12/12/2016

Louvores e música do mundo


A invasão de músicas antropocêntricas (que têm por finalidade engradecer o gênero humano) e sentimentais no repertório do que deveriam ser louvores a Deus nos cultos cristãos está muito relacionada à estúpida dicotomia que muitos evangélicos fazem entre músicas "de Deus" e "músicas do mundo". 

Ao cometerem o erro de banirem de suas vidas as músicas "seculares" que tem por função o entretenimento e o prazer (não há nada de errado no prazer desde que não seja corrompido pelo pecado) esses evangélicos trazem para dentro de suas espiritualidades e para dentro de seus cultos as suas carências recreativas através de um arsenal de músicas que não louvam a Deus por não estarem centradas na sua vontade, mas, pelo contrário, estão baseadas na vontade humana para estimular, de uma forma bastante corrupta, sentimentos de prazer e de emoções durante o culto - um momento totalmente impróprio para se buscar o prazer. 

Confunde-se então, pecaminosamente, a experiência emocional induzida por canções extravagantes, letras que dizem coisas diferentes dos ensinamentos bíblicos, melodias hipnóticas, sussurros, gritos e gemições - que às vezes levam as pessoas ao entorpecimento dos sentidos e da razão (ou mesmo da histeria coletiva) - com o "mover" do Espírito de Deus. Dessa forma o culto que deveria ser um serviço devocional para Deus acaba sendo subvertido em um culto voltado para o próprio homem e, portanto, transforma-se numa prática antropocêntrica e idólatra - um pecado.

"Portanto, irmãos, exorto-vos pelas compaixões de Deus que apresenteis o vosso corpo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.
E não vos amoldeis ao esquema deste mundo, mas sede transformados pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus." (Romanos 12: 1, 2)


Veja este vídeo no YouTube:



07/12/2016

Para refletir se tua igreja é realmente fiel a Cristo


Muito do que se faz na prática religiosa não é servir ao Rei Jesus e ao seu Reino, mas em lugar disso serve-se a um sistema religioso estéreo que tem um reprovável fim em si mesmo.

Quer alguns exemplos disso?

Se uma igreja torna secundários seus deveres na evangelização, em missões, no discipulado e no cuidado de necessitados porque prefere direcionar, em primeiro lugar, os seus recursos humanos e financeiros para realizar eventos sociais ou para a aquisição de bens materiais ou, pior, para o enriquecimento da sua liderança, ela perverteu severamente a sua missão e seus atos não glorificam a Cristo;

Se o ajuntamento de crentes professos numa igreja é baseado em confortos aos próprios crentes como ambientes agradáveis, boa música, bom palestrante, boas relações sociais essa comunidade está agindo contra Cristo e a sua Palavra, pois subverteram a ordem de servir ao próximo (necessitado) e a transformaram na repreensível prática de servirem-se a si mesmos em nome de uma fé agonizante;

Se na escolha de Presbíteros e de Diáconos os requisitos bíblicos são negligenciados e são valorizados mais os aspectos sociais do que os espirituais, a igreja que assim age se rebelou contra as ordens de Cristo e não cabe aí acreditar que a vontade de Deus foi feita através das deliberações da congregação, pois na verdade a vontade divina foi deliberadamente negada e essa comunidade está sujeita à disciplina de Deus, fato que muitas vezes se manifesta através de uma ilusão de prosperidade;

Se a liderança eclesiástica está mais empenhada na administração das coisas materiais da igreja do que no cumprimento do seu ministério espiritual, ainda que todas as leis de homens que tratam da organização eclesiástica dêem testemunho de que sua constituição é legítima, na verdade essa liderança e seus atos são ilegítimos e impróprios pois pervertem a missão da igreja;

Se os laços de união num concílio eclesiástico forem baseados em políticas e em jogos de interesses em vez de se basearem na missão cristã de pastorear o povo de Deus, na sua edificação na fé focada na realização da sua missão cristã como sal da terra e luz do mundo, esse concílio é apenas um ajuntamento de equivocados praticantes de conchavos, de líderes que devem ser resistidos e substituídos por quem realmente ama e busca o Reino de Deus e a sua Justiça;

Se uma organização eclesiástica defende que autoridade é algo irrestrito e que sempre deve ser obedecida independentemente do que faz, essa organização tem características escravizantes e em vez de servir a Cristo, o nosso libertador, ela trabalha contra Ele através da manipulação das pessoas por meio de abusos das consciências e não é possível que Cristo seja servido por tiranos e déspotas. Ele é servido tão somente por seus imitadores, por servos que tratam o seu próximo como alguém superior a si mesmo e são somente estes, na lei de Cristo, que são revestidos pela sua autoridade;

Se no culto ou outras reuniões o trabalho é feito para satisfazer as pessoas por meio de músicas agradáveis e emotivas, de mensagens, sermões e estudos de abordagem antropocêntrica, otimista, meramente terapêutica em vez de se proclamar por meio de toda a Escritura o Evangelho de Cristo e suas ênfases no pecado, no arrependimento, na conversão, na morte e ressurreição de Jesus e em sua glória, o fato é que o Evangelho foi substituído por doutrinas de homens e nada do que se faz nesse falso culto glorifica a Deus;


Se você percebeu que a tua igreja se enquadra em algumas das reprováveis descrições acima a coisa está indo de mal a pior, vocês precisam de arrependimento e precisam mudar urgentemente e radicalmente as suas práticas. Ter uma liderança repreensível não livra você das tuas responsabilidades, se tua igreja não mudar é bom que você considere mudar de igreja.

