A igreja que parece ser predominante na nossa época é muito parecida com a repreensível igreja de Laodicéia, descrita em Apocalipse 3: 14 a 22. Ela é muito parecida com um clube, um encontro de gente que não se considera radical, nem tão santa, nem tão mundana, nem tão zelosa em todo o ensino bíblico, nem tão pecadora. Gente que acredita que está tudo bem em ser morna, que acredita que Deus se contenta com uma expressão de fé mediana, que se devota moderadamente a Deus mas sem radicalismos, sem sacrifícios, sem comprometer suas seguranças neste mundo, seus relacionamentos, seus negócios - afinal, eles se gabam do que são, do que têm, suas biografias são ostentatórias e diante desse precioso patrimônio eles não querem, em hipótese nenhuma, "queimar seu filme" com ninguém, nem com os impios. Ensinos bíblicos sobre a incompatibilidade entre os senhorios de Deus com o senhorio do mundo são relativizados por essa gente ("Infiéis, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus."- Tiago, 4: 4). Pensam, essa gente morna que jura que a sabedoria é evidenciada em manter o equilíbrio entre a vida espiritual e a vida mundana e que para isso evitam temas sensíveis aos seus interesses ou aos dos seus colegas (e que por isso crucificariam ao Senhor Jesus novamente, se tivessem o constrangimento de ter que conviver com um Senhor tão radical, mas o fazem com os discípulos do Senhor como sempre fizeram e sempre que podem, cerceando-os e calando-os, seja por meio da decapitação, ou os jogando ao fogo ou ao limbo da inexistência local na tentativa de anular os mesmos constrangimentos), gente que se reúne com seus semelhantes em entretenimentos religiosos domesticados, superficiais e repletos de artificialidades, em cultos feitos sob medida para as pessoas se sentirem bem na medida em que são expostas a partes selecionadas da verdade de Deus num ambiente de grande apelo sentimental que é facilmente, e de propósito, confundido com o agir do Espírito Santo (e que por isso intensificam a gravidade dos seus pecados - Mateus 12: 32, 32), em reuniões onde a rebelião e a soberba da carne decidem os limites de até onde Deus deve se impor e manipulam a sua vontade revelada, como se essa ingerência fosse eficaz para impedir Deus de ser soberano e de agir como quer. Suas soberbas os fazem esquecer que nem um til da Lei pode ser invalidado.
Dessa igreja, não tão fiel a Deus mas não tão má, construtora de pontes e que, para isso, negocia a verdade e a fatia em pedaços com o descarte e a manipulação de partes "desagradáveis" que poderiam inviabilizar a empreitada, uma forma de igreja condescendente e morna que mantém o Senhor Jesus do lado de fora - Ele não faz parte do que ocorre lá dentro, não está recebendo esse tipo de culto, não é o cabeça nas suas deliberações, não é reconhecido nesse local, não é seu chefe, não é o seu Senhor nem o seu Rei. Na prática os cultos dessa "igreja" são expressões de hedonismo, são antropocêntricos, feitos pelas pessoas para si mesmas, para a sua auto-legitimação, mas com alguma roupagem cristã que nessa miscelânea não passa de uma caricatura. Isso é grotesco para a santidade do Deus auto revelado em Cristo!
Mas, mesmo assim, o Senhor está batendo na porta, pelo lado de fora, numa demonstração do seu amor salvador para que alguém o ouça e o deixe entrar para, então, existir comunhão de fato com Ele - e, obviamente, impor uma reforma real, um conserto, uma limpeza geral, pois tudo o que corrompia aquela igreja tem que deixar de existir para dar lugar às práticas saudáveis e fiéis ao Senhor.
Tudo o que ocorre dentro do recinto com aparência de igreja mas com a ausência do Senhor é inútil, pecaminoso e beira à blasfêmia. Isso porque o mal e a corrupção do pecado podem se apresentar numa embalagem agradável e a boa educação dos homens caídos nos parâmetros mundanos pode disfarçar o mal real. Alguém pode dizer que fulano é tão educado, distinto, cortez, saudável e bem-sucedido que parece nem precisar de salvação, e ele mesmo pode pensar que não precise de Cristo. Na verdade muita gente busca ser bem sucedida segundo os padrões do mundo e usa a Cristo como degrau para isso. Essa corrupção de colocar o ídolo do sucesso mundano como objetivo de fé e não ao próprio Senhor Jesus parece ser o grande mal da igreja de Laodicéia e também parece ser o grande mal da igreja predominante do nosso tempo. Em Laodicéia o descaramento da degradação é tão grande que seus participantes achavam que a fraternidade corrompida dos homens que se gabam do que possuem é equivalente e substitui a presença de Cristo. Eles trocaram a comunhão real com Deus pela confraria dos homens decadentes. Essa igreja virou um boteco goumetizado e seus frequentadores são tão tolos quanto um bêbado na sarjeta.
Satanás é um sedutor experiente que penteia os cabelos, usa um bom perfume e escova os dentes para cochichar nos ouvidos dos incautos, e eles tolamente acreditam e se gabam de que essas seduções torpes são o melhor caminho.
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O texto de Apocalipse 3: 14 - 21 que descreve a igreja de Laodicéia:
"14. Ao anjo da igreja em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus:
15. Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente!
16. Assim, porque és morno, e não és quente nem frio, vomitar-te-ei da minha boca.
17. Porquanto dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um coitado, e miserável, e pobre, e cego, e nu;
18. aconselho-te que de mim compres ouro refinado no fogo, para que te enriqueças; e vestes brancas, para que te vistas, e não seja manifesta a vergonha da tua nudez; e colírio, a fim de ungires os teus olhos, para que vejas.
19. Eu repreendo e castigo a todos quantos amo: sê pois zeloso, e arrepende-te.
20. Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.
21. Ao que vencer, eu lhe concederei que se assente comigo no meu trono, assim como Eu venci e me assentei com meu Pai no seu trono.
22. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas."







