09/07/2015

Deus e a diversidade religiosa

Respondi assim a uma pergunta feita por uma pessoa muito querida sobre as diversas interpretações religiosas - são tantas as religiões e dentro do cristianismo são tantas igrejas diferentes... 

Será que haveria alguma verdadeira? Será que existe uma verdade sobre a salvação?

Graças a Deus, o Evangelho de Cristo pode ser conhecido sim! Nele aprendemos sobre o caminho de Cristo, sobre quem é Deus e sobre quem somos aos seus olhos. Mas muita gente, religiosa ou não religiosa, faz suas interpretações a bel-prazer, na maioria das vezes não conhecendo aquilo sobre o que palpitam e isso acaba criando uma diversidade tão grande de opiniões que na verdade têm muito pouca importância diante da verdade de Deus que é negligenciada.

Trata-se de uma escolha: opiniões ou verdadeiro conhecimento sobre o que o próprio Deus ensina sobre si? (Hebreus 1: 1 - 3)

Bem, a Bíblia está aí e o caminho de Cristo está aberto a quem quiser seguir (João 14: 6), mas esse caminho é estreito (Mateus 7:14), exige auto-renúncia e sacrifício (Mateus 16:24) e é diversas vezes muito mal interpretado (Mateus 23:13) tanto por desconhecimento como pela opção que muita gente faz de simplesmente continuar vivendo indiferente a Deus e servindo aos seus pecados.

Na verdade, a verdadeira pergunta é: quem quer ir por esse caminho? Essa mesma pergunta responde quem será salvo.


Trecho de uma pregação de John Piper sobre a Supremacia do conhecimento de Cristo


E sobre uma variedade tão grande de deuses e isso leva à inevitável pergunta:
Haveria algum deus ou religião verdadeiros?

Bem, diante dessa questão existem 2 possibilidades óbvias e uma terceira que faz parte do pensamento histórico cristão mas que, parece, não deve ser do conhecimento de muita gente. Mas vamos às 2 possibilidades óbvias primeiro para depois tratar da terceira:

1) Todos os deuses (e religiões) são verdadeiros, e dessa forma todos os caminhos levariam a "deus" (e deus pode ser um ser celestial, uma realidade, um sentimento, um ideal, um lugar, etc)...
Se pensarmos bem, isso não pode ser verdadeiro por uma razão muito simples - as religiões são excludentes, as doutrinas de uma religião não "casam" com o que é ensinado pela outra!
Veja: Cristo afirma que é o único caminho e que ninguém vai ao Pai a não ser através dele e a Bíblia ensina que somos somente salvos pela fé em Cristo, um ato da Graça de Deus e que vivemos somente essa vida e após ela teremos o juízo. Ou seja, o cristianismo é exclusivista - mas não só ele! O budismo de forma semelhante ao hinduísmo ensinam que por meio de reencarnações suscetivas nós evoluímos até alcançarmos a perfeição absoluta, mas essas crenças divergem radicalmente quando o hinduísmo cultua milhares de deuses enquanto que o budismo não cultua nenhum. Essas crenças reencarnacionistas foram fundidas a alguns princípios cristãos no espiritismo, que defende as reencarnações e a evolução humana por meio das boas obras que foram extraídas do ensino de Jesus mas reduziu Jesus a mero mestre cósmico ao lado de Buda e de tantos outros. No Islã acredita-se que Maomé teve revelações de Alá dadas por um anjo para reorganizar a bagunça que seria a diversidade religiosa sob uma única doutrina islâmica e reduziu Cristo a mero profeta equivalente a Moisés, Jeremias e tantos outros. No judaísmo acredita-se que a Lei de Deus foi dada a Moisés e eles ainda esperam o Messias que os cristãos dizem ser Jesus.

Vamos analisar: se Cristo for o único caminho então ele desclassifica o caminho apontado por Buda e por Maomé. Se o julgamento e a ressurreição ensinados pelo judaísmo, pelo cristianismo e pelo islamismo forem verdadeiros então a reencarnação pregada pelo budismo, pelo hinduísmo e pelo espiritismo não podem ser verdade. Se Cristo for quem ele diz quem é então Maomé não pode ter recebido revelações verdadeiras porque o que Cristo ensinou e fez seriam a plenitude do que Deus tinha a dizer para as pessoas neste mundo e se Maomé representar essa plenitude então quem mentiu foi Cristo...
Ah, sem contar tantas outras religiões de origem africana, guarani, nórdica, grega, egípcia, etc.

A questão é, falam todos a mesma coisa? Não! São todos verdadeiros? Se formos verdadeiramente honestos e racionais diremos que as religiões são diferentes demais para apontar uma mesma verdade... são, portanto excludentes e não podem ser todas verdadeiras.

2) Todos os deuses (e religiões) não são verdadeiros e são resultado da criação humana na busca de explicações sobre o pós-vida, sobre o significado da vida, sobre o desconhecido, etc de acordo com as diversas culturas em que seus idealizadores viviam. Bem, essa proposição tem feito muito sucesso hoje em dia, está na moda e parece ser muito confortável especialmente a uma geração que tem botado muita credibilidade nos avanços e nos encantos da ciência (um trabalho humano que reflete nossa falibilidade...). O ateísmo (a crença de que não existe deus) ou o agnosticismo (a crença de que pode até ser que deus exista, mas que não pode ser conhecido e que não é assunto importante) estão em expansão num mundo que está relativizando a fé e que está relativizando diversos valores e tradições que foram formados ao longo de séculos por influência da fé. Segundo essa forma pós-moderna de pensamento, para que se conheça a deus ele deveria se mostrar a nós, deveria nos dar provas da sua existência de forma empírica e como ele não faz isso então esse é um assunto que não deve receber importância ou que deve ser combatido. Fé seria coisa de gente fraca, sugestionável e dada a superstições...

Mas...

3) O conhecimento de Deus conforme o pensamento cristão histórico 
(veja http://www.monergismo.com/.../apo.../o-ser-Deus_hoeksema.pdf)
Como cristão eu afirmo que Deus pode ser conhecido, que Deus deve ser conhecido e que Deus se faz e se fará conhecido.
Como?

São algumas as maneiras como Ele se faz conhecido:

A) nosso coração (pode chamar de alma, de essência, de interior, consciência, etc) sabe que existe "deus" mas esse nosso instinto natural não consegue definí-lo ou conhecê-lo verdadeiramente. É mero instinto, como a saudade muito distante de algo ou de alguém, que a teologia chama de "semente do divino". Esse sentimento comum a todas as pessoas em todas as culturas tem relação com o propósito para o qual fomos criados, fomos feitos para desfrutar do ser de Deus e para adorá-lo, então esse "sentimento" faz parte do que somos (http://www.monergismo.com/.../brevecatecismo_westminster.htm), faz parte do propósito para o qual fomos criados. Fomos "projetados" para estarmos intimamente ligados numa comunhão verdadeira com Deus mas essa comunhão foi quebrada pelo pecado e fomos separados de Deus (nossa natureza pecaminosa nos afasta da natureza santa e justa de Deus), sobrando-nos apenas um valor que marca nosso interior e que faz com que as pessoas em suas culturas e civilizações desenvolvam significados, explicações e crenças a partir de uma necessidade comum. É daí que surgiram as religiões. Elas têm muito mais em comum do que se pensa pois partiram de sentimentos e de definições abstratas a respeito de uma mesma verdade e que foram formadas nos mais diversos contextos e, por isso, assumiram as mais diversas formas. Ou seja, as religiões foram formadas não pela revelação de deuses, mas pela necessidade humana de reencontrar o nosso criador tendo somente a si mesmos para tentar definir o que somente Deus poderia oferecer. Em outras palavras, a sua origem não é divina, é humana.

B) a natureza, que a Bíblia chama de criação, ela proclama a existência de Deus. A criação indica a existência de um criador na medida em que ela mesma aspira pela revelação dos filhos de Deus, como ensina Paulo. Deus criou o universo com propósitos e o universo reflete quem Deus é, mas ainda assim não o faz conhecido. Pelo universo presumimos que existe deus, que ele deve ser poderoso, mas não podemos saber a sua vontade, seus planos ou onde encontrá-lo.

C) a auto-revelação de Deus - Deus se revelou na história humana de forma progressiva, gradual. A partir de uma cultura incipiente Ele fez sua Lei conhecida e deu aos homens valores éticos e um destino. A partir do povo de Israel recebemos a sua palavra de forma progressiva, diluída ao longo da história. Conhecemos um Deus que caminha com homens e essa auto-revelação divina (Deus só pode ser conhecido porque ele se fez conhecer) foi registrada em livros que foram juntados no que hoje chamamos de Antigo Testamento. Por essa revelação progressiva que foi escrita o seu povo soube que um dia viria um salvador, o Messias, para redimir o seu povo de um mundo condenado pelo pecado.