14/09/2016

Reflexões diversas sobre o nosso evangelicalismo

Corrupção não é somente o que nossos políticos fazem quando usam o poder para benefício próprio. É toda vantagem desleal, toda jogada feita fora das regras, todo atalho tomado para dar-se bem quando outros ficam para trás porque seguem pelo caminho da normalidade e que por isso são tratados como idiotas . É toda carteirada imposta por arrogantes possuídos pela síndrome de autoridade, é todo ato crápula de quem confere benesses por tráfego de influência e de quem alcança influência porque sempre soube fazer uso desse tipo sórdido de benesse.



A corrupção existe em quase toda parte, mas é ainda mais intolerável nos submundos do tráfego de influências e de politicagens sórdidas nos arranjos clericais. É ainda mais intolerável quando praticado por líderes eclesiásticos que movimentam as peças em organizações que têm apenas uma fachada de cristãs, mas que servem para em primeiro lugar assegurarem o próprio ganho da alta corte, para prospectarem sua própria carreira e negociarem vantagens para quem lhes interessa. A maldita simonia medieval, a prática de clérigos usarem sua influência para assegurarem cargos, prestígio e riquezas aos seus, fazendo clara e odiável acepção de pessoas e burlando leis e regras ainda é praticada por canalhas que vêem na igreja uma escada para subirem na vida, num claro desprezo à importância e santidade da congregação do Senhor para, cheios de hipocrisia e de rapina, valerem-se da manipulação de incautos para prospectar sobre eles uma idéia mentirosa de divindade que seja antes de qualquer coisa uma idéia lucrativa. Desgraçados que criam ídolos e que subvertem a mensagem poderosa do Evangelho porque amam a sua própria glória mais do que a glória de Cristo. Malditos que parecem ser dotados de santidade mas que cuja hipocrisia não pode fazer nada além de acrescentar desgraça à sua desgraça que é apenas acobertada por uma frágil máscara que não poderá esconder suas vergonhas e imundícies por muito tempo. Cretinos celebrados por platéias mas indignos de qualquer credibilidade que estão a apenas um passo de um terrível abismo, e ninguém os salvará da completa ruína porque é necessário que seja dado um basta a tanto escândalo que impuseram sobre a cruz de Cristo.

E não pensem que me refiro aos óbvios vendilhões que tratam Cristo, seu Evangelho e a Igreja como fontes de poder e fortuna. Mais do que os óbvios falsos profetas da prosperidade eu me refiro aos galantes falastrões de bons discursos, mas que por trás da sua atuação aparentemente irretocável nos púlpitos está um lobo carniceiro ávido pela sua própria glória . Refiro-me aos mentirosos que mentem ao falarem verdades, porque suas teorias cheia de verdades aprendidas em livros nunca foram mais do que material para formar pomposos discursos a serem ditos aos outros, mas nunca a vocês mesmos.
Cristo, o Senhor a quem deveríamos servir e temer, não se deixa enganar como deixa a maioria das pessoas, e essa é uma das mais terríveis verdades que nos foi advertida pelo Supremo Juiz e sondador de corações que banirá da sua presença todos aqueles que achavam que era possível serví-lo por meio de iniquidades. Não é.

___________________________________________________


A fantástica piedade dos piedosos que não perdem oportunidade para exercitar sua maledicência e evidenciar seu coração interesseiro é mesmo fantástica.

Resultado de imagem para maledicência 

Ame, sirva e dedique-se mais às pessoas que frequentam a tua religião - gente com quem você convive escassa e superficialmente - do que ama as pessoas com quem você realmente divide a vida e reduza assim a tua religião a um teatro bastante amador. Porque é mais fácil fingir integridade diante de quem pouco te conhece do que ser realmente íntegro aos olhos de quem realmente te conhece.


Resultado de imagem para olhando no espelho

A fé de alguém que se baseia apenas e integralmente nas reflexões e experiências alheias é apenas um exercício parasitário. Um auto-engano. Tal pessoa aprende a olhar para um retrato alheio e ver no rosto de outro a sua própria face e passa a acreditar que as reflexões de outros são suas próprias reflexões.

A verdadeira fé implica necessariamente em liberdade e no auto-conhecimento de quem vê a sua própria existência sob a perspectiva do Criador. Se a fé que alguém diz que tem não produzir esse efeito isso não é fé, é fuga.


Resultado de imagem para pescar no aquário

Fico encasquetado...

Então uma igreja de uma linha tradicional do estrangeiro que vive na sombra de um herói de 2 séculos atrás e que acredita piamente que um contexto cultural recente é o mais puro dos exercícios bíblicos, resolve plantar uma missão numa grande capital brasileira já bastante evangelizada. Mas essa missão, que tem o nome da cidade onde se estabeleceu (talvez para seguir o exemplo das igrejas primitivas, porque pensa que também o é), preferiu manter-se isolada das igrejas que lhe deveriam ser irmãs porque não teria encontrado uma igreja suficientemente "pura" para se aliar. Então a celebrada fraternidade que é exaltada pelo Salmo 133 e pelo Senhor Jesus em João 17 foi substituída pelo orgulho de um sectarismo deprimente, talvez porque sejam santos demais esses estrangeiros...

