19/09/2013

A decadente união dos opostos na indefinição do ser humano pós-moderno


Capitalista bilionário se veste de Che Guevara para vender celular com tarifas mais baratas. O empresário britânico Richard Branson, dono do grupo Virgin, proclamou-se arquiteto de uma 'revolução pacífica' ao lançar na França sua linha de telefones com taxas mais acessíveis. 
http://economia.estadao.com.br/noticias/economia-geral,capitalista-bilionario-se-veste-de-che-guevara-para-vender-celular,165185,0.htm
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Ao ler a matéria acima eu pensei: "Isso não pode ser verdade... Um capitalista multibilionário veste-se de ícone pop socialista para vender uma bugiganga mais barata!" 

O pior é que isso é verdade, e é uma verdade coerente com nosso contexto miserável...

Estamos na era onde os opostos se unem numa coisa desforme e indefinida. Vivemos a era dos andróginos, do amálgama. Não existem absolutos, não existem verdades, existem apenas interpretações subjetivas, sensações a serem experimentadas em vidas ocas como bolhas de sabão que flutuam sem direção no ar. Perdeu-se o senso de ridículo na conciliação forçada dos opostos e das contradições em descarte da essência para abraçarmos uma devoção extremada e estúpida à aparência. Nosso pós-modernismo está transformando nossa espécie, cada vez mais perdida, em pavões. Amamos demais nossos enfeites e como no mito de Narciso estamos mergulhando numa total desgraça por causa da extrema devoção que dedicamos à nossa decadente vaidade. Não buscamos mais sentido, pois os descartamos. Agora buscamos apetrechos bestas para ostentarmos e assim encontrarmos o tipo mais estúpido de felicidade. Já não basta a progressiva indefinição de gênero e a exaltação de perversões, caminhamos para a extrema indefinição de ideologias, de propósito, de crença, de ética e de identidade como no cretino exemplo de um ícone capitalista travestido da forma mais artificial e patética possível em um símbolo do comunismo militante como se fosse um novo salvador e promotor da felicidade das pessoas simplesmente porque vende bugigangas.

Pobre gente, que desperdício...

Maranata, vem Senhor Jesus!

19/06/2013

A onda de manifestações no Brasil.

  

1) O cenário caótico

Há alguns dias (em 06 de junho) fiz o seguinte desabafo sobre a realidade brasileira e a inércia do seu povo:

Brasil!


Terra do futebol, apesar de ocupar o 22º lugar no ranking da Fifa.

Na mente dos gringos é a terra da safadeza, das mulheres-objeto (e das crianças-objeto), do sexo fácil, do carnaval, da avacalhação e da exploração de gente ignorante que faz de tudo por uns trocados.

Na mente dos brasileiros é uma terra abençoada, sem terremotos ou vulcões, com sol na maior parte do tempo... um lugar propício à vida-mansa, do pouco pensar e do pouco realizar. Se o samba tá tocando, se a cerveja tá gelada, se a mulata tá dando mole e se o time estiver ganhando não importa se o resto estiver desabando! Eita gente egoísta e burra! Incapaz de olhar para o futuro, de construir, de ter disciplina! Fomos formados apenas para cantar, não para pensar, criar, debater e construir. E cantamos de forma irresponsável.
Essa é a terra da corrupção institucionalizada, do jeitinho e da trapaça, onde a população quer se dar bem a qualquer custo, mesmo sem dar duro, mesmo sem estudo. É onde os malandros são celebrados e alguns chegam ao topo do poder para mandarem e desmandarem de acordo com seus caprichos, sempre visando altos ganhos, seus e de seus aliançados.
É a terra que fornece energia, matéria-prima e alimento para muitos em troca de serviços péssimos, de exploração, de má-vontade, de lixo. Nossa economia é poderosa mas nosso povo é demasiadamente servil e vazio. Nossa telefonia é péssima, nossos carros são péssimos, nossa infra-estrutura é péssima, nosso cuidado com o povo-gado é péssimo... mas celebramos a chegada da Copa do Mundo, mesmo capotando ladeira abaixo.