D) a plenitude da revelação de Deus ocorreu no que a Bíblia chama de plenitude dos tempos, quando Deus cumpriu suas promessas de enviar o salvador, o Messias (e esse anseio messiânico, ainda que de formas diferentes, é uma característica comum à maioria das crenças religiosas que foram formadas a partir do senso do divino comum a todas as culturas). Cristo é aquele que faria não somente a vontade de Deus conhecida, mas faria o próprio Deus conhecido (Ele é a manifestação de quem Deus é) e que pagaria com a sua própria morte e ressurreição pela salvação de muitas pessoas e essas pessoas ficariam livres, porque foram justificadas, perdoadas, das penas dos seus próprios pecados. Cristo é aquele que nos reconcilia com Deus, que com o seu sangue faz a ligação entre pecadores com a santidade divina, algo que era impossível tornou-se possível e o Deus desconhecido tornou-se conhecível. O conhecimento de Deus tem a sua origem no reconhecimento de quem Cristo é e só se pode conhecer a Cristo através daquilo que a sua palavra diz sobre Ele - esse é o Novo Testamento, o registro da história de Jesus seguido pelos escritos doutrinários dos seus discípulos, os apóstolos, e esse conjunto de escritos (a Bíblia), constitui a única regra de fé e de prática para os cristãos - e esse conhecimento, o conhecimento de um caminho, é um ato de fé, mas não um ato cego de fé, mas de uma fé produzida pelo próprio Deus por atuação do seu Espírito Santo no ato milagroso de fazer com que Deus preencha nosso interior e se faça a nós conhecido. Esse é um ato regenerador que a simples proclamação de Jesus Cristo provoca nos corações de muitas das pessoas que tinham aquele senso do divino e que vêem na mensagem do Evangelho uma saciedade completa daquele vazio que somente a Graça de Deus pode preencher. Por isso a mensagem de Cristo se chama "boa nova de salvação" pois essa "salvação" significa que essa vida vivida hoje já desfruta do ser de Deus e está destinada para isso por toda a eternidade. Trata-se de um resgate.

É possível explicar Deus de forma empírica ou científica? ainda não! Seu conhecimento é ato da soberana vontade e atuação do seu Espírito em nos convencer disso ao fazer com que o seu Evangelho encontre raízes no nosso coração. Mas esse tipo de conhecimento que é exigido pelo atual cientificismo num futuro breve será obtido quando, seja pela morte ou pelo iminente fim da nossa história (sim, este mundo acabará em breve) todos nós nos depararemos com Deus (então teremos um conhecimento empírico) para recebermos dele, agora manifestado diante de nós como juiz, os desdobramentos eternos da nossa atual caminhada. E, ainda sobre a diversidade religiosa, na verdade existem apenas 2 possibilidades e uma é Cristo e a outra é resultado de diversas imaginações provocadas pela inquietude coletiva dos corações humanos e que podem se transformar em pretexto para a resistência à boa-nova de Cristo.

 _________________________________________

Mas, se a verdade de Deus pode ser conhecida, porque existe tantas igrejas diferentes?

Sobre a diversidade religiosa (a diversidade cristã), é preciso considerar uma verdade: Cristo disse que teriam pessoas de toda tribo, língua e nação crendo no seu Evangelho (a boa-notícia da salvação, que não pertence a igrejas ou a pessoas, mas que pertence a Deus e que foi confiada aos seus discípulos, seus seguidores, sua igreja). Se prestarmos atenção no seu ensino nós entenderemos que essa mensagem foi entregue a uma diversidade de pessoas, em diversas culturas e essas culturas que são um conjunto de valores e de costumes acabam influenciando o modo como as pessoas vivem suas vidas, incluindo sua fé cristã e na forma como elas definem diversos dos seus costumes e hábitos, inclusive religiosos. 

Então, o quê eu quero dizer com isso? 


Quero dizer que a verdade inegociável da Palavra de Deus convive muito bem com diversas diferenças de práticas e de costumes em questões menores, mas não nas fundamentais a respeito da fé cristã e isso significa que a igreja de Cristo (algo muito mencionado no Novo Testamento e que foi fundado pelo próprio Jesus) é muito mais do que denominações, vai muito além da Presbiteriana, da Batista, da Assembléia, etc. A igreja de Cristo, que significa "ajuntamento dos que crêem", inclui todas as pessoas que seguem a sua Palavra, mesmo que essas pessoas façam parte de igrejas que, por serem organizações humanas, são também influenciadas por nossos costumes, pela nossa cultura e por diversas formas de filosofias humanas. Ou seja, algumas diferenças são normais mas essas diferenças em coisas menores não invalida as semelhanças nas questões que são as mais importantes, especialmente sobre a fé no filho de Deus que veio ao mundo para salvar pecadores. A fé em Cristo é central nas igrejas separadas por denominações, e por isso, na verdade, de acordo com a Bíblia, essas igrejas constituem uma única Igreja pois ajuntam um único povo debaixo da Graça de um único Senhor e Salvador.



30/06/2015

Resposta a questionamentos sobre o amor cristão e suas contradições nas práticas de muitos cristãos

Eu respondi a alguns questionamentos de um "amigo de feicibuqui" sobre o conceito de AMOR CRISTÃO e as suas contradições com as práticas e com os discursos de muitos cristãos e resolvi compartilhar minha resposta aqui.
Confira:

O amor cristão não tem nada a ver com o conceito que alguns gostariam que tivesse de complacência ou de celebração ao pecado, de universalidade, de completa e irrestrita aceitação. É exatamente o contrário disso. Consiste no fato de que, apesar de sermos pecadores, ainda assim Deus, por causa do seu amor pela sua criatura humana, nos enviou Cristo para morrer no lugar de pecadores (porque pecado é confrontar a Deus, é rebelar-se contra o seu ser ou Lei ou ainda rebelar-se contra Ele na deformação do nosso próprio ser, pois somos dotados da sua imagem e semelhança).

"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." - João 3.16 (e outros)

Então o amor cristão significa resgate, salvação de um estado de queda, de autodestruição, para uma nova forma de se viver que é destinada à plenitude da Graça de Deus. E, no caso dos cristãos, praticar esse amor é servir a essa causa.

Deus é a fonte de toda vida, de todo bem e Ele é definido (pela própria Bíblia - 1 João 4. 16) como "amor". Mas Ele é justo e é Santo e essas suas características não se anulam. Não é porque Ele ama que Ele pode ser complacente com a injustiça, pelo contrário, o seu perfeito amor é parte da sua perfeita justiça e santidade.

Por hora podemos vivenciar um relativo bem-estar (até como se de Deus não precisássemos, ou ainda como se Ele não existisse...), vivemos, amamos, nos alegramos, elaboramos pensamentos, temos algum senso de justiça, etc - ainda que tais coisas sejam relativas e maculadas. Ainda desfrutamos, então, do que na teologia chamamos de "graça comum de Deus" pois mesmo vivendo mergulhados num tipo de vida marcada pelo pecado ainda assim podemos desfrutar de coisas boas que têm origem em Deus. Mas para os que atentam para a palavra de Deus o seu chamado é para o arrependimento e santificação, não para a celebração e aceitação daquilo que Deus condena. Esse é o ponto. Cristãos não são melhores, mais "bonzinhos" ou "perfeitinhos" (Efésios 2. 8). Eles também são pecadores mas a sua postura diante desse mal que marca a todos nós deve ser outra (e é essa postura que pode distinguir cristãos fiéis dos falsos). Por isso, um verdadeiro cristão (que me esforço para ser embora falhe bastante - e que não sou o único a buscar, graças a Deus) se empenham para que essa verdade sobre a salvação, essa esperança, seja conhecida e experimentada por outras pessoas. Por sabermos que somos naturalmente maus, mas alcançados pela "graça salvadora de Deus" (os atos divinos para salvar pecadores e que excedem a graça comum, que são seus atos para manter e preservar a vida neste mundo) nós somos encorajados a agir com misericórdia com quem sofre, com outros pecadores, desafiados a perdoar e a proclamar o perdão divino sempre na esperança de que o amor de Deus seja celebrado na medida em que as pessoas vencem seus próprios pecados.

Mas esse nosso estado relativo de bem-estar, onde ainda contamos com a “graça comum de Deus” (chove sobre justos e injustos...) cessará. Essa vida transitória dará lugar à definição do caminho que traçamos, seja com a morte, seja com o findar iminente da história. Se a nossa caminhada for no caminho de Cristo (o da verdade e da vida), o destino alcançado será a plenitude da sua Graça – de Deus emana toda vida e bem... então esse “Paraíso” significa desfrutar da plenitude de vida, da sua santidade. Fica fácil então entender os desdobramentos do caminho em sentido contrário da oferta divina de nos salvar. Se nossa caminhada for na perseverante negação da salvação de Cristo (e isso inclui arrependimento e santificação), segue-se que o efeito será a justa e completa separação de Deus (e de Deus procede toda vida e bem...) sobrando a essas pessoas apenas os efeitos contrários do que Deus é – e por isso a figura do “inferno” é ilustrada como fogo, ira, sofrimento, etc.

