer outro pecado, o homossexualismo não deve ser estimulado, ao contrário, pelo menos por parte da Igreja cristã o estímulo deve ser o do arrependimento. Mas se o arrependimento não ocorrer, que ao homossexual seja dado o direito pleno à sua vida social, mas não à prática do pecado e, por isso, o apoio à prática homossexual, o apoio à sua apologia, o apoio à união civil reconhecida entre homossexuais e o reconhecimento do homossexualismo como sendo uma prática comum e natural não devem ser reconhecidos pela Igreja e isso não porque a Igreja é preconceituosa, mas porque ela segue uma regra de fé que é a razão da existência da própria Igreja, ou seja, é a Bíblia quem diz que o homossexualismo é pecado (entre tantas outras coisas) e a Igreja existe para ensinar e praticar o que a Bíblia diz.

Por isso, é errado afirmar que o cristianismo é homofóbico ou preconceituoso. É bem verdade que muitos grupos cristãos são assim, mas não é este o verdadeiro sentimento do cristianismo bíblico, pois o cristianismo é a religião que o próprio Senhor Jesus criou e esta religião tem por princípio a verdade que todos somos pecadores. Assim, em tese, se o cristianismo fosse uma religião preconceituosa todos deveríamos estar excluídos da sua cobertura. A verdade bíblica é aquela que afirma que por todos sermos pecadores, todos devemos abandonar o pecado e nos arrependermos e nos convertermos à verdade dada por Deus acerca da sua vontade para as nossas vidas, servindo-o. Não é somente o homossexualismo, então, que deve ser repudiado, mas também a mentira, o adultério, a incredulidade, a idolatria, a injustiça, etc e o único modo de nos livrarmos da maldição do pecado e de suas conseqüências eternas de banimento de Deus é a fé em Jesus Cristo, conforme ensinado pelas Escrituras.

Além da passeata temática do pecado homossexual, também faz parte dos grandes eventos de São Paulo a "Marcha por Jesus".


Sei que parece estranho eu tratar esta “marcha” com o mesmo tom com que tratei a “parada gay”, mas existem razões para afirmar, infelizmente, que a “marcha por Jesus” é um equívoco e que não é uma maneira recomendável para a propagação da fé no Senhor.

Passeatas feitas pela cristandade (aqui, o termo é mais genérico e não necessariamente refere-se à igreja conforme os preceitos bíblicos e inclui grupos distintos, com motivações distintas) sempre aconteceram. Pelo menos a partir da Idade Média, as Cruzadas eram marchas formadas por cristãos, por mercenários e até por crianças que, sob o comando Papal, eram direcionadas para os mais diversos fins, sendo que a princípio lutavam para retomar Jerusalém das mãos dos muçulmanos medievais. Verdadeiras atrocidades foram cometidas e muitas foram as Cruzadas nestes séculos da Idade Média. Já no Catolicismo recente, tem-se a realização das procissões, mobilizações de fé carregada de sentido sacrificial onde os fiéis percorrem certo percurso em nome de sua fé para alcançar algum favor de Deus ou do santo cuja imagem carregam, veneram e ostentam. Esta é uma prática associada ao sofrimento, como se por ele pudéssemos conquistar favores espirituais e é, portanto, pagã, pois tenta diminuir a eficácia do sacrifício de Cristo por nós uma vez que os fiéis também devem se sacrificar; é equivocada por presumir que isso faz com que Deus seja mais piedoso (é impossível Ele ser mais piedoso do que já é) e é idólatra, pois venera-se e tenta-se atribuir poder divino à santos, imagens, estátuas e rituais.

Chegamos, portanto, à Cruzada moderna, à procissão gospel, à “Marcha por Jesus”. Quais seriam os pressupostos para esta empreitada? Se são as históricas, vemos que os equívocos comprometem a razão de ser da coisa. Se razões bíblicas, em nenhum lugar nas Escrituras encontramos tal ordem ou sugestão – a não ser a marcha empreendida por Moisés sob ordem divina para que o povo de Israel saísse do Egito que foi continuada por Josué até a Terra prometida (esta marcha marca o Êxodo e a formação de Israel como Nação e só faz sentido neste contexto).

Como os exemplos anteriores, a “Marcha por Jesus” tem características medievais e pagãs e isso é percebido nas razões de serem desta empreitada. Esta passeata gospel tem sido tratada como um meio para se alcançar alguma graça divina e é uma empreitada de uma organização religiosa “gospel” encabeçada por líderes de reputação claramente maculada, envolvidos em somas de dinheiro conseguidas de forma indigna e cuja motivação central em seus discursos está uma mal-intencionada teologia da prosperidade, anti-bíblica, que apregoa um reino do céu aqui e agora por meio de uma prosperidade material e saúde física como se tais coisas certificassem a benção de Deus de um modo que a Bíblia não promete. Trata-se, portanto, de uma deformação do cristianismo, do papel da Igreja e da pregação da mensagem bíblica; o que deve ser repudiado pela Igreja e tratado como prática e ensino do engano.

Eu tive o desprazer de participar por 2 vezes da “Marcha por Jesus” há uns anos atrás (já fui bastante ingênuo) e tal experiência foi para mim bastante construtiva. No ano de 1995 eu estava na minha 2ª marcha. Talvez por já ter algum conhecimento bíblico, dessa vez eu estava questionando o porquê daquela mobilização. Milhares de pessoas urrando palavras de fé desconectadas de qualquer sentido, trios elétricos barulhentos e a pior experiência: literalmente milhares de “crentes” passando por cima de uns miseráveis sob uma ponte... o que eu estou fazendo aqui? Essa “massa humana” poderia fazer muito mais pela cidade do que simplesmente sair por aí gritando e pulando, fazendo coisas sem propósito conforme orquestravam os “líderes” da igreja organizadora do evento.

Pra que marchar sendo que a falta de caráter e os abusos das distorções bíblicas são tão gritantes? Pra que se submeter a uma empreitada publicitária e vazia que serve apenas para fortalecer o prestígio de quem não o merece? Será que é marchando que a Palavra de Deus é proclamada? Quem coordena o evento distorce a pregação da Palavra. Eventos como este são úteis ou necessários? Não, não são.

A Igreja de Cristo marcha por meio da fidelidade, no dia-a-dia, exercendo o seu testemunho de serva, de amada, praticando o amor de Cristo. A Marcha por Jesus é uma manobra, um fingimento onde faz-se de conta que é feito o que na verdade não se faz; é queimar as possibilidades de se fazer ouvir por causa de uma histeria despropositada. É jogar na lama nomenclaturas que deveriam conferir credibilidade e seriedade como os títulos “evangélico” ou “cristão”, títulos esses que estão tão desacreditados por causa de um modelo “evangélico” desgastado por escândalos, por crimes e por pecados. É confundir erroneamente a missão da Igreja com um evento festivo e passageiro. É acreditar equivocadamente que é assim que se muda o mundo para melhor. O pior é que não é por Jesus que marcham, mas por seus líderes mundanos, por seus próprios impérios pessoais, por sua teologia da prosperidade, por seus negócios e o povo é mera massa de manobra, ou na melhor das hipóteses é mero consumidor de ilusões.

Essas passeatas, paradas, marchas são sintomas de o quanto o povo está perdido, é mero gado sendo guiado por líderes e pastores cegos para abismos onde se perderão de uma vez em seus próprios pecados, acreditando equivocadamente que seus sistemas de vida estão corretos e que suas vidas estão indo bem. O desejo que norteia essas pessoas é um desejo insaciável que a ilusão cria, a ilusão de que estão no caminho certo e que serão felizes. Não serão.