Mas a despeito dessa desfeita com a multiforme manifestação da Graça de Deus e da pluralidade do Corpo de Cristo, para o lançamento do seu próprio selo - porque as outras editoras do mesmo cristianismo não seriam tão puras na hora de traduzir seus heróis sagrados - resolve fazer um convite com as imagens estampadas desses seus heróis (e nenhuma menção ao Senhor) justamente para que pessoas das outras e desprezadas igrejas de outrora, objetos do seu julgamento, se façam presentes na festa de lançamento da sua editora própria para confraternizarem por essa grandiosa aquisição...

Seria isso uma clara demonstração de proselitismo, a clássica pescaria em aquários alheios, ou simplesmente um exercício da mais torpe hipocrisia?


Resultado de imagem para falar evangelho

Dar testemunho X falar o Evangelho

As palavras e o testemunho são indissociáveis. Minimize um e você comprometerá o outro pilar do ministério cristão.

Somente testemunho sem palavra anunciada não é evangelho, é ética e isso nunca será o suficiente para a proclamação do Evangelho. Obras humanas não salvam e não produzem fé. E somente palavra anunciada destituída de testemunho isso ainda assim é Evangelho (pois a palavra é de Deus independentemente da boca que a verbaliza - e a fé vem pelo ouvir a palavra anunciada, somente) mas é uma pregação posta em contradição por quem a prega, e nesse caso não é a palavra que é invalidada (as sementes são de Deus), mas o juízo recai mais sobre aquele que ousa falar o que não vivencia.

De fato Cristo se impunha a todos, ele não pedia a alguém que o seguisse, ele decretava. Ele não pedia autorização para pregar ou curar, ele o fazia. Ele não respeitava opiniões para fazer o que fazia, ele simplesmente cumpria a missão dada pelo Pai e continuará fazendo isso especialmente quando assumir o posto de juiz sentenciador de todos os destinos eternos, de todas as pessoas, se todas as eras, sem exceção.


Resultado de imagem para joão batista decapitado

Crentes enxeridos!

Por que João Batista deixou as pregações e batismos para ir lá e se intrometer em assunto privado de família, como no caso de Herodes com sua sobrinha?

Por quê Jesus não ficou focado no seu trabalho de mensageiro das boas-novas do amor de Deus pelas pessoas em vez de ficar xingando de hipócritas, de raposas e de túmulos podres a influente elite religiosa do seu tempo? Não tinha noção do perigo?

Por quê os profetas do passado não viviam suas vidas de oração restritos ao templo-igreja-casa ao invés de saírem se metendo na liberdade religiosa das pessoas que decidiam seguir outras religiões, ou que praticavam injustiças ou porque simplesmente não obedeciam aos mandamentos de Deus? Que capricho!

Ora essa! Por que esses crentes não se resignaram a viver suas próprias vidas e deixam de ser intrometidos nas vidas alheias? Não se enxergam?!

É por isso que João Batista foi decapitado, mereceu! E Jesus foi crucificado... e todos os profetas e apóstolos odiados, perseguidos... todos se deram muito mal porque não se resignaram a viver sua religião sem interferir na liberdade dos outros!

Percebe que o verdadeiro cristão não vive sua fé apenas para si? Ele é sal que se faz perceber e luz que revela quem os outros são. Cristianismo meramente pessoal e passivo não é cristianismo. O verdadeiro ministério profético da igreja é em relação ao mundo ao seu redor.


Resultado de imagem para revalidação de diploma

A validação de diplomas nas Faculdades de Teologia de quem faz SEMINÁRIO está no fim dos seus dias - e eu acho isso justíssimo!

Se os graduados em teologia de cursos superiores reconhecidos pelo MEC são descartados para exercerem ministério em igrejas porque seus concílios consideram que sua graduação não cumpre os requisitos exigidos em suas organizações eclesiásticas então é justo que os formados em seminários de igrejas para atenderem especificamente às suas demandas confessionais também não possam ter a sua graduação convalidada por faculdades que oferecem o curso superior em teologia.

Já que sempre foi feita a distinção entre essas graduações por parte de um dos lados (do confessional em relação ao acadêmico) então que essa distinção seja franca e bilateral.
Eu sou favorável ao fim da convalidação do diploma de seminários nas faculdades de teologia, uma verdadeira gambiarra e um abuso!

Seminários formam ministros de igrejas em conformidade com a sua confessionalidade;
Faculdades de Teologia formam teólogos - uma graduação que hoje é ofuscada pelos ministros religiosos, mas que é mais apta para estudar e discorrer sobre toda a realidade religiosa, independentemente de confessionalidade.


30/08/2016

Apenas pessoas comuns com suas fraquezas, mas envolvidas pela Graça de Deus.

“Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia.” (Romanos 11:32)
Às vezes olhamos para certos textos bíblicos e corremos o risco de pensar que suas histórias e ensinamentos, os testemunhos e as conquistas narradas e o alto padrão dos mandamentos divinos estão muito distantes de nós. Somos tentados a achar que pessoas como Abraão, José, Moisés, Davi, Ester, Maria, Pedro, João e tantos outros personagens bíblicos eram pessoas melhores que nós, mais virtuosas ou mais dignas das bênçãos de Deus ou do seu amor.
Não é tão incomum ouvirmos um tipo de argumento escapista que diz mais ou menos assim: “Ah, mas ele era o Apóstolo Paulo e eu sou apenas uma pessoa comum!” - Grande engano!
O problema de distanciarmos a realidade bíblica da nossa realidade e de acharmos que não podemos nos enquadrar na sua grandiosidade é que podemos nos acomodar num tipo bastante ineficiente de cristianismo. Podemos pensar que os nossos “heróis” eram mais fortes, mais aptos, mais santos ou que tinham muito mais fé do que nós para fazerem as coisas que fizeram e concluímos erroneamente que nós não temos condições para nos equiparar às suas façanhas de fé. Daí caímos na cilada da estagnação e do nanismo de uma espiritualidade morna, meramente formal, irrelevante e infrutífera. O problema é que esse pensamento está errado, toda virtude está ao alcance de toda a Igreja porque a sua missão não cessará até que Cristo volte para buscá-la e reduzir a missão da igreja à inoperância é desviar-se e é pecado!
Saiba que nenhum desses personagens bíblicos foi naturalmente virtuoso ou digno da Graça que tinham. Eles eram pecadores também, essencialmente tão fracos quanto nós e igualmente condenados ao inferno se a Graça de Jesus não os tivesse resgatado. Eles eram exatamente como nós, ninguém foi salvo por obras da Lei, nem por méritos próprios e nada do que fizeram os fez mais dignos diante de Deus. A salvação que Moisés recebeu de Deus, por exemplo, foi concedida a ele exatamente da mesma maneira como foi dada a qualquer crente: Deus salva, santifica e concede todos os seus benefícios ao seu povo única e exclusivamente por causa da sua Graça e da fé que Ele mesmo concede como efeito da obra vicária que Jesus Cristo realizou na cruz, ao morrer em lugar de pecadores para comprá-los para Deus.
Todo mérito nas realizações grandiosas ou comuns feitas por pessoas de fé, sejam personagens bíblicos, ou os reformadores protestantes, ou os mártires no início da história da Igreja, ou os missionários que estão no Oriente, na África ou no Brasil, sejam os cristãos famosos ou os anônimos que viveram, que vivem e que ainda viverão... todo ato de fé que redunde em glória para Deus foi realizado por causa da Graça de Cristo que foi abundantemente derramada sobre o povo de Deus, a Igreja de Jesus. É somente por ação do Espírito Santo que somos transformados de pessoas condenadas em instrumentos eficazes nas mãos do Todo-poderoso Deus e foi exatamente isso que aconteceu com todos os heróis da fé que estão na Bíblia, e é exatamente isso que pode e deve acontecer conosco também.
Entender que existe muito mais em comum entre nós e os personagens bíblicos que admiramos deve nos animar, pois as verdades e o poder de Deus que foram vistos nas vidas deles também se aplicam e devem ser vistos nas nossas vidas – e com a mesma eficácia, mesmo em meio aos sofrimentos, lutas e fraquezas que eles e nós vivenciamos ao longo da vida (porque somos humanos) e de formas muitíssimo parecidas, mas sem abandonar a fé.

26/07/2016

Filme Spotlight - sobre as perversões acobertadas pela instituição religiosa para preservar apenas a sua imagem



Aos amigos e irmãos cristãos, de quaisquer vertentes, eu recomendo o excelente filme Spotlight.

Neste filme é retratado, com muito cuidado e bom senso, o processo investigativo (Jornalístico com "J" maiúsculo) sobre diversos pecados gravíssimos, crimes de pedofilia que eram praticados por clérigos católicos sistematicamente acobertados pela instituição religiosa.

Penso que este filme é pertinente para que se promova uma reflexão responsável sobre os graves riscos que existem de se perverter qualquer instituição, principalmente as cristãs como igrejas, concílios e outras organizações cristãs, quando a preocupação para se manter a lisura nas aparências é tratada como prioridade em comparação com o zelo que se deve ter com a verdade e com a justiça.

Quando a política é engajada para proteger colegas faltosos a fim de se manter apenas a boa imagem superficial de uma instituição, obtém-se o fruto podre da inutilização dessa organização para um bem realmente justo e bom. A coisa toda estraga e Deus não pode ser glorificado em qualquer coisa que esse ajuntamento corrupto faça.

Toda instituição humana, como é a igreja, está sujeita a ser contaminada com as perversões e com os pecados das pessoas que as formam. Mas a igreja tem a obrigação de lutar para manter-se fiel à verdade - uma verdade eterna, imaculada, justíssima e transcendente que é o Evangelho de Cristo, por meio da fidelidade teológica e de uma prática dedicada das doutrinas cristãs.