Bem, e sobre as evidências bíblicas de atrocidades, especialmente no Velho Testamento?

Um pouco de estudo bíblico responsável, e não coisas recortadas dos seus contextos, sensacionalistas desprovidas de exegese, hermenêutica, análise histórica, análise de estilos literários, etc poderiam ajudar.

Em primeiro lugar, embora tratemos a Bíblia como “um livro”, o fato é que ela é a coleção de 66 livros que foram escritos ao longo de, provavelmente, 1600 anos e por cerca de 40 autores diferentes. Então é de se esperar que ela retrate contextos bastante diferentes do nosso – como os da era do bronze, os da formação de civilizações antigas quando guerras e assassinatos eram parte das “relações internacionais”, os de formas de vida nômades em desertos, etc - com a crueza como o faz. Mas, de forma resumida, esses registros mostram uma revelação progressiva de Deus na história humana, que parte de um estado de coisas com noções éticas rudimentares (ainda não tinha se manifestado o “amor cristão” na história pois Cristo ainda não tinha nascido e são exatamente essas noções cristãs – BÍBLICAS! – que atribuem valores éticos e definem como certo ou errado diversos comportamentos humanos) e essa revelação bíblica progressiva vai caminhando na história criando uma expectativa pela manifestação do salvador, do Messias e que culmina no que a própria Bíblia chama de “plenitude dos tempos” (Gálatas 4. 4) quando Deus, em Cristo, interferiu na nossa história humana para fazer com que conheçamos quem Deus é e para que pudéssemos ser por Ele salvos.

Tudo o que coloquei aqui foi posto de forma simplificada, mas pretendo explicar o que for preciso (como puder) porque sei que assim estarei ajudando alguns a compreenderem melhor sobre Cristo, e assim estarei contribuindo com o tão mal falado “amor cristão” na expectativa de que se conheça – e experimente – o amor de Deus.


08/06/2015

Vilipêndio e Ignorância a respeito da cruz.



Que tristes e miseráveis cenas o tolo orgulho pelos pecados produzem...
Se alguns pensam que podem contestar verdades com suas encenações, opiniões, imposições e prazeres, saibam que não podem, sobre isso todos somos impotentes...
Nunca existiu um vilipêndio ou escândalo maior do que um fato incomparável e que foi realizado num ato exclusivo que não pode ser reproduzido por ninguém.
Ninguém pode tornar mais ofensivo o que foi a maior de todas as ofensas; ninguém pode tornar mais escandaloso o que foi o maior de todos os escândalos; ninguém pode tornar mais humilhante o que foi a maior de todas as humilhações; ninguém pode tornar mais dolorosa o que foi a maior de todas as dores, de todas as angústias, de todos os sofrimentos...
A angústia, a humilhação e o martírio na cruz foi algo que somente Cristo pôde sofrer verdadeiramente. E de forma eficaz.
Ainda que todas as pessoas se insurjam contra esse fato que alguns reduziram a mero símbolo do cristianismo, a cruz, e ainda que todas as pessoas do mundo se unam para tripudiar desse símbolo, toda essa tentativa, todos esses esforços somados, todo o seu vilipêndio, todos os escárnios, todas as releituras e adaptações que as pessoas possam ousar propor jamais afetarão o verdadeiro significado e os efeitos verdadeiros do que foi a morte de Cristo na cruz. Nada pode ser mais ofensivo ou repulsivo do que aquilo que Cristo suportou na maldita cruz.
No máximo as encenações dos escarnecedores afetarão a subjetividade do sentimento religioso de alguns que nutrem simpatia pela cruz. Alguns podem se sentir ofendidos ou escandalizados, mas atos humanos nunca poderão afetar a verdade que o evento na cruz significa e proporciona.
Nada se compara ao vilipêndio sofrido por Cristo, o maior dos escândalos. Se alguém pensa que pode fazer da cruz um pretexto para a subversão, um meio para uma nova mensagem ou transformá-la num espetáculo grotesco, saiba-se que toda essa tentativa é inútil... semelhante tentativa é fruto de ignorância, é perversa, mas é mera ingenuidade. Na verdade esse tipo de atitude é apenas mais uma dentre incontáveis transgressões que fizeram a cruz de Cristo um fato necessário. Nossas transgressões, quaisquer que sejam apenas justificam o fato de que Cristo tinha que morrer de forma miserável numa cruz, tal como foi.
A morte de Cristo na cruz foi o maior de todos os vilipêndios. Na cruz foi evidenciado, como num espetáculo cruel, humilhante, sanguinário e perverso o quanto as nossas perversões e iniquidades são horrendas, ofensivas e destrutivas e nela também foi evidenciado que o amor do Criador pela sua criatura humana é maior que o mal que nutrimos em nós mesmos através dos nossos pecados e que ofende a sua santidade.
Deus, por meio da cruz, mostrou o quanto nos ama apesar de sermos a Ele ofensivos e são justamente os efeitos da cruz que nos faz aceitáveis por Deus.
Na cruz o Deus que criou todas as coisas tomou uma atitude extrema para reconciliar consigo a sua amada criatura humana, que por ter sido criada à sua imagem e semelhança pôde usar da sua liberdade para transgredir, para macular-se, para deformar seu próprio ser numa descaracterização destrutiva da sua natureza que, diante do alto padrão de Deus, da sua santidade, glória e perfeição, transformaram o ser humano em algo repulsivo.
O pecado é rebelião e é maldição e a sua consequência é o banimento de Deus. Ele é a fonte de toda vida e de todo bem e o pecado nos coloca num estado de banimento da Graça que de Deus emana. Nesse estado de banimento nos resta apenas um estado de trevas na irremediável condenação à morte.
O pecado nos macula e destrói e desse mal todos somos participantes. Não existe um único inocente, um único justo. Por causa do pecado nos tornamos avessos à santidade do Criador, ao passo que sua santidade repele o mal que nutrimos em nosso ser. Nós e Ele estamos separados. Em Deus está a nossa verdadeira identificação mas nós aprendemos a ignorá-lo, a detestá-lo e na necessidade de referenciais criamos outros deuses, feitos para satisfazer às nossas perversões e necessidades (e costumamos misturar essas coisas).
Cultuamos a nós mesmos, cultuamos os nossos bens e aos nossos prazeres deformados e esse nosso distanciamento de Deus nos reduziu a formas patéticas de humanidade, somos apenas sombras disformes e detestáveis do que deveríamos ser, sabemos o que é justo e bom mas transgredimos a lei moral de Deus que está impressa nas nossas consciências. Se um dia fomos o reflexo da imagem e da semelhança do Criador, porque foi assim que Ele nos concebeu, agora somos a imagem da sua deturpação e da sua desfiguração, somos seres repulsivos, blasfêmias ambulantes e semiconscientes que agonizam diante da morte iminente e que buscam formas de se entorpecer diante da desgraça sentida.
Todos somos assim, pecadores carregados do mal que o distanciamento de Deus produz em nós, tal como cânceres, tal como feridas que nos apodrecem de dentro para fora. Mas ainda somos! ainda existimos, sobrevivemos e acreditamos, equivocadamente, que merecemos aceitação e celebrações. Queremos que nossas chagas, que nossos pecados, com os quais tentamos nos acostumar, sejam celebrados como se fossem coisas naturais, queremos que os nossos horrores sejam considerados belos, queremos acreditar que o mal que nos assola é coisa boa! Enganamos a nós mesmos quando afirmamos que nossos ideais ou razões são verdadeiros. Estamos enganados a nosso próprio respeito, damos demasiada credibilidade às nossas limitações e utopias e a nossa negligenciada corrupção nos cega e enlouquece cada vez mais. E nessa loucura e cegueira apenas perseveramos no descaminho da autodestruição, do banimento e da morte.
O pecado é o que fazemos conosco, nos maculamos, nos distanciamos do Criador e nos entregamos às consequências de uma escuridão que primeiro devasta a nossa própria alma, é expressado em nosso comportamento, destrói o nosso mundo e por fim destrói a nossa existência. Nesse nosso estado atual, destituídos da Graça de Deus, não nos importamos mais com nossa desgraça, talvez nem a percebemos e está fora do nosso alcance qualquer reparação. A morte absoluta é uma consequência inevitável.
Mas Deus nos fez à sua imagem e semelhança... contudo hoje somos a desfiguração e o vilipêndio dessa imagem, é isso que fizemos conosco mesmos.
Contudo Deus ama a sua criatura humana e nem mesmo o nosso sacrilégio e profanação puderam confrontar a realidade poderosa e imutável do seu amor por nós.
E é por isso que Deus tomou uma atitude drástica: a cruz!
Nós não podemos mudar o mal que impregnou o que somos, não podemos mudar essa torpe natureza pecadora. Não podemos nos elevar ao Altíssimo, não podemos curar nossas feridas, não podemos apagar as marcas destrutivas do pecado e não podemos arcar com as dívidas decorrentes dos nossos erros, injustiças e maldades.
Mas Deus podia...
A quebra de toda Lei tem consequências, toda alma que pecar morrerá e sem derramamento de sangue não há remissão de pecados.
Então, o Todo-Poderoso, o Insondável, o Mistério que antes nos era desconhecido e que antes havia se apresentado como o "Eu Sou", o Deus Criador do Céu e da Terra rebaixou-se à nossa semelhança. O Deus Triúno não ficou impassível diante da nossa desgraça e então, a segunda Pessoa da Trindade se retirou, ainda que por um tempo, do seu alto e sublime trono e se humilhou, se fez homem na pessoa de Cristo, o Messias, a expectativa que todas as pessoas anelam por redenção, a manifestação da salvação divina. Nasceu milagrosamente o menino Jesus da virgem Maria, o verdadeiro Filho de Deus, seu unigênito. Ele cresceu e viveu entre nós para nos ensinar a respeito das verdades de Deus. Ele nos mostrou o caminho, a verdade e a vida e, mais do que simplesmente ensinar verdades e doutrinas Ele veio ao mundo para ser o Cordeiro que foi enviado por Deus para pagar, com o seu próprio sangue pelos pecados cometidos por muitos. Jesus, o Senhor de Toda a Glória veio ao mundo com uma missão específica: para ser humilhado e para MORRER pelos pecadores para livrá-los da maldição do pecado, assumindo Ele mesmo as culpas de outras pessoas diante da justiça de Deus, tomando sobre si os efeitos da nossas maldades, das nossas perversões, da nossa desgraça. Em Cristo a Justiça de Deus foi satisfeita, as penas que cabiam ao seu povo foram pagas com o derramamento do seu sangue. Em Cristo toda a impiedade dos homens foi confrontada, toda perversidade vencida. Ele foi moído pelas nossas transgressões e transpassado pelos nossos pecados. Todos nós o ferimos, todos nós escarnecemos dele, todos jogamos sobre Ele o nosso ódio e desprezo, todo vilipêndio e maldade foi jogada sobre seus ombros, esbofeteamos sua face com nossa ira, cuspimos nele todas as nossas perversões, o esmagamos com nosso desamor e incredulidade, zombamos dele com nossa idolatria, ferimos Ele e o fizemos sangrar até a morte com todo o mal que faz parte da nossa natureza pecaminosa e Deus aceitou a oferta, o sacrifício perfeito e o holocausto definitivo onde um justo pagou pelas penas de muitos para que muitos injustos pudessem ser justificados, pudessem ser perdoados, redimidos, santificados, recebidos como filhos adotados por Deus com todas as honrarias que pertenciam somente ao seu Unigênito.
Podemos aumentar o vilipêndio sofrido por Cristo com nossos atos tolos de insurgência ou de idealismo?
Não! Ele já foi esmagado por nós, por causa dos nossos atos, por causa do nosso pecado.
Mas esse não é o final da história.
O Rei dos reis e Senhor dos senhores morreu na cruz por amor aos pecadores, gente que o detestava, que não o compreendia e que não o conhecia. Mas Jesus Cristo é Deus, é Santo e é Todo-Poderoso, a morte não podia detê-lo e também a morte foi por Ele vencida, assim como o pecado, com a sua ressurreição. Hoje, Cristo vive e reina no seu trono celestial, Ele é soberano sobre todas as coisas e a nossa atual história é apenas uma página transitória que logo será virada pelo Senhor da história. Muitos irão para o seu Reino enquanto que muitos outros simplesmente perseverarão no seu descaminho de perdição e trevas rumo a completo banimento de Deus, o inferno.
Por isso, diante do evento da cruz de Cristo, cabe a nós apenas nos arrependermos dos nossos pecados, não celebrá-los, e seguirmos ao Senhor da vida no seu caminho verdadeiro da verdadeira dignidade humana: A SALVAÇÃO através da fé em Cristo.
"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna."
João 3: 16
"De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,
Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus,
Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;
E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.
Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome;
Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra,
E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai."
Filipenses 2:5-11