Diante disso, as opções:

1º) apagar a luz, fechar a porta e mudar para o Chile, Austrália ou Groenlândia; 
2º) chutar o balde e quebrar tudo, incitar uma revolução civil com enforcamentos dos corruptos;
3º) apelar à consciência da população brasileira para sua mobilização... sim, eu sei que isso não é opção, é uma piada utópica, pois essa população só se mobiliza por assuntos banais, é propositadamente ignorante e confere poder aos idiotas;
4º) com paciência e boa vontade fazer minha pequena parte na esperança de somar-me a outros que lançam mão ao arado sem olhar para trás, mesmo sabendo que, provavelmente, meu trabalho será inexpressivo diante de toda desordem.


2) A repulsa inicial pelas manifestações por causa da violência e depredação

Mas fui surpreendido com grandes manifestações que a princípio repudiei por causa da depredação e da violência:

COMO JUSTIFICAR O LINCHAMENTO DE UM POLICIAL POR MOLEQUES DE FACULDADE?

Revolta histérica de jovens órfãos de uma causa que saem por aí mascarados para confrontar um sistema que os serve inspirada por histórias sobre uma ditadura de uma época em que esses mimados sequer haviam nascido.

"IPHONE
Um manifestante do grupo que voltou à avenida Paulista após os primeiros confrontos com a Polícia Militar desferiu cinco "voadoras" até conseguir quebrar um dos vidros da entrada da estação Trianon do metrô. Após destruir o vidro, sacou seu iPhone e registrou o feito."

O quê dizer sobre isso? O cara que quebrou patrimônio público após cinco voadoras e sacou seu IPHONE (custa R$ 2.399,00!!!- comprado pelo papai) para postar seu feito no feicebuqui... por causa de R$ 0,20 no aumento na tarifa de Ônibus!


"Valores extremamente equivocados estão sendo disseminados em algumas faculdades, um verdadeiro subproduto ideológico carente e estúpido ávido por depredação gratuita.


Dê-lhes políticos corruptos e eles ficarão calados, coloque muita injustiça social diante dos seus olhos e eles fingirão que nada vêem. Mas não lhes tirem o pirulito e não ousem aumentar em R$ 0,20 a passagem do ônibus, pois nesses casos eles não apenas espernearão, mas farão todos pagarem o preço por sua carência de uma causa justa."

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3) Sinais de um despertar! O gigante acordou?

E depois de ver a violenta reação policial diante das agressões que eles haviam sofrido na véspera (como o policial que foi covardemente agredido na porta do Tribunal de Justiça) eu também pensei que esses movimentos poderiam incluir causas mais amplas e transformadoras para o bem de toda sociedade.

Vídeo mostrando início de manifestação pacífica mas brutalmente reprimida pela polícia.


"Acho que esses protestos estão sim assumindo uma força política muito importante, não de partidos corrompidos pelo poder, mas de uma população que resolveu agir. Se assim for sou partidário."



Muito além dos R$ 0,20... 




"Não vamos pagar para ver e assistir de camarote o cenário turbulento. Temos que atuar, sejamos apontadores de caminhos e inspiradores de ideias em tempos em que os caminhos e as ideias vigentes estão ruindo. Certamente oportunistas se apresentarão diante desse cenário e cabe à Igreja ser sempre a voz profética que aponta para o caminho seguro.
Podemos optar pela omissão ou pela atuação. A missão primordial da Igreja é com o Reino de Deus. Mas estamos no mundo e temos que trabalhar nele. Neste momento, muitas aspirações desses movimentos têm muito a ver com noções de justiça e de verdade, reflexos pálidos e idealizados da justiça e verdade em sua manifestação plena, coisas confiadas por Deus à Igreja de Cristo. Ou seja, nós somos os portadores daquilo que muitas dessas pessoas, em essência, buscam."




4) Os pontos negativos desses movimentos 

Sinais de perigo:



I - a falta de organização e de propostas:


Líderes do Passe-Livre no programa Roda-Viva de 17/06 que mostra que a única reivindicação desse movimento é a questão da tarifa de ônibus e o movimento não tem propostas para viabilizar o que exigem.
"Infelizmente essa afirmação parece ser muito verdadeira. O protesto tem fundamento mas faltam objetivos concretos e não faltarão oportunistas para se aproveitarem dessa situação."