Com relação às outras instituições, especialmente religiosas, eu penso que a perversão de verdade e da justiça são, nelas, um mal inerente, mas que também precisas ser confrontado. Apenas da igreja de Cristo deve-se esperar nada menos que um testemunho correto e verdadeiramente santo.

18/05/2016

Você não é bom! (Sobre a Graça de Deus)




Saiba-se que não existe nenhuma bondade natural em nenhum ser humano. Nenhuma alegria, nenhum amor, nenhuma justiça, nenhuma esperança, nenhum resquício das qualidades que definem, de acordo com o senso comum, a nossa humanidade.

O fato é que fomos criados à imagem e semelhança do nosso Criador e por isso compartilhávamos da sua natureza, dos seus atributos, das suas qualidades e das suas virtudes. Mas nos rebelamos contra Ele e por consequência da nossa rebelião, do nosso pecado, fomos banidos da comunhão que tínhamos com Ele e essa ruptura nos afastou também dos seus atributos como uma corrente que se quebra ou como um rio que se desconectou da sua nascente. Nos transformamos em seres vazios da natureza que deveríamos ter, em deformações daquilo que deveríamos ser.

O pecado que nos caracteriza e que nos perverte é oposto à santidade que caracteriza quem Deus é. Em nosso estado atual, uma natureza pervertida, somos o oposto de tudo o que fomos feitos para ser e o Deus que antes compartilhava conosco diversos dos seus atributos foi transformado, a partir da nossa obscurecida perspectiva, num completo desconhecido e inimigo porque o nosso estado de pecado nos faz ter repulsa à sua santidade. De Deus tentamos nos esconder, sua santidade revela como uma luz poderosa a podridão que tomou conta da nossa existência e esse nosso decadente estado nos faz procurar a escuridão da total ausência de Deus para praticarmos os nossos pecados sem que a luz da verdade divina nos exponha. Em contrapartida ao nosso pecado, a santidade de Deus é como um fogo purgador que consome o mal, é um luzeiro que tanto revela a fonte da nossa salvação como também nos revela o nosso estado decadente. Mas é na sua santidade que está a plenitude de vida que nós mesmos subvertemos.

Não há nenhum justo sequer. Não existe ninguém que seja imune ao pecado. Ninguém crê, conhece ou ama a Deus por mérito próprio.

Contudo Deus é gracioso, Ele compartilha, doa, do seu ser, a fonte de toda vida e de todo o bem, o amor em estado pleno, para que a vida de suas criaturas caídas desfrutem do bem que dEle provém.
Assim, se nós podemos ter alguma virtude, se uma mãe pode amar seus filhos, se temos noções de justiça, se podemos plantar e colher, se existe alguma compaixão, fraternidade ou esperança entre a humanidade não é porque tais qualidades nos são naturais. Essas virtudes são interferências de Deus no modo como vivemos, são manifestações da Graça Comum que de Deus procedem refreando o mal absoluto que nos dominaria por completo caso fôssemos deixados por nossa conta própria. É Deus quem impede que sejamos os monstros potenciais que nossa natureza depravada nos faria ser, verdadeiros demônios ávidos pelo pecado e totalmente possuídos pelo ódio a tudo que representa o ser divino. É a graça de Deus que nos impede de sermos completas antíteses miseráveis do que Ele é, e em todos os sentidos, tanto em atributos como em substância.

Por isso, ainda que alguém não creia em Deus, essa pessoa pode viver com bastante dignidade, pode amar e ser amado, pode realizar diversas coisas em sua vida, pode experimentar alegrias e esperanças, pode entender, ainda que parcialmente, algumas coisas grandiosas como justiça, bem e ciência, mas todo esse bem só é possível porque o Deus que pode ser negligenciado por nós nunca negligenciará a dignidade da vida humana que, ainda que esteja deformada e condenada por causa do pecado, foi criada nos moldes da mais sublime dignidade por ter sido feita à imagem e semelhança do Todo-Poderoso Criador.

Mas a Graça de Deus vai além. E um dia ela nos será tomada...

Além da Graça Comum de Deus, essa manifestação constante que refreia o nosso mal absoluto natural, Deus tem nos concedido a sua Graça Salvadora como consequência da vinda de Jesus Cristo a este mundo para, com a sua própria morte numa cruz, pagar pelas penas dos pecados de muitas pessoas perante Deus para que essas pessoas sejam inteiramente restauradas à comunhão com o Criador.

A Graça Salvadora é o que Deus fez na pessoa do Senhor Jesus para que diversas pessoas dentre toda a história e de todos os lugares desse mundo sejam reconciliadas com a sua santidade e com todos os seus atributos numa vitória plena obtida por Cristo sobre todos os efeitos do pecado. Por isso, por causa de Cristo, nós podemos ser perdoados dos nossos pecados, somos com Deus reconciliados, somos por Ele transformados, regenerados, santificados e somos salvos da condenação que virá sobre a humanidade quando, num futuro breve, Cristo retornar a este mundo para colocar um fim à esta nossa história a fim de que ela dê lugar ao estabelecimento do seu Reino numa nova e santa realidade destinada apenas para a sua glória que será eternamente compartilhada com o seu povo, que são as pessoas que responderam à Graça Salvadora de Cristo com a fé e baseadas na fé seguiram ao salvador.