19/02/2015

Igreja

A igreja não é um lugar onde você vai procurar ajuda para vencer na vida em conformidade com as regras e ambições desse mundo.

Não é um recurso terapêutico para que as pessoas lidem com suas lutas, frustrações e desejos.

Não é um clube onde as pessoas se encontram, algumas amigáveis e outras não, para praticarem um estranho entretenimento dominical, reafirmarem algumas regras morais e manter viva uma instituição que para muita gente soa retrógrada.

A igreja também não é um amontoado de instituições falíveis e desarmoniosas cujas lideranças são capazes de manipular, de forma criminosa, outras pessoas para alcançarem riqueza e os mais torpes benefícios.

A igreja não é o que se vê em programas de TV, em noticiários de escândalos. Esses agentes de escândalos são apenas caricaturas disformes, são empreendimentos de usurpadores, de hereges e apóstatas. Essas são apenas cópias imprecisas e deformadas que apenas usurpam os nomes igreja e Cristo, mas de forma indevida e sem nenhuma propriedade.

A igreja também não é uma organização que pode ser destruída pelos homens ou vilipendiada pela impiedade deles. O que pode ser destruído é apenas a matéria, nunca a essência; é o que se vê neste mundo efêmero, nunca a verdade. A impiedade pode matar o corpo, derrubar paredes e destruir livros, mas não pode destruir a eternidade em glória para a qual todo crente está destinado da mesma forma como não pode impedir que o juízo certo se imponha sobre toda forma de impiedade, sobre seus cruéis perseguidores.

A igreja é uma criação do próprio Deus, ela foi edificada pelo próprio Cristo. É o ajuntamento das pessoas que foram alcançadas pela Graça de Deus (um privilégio) e que recebem o dom da fé para conhecerem e seguirem a Cristo, o Senhor e Salvador, de quem recebem, no exercício da fé dos seus congregados, a profundidade das riquezas, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus - o mistério almejado e totalmente oculto aos homens, mas que foi perfeitamente revelado na pessoa de Jesus Cristo e que é reconhecido no ministério da sua amada igreja.

A impiedade nunca poderá se impor sobre a igreja por causa da Graça que é irradiada nos valores que seus congregados buscam, vivem e apregoam.

Não há outro lugar onde se ensine sobre perdão como na igreja e isso confere valor e dignidade às pessoas na sempre verdadeira possibilidade de restauração, de esperança e de recomeço - isso porque todo cristão é plenamente perdoado por Cristo devido ao alto preço pago por eles com a sua própria morte na cruz.

Não há outro lugar onde se trabalhe a esperança, a fé e o amor como na comunhão dos cristãos e essas virtudes nos satisfazem a alma, verdades que todo anseio humano sempre almejou e que não podem ser alcançadas senão no ministério cristão porque é ali que Cristo se revela. Na igreja, enfim, esses anseios são alcançáveis de forma plena.

Não há quem ame e compreenda tão bem sobre o valor da vida e que procure com tanto empenho servir a este dom dado por Deus como a igreja como um reflexo e continuação do amor de Cristo pelas pessoas. A igreja é a continuadora do trabalho do próprio Cristo de amar as pessoas e de proclamar o seu Reino e a sua Justiça.

Por isso, diante do ministério de igreja, que é de Cristo, cabe às pessoas apenas as opções de renderem-se ao Senhor que sustenta a vida da igreja ou rebelar-se de forma consciente e maligna à sua oferta de amor e de vida em abundância.

Apregoar a salvação e trabalhar por ela é a função da igreja, assim como desfrutar do ser de Deus, conhecendo-o por meio da sua auto-revelação. Esse conhecimento nos leva às reações virtuosas desejadas por Deus em nós:

- o arrependimento, o desejo interno por mudança na forma como se vive, agora repudiando o pecado e almejando a santidade divina;

- a adoração, que é deparar-se com a santidade de Deus e apreciá-la com o coração (um novo coração) cheio de paz, de alegria e de gratidão por causa do tão grande privilégio de poder contemplar o ser de Deus, desfrutar da sua graciosa presença, confiar em seu poder e conhecer a sua vontade;

- a comunhão, a pática do amor e do serviço que nos fazem ter um profundo sentido de significado, de propósito e de destino.


Igreja não é apenas um lugar onde alguns de nós vamos. 
Também não é um prédio, nem uma instituição religiosa.
Igreja é a comunhão das pessoas que amam a Deus! 
E em consequência disso, essas pessoas amam também as outras pessoas, e isso em conformidade com a vontade de Deus que Ele mesmo revelou à nós (a Bíblia).
Igreja é a comunidade daqueles que seguem a Cristo e que juntam seus esforços para que o amor transformador de Deus seja experimentado e conhecido por todos.


04/02/2015

AUTORIDADES INDIGNAS DEVEM SER RESISTIDAS.