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II - a continuidade de violência gratuita por parte de diversos manifestantes, especialmente no centro do RJ e em SP:

Depredações, vandalismos, agressões, invasões e destruições de prédios públicos no Rio de Janeiro e em São Paulo.

"Essa é a parte estúpida e desnecessária das manifestações e isso deve sim ser reprimido. Trata-se de crime, de violência desnecessária praticada por descontrolados mascarados que mancham os propósitos pacifistas. Lamentável..."

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2013/06/17/grupo-de-manifestantes-tenta-invadir-palacio-dos-bandeirantes-em-sp.htm

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III - a não inclusão por parte do movimento Passe-Livre em sua agenda de diversas questões que fizeram com que muitas outras pessoas aderissem às manifestações:


Postagem do Passe-Livre em sua página do Facebook conclamando as pessoas a novas manifestações até que as tarifas de ônibus sejam reduzidas. Tentam responsabilizar o prefeito e governador de SP pelo caos visto no centro da cidade, ao passo que foi o Passe-Livre que planejou as manifestações que estão fugindo do controle e da civilidade enquanto os políticos estão tentando encontrar soluções emergenciais possíveis. O Passe-Livre é que é intransigente e suas exigências penalizarão a população, especialmente em outras áreas públicas (como educação, saúde e segurança...):

O protesto generalizado que ocorreu hoje em São Paulo tornou claro o nível de indignação da população em torno do aumento da tarifa. Os atos se espalharam não somente pelo centro como por diversas regiões da periferia da cidade, como Cidade Dutra, Raposo Tavares, Socorro e M’Boi Mirim. São Paulo vive dias de revolta popular.


O tamanho das últimas manifestações e a radicalidade assumida pelos manifestantes em episódios como os que ocorreram nessa terça em frente à Prefeitura e segunda em frente ao Palácio do Governo só evidenciam o caráter insustentável da opção de Alckmin e Haddad pela intransigência. Ambos têm ignorado a pressão popular pela revogação do aumento das passagens. Até quando eles irão esperar?



Até lá, continuaremos nas ruas!

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IV - reivindicações estúpidas se multiplicando em meio a toda confusão:

Clamores por IMPEACHMENT!

Alguns querem o IMPEACHMENT da Presidenta Dilma. Ok... mas será que esses sabem quem ocuparia seu lugar? Pela ordem, o primeiro a ocupar o cargo seria o seu vice: Michel Temer (presidente eterno do sombrio PMDB), e depois dele o Presidente da Câmara dos Deputados, nosso ilustre claramente corrupto Renan Calheiros!
Por isso, mais do que simplesmente exigir o impeachment de forma impensada e irresponsável de alguém, precisamos urgentemente de uma REFORMA POLÍTICA, além da necessidade de APRENDERMOS A VOTAR!

Ah, antes de exigirmos o impeachment do Governador ou do Prefeito, precisamos considerar que o vice do Governador Alckmin é Guilherme Afif Domingos (que acumula os cargos de vice-governador de SP e de Ministro da Secretaria da Micro e Pequena Empresa - "fenômeno" que prova que em nenhum desses cargos o político efetivamente "trabalha" - não creio que o queiramos "não-trabalhando" no governo de SP) e que o vice do Prefeito de SP, Fernando Haddad, é uma tal de Nádia Campeão (?), uma espécie de tapa-buraco emergencial e mal-arranjado do PC do B que substituiu a então candidata a vice, Luiza Erundina, que não abriu mão dos seus princípios quando Haddad se aliançou com Paulo Maluf nas eleições municipais do ano passado.


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V - um movimento sem direção e objetivos claros que cresce por motivações diversas  e também pela falta de motivos definidos por parte de muitos - rebeldia sem causa:

"Seriam essas manifestações uma opção de entretenimento, um tipo de "balada" meramente fantasiada de ideologia passageira e facilmente posta à venda, um movimento orquestrado para atender a interesses de manipuladores obscuros ou um movimento legítimo que surgiu de aspirações idealistas? 