Quando Cristo se manifestar num retorno triunfal, este mundo - como conhecemos - terá seu fim e Ele separará o seu povo de todas as eras das demais pessoas e instaurará o seu Juízo. A Graça Comum que nos refreia do mal absoluto será retirada dos réprobos e, nessa manifestação do Juízo Final, todos eles serão deixados em trevas absolutas, num limbo indescritível e inimaginável que chamamos de inferno, uma realidade descrita como lugar de choro e de ranger de dentes e de lago de fogo e de enxofre, porque ali as pessoas - ou os monstros deformados que sobrarem do que antes eram pessoas - estarão por conta própria, completamente dominados pela natureza destrutiva do pecado e pela consequente oposição a todos os atributos de Deus num completo banimento do seu ser. A retirada de qualquer vestígio do que seja ou represente o Deus revelado em Jesus Cristo da sua vida é, na verdade, uma realidade que todo pecador deseja, mas sem que se tenha nenhuma consciência de o quão terrível é continuar a viver sem a interferência da Graça de Deus e da sua santidade que constantemente afetam as vidas de todas as pessoas. Quando essa Graça Comum cessar não haverá mais nenhum amor, nenhuma esperança, nenhuma dignidade, nenhuma paz, nenhuma alegria, nenhuma virtude. Haverão apenas os opostos das virtudes divinas e essas "pessoas" serão a antítese completa do que Deus é. Neste inferno também existirá a eterna consciência de que houve a consumação da justiça em sua plenitude, restando aos condenados uma eterna sobrevivência indescritível e agonizante num completo banimento de Deus marcados por um inconsolável e eterno lamento.


04/03/2016

Carisma - sobre a capacidade que algumas pessoas tem de "enfeitiçar" outras pessoas


Carisma é uma habilidade que algumas poucas pessoas têm para angariar simpatizantes de uma forma pouco explicável.

Algumas pessoas tem a capacidade de "enfeitiçar" outras pessoas com o seu modo de falar, de gesticular, de olhar...

Elas transmitem uma falsa confiabilidade.

Uma pessoa carismática consegue seguidores quando fala verdades (quando usa seu "dom" para esse fim - poucos fazem isso), mas também consegue, inexplicavelmente, muitos seguidores ao falar mentiras - nesse caso o seu carisma foi mais determinante para conquistar devoções vulneráveis do que a racionalidade. Uma pessoa carismática pode ser reconhecida em psicopatas como Charles Manson, em ditadores como Hitler ou, como no nosso caso Tupiniquim, no líder da quadrilha petista chamado Lula - ouví-lo é quase que ser enfeitiçado, é ser inclinado, contra todas as evidências, a acreditar que ele é mesmo a alma mais pura e bondosa desse país.

Nunca, nunca dê ouvidos ao Diabo, ele é sedutor, dotado de uma capacidade de enfeitiçar, é carismático mas é mentiroso e homicida ao passo que nem sempre a verdade vem dentro de embalagens agradáveis à vista, pois é nua, crua e não teme ser investigada.

A verdade fere por ser implacável e exigente de um alto padrão ao passo que a mentira só pode subsistir sob disfarces que agradam os nossos enganáveis sentidos.


___________________________________________________________


Sermões rasos sabotam as Escrituras

Um sermão baseado numa reflexão rasa e cheia de opiniões pessoais acerca de um texto qualquer das Escrituras pode mais obscurecer do que esclarecer as verdades contidas nesse ou em qualquer outro texto bíblico.

O pecado de muitos pregadores de imporem as suas desnecessárias opiniões numa exposição preguiçosa dos textos bíblicos em suas trágicas pregações é um dos principais causadores do desconhecimento que grande parte das pessoas que se dizem cristãs têm acerca da fé que afirmam professar e, por consequência disso, grande parte dessa cristandade é inapta para desempenhar o seu papel de discípulos de Cristo neste nosso tempo.


O máximo que esses maus pregadores, que são sabotadores do Evangelho de Cristo, conseguem fazer com o seu falatório religioso é reduzir a grandeza da Palavra de Deus a algo que ela não é: em seus sermões ela é reduzida a regras e fardos reguladores de costumes e de práticas meramente morais voltados para a manutenção de um sistema religioso sem nunca alcançarem efetivamente o propósito transformador, libertador, redentivo e glorioso do Evangelho.

25/02/2016

O quê queremos ser como Igreja?



A palavra “igreja” vem do termo grego ekklēsia, que significa assembleia, reunião. Portanto igreja é a congregação, ajuntamento ou assembleia dos crentes que o próprio Jesus reúne para formar seu corpo neste mundo para a adoração congregacional a Deus e também para a realização da missão cristã em todas as suas diversas formas (At. 2: 1).

É normal as pessoas que desconhecem o Evangelho terem conceitos equivocados sobre a igreja, afinal, elas ainda desconhecem a Palavra de Deus e ainda estão cegas a respeito das verdades do Senhor (Is. 44:18) - é através da propagação das verdades bíblicas que Deus distribui o seu conhecimento para frutificar nas vidas dos seus eleitos (Lc. 24: 45). Mas um grave problema é quando os próprios cristãos têm conceitos equivocados a respeito desse importante instrumento da Graça de Deus que é a igreja (Ef. 5: 17).