Corrupção, uma ideia doentia de que se é uma prioridade, de que regras sociais devem ser negligenciadas para seu próprio bem, um conceito patético de que se tem um "rei na barriga", a síndrome da "otoridade", a "lei do jeitinho" (e que os outros se danem) - um mal endêmico que está presente da base ao topo da nossa doente e miserável sociedade.
A maioria de nós é tão corrupta quanto os boçais que foram por nós colocados no poder. A diferença é que eles estão no poder (e representam os valores que temos - da maioria, isso é "democracia") enquanto que nós temos que nos contentar com nossas torpes fraudes, mentiras, vantagens e golpes de cada dia.
Se você que paga guardas para se livrar de uma multa de trânsito fosse o presidente da Petrobrás, provavelmente as coisas por lá não seriam muito diferentes da vergonha que temos visto. Se você tem o hábito de furar filas, não seria difícil esse "inocente" hábito evoluir para coisas maiores como, por exemplo, participar de uma licitação fraudando as regras ou, como deputado, aceitar uma "comissãozinha inocente" para agilizar algum negócio. Ou ainda, como presidente da República (já pensou?), mexer os pauzinhos para facilitar as coisas para a sua "cumpanheirada" e enriquecer toda a sua parentela às custas do povo, afinal, que mal há nisso, não é mesmo? Quem não quer prosperar, ficar rico, resolver seus problemas sem fila e sem burocracia? Ninguém precisa saber e todo mundo faz esse tipo de coisa mesmo. Não precisamos ser idealistas, mas realistas. Acomode-se...
Até em muitas igrejas por aí as "otoridades de deus" saem prometendo às pessoas (mentem) a felicidade e a riqueza desde que assumam um compromisso de "fé" e paguem suas "taxas" fielmente (um estelionato desprezível). Outros tantos praticam uma outra forma de corrupção, mais disfarçada, quando usam de tráfico de influência para garantirem seus postos de influência e liderança em jogos do poder, de cargos e de benefícios com cartas marcadas onde se usa de bajulação e de descarado nepotismo. A prática de trazer pessoas dos seus currais para garantirem que a coisa seja mantida de um jeito que sua "cumpanheirada" tenha garantido um lugar de sombra e água fresca é um mal comum e lamentável que imprime um mau costume onde deveria-se trabalhar com virtude e com ética... "Ah, danem-se esses valores! Eles são indicados para discursos, não para práticas..." - embora essa expressão não seja dita ela é reiteradamente praticada...
Tudo isso precisa mudar. Arrependimento (mudança de conduta) e punição aos corruptos são necessidades urgentes! Se estamos experimentando tempos de progressiva calamidade moral e social, esse caminho por onde estamos caminhando e a maneira como estamos lidando com as coisas precisam ser revistos, seja na política, na vida comum, no trabalho e até na igreja.
"E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus." (Romanos 12:2)
"SÃO SÓ CINCO MINUTINHOS"
Uma viatura da CET foi flagrada pelo ouvinte Daniel Aveiro estacionada em uma vaga para pessoas com deficiência em uma agência bancária na rua Gentil de Moura, na zona sul da cidade.

30/10/2014

A infeliz alienação doutrináia de muitos cristãos


Uma das piores coisas que muitos fazem - a pretexto de estarem servindo à fé cristã - é a doutrinação da alienação e da segregação - um ensino recorrente derivado de uma interpretação mal-feita e muito ruim das doutrinas do Corpo de Cristo e da santificação.

Para muitos líderes cristãos, equivocados nessa questão, os crentes devem tratar como coisa de somenos muitas das questões da vida em sociedade - como a política ou as ações sociais - e focar seus esforços nos programas das igrejas porque assim estariam praticando a "verdadeira" comunhão cristã, estariam servindo a Deus e crescendo em estatura espiritual.

Embora a vida comunitária cristã seja importante (e bíblica) esse modo comunitário de viver nada tem a ver com segregação. Pelo contrário! A igreja é um meio de adoração a Deus e de preparação dos crentes para a missão cristã no mundo. A ideia de segregação é um gravíssimo erro, pois muito mais do que simplesmente nos reunirmos para cantarmos, confraternizarmos e ouvirmos palestras e sermões, a redenção alcançada por alto preço exige que os redimidos assumam um papel desafiador como transformadores da sociedade.

A verdade de Cristo que salvou os crentes deve ser propagada a fim de que toda a sociedade seja por essa verdade iluminada. Por isso Cristo chama os seus discípulos de luz do mundo e de sal da terra. É misturando-se ao mundo ao derredor que está a nossa verdadeira missão, não na segregação de uma vida estritamente comunitária nas igrejas - e quão frágil e superficial tem sido essa vida comunitária, cada vez mais dependente de programas e de entretenimentos... e quão miserável seria a redenção se Cristo tivesse morrido pelos eleitos apenas para congregá-los em programas religiosos...

Somente assumindo esse papel que vai além dos programas religiosos é que a Graça de Deus (seja ela a comum ou a salvadora) alcançará as diversas áreas da vida. Anunciar o Evangelho é muito mais do que simplesmente praticar o proselitismo religioso (trazer pessoas para a - minha - igreja), anunciar Cristo é propagar a redenção, suas obras, sua justiça, sua compaixão, seu socorro aos que sofrem, seu amor e bondade, seu iminente juízo... uma verdade poderosa para transformar todas as estruturas da vida, verdade essa que pertence a Deus mas que foi confiada pelo próprio Cristo aos crentes, sua igreja.

Somente assumindo esse papel exclusivamente cristão (uma responsabilidade e um privilégio) é que poderá existir socorro piedoso aos que sofrem, somente assim haverá possibilidade de justiça, somente assim haveria a correta formulação dos valores necessários à vida de forma honrada, à felicidade e à paz. Então, apesar de os cristãos representarem um grande percentual da população (mundial ou brasileira) e ainda assim estarmos caminhando de mal a pior, numa crescente desmoralização humana, segue-se que os cristãos estão guardando o luzeiro recebido num caixote, estão vivendo em demasiada indolência e têm negligenciado a sua missão. E grande parte da culpa dessa omissão está (além da frouxidão da fé pessoal), justamente, na maléfica doutrina da alienação e da segregação...

26/08/2014

O Perdão Eficaz de Deus e a Impossibilidade de se Perder a Salvação.



O perdão de pecados por Deus é dado às pessoas única e exclusivamente por causa dos atos de Cristo - por causa do seu sofrimento e morte na cruz (seguida pela sua ressurreição) para pagar as penas devidas pelas nossas transgressões da Lei de Deus - e esse perdão completo e eficaz é concedido aos eleitos, os salvos, àqueles que são transformados em filhos de Deus pelo seu próprio poder e exclusivamente por obra da sua Graça.

Mas o perdão eficaz exige um requisito: o arrependimento. Para ser perdoado por algo o pecador deve arrepender-se do que fez, caso contrário o perdão que lhe seria concedido seria um desperdício de virtudes e uma demonstração de complacência diante do mal, seria como liberar o criminoso de suas penas sem que esse criminoso realmente se importasse com o que fez, seria um ato de injustiça. Mas, no conceito divino, a relação perdão-arrependimento-regeneração funciona diferente das noções humanas de justiça pelo simples fato de que o padrão da justiça divina é muitíssimo elevado se comparado com as imperfeitas e decadentes virtudes humanas. Nossas mais elevadas virtudes não passam de farelo sujo com ofensas em comparação com o alto padrão da santidade de Deus. Por isso não há como satisfazermos as exigências elevadas do perdão de Deus com nosso suposto arrependimento, que de tão débil cede facilmente a outros pecados consecutivamente – pedimos perdão pelo pecado de hoje, mas amanhã ou depois cometemos outro - ao passo que o perdão divino é definitivo, Deus não mente e não se contradiz e uma vez perdoados por Ele o mal que cometemos não será levado em conta, mas é lançado no fundo do mar do esquecimento.

Então, no que diz respeito à nossa relação com Deus como pecadores e Ele Santo e perdoador, essa dinâmica é bastante diferente daquilo que julgaríamos justo nas nossas relações humanas: o próprio Deus garante os meios necessários para a eficácia do seu perdão mesmo diante dos sucessivos e fracos arrependimentos humanos porque Ele é o principal interessado em nossa salvação – pelo menos o único interessado até que tal interesse e virtude sejam em nosso coração plantados por Ele mesmo através do trabalho transformador do Espírito Santo. Ou seja, até mesmo o desejo e a alegria pela salvação, assim como o arrependimento, o amor por Deus e a fé (entre outros dons e virtudes) são coisas dadas por Deus às pessoas e não são produzidas em nós por nossa vontade ou esforço e também não fazem parte da nossa natureza. Os milagres da regeneração e da santificação são operados por Deus na vida dos crentes, incluindo os princípios, os meios e os fins para a sua realização.

Assim, sobre a relação perdão- arrependimento, devemos entender que o arrependimento é um comportamento que não pode se restringir apenas ao início da vida cristã na chamada conversão, mas é uma prática constante na vida de um cristão ao passo que durante toda a vida somos tentados, e muitas dessas vezes caímos em pecados diversos, em graus maiores ou menores, e que durante todo esse processo que é viver em Cristo, a Graça divina sempre apontará para a santificação continuada, para a virtude e para a verdade numa luta constante de influências onde a salvação nunca poderá ser perdida e onde a Graça triunfará. Ou seja, a salvação é perfeita porque é um ato divino e definitivo ao passo que o arrependimento é imperfeito na medida em que é uma resposta humana à Graça de Deus. Os nossos arrependimentos, assim como qualquer virtude humana, sempre estarão manchados por nossas imperfeições e limitados por nossa finitude.