Foi assim com os caras-pintadas em 1992: Naquela época, participar das passeatas pelo Impeachment do presidente Collor era a maior "curtição". Por quê estávamos lá? poucos sabiam, mas era legal à beça. Era como malhar o Judas com milhares de heróis juvenis fazendo história. Sem perceber, acabamos por servir, alegremente, como massa pouco consciente do que estava acontecendo, mas de grande impacto para manobras políticas que atendiam aos interesses obscuros de terceiros. Grandes corporações e mafiosos políticos aplaudiram. Seria esse o caso atual?

Lindbergh Farias (http://pt.wikipedia.org/wiki/Lindberg_Farias), antigo líder do movimento estudantil, hoje é Senador (assim como o Judas "impeachmentado" Collor), um servidor desse sistema político atual e de reputação questionável por, adivinhe: CORRUPÇÃO.

O porvir responderá..."
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Passei a considerar que esse volumoso movimento precisa de uma análise crítica mais séria e depois das manifestações de irracionalidade, de fúria, de intransigência e falta de civilidade eu concluo que esse movimento passou a ser perigoso não apenas para as instituições, mas para a DEMOCRACIA.

Os movimentos de protesto que temos visto estão provando que têm fraca objetividade e fraca capacidade de organização, infelizmente.

O Passe-livre afirma que seu objetivo é apenas o valor da passagem e não é capaz de apresentar propostas para a viabilização da sua única reivindicação. Outras questões, reivindicações, denúncias e protestos são acréscimos - legítimos - que muita gente está apresentando por conta própria, sem articulações, sem propostas claras.

A ênfase dos articuladores desse movimento não é a corrupção, não é a segurança, educação ou saúde, não são os impostos abusivos com escasso retorno em serviços públicos, não são as injustiças sociais, não é a causa dos pobres, não é a cracolândia, não é o tráfico de drogas, não é a prostituição infantil, não é a situação dos presídios, não é o PCC, não é o investimento alto com a Copa do mundo ou outras coisas que agridem a população de bem. Nenhuma dessas questões foi debatida e as reivindicações das pessoas ecoam desorganizadas, sem rumo, sem objetivos concretos, o que faz desse movimento uma multidão desorganizada com reivindicações dispersas, algo impossível de compreender, de assimilar, debater ou atender. Isso tudo corre o risco de ser uma grande massa oca, uma empreitada mal-planejada, mal-resolvida e obviamente mal-sucedida.

Para muitos esses são movimentos de transformação política e social, o "gigante" teria acordado nos brados e cartazes destes. Mas ainda é um gigante sonolento, que não pensou bem antes de agir e que não sabe o que fazer.

Para outros, essa é a oportunidade de aparecer, de se crescer. Partidos nanicos, gente frustrada, gente que confundiu isso com balada e abutres oportunistas não perderão a oportunidade de se aproveitar da fraqueza ou exposição de uns, do novo modismo e da falta de orientação da maioria.

Para outros, os grandes imbecis, esses movimentos são oportunidades para depredar e arruinar. Aliás, é esse tipo de "gente", quase sempre mascarada, que é capaz de linchar policiais (servidores públicos, pais de família), depredar patrimônio público e privado. Esses devem sim ser impedidos de praticar seus delitos, a polícia deve sim recriminá-los, se preciso, à força. São criminosos e não podemos permitir que instituições públicas estabelecidas pela democracia selam cerceadas e destruídas por bandidos que estão participando, ou se aproveitando, desses movimentos. Alguns dirão: - "eles não são dos nossos!" - mas o fato é que o movimento deu força aos vândalos também e que não é capaz de impedi-los. Isso mostra o quanto esse movimento tem fraca capacidade de organização, apesar de ter conseguido juntar tanta gente. Gente aliás que, em sua maioria, está participando não por causa de 20 centavos, mas por diversas razões que julgam ser mais importantes. Por causa dos vândalos eu penso que já é hora de parar, afinal o recado sobre o valor das passagens já foi dado.

Além disso, se a causa desse movimento for mesmo apenas a tarifa de ônibus, provavelmente a massa que aderiu por outras reivindicações ficará enfraquecida, se sentirá traída e suas diversas causas perderão força. Será um tiro no próprio pé. Vejam que os corruptos ainda estão no poder e não se sentem minimamente ameaçados.