Diversas pessoas que se consideram cristãs acham que igreja é apenas o lugar onde elas praticam a sua religião – e muitas vezes com enfado (como se Deus precisasse desse “favor”). Para muitos ir à igreja é um ato de legalismo bastante pesaroso e não pouca gente tem trocado a adoração a Deus pelos prazeres do mundo (na verdade quem age assim tem um problema muito grave, possivelmente o seu coração está de tal forma endurecido que Deus não é, para essa pessoa, um deleite – Sl. 37: 4).

Essas formas de se lidar com a igreja são pecados, ofendem ao Senhor da Igreja, evidenciam desprezo pela adoração congregacional a Deus, comprometem a comunhão cristã e prejudicam a missão cristã no mundo tanto na propagação da Palavra (Rm. 10: 14) como no serviço cristão que o próprio Jesus requer dos seus servos a quem precisa (Mt. 25: 34). Mas esses pecados, graças a Deus, podem ser tratados e corrigidos. Onde pecamos podemos alcançar o perdão de Deus (se houver arrependimento) e podemos ajustar a nossa conduta no caminho da retidão (Hb. 10: 24).

Nós, crentes reunidos na nossa Igreja local, da qual fazemos parte e que é, na verdade uma partícula do todo que é o Corpo de Cristo (a Igreja invisível, a verdadeira comunhão dos cristãos) não queremos pecar contra o Senhor no modo como vivenciamos a nossa fé. Ainda que muita gente faça as coisas erradas, nós estamos decididos a acertar, a nos esforçar no caminho da fidelidade àquele que nos chamou, reuniu e que nos tem capacitado para uma grande obra (Fp. 1: 6).

Apesar de todos nós sermos imperfeitos, limitados e pecadores nós confiamos na perfeição, no poder e na santidade de quem nos reuniu aqui nesta igreja – e Ele é sábio e sabe o que faz. Estamos reunidos aqui para fazermos a sua vontade no cumprimento da nossa missão cristã na adoração a Deus do modo como Ele é digno, com todo o coração (Mc. 12: 30). Queremos cumprir a nossa missão cristã também na comunhão cooperativa entre a membresia desta igreja (1 Co. 12: 12) para todos crescermos juntos tanto na Graça como no conhecimento de Deus (2 Pe. 3: 18) e assim sermos mais fortes e melhor capacitados para estender as nossas mãos aos necessitados, consolar os aflitos (Is. 61: 1), propagar o Evangelho, batizar novos convertidos e formar muitos novos discípulos de Cristo (Mt. 28: 19) enquanto o Senhor nos permitir viver esta vida (que ela seja inteiramente consagrada a Cristo – Fp. 1: 21).


Queiramos, todos juntos, ser uma Igreja vibrante, servil, atuante e transbordante da Graça de Deus!
P.S. - Este é o primeiro texto que fiz para o boletim da Igreja Presbiteriana de Vila Diva, onde congrego.

Igreja Hipster, show de culto


Cultos modernos com muitos recursos envolventes para conquistar os jovens do nosso tempo! Será que vale considerar isso como opção?
Uau!!! Bonito né? "Cool", emocionante, envolvente, moderno... mas apenas uma máscara de beleza num movimento rendido e fraco, meramente terapêutico.
Não se engane, transformar a prática cristã num show repleto de artificialidades, de pirotecnia, de técnicas emotivas e envolventes é desfigurar o propósito do Evangelho de forma diferente mas também deformadora das verdades de Deus, assim como no modo como o Evangelho é mal usado como pretexto pelos vendilhões da fé.
Quanto mais simples, bíblica e responsável for a abordagem na proclamação da verdade de Cristo mais profunda será a interação do seu ouvinte com o seu conteúdo espiritual e quanto mais cheio de recursos humanos for essa abordagem - para dar um clima - mais humano e menos divino será o efeito dessa fraca e rasa interação na vida de gente que associará o cristianismo com um prazer meramente mundano - um equívoco! Nesse tipo de abordagem o efeito mais marcante nas pessoas sempre será o entorpecimento como resultado de um turbilhão meramente emocional - uma coisa rasa que alguns confundem erradamente com a profundidade da ação do Espírito Santo no coração de alguém que é verdadeiramente tocado e transformado pelas verdades do Evangelho.
Mocidades de igrejas com cara de "patricinhas e patricinhos de Beverly Hills" nunca serão mocidades fortes e consequentemente dificilmente serão igrejas fortes, envolvidas com as diversas missões cristãs nas suas demandas verdadeiras, com toda a sua crueza, com as suas dores e desafios. Essa gente mimada fica dodói demais para fazer calo nas mãos com um arado de verdade e para eles tem valido mais ser "cool" e fazer parte da "galera" do que ser, de fato, crente.
Na Bíblia, o ideal de jovens cristãos é bastante diferente desses jovens que predominam em algumas igrejas atuais que estão na moda e a razão disso é simples: o Espírito bíblico espera que os jovens tenham a Palavra de Deus enraizada em seus corações e por isso espera-se também que eles não amem o mundo, mas que dediquem-se à sua fé!
"Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus está em vós, e já vencestes o maligno.
Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele." (1 João 2:14,15)
Que Deus nos livre de sermos igrejas marcadas pelo estilo hipster moderninho e modinha com os seus desvios de foco e de propósito.