Esse trabalho divino nas vidas dos crentes, regeneração (fazer nascer uma vida nova) e a santificação (o aperfeiçoamento progressivo em semelhança ao caráter de Jesus), terá somente na Glória, na vida futura com Cristo no paraíso, a sua completa manifestação – somente lá seremos perfeitos e imunes ao pecado e aos seus efeitos e enquanto essa plenitude de vida não é alcançada nós a vislumbramos por fé, baseados nas promessas de Deus enquanto vivemos essa vida, na qual ainda lutamos contra o pecado e ainda somos suscetíveis a ele - mas também estamos seguros por causa da Graça de Deus que nos foi dada e na qual devemos nos firmar - a fé e o amor por Deus são evidências da segurança da salvação. Essa talvez seja a principal batalha pessoal dos cristãos (mas não é a única): perseverarmos no caminho de Cristo enquanto lutamos contra nossa própria natureza suscetível às diversas formas de pecado num mundo caído e hostil à Graça de Deus e que já está condenado à ira da implacável e perfeita justiça do Todo-Poderoso.

Nessa trajetória da vida nós sofremos altos e baixos e infelizmente ela pode ser marcada por fortes crises ou pelo enfraquecimento de fé diversas vezes, uma ameaça real que pode nos levar a sucumbir e ceder novamente à prática de pecados. Somos fracos... Por isso, infelizmente é possível que um salvo por Deus experimente verdadeiros “vales de sombras e de morte” através de angústias, sofrimentos, enfermidades, medos, etc... ou pior, esses vales podem ser vivenciados através de pecados pessoais, de vícios, de traições, de crimes e entre muitos outros pecados mais ou menos extremos alguns acabam se rendendo  à proposta tentadora de fuga que o suicídio oferece (porque na maioria das vezes quem tira a própria vida o faz porque está procurando não acabar com sua existência, mas, num estado de falta de lucidez, acabar com sua profunda angústia, sem contar os casos motivados por graves doenças psicológicas ou cerebrais, coisa de ordem química e biológica). 

Será que perderam a salvação aqueles que verdadeiramente foram salvos um dia, aqueles que demonstraram uma fé verdadeira e um amor verdadeiro por Deus durante uma importante etapa de suas vidas? Se considerarmos que a verdadeira fé e o verdadeiro amor por Deus são dádivas dadas por Ele mesmo, e que Ele não comete injustiças e que seus dons são irrevogáveis, nós podemos concluir, com confiança, que quem possui fé verdadeira nunca o negará verdadeiramente e quem ama a Deus de verdade esse amor nunca deixará de existir, porque essas virtudes são apenas reflexos de algo maior e mais poderoso que é a Graça divina, e absolutamente nada pode separar alguém do poder do seu amor, nem mesmo tormentos que podem ocorrer em tempos de fraqueza pessoal e que podem levar um salvo e filho de Deus a desesperar-se. Podemos afirmar que os verdadeiros salvos nunca perderão a sua salvação, ao passo que os falsos convertidos nunca foram salvos de fato (e não existe salvação para ser perdida nesses casos). Também não cabe a nós tentar discernir os falsos dos verdadeiros crentes, o joio do trigo. Esse julgamento pertence somente a Cristo e quem se atreve nisso comete pecado. 

Mas temos que atentar para a verdade de que se um crente enfraquece em sua fé e acaba cedendo ao pecado é exclusivamente por fraqueza e irresponsabilidade dele em não utilizar-se adequadamente dos meios de Graça (oração, comunhão, vigilância, etc) para manter-se firme que um estado de obscuridade espiritual o atormenta. Todos colhemos o que plantamos, tanto para bem como para o mal - essa é uma lei universal, e na vida cristã não deveria haver espaço para a indolência espiritual. Mas mesmo esse estado decadente, que pode ser provisório e que é comum a todos, não é capaz de anular o que Deus fez, faz e fará. 

Somente poderemos entender a eficácia da salvação quando entendermos que ela não é e nunca esteve baseada nas pessoas e que ela não se concretiza por causa do que fazemos, sejam atos bons e virtuosos para que a salvação se cumpra ou atos ruins e reprováveis para que a salvação seja perdida. Ela não existe e não é realizada por causa da igreja, também não é alcançada como consequência da fé pessoal – embora a fé seja fundamental para a salvação no sentido de que a fé é um dom divino que nos é dado para respondermos positivamente ao seu chamado para seguir a Cristo e para viver em fidelidade à sua vontade em sua presença, embora não o possamos ver (ou sentir e comprovar sua existência concretamente - de acordo com os meios materiais humanos) enquanto vivemos nessa atual realidade transitória. A fé é uma resposta necessária e real, uma reação vivificadora do Evangelho (a boa notícia) que desperta nossos sentidos para realidades maiores que as limitações materiais, porém a fé é posterior a uma ordenação divina para a vida, a sua Graça salvadora.

Os cristãos são chamados para a virtude, mas ainda são suscetíveis ao mal e por isso suas vidas devem ser marcadas pela submissão servil a Deus, pela perseverança e pela vigilância. Os resultados dessa disciplina é uma vida cristã vibrante e frutífera! Mas todos nós sabemos que vacilamos freqüentemente e a própria Palavra de Deus é repleta de registros sobre essa realidade, afinal “o bem que desejo eu não faço, mas o mal que reprovo esse eu faço... miserável homem que sou!”

Para os salvos, todos os seus pecados já foram vencidos, pagos e perdoados por Cristo antes mesmo desses pecados terem sido praticados e antes mesmo dessas pessoas existirem. Deus não está limitado naquilo que nós chamamos de tempo. Cristo manifestou-se no mundo naquilo que o Novo Testamento chama de plenitude dos tempos no sentido em que toda salvação, todo perdão divino e toda salvação ocorridas em todos os tempos ao longo da história, e a isso estão incluídas todas as pessoas que viveram muito antes ou muito depois de Cristo e em todos os lugares... Todos os eleitos de Deus foram salvos exclusivamente pelos atos do Filho de Deus, e esses atos ocorreram num momento histórico e numa época central em toda a existência em conformidade com os planos divinos que incluem toda a eternidade. De um ponto específico na história fluiu toda a Graça necessária para cobrir toda a eternidade. Cristo veio ao mundo uma vez como cordeiro para ser sacrificado para salvar e para reivindicar para si tudo o que lhe pertence, e um dia Ele voltará para apropriar-se, vitorioso, do seu prêmio: pessoas redimidas, salvas e um mundo refeito para a sua glória numa nova realidade chamada de “novos céus e nova Terra”. 

Porém, os que não foram salvos permanecerão como são por natureza: réprobos, amantes dos seus pecados e eternamente banidos do Deus Santo que é a fonte de toda vida e por isso esse estado miserável de existência à parte de Deus no chamado inferno é um lugar de juízo e de uma terrível morte eterna (ausência da Graça de Deus, mas não da sua justiça) – afinal foi baseados nisso que esses viveram suas vidas...


Num ato central na história – Cristo – a salvação foi consumada e não há absolutamente nada que possamos fazer para desfazê-la nas vidas daqueles que foram alcançados por seu poder soberano. Resta a nós simplesmente nos curvarmos ao seu senhorio em devoção e em adoração, dizendo-lhe do fundo dos nossos corações que precisamos do seu perdão e da sua salvação e que precisamos serví-lo.

25/07/2014

Padronização e homogeneidade X Evangelho



Toda padronização de comportamento que é imposta às pessoas é uma forma assustadora de imposição de poder sobre os outros. É uma tirania de quem pensa ser dotado de uma autoridade superior para manipular a consciência alheia.

Nessa prática, infeliz e muito comum em ditaduras por todo o mundo e por toda a história, o próximo é diminuído à condição de subalterno e o opressor é elevado à condição de classe superior com direitos privilegiados. Nessa prática a consciência humana é usurpada e dá lugar à robotização, à idiotização, à mera repetição irrefletida de proposições elaboradas por outros e à dependência intelectual de quem acaba ditando as normas. Nessa prática fica fácil identificar quem não está alinhado ao poder imposto e seus insubordinados são logo punidos com toda sorte de disciplinas, incluindo seu banimento e sua desumanização.

O que me perturba é que muitas vezes os agentes dessas padronizações dizem que estão buscando o bem comum, mas erram porque o bem comum inclui a diversidade de culturas, a diversidade de modos e das mais variadas leituras de um mesmo quadro.

