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01/04/2025

Orgulho de não fazer parte de nenhum rebanho

 

Ah José Saramago, que infeliz ateísmo é esse teu! 

Por heróico, nessa tua fala, posso entender que o senhor valorizava a autonomia e a independência de quem não sentia a necessidade de fazer parte de um rebanho, de um grupo de ovelhas conduzidas por outrem, coisa que teu orgulhoso intelecto desprezava. Contudo essa autonomia e independência não existem e crer nisso é crer numa utopia antropocêntrica e ególatra. 

Sempre somos escravos de algo, seja do Rei que nos liberta ou da maldição do pecado. Sempre dependemos de alguém ou de algo, sempre caminhamos por caminhos que outros andaram antes de nós e em algum momento precisaremos de alguém que nos estenda a mão. Autonomia nenhuma é plena.

A desventura seria a de ser parte de um rebanho de enganados, a de basear-se em ilusões. E, de fato, são muitos os que fazem parte desses rebanhos de perdidos. Maus pastores existem aos montes, e eles estão na religião, na filosofia, nas ideologias, na política, nas escolas, na literatura... Contudo, bom pastor existe um, e ele cuida muito bem das suas ovelhas. 

É uma pena que o teu ateísmo te fez desprezar a graça e o privilégio de ser parte do rebanho formado por pessoas de todas as matizes e lugares que crêem e que servem ao Senhor Jesus Cristo, pois debaixo dos seus cuidados nós não somos como gado, como bichos, mas somos gente em sua plenitude. Não existe nada mais sublime do que reconhecer-se como imagem e semelhança do próprio Criador, de ser acolhido como filho de Deus, de ser feito herdeiro das glórias da eternidade com Jesus. 

Prefiro trocar o termo heróico, um apontamento de orgulho e de altivez estúpida, pela virtude da humildade, coisa necessária quando se está diante do Todo-Poderoso e Santíssimo Deus - e todos estamos permanentemente diante dEle, seja como filhos que o honram ou como réprobos destinados ao juízo.. 

Pena que muitos homens notáveis, como o senhor, desprezaram ao Supremo Pastor, Juiz e Redentor Jesus Cristo porque cometeram o erro grave de apostar tudo na nulidade das glórias humanas e no pó dessa terra.

Agora homens como o senhor entenderam o Evangelho, mas para muitos é tarde demais.

Todo servo de Deus é forjado no deserto.



Todo servo de Deus é forjado no deserto.
Todo pensador e todo filósofo só o é por causa da desilusão e da angústia.
Todo verdadeiro artista conhece o desencanto para a partir dele criar arte que expresse virtude.

Facilidades, convenções e entorpecimentos não servem à verdade, antes, a atenuam, filtram, distorcem e suprimem. É fácil ler sobre virtudes e sair tagarelando, feito papagaios, sobre verdades que outros disseram. Mas conhecer de fato não é mera bagagem intelectual, repetir frases não é possuir seus significados e não é ser quem viu a face do gigante chamado inquietude. Conhecer é ser submetido à prova para que se comprove o quanto das suas bagagens permanecerá, para que venha à evidência o que de fato se é, o que há de real em você. Nessa jornada muitos morrem no deserto ou por fraqueza ou por punição. Conhecer é ser refeito na olaria para que o que se julga saber passe da superfície para ser enxertado nos seus ossos, e esse é um processo de dor, e somente assim se pode ser purgado e refeito num novo homem, agora envelhecido pela depuração, mas que que fez dele bem mais consciente. Ser iluminado implica em ter a pele queimada pela luz que primeiro e por um tempo te cega, mas que permitirá enxergar de fato, mas somente se você for curado.

As facilidades, convenções e entorpecimentos a que multidões recorrem como meios de se obter felicidades apenas superficiais e imediatistas as estupificam em modos de se viver que são adormecidos e anestesiados, e essas coisas sempre exaltam e dão proeminência aos hipócritas.

Se você quer ser uma pessoa íntegra, um homem consciente e um conhecedor da verdade, não é na segurança das manadas e nas facilidades que todos buscam que você encontrará a virtude, pois a verdade não está em nenhum entorpecimento, pois o seu caminho é estreito e bastante apertado e são poucos os que andam por ele.

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O orgulho de não fazer parte de nenhum rebanho.