11/11/2015

Divergências entre fé e ciência (darwinismo)

NÃO FAÇA DO LIVRO DE GÊNESIS UM LIVRO CIENTÍFICO!

Crentes, não usemos textos bíblicos para tentar fundamentar ciências, especialmente as biológicas ou químicas! Muitas vezes essa tentativa fica vexatóriamente ridícula!

Forçar a interpretação bíblica para comprovar ou refutar teorias ou formulações científicas não é um exercício honesto e isso não serve nem à fé, nem à ciência. Quem se aventura nesse tipo de "apologética" consegue sucesso apenas entre as platéias de crentes, que normalmente é formada por pessoas que desconhecem a matéria abordada. Contudo, essa prática quase sempre é ridicularizada pelas pessoas que realmente entendem desse tipo de assunto.

Vocês precisam entender que esse tipo de debate entre fé e ciência tem muitos pressupostos falsos e que, ao invés de enaltecer o Evangelho e as verdades bíblicas essa prática apenas impõe a essas manifestações da verdade de Deus um gigantesco desprezo e um vilipêndio desnecessários! E que saibamos discernir as perseguições que os cristãos e que a Palavra de Deus sofrem por causa do seu testemunho, virtudes e verdades do desprezo e zombarias que alguns cristãos sofrem porque deram motivo para isso por causa da sua desonestidade intelectual.

Gostemos ou não os textos bíblicos refletem, na natureza como foram escritos, os diversos contextos culturais de onde foram registrados e a sua natureza pouco (ou nada) tem a ver com o moderno método científico, são textos de naturezas e estilos diversos que foram escritos, muitas vezes, com uso de simbologias com conteúdo teológico. Mesmo os textos que narram acontecimentos reais não estão preocupados em explicar os fenômenos da natureza, mas apontam para o conhecimento do Deus que se faz conhecido, mais por meio da transcendência do que por meio da natureza e também para o auto conhecimento humano.


Compreender a natureza dos textos bíblicos é uma ciência muito diferente da ciência utilizada para investigar células biológicas.

_____________________________________________________________________________

A primeira definição do que sou é: CRISTÃO.

E é da Bíblia que extraio minha cosmovisão e as doutrinas de fé em que me baseio. Ela é o luzeiro da minha trajetória e racionalidade mas ela deve ser lida e interpretada respeitando-se os diversos estilos literários e contextos histórico-culturais que perpassam os 1800 anos em que seus sessenta e seis livros foram escritos e, posteriormente, unificados num único livro a que chamamos de Bíblia. Nem tudo nela é literal (embora muita coisa o seja) e cada palavra ou letra têm seus propósitos, sendo que todos eles apontam para o amor de Deus pela sua criatura humana demonstrado em Jesus Cristo - o ponto central da existência de toda a criação.

Certa vez participei de uma discussão num curso de pós-graduação ocupado, predominantemente, por ateus convictos. Discutíamos sobre ciência e fé em aulas de psicologia anomalística. Eu era a pessoa de fé na discussão e era minoria na defesa do meu ponto de vista, mas apresentei um argumento sobre o labor científico e a fé que encerrou a discussão:

"A ciência não se contrapõe a Deus, na verdade ela o serve. A Deus pertence a plenitude da verdade, Ele é a própria verdade, e o trabalho dos homens é de perscrutar as evidências dessa verdade nas partículas que podem analisar e compreender. O trabalho humano de investigar e elaborar um saber progressivo é semelhante à construção gradual de degraus que muitas vezes precisam ser refeitos na medida em que se são descobertas coisas novas. Elaborar uma teoria científica é como construir um degrau e isso é apenas uma partícula de um todo. Construímos nossa escada vagarosamente num infinito que pertence a Deus. Quer queiram ou não queiram todos os cientistas - os honestos - estão servindo a Deus na elucidação progressiva da verdade que lhe pertence  ao passo que a fé simplesmente afirma a existência de um ser soberano que se revela graciosamente em sua criação à sua criatura humana."

O nosso progressivo saber deve vir acompanhado de humildade e o propósito central do nosso saber não é apenas o de promover o progresso, mais do que isso deve ser o de reconhecer um Criador que nossos meios humanos jamais alcançarão e que é o significado pleno da nossa existência. A nossa ciência não nos faz conhecer a Deus, apenas analisamos alguns dos seus vestígios. O nosso conhecimento de Deus só pode acontecer quando Ele mesmo vier a nós do lugar inacessível e misterioso em que habita. E foi exatamente isso que Ele fez, vindo a nós nesse mundo na pessoa de Jesus Cristo. Em Cristo está a plenitude dessa verdade a humanidade deseja conhecer.

Gostei muito desse vídeo (documentário) em que um teólogo cristão declaradamente evolucionista investiga as diversas questões que envolvem o embate entre fé e ciência para simplesmente concluir que essas coisas não são naturalmente opostas entre si e não precisam ser conflitantes.