E nesse dilema está a Igreja, promotora da vida, do conhecimento de Deus e da liberdade. Ela lida com valores absolutos (Deus, vida, morte, pecado, verdade) e está plantada no mundo dos homens com todas as suas diversidades. A Igreja não pode abrir mão dos seus valores, não pode relativizá-los, não pode se prostituir. Para isso ela precisa saber quais são realmente os seus valores e quais sãos suas prioridades, qual é o seu papel. Cristo deve ser proclamado e sua Graça é multiforme e isso é muito maior do que todos os costumes, maior que toda variedade cultural, maior do que todas as formas como os diversos agrupamentos humanos, em todos os variados contextos, absorvem seus valores absolutos e se reorganizam ao redor desses valores e, por conseqüência, é muito maior que quaisquer instituições, que nada mais são do que ajustes humanos encontrados para organizar certas coisas. Por isso a Igreja não deve se pautar em valores meramente institucionais e não deve impor por constrangimento verdades às consciências e às liberdades individuais, pois esse é o papel exclusivo do Espírito Santo, o verdadeiro convencedor dos corações acerca do pecado, do juízo e da justiça. A Igreja deve apenas proclamar a Cristo e os cristãos devem amar as pessoas incondicionalmente.


Somos limitados e falíveis e, portanto, nossas proposições derivadas de valores absolutos sempre refletirão nossa finitude - mas eu vejo beleza nisso! A beleza de podermos encontrar segurança, não no que somos ou no que fazemos, mas na verdade que transcende nossa realidade, no absoluto em pessoa, na intervenção divina em nossas limitações, num milagre salvador pelo qual nossa alma clama:

"E o Verbo (Cristo) se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade." (João 1:14)

28/06/2014

Culto na Capelania Evangélica do Hospital São Paulo

"Ao único que é digno"
Culto na capelania do Hospital São Paulo nesta manhã.
Pregação de Filipenses 2 por João Eduardo no culto da Capelania Evangélica do Hospital SP - jun 2014. Confira:

15/06/2014

Algumas reflexões sobre o amor cristão


1) Uma tentativa de explicar o amor, algo que deve ser vivido:

O amor é como a fome e é semelhante à sede, quem experimenta essas coisas não pode ficar inerte pois essas sensações precisam ser saciadas.

O amor é o desejo resultante em ações que buscam a felicidade do outro; é uma necessidade que nos faz usar de esforços e sacrifícios pelo bem concretizado na vida de outra pessoa; é a virtude em sua manifestação máxima para a dignidade e manutenção da vida.

A melhor definição de amor foi o ato divino diante da completa imersão no pecado da sua criatura humana. Por causa do seu amor por nós Deus enviou seu filho Jesus a este mundo, à nossa semelhança, para nos mostrar o caminho da verdade e da vida e para nos salvar dos nossos pecados pagando por eles com sua própria condenação à morte na cruz.

Outra evidência do poder do amor que foi revelado em Cristo é que o verdadeiro amor nunca acaba, sempre vence triunfante, assim como Cristo venceu a morte e triunfou do que era para ser a nossa condenação ao ressuscitar. É por amor que Ele fez tudo o que era necessário para nos salvar.

Deus nos ama e nos quer para si e a fé no filho de Deus é a única resposta possível que podemos dar ao seu chamado de amor e de vida.


2) Sobre a nossa dificuldade dificuldade de praticar o amor:

A grande corrupção humana está na sua incapacidade de cumprir os dois principais mandamentos da Lei de Deus: o amor a Deus e o amor às pessoas.

"E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento.
E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas." (Mateus 22:37-40)

Resistimos ao amor de Deus quando o ignoramos, quando dedicamos maior zelo às coisas mundanas do que à sua glória; quando deturpamos a compreensão da sua graça fazendo com que pareça ser similar aos mesquinhos valores mundanos, quando rebaixamos a grandeza do seu amor ou da sua justiça ou quando nos elevamos a graus indevidos como se isso pudesse minimizar ou relativizar a grandeza e a importância do Criador.

O desamor por Deus é irmão gêmeo da mentira, pois só pode ser justificado com as mais desonestas maneiras de subversão da verdade a fim de que pensemos equivocadamente que de Deus não precisamos ou que não é necessário tributar-lhe a devida honra. Esse desamor só existe com o auto-engano que alimentamos em quase tudo o que fazemos e que coloca nos altares dos nossos corações qualquer ídolo caricato e inútil que inventamos para nos satisfazer, sejam nossos próprios interesses ou sonhos, sejam coisas materiais, valores ocos e manipuláveis ou até a própria subversão na compreensão do ser de Deus com a posição extremada de alguns de negá-lo.

E como conseqüência do desamor por Deus, de não atentarmos para a grandeza do seu ser e nos submetermos agradecidos em adoração a Ele, nosso coração vazio da sua glória se preenche com tristes deformações da verdade e ficamos incapacitados de amar as outras pessoas como deveríamos amar (e deveríamos porque é mandamento divino e esse mandamento ficou marcado na nossa alma). Na nossa incapacidade de amar verdadeiramente, tratamos as pessoas como bens, como coisas, como objetos que podem ser descartados e esse desamor, de forma coletiva, é a causa principal das injustiças que assolam as pessoas em todo o mundo.

O irmão gêmeo do nosso desamor pelas pessoas é nossa avareza, é nosso insaciável desejo de auto-realização, de auto-satisfação, é o desejo intermitente de sermos celebrados, reconhecidos, cultuados e, paradoxalmente, de sermos amados. O desejo por ser amado de forma distorcida é uma evidência da nossa triste incapacidade de amar, porque se amássemos de verdade nós estaríamos satisfeitos, seríamos felizes de verdade e não mendicaríamos amor ou atenção dos outros - já estaríamos muito bem-resolvidos.

Nós fomos criados para amar (a Deus a ao nosso próximo) e amar é servir, é repartir, é doar, amar é encontrar integralmente o nosso lugar seguro, nossa missão, nossa realização existencial que só pode ser concretizada com o amor dedicado a Deus em primeiro lugar e ao nosso semelhante como uma conseqüência real e inegável do poder transformador desse amor.

Se alguém diz que ama a Deus mas não é capaz de amar ao seu próprio, saiba, você não ama a Deus. E se alguém trata ao seu próximo como coisa, como objeto útil, mas descartável, saiba, você está completamente perdido num estado miserável de existência e o único remédio para essa forma miserável de vida é encontrar o seu amor fundamental na pessoa de Jesus Cristo. 

As pessoas são tratadas como coisas descartáveis quando as coisas e não as pessoas são prioridade. E perceber isso é um processo desmistificador doloroso de certos valores que não passam de bengalas para muitos, pois a verdadeira fé sempre é acompanhada pelo amor e o verdadeiro amor é por pessoas e nunca por coisas.

"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." (João 3:16)


3) A Igreja como agente do amor:

Existe uma balança reguladora da Graça de Deus (o verdadeiro bem e a verdadeira vida) no mundo e ela é a Igreja de Cristo.

Quando a igreja se deixa dominar pela apatia ou por ensinos e práticas estranhas ao Evangelho, então o mundo perde de vista o seu referencial da verdade e é mergulhado mais fundo nas trevas do engano e do pecado.

Em contrapartida quando a igreja assume seu papel de anunciadora do Evangelho, pregado o amor de Deus com suas palavras e com suas ações de misericórdia e de justiça (e não pode dissociar essas duas formas de proclamação - pregação e ação), então o mundo vê um poderoso referencial da Graça de Deus agindo nas pessoas e apontando para o caminho da vida.

...e se o nosso mundo contemporâneo está ruindo, abraçando o pecado como norma e relativizando a verdade, conclui-se que a igreja contemporânea é um luzeiro quase apagado que precisa ser (re) aceso...

"Vós sois a luz do mundo"
"Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus." (Mateus 5:14 e 16)


4) A Igreja contemporânea predominante, relapsa na prática do amor:

Vida cristã que não sofre com as angústias desse mundo doente não é vida cristã. Também não é nem vida cristã, nem igreja, a simples confraternização de pessoas que apenas compartilham algumas crenças comuns que são pouquíssimo praticadas - e muitíssimo negligenciadas - mas que na verdade se juntam para se sentirem bem e em paz consigo mesmos numa alienação das angústias do mundo e na busca de proteção aos seus valores pessoais e egoístas paradoxalmente construídos em nome da sua fé. 

Na verdade muitos buscam, apenas, se proteger do campo de trabalho e de guerras neste mundo de ilusões e desejam viver uma vida regalada supondo que Deus se satisfaz com músicas sentimentais nos cultos de domingo, com dízimos e com uma vida relativamente moral. O cristão idealizado por muitos hoje em dia é um ser mediano, uma criatura apática e inexpressiva, mero cumpridor de rituais e de algumas regras, mas completamente incapaz de ser agente de salvação num mundo conturbado e vil. Essa caricatura de um cristão é alguém que está indisposto a amar ao seu próximo como a si mesmo, é alguém que estrutura sua fé no medo e que possui um tipo de fé infantilizada, mas bastante teorizada.

Se tem ALGO QUE PRECISA MUDAR na prática evangélica é a disfarçada e não confessada DOUTRINA DO MEDO.

