Época do entorpecimento.
Época das imersões sensoriais, do espetáculo, de ideias pragmáticas que deveriam ser motivo de vergonha e de repreensões e da canonização de confusões e de perversões.
Você tem notado a tendência dos cultosa Deus da nossa época de estarem cada vez mais parecidos com espetáculos? Quase toda igreja tem um palco, nele vemos performances de artistas que confundem cada vez mais qualquer coisa da carne, como o entretenimento e o estímulo de emoções com adoração a Deus. Da mesma forma em cada vez mais púlpitos vemos tagarelas ególatras preocupados com a sua performance e reconhecimento diante de suas plateias do que empenhados no seu necessário apequenamento para que seja dada toda a ênfase no Senhor Jesus Cristo através da exposição zelosa e dedicada da sua Palavra. Aliás, o zelo doutrinário e a responsabilidade confessional têm dado lugar a toda sorte de lixo moderno tanto quanto as novas modas mudam. Se soprar um vento novo de doutrina, de ideias estranhas oriundas da psicologia ou da pedagogia, por exemplo (áreas do conhecimento que não têm nenhuma autoridade na teologia) logo essas inovações serão incorporadas à fé ou ao culto em diversas igrejas. Se houver uma ideia nova, por mais esdrúxula que seja, prontamente muitos tagarelas de púlpito que são devotos da nossa senhora da performance abrirão mão das velhas e seguras doutrinas para as trocar pelas novas quinquilharias por estarem mais alinhadas com as novas tendências, provavelmente porque coisas mais pragmáticas encham mais o teatro, aumentando também as contribuições financeiras. Sempre as corrupções enriquecem, esse é um acordo que o Diabo pode fazer. São muitas luzes, técnica, artificialidades, barulho, movimentos, egos, doutrinas de homens, modernices - tudo parte do "espírito da época" para gerar espetáculo e engajar as pessoas. Vivemos a epidemia do culto do entorpecimento e da estupidificação vista na proliferação de muitas falas ditas por quem deveria estar calado, como aprendiz ou como alguém que deveria estar arrependido, mas que, ao invés disso, em sua obstinação presunçosa esses tagarelas arrastam atrás de si multidões de zumbis hipnotizados feito insetos atraídos pela falsa luz da armadilha. Essa gente promete o suposto bem que não pode oferecer, mas suas mentiras disfarçadas cumprem o mal das suas promessas: elas resultam em condenação.
No campo cada vez mais raso da consciência, em que as pessoas consomem apenas resumos e facilidades processadas de internet, a verdade é vendida em versões fluídas, subjetivas, fragmentadas em partículas em pacotinhos chamativos que a descaracterizam, além de ser maquiada e acrescida de muito fermento das mais variadas cores para ser atraente, resultando numa coisa disforme que parece ser algo bom, embora seja puro enxerto de enganações como um glacê cancerígeno. É pura mentira que tem apenas o sabor de verdade. Desse comércio, cada pessoa toma para si apenas as partes que convém às suas concupiscências dentre as múltiplas prateleiras que oferecem seus produtos ao gosto dos fregueses, gente ímpia regida por seus corações enganosos, corruptos e insaciáveis mas que é exigente para que lhes seja servido o prato com o tempero que seu gosto requer, afinal, fizeram ele acreditar que é o chefe, pois é ele que está pagando e o cliente sempre tem razão, e esse estabelecimento comercial, qualquer que seja, tem que atender às suas aspirações. O rato caiu direitinho na ratoeira, fizeram ele acreditar que pode ser e desfrutar do que quiser e o seu destino não será um acidente de percurso, será a aplicação severa da justiça. Não é porque o alecrim dourado decidiu não crer na Lei que ela deixou de ser verdade.
O pai da mentira é um administrador eficiente do seu supermercado de mentiras, e ele sabe cativar sua freguesia muito bem. Ele faz parecer que seu cliente é um reizinho, quando na verdade é apenas um escravo que pensa ser mais do que sua insignificância de fato é: pó. Mas pode chamar esse ser esquizofrênico de qualquer coisa, pode der de piolho de macaco ou de senhor imperador doutor Julius III - tanto faz, ele continua a ser pó, um sopro de névoa lançado à dispersão no inferno que apenas portou um crachá com uma nomenclatura fantasiosa por um brevíssimo tempo.
E desse conjunto de obscuridades impõem-se as mentiras e corrupções em que somente o reino satânico do pecado e suas submissas franquias, as sucursais do inferno que dependem das mentiras para subsistirem, prosperam sempre que a verdade é negligenciada, mas essa prosperidade sempre é temporária assim como é a natureza de qualquer névoa. E a carne, como escrava do pecado, se deleita nesse engodo, pois o seu mal incorrigível é o de ser pervertida.
Não tem como existir justiça onde a luz da verdade é ignorada e acobertada por camadas sobrepostas, feito cortinas que impedem a luz de passar, formadas por manipulações, hipocrisias, adulterações e relativizações, normalmente motivados pelo ídolo da moderação (ah, a moderação... o ídolo dos que sempre mataram profetas na tentativa de calar a verdade), mas que sempre implicam em negligências com a Lei de Deus e com as doutrinas do Evangelho, uma apostasia e rebelião que, necessariamente produzem seus maus frutos de injustiça e de muitas corrupções - não por acaso, coisas muito abundantes nessa nossa época.
Isso só é possível porque a luz está omissa e o sal está insípido, ou seja, se o Brasil (e o mundo todo) está num lamaçal crescente, isso só é possível porque o portador da luz de Cristo tem sido negligente.
