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01/04/2025

Todo servo de Deus é forjado no deserto.



Todo servo de Deus é forjado no deserto.
Todo pensador e todo filósofo só o é por causa da desilusão e da angústia.
Todo verdadeiro artista conhece o desencanto para a partir dele criar arte que expresse virtude.

Facilidades, convenções e entorpecimentos não servem à verdade, antes, a atenuam, filtram, distorcem e suprimem. É fácil ler sobre virtudes e sair tagarelando, feito papagaios, sobre verdades que outros disseram. Mas conhecer de fato não é mera bagagem intelectual, repetir frases não é possuir seus significados e não é ser quem viu a face do gigante chamado inquietude. Conhecer é ser submetido à prova para que se comprove o quanto das suas bagagens permanecerá, para que venha à evidência o que de fato se é, o que há de real em você. Nessa jornada muitos morrem no deserto ou por fraqueza ou por punição. Conhecer é ser refeito na olaria para que o que se julga saber passe da superfície para ser enxertado nos seus ossos, e esse é um processo de dor, e somente assim se pode ser purgado e refeito num novo homem, agora envelhecido pela depuração, mas que que fez dele bem mais consciente. Ser iluminado implica em ter a pele queimada pela luz que primeiro e por um tempo te cega, mas que permitirá enxergar de fato, mas somente se você for curado.

As facilidades, convenções e entorpecimentos a que multidões recorrem como meios de se obter felicidades apenas superficiais e imediatistas as estupificam em modos de se viver que são adormecidos e anestesiados, e essas coisas sempre exaltam e dão proeminência aos hipócritas.

Se você quer ser uma pessoa íntegra, um homem consciente e um conhecedor da verdade, não é na segurança das manadas e nas facilidades que todos buscam que você encontrará a virtude, pois a verdade não está em nenhum entorpecimento, pois o seu caminho é estreito e bastante apertado e são poucos os que andam por ele.

Veja também:

O orgulho de não fazer parte de nenhum rebanho.

26/01/2025

A tentação de Jesus

 


Pregação feita no culto da Capelania Evangélica do Hospital São Paulo dia 18 de janeiro de 2025 baseada no texto de Lucas 4, versos 1 a 13, sobre a tentação do Senhor Jesus pelo Diabo enquanto esteve por 40 dias no deserto.

Preguei esse mesmo texto em duas ocasiões diferentes nesse mesmo dia, de manhã no hospital e de tarde numa atividade missionária.

Nesse dia me despedi dessas duas atividades com as quais contribuí como voluntário nos últimos três anos.

As mensagens estão apenas em áudio.


Texto:

"1. Jesus, pois, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão; e era levado pelo Espírito no deserto,

2. durante quarenta dias, sendo tentado pelo Diabo. E naqueles dias não comeu coisa alguma; e terminados eles, teve fome.

3. Disse-lhe então o Diabo: Se tu és Filho de Deus, manda a esta pedra que se torne em pão.

4. Jesus, porém, lhe respondeu: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem.

5. Então o Diabo, levando-o a um lugar elevado, mostrou-lhe num relance todos os reinos do mundo.

6. E disse-lhe: Dar-te-ei toda a autoridade e glória destes reinos, porque me foi entregue, e a dou a quem eu quiser;

7. se tu, me adorares, será toda tua.

8. Respondeu-lhe Jesus: Está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás.

9. Então o levou a Jerusalém e o colocou sobre o pináculo do templo e lhe disse: Se tu és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo;

10. porque está escrito: Aos seus anjos ordenará a teu respeito, que te guardem;

11. e: eles te susterão nas mãos, para que nunca tropeces em alguma pedra.

12. Respondeu-lhe Jesus: Dito está: Não tentarás o Senhor teu Deus.

13. Assim, tendo o Diabo acabado toda sorte de tentação, retirou-se dele até ocasião oportuna."

(Lucas, 4)

03/11/2023

Deserto

 


Deserto

Ver somente o lado positivo das coisas pode ser perigoso.

Ouve-se recorrentemente que o deserto do Êxodo ilustra as provisões e os cuidados de Deus e que essa passagem serve como um tipo para as nossas lutas e provações durante a peregrinação da vida que visa o nosso aperfeiçoamento, edificação e santificação.

Meias verdades... 

Isso só é verdade para os crentes fiéis. O problema são as generalizações otimistas.

Nesse mesmo deserto toda uma geração de libertos do cativeiro egípcio foi morta, dando lugar à geração subsequente, a que entrou na terra prometida e que pouco tempo depois foi descrita no livro dos Juízes como um povo invariavelmente infiel ao seu Deus e Redentor e que ciclicamente foi disciplinada por Deus por causa dos seus recorrentes pecados, especialmente os pecados de idolatria - a "mãe" de todos os pecados, porque da ruptura com Deus descende toda a cascata das nossas degenerações.

Ou seja, nas peregrinações dos desertos Deus manifesta o seu cuidado com o seu povo, mas a maior parte desse povo é murmurador e facilmente inclinado à rebelião e à apostasia, pois facilmente troca o Deus Todo-Poderoso que o sustenta, mas que é invisível e impossível de ser manipulado, por qualquer ídolo feito de pau, de pedra ou de gesso que possa ser visto e tocado porque as cobiças do mundo costumam exercer maior fascínio para a maioria das pessoas em comparação com as glórias do Deus Santo que não podem ser assimiladas pelos nossos sentidos carnais, mas somente pela fé. E a santidade é um contraponto para as satisfações da carne, o imediatismo do homem carnal é um inimigo da fé.

Promessas genéricas são mentiras e graça barata não é Graça. As promessas do Deus Santo estão associadas com a verdadeira fé, aquela que persevera até a morte mesmo quando não se vê em vida o cumprimento dessas promessas, porque a verdadeira fé olha para o Senhor Jesus Cristo e persevera nele, na sua Palavra.

Mas quem perseverará rumo a um prêmio que não pode ser visto? Não muitos. Por isso grande parte do povo se desvia no meio do percurso, porque no meio dele costumam existir atrativos e atalhos que levam para a perdição.

Bem disse o Senhor:

"Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos."

(Mateus, 22: 14)