Temos medo de interagir com outras comunidades cristãs para sermos de fato um só corpo em Cristo e uma única (multiforme) e universal igreja visando o Reino de Deus (João 17: 22) por medo de que interfiram em nosso modo de ser, por medo de que influenciem nossa doutrina e por medo de termos nossas tradições mudadas. Certamente haveria interferência mútua nessa união, mas é preciso reconhecer que todos somos imperfeitos e que nossos irmãos cristãos nos completam e que juntos somos eficazes em nossa missão cristã e que é errado pensarmos que essa ideia de corpo refere-se apenas à igreja ou comunidade local porque nossa verdadeira unidade é global, assim como a nossa missão é global (Romanos 12: 5).

Temos medo de abrir nossas portas e corações aos estranhos porque temos medo de que eles nos prejudiquem, temos medo de compartilhar, temos medo de perder o que temos e temos medo de colocar em jogo o nosso bem-estar e segurança (Mateus 5: 44). Mas é justamente para isso que fomos chamados: para dar, alimentar, cuidar, servir, amar e se for preciso perder! (Mateus 5)

Temos medo de sermos igreja exercendo sua missão no lugar correto: no mundo, também dentro, mas principalmente fora dos nossos muros (João 17: 18), onde há carência da Graça de Deus, do anúncio e manifestação do seu amor e do milagre do seu perdão restaurador. Mas ao invés disso nos encastelamos em prédios feitos por mãos humanas e lhes damos os equivocados nomes de igrejas e templos, para inventarmos ali ministérios, ocupações e missões como se Deus quisesse apenas que lhe ofereçamos nossos cultos nos domingos... temos medo de acatar às ordens do Senhor e por causa do nosso medo as relativizamos e as interpretamos de modo que nos proporcione paz e segurança (falsas).

Temos medo de nos abrir para o que existe lá fora porque tememos que estraguem nossas igrejas, temos medo de que influenciem mal os nossos filhos, temos medo que deturpem nossa doutrina, temos medo de confrontar nossa fé e por isso nos empenhamos em proteger essas coisas e achamos que fazendo isso estamos fazendo o bem, quando na verdade tomamos em nossas mãos o papel do verdadeiro defensor de Igreja, seu único sustentador, seu rochedo, alicerce, fundamento, guarda, criador e protetor - o próprio Deus.

Jesus fazia das colinas da Galiléia a sua congregação, ele pregava nas margens do mar e ensinava nas sinagogas (igrejas da sua época), mas também nas casas, nas festas, nas ruas e nos lugares mais improváveis Ele fazia manifestada a Graça de Deus. Em todos os lugares o Todo-Poderoso era cultuado com seus gestos e com suas palavras porque Jesus sabia, e fez questão de ensinar aos seus discípulos (dos quais fazemos parte) que nossa missão são as pessoas. São nos corações das pessoas que está a terra que devemos semear e cultivar com sua Palavra.

Por isso, quem ama de verdade não precisa ter medo, não se encastela e não se priva dos riscos de amar ao seu próximo como a si mesmo.
"No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor." (1 João 4:18)


5) As ideologias mundanas contemporâneas que têm influenciado mal a igreja:

"Pós-Pós-modernismo"
O espírito mundano semeando desordem visando a reconstrução de uma nova sociedade alicerçada numa ideologia maligna que está sendo imposta:

1) Ocupe as escolas com ideias nocivas - Conteste valores fundamentais de forma gradual, eduque as novas gerações em ideologias revolucionárias, destrua as noções de verdade e de bem e faça os tiranos parecerem heróis e exemplos a serem seguidos. Mire furiosamente nas instituições tradicionais e as destrua (família e igreja), substituindo-as por novas, frágeis e falsas instituições.

2) Inviabilize governos - Semeie o caos, desestruture a ordem, multiplique e indefina discursos, faça com que os referenciais sejam perdidos, suborne os idealistas, plante mentiras e escândalos, crie armadilhas, compre as lideranças, estabeleça idiotas como líderes, faça dos sindicatos meros instrumentos de poder político e transforme os partidos políticos em empresas de poder e de lavagem de dinheiro. Coloque o bem comum numa escala secundária na pauta política e priorize o jogo do poder, a política pela política e pelo dinheiro. Transforme políticos em ricos mafiosos para serem desqualificados, tendo por fim a completa desqualificação da própria política e a descrença na Democracia. Na desordem fragilize a população, compre a gratidão dos pobres, manipule-os e frustre os outros grupos sociais. Faça com que todos fiquem confusos, desiludidos e desgarrados porque assim serão facilmente dominados. Abra espaço para uma nova forma de governo.

3) Idiotize a população, transforme-a num grande gado que pode ser dominado. Engane-a, faça do acesso à informação um meio de se obter muito conhecimento sobre todas as coisas, mas de forma superficial, rasa e manipulada. Plante valores que podem ser facilmente manipulados, como a corrida pela satisfação material e descartável - coisas que na verdade têm pouquíssima importância e relevância para a vida. O consumismo descartável manterá a engrenagem funcionando, sustentará o status quo, satisfará aos anseios das pessoas robotizadas e as escravizará. Elas ficarão de tal modo envolvidas, ocupadas, hipnotizadas que não se importarão com sua decadência espiritual, moral e existencial e serão subservientes.

Seria isso mera "teoria da conspiração" ou realmente caminhamos para uma redefinição da sociedade de forma previamente planejada?

E diante dessas ameaças a Igreja tem se fechado cada vez mais, ficando cada vez mais parecida com um clube... Igreja? Omissa, fechada em si mesma e fazendo de si um parquinho de diversões para entreter sua frágil membresia... Isso não é igreja!

(Alguns sintomas da decadência da igreja institucionalizada [e me refiro àquela que tem "zelo" doutrinário] são sua inexpressiva importância como referencial de valores e de impacto social e a dependência crescente do uso de entretenimento tanto para a realização de "evangelismos" cada vez mais parecidos com animações de buffet infantil como para manter sua frágil membresia. 
Precisamos repensar nossas formas de ser igreja contemporânea, para não nos reduzirmos a ser meros clubes onde se faz palestras morais acompanhadas de músicas terapêuticas e emotivas, nem parquinhos de diversões pois essas coisas também são deturpações do Evangelho.)

6) Deus e o amor:

O amor é um dos atributos morais de Deus e essa sua característica em seu estado pleno e perfeito define a Deus como a própria personificação do amor (1 João 4 v. 8 e 16).

O amor significa que Deus se dá, a si próprio, para o benefício, para abençoar aos outros e essa é uma característica do seu ser que ao mesmo tempo não permite que Ele seja indiferente diante de sua criação (que é objeto do seu amor) e nos atrai para Ele. Por amor Deus enviou seu filho Jesus para morrer pela humanidade na cruz, o mesmo Jesus que sempre se relacionou amorosamente com o Pai (Jo. 14.31; 17. 24). 

O amor de Deus nunca se acabará, é inistingüível, não pode ser afetado por forças exteriores (nem pelo nosso pecado), pois tal como Deus é, imutável e eterno, seus atributos também o são e, portanto, seu amor é imutável, pleno e prefeito. Se o amor visa o bem da pessoa amada, e o amor de Deus é o amor em sua totalidade e perfeição, deduz-se que não haja ninguém em toda a existência que queira e faça o bem como Deus o quer e faz e a manifestação plena do nosso bem é a nossa salvação - nossa regeneração, ou conversão, pela fé em Cristo. 

O amor é um atributo compartilhado com toda a humanidade em diferentes contextos e, portanto, é distribuído por toda a criação como um elemento da graça comum de Deus a fim de que a vida seja possível, desejada e possivelmente agradável. A mesma separação em “dois blocos” principais conforme o tipo também pode ser feita no que se refere aos tipos amor – o amor sentido pelos ímpios e o amor sentido pelos filhos de Deus. A razão humana costuma distinguir o amor em “tipos” conforme a aplicação, tal como o amor entre homem e mulher, o amor entre amigos, o amor de pais para com seus filhos e o amor de Deus. O ser humano é capaz de amar como resultado dessa graça comum, embora o seu amor seja extremamente afetado pela natureza pecaminosa que o deformou, fazendo com que seu amor seja uma deformação do amor perfeito de Deus – mas mesmo assim é amor (verdadeiramente, qualquer mãe “sadia”, apesar de ser pecadora, ama ao seu filho e muitas delas são capazes de dar suas vidas por eles). 

Os cristãos, por obra da regeneração operada pelo Espírito Santo na conversão são capazes de viver um amor aperfeiçoado e muito mais próximo daquele amor que Deus tem por suas criaturas e que é vivenciado entre a Trindade (Pai, Filho - Cristo - e o Espírito Santo), mas que mesmo assim ainda está eternamente distante da plenitude do amor que somente Deus tem e sente - esse distanciamento com sua imperfeição terminarão com a efetivação da nossa redenção (1 Coríntios 13 v. 12 e 13)