Por fim, este movimento acabou revelando que nossos governantes e nossos policiais estão despreparados. Não são capazes de lidar com algo assim, não previram as conseqüências, agiram de forma inconstante, às vezes reprimindo e às vezes pateticamente elogiando. Nossos políticos se deixaram cercear apesar de estarem ocupando cargos legítimos em conformidade com a democracia e era de se esperar que fossem mais determinados, mais decididos e mais preparados para agir, para negociar e para resolver problemas que lhes dizem respeito. A coisa está demorando demais.

Obs. Eu não votei no Haddad mas ele é, gostemos ou não, o Prefeito legitimamente eleito pela população paulistana através do voto, da DEMOCRACIA. Não podemos tolerar os bandidos que depredaram nosso patrimônio público, nossos símbolos (bandeiras e prefeitura) e que confrontam nossa sociedade com seus atos de vandalismo, violência e intolerância. Esses BANDIDOS devem prestar contas à sociedade e à justiça e o PASSE-LIVRE tem o dever moral de colaborar com isso, ajudando na sua identificação!


Um dos bandidos misturados às manifestações depredando patrimônio público.

5) Respostas mais amplas aos clamores 


Rev. Martin Luther King em manifestação pacífica por direitos civis nos anos 60.


Manifestantes cantam o Hino Nacional Brasileiro na estação Pinheiros do Metrô em 17/ 06/ 2013.

Os ideais de justiça e de verdade e o amor crescente que move muitas pessoas para fazerem de sua cidade ou país um lugar mais justo e que proporcione maior felicidade à sua população são coisas que podem dar um importante, mas incompleto significado de existência e de causa.

Mesmo os mais elevados ideais e as grandes realizações ou conquistas não podem preencher a alma humana de forma duradoura. Mesmo os mais belos atos humanos não podem ser totalmente imunes a uma natureza transgressora presente em todos nós e que tem a incrível capacidade de estragar o que é belo, corromper a justiça e transformar verdadeiros paraísos em infernos. Somos suscetíveis ao mal. Não existe perfeição em nossos atos, nem em nós mesmos. Não há justiça completa e integridade na obscuridade na qual estamos mergulhados. Lutamos nesse mundo e nessa vida à procura de algo que idealizamos, e que podemos querer muito, mas tentamos encontrar satisfação em coisas que sabemos não serem capazes de satisfazer nossa necessidade de uma vida plena em justiça, em amor, realizada e repleta de sentido. Nessa nossa condição decaída podemos idealizar, sonhar, lutar, construir e realizar importantes coisas, mas essas coisas sempre serão maculadas por uma natureza efêmera e pecaminosa que num tempo constrói e no outro subverte e destrói. A humanidade é assim.

Por isso, ainda que tentemos, não nos realizaremos. Não nesse mundo ou nessa querida Pátria chamada Brasil para a qual cantamos e por quem lutamos - ela também é efêmera, tal como os grandes impérios que já foram construídos e derrubados nesse nosso mundo. Assim também é efêmero o nosso cantar, nossa luta, nossa poesia, nosso amor, nossa história e nossa vida. Nosso canto é uma interpretação de um ideal maior que para muitos é desconhecido, mas ainda assim idealizado. Nossa alma carrega em si uma espécie de saudade que está sempre norteando os mais nobres ideais e as mais justas das causas. Um vazio que ecoa forte em nossos sentidos e que está plantado em nosso coração para que ele seja preenchido com a grande e única verdade que definitivamente o satisfaz, e isso para sempre: a poderosa e doce, Santa e transformadora presença de Deus preenchendo e acalentando, de uma vez por todas, o vazio dos nossos corações.

Ainda que a humanidade consiga, com seu trabalho, acabar com todas as injustiças e construir um tipo de sociedade que comporte bem a todos, ainda assim a sua miséria interior será latente e sua natureza pecaminosa estará intimamente apegada ao mal que a boa consciência reprova. Produzimos os infernos que nos atormentam tanto em vida como no porvir e nossa única esperança está na Graça do Deus que amou sua criatura humana e agiu para nos livrar de um estado de perdição que nos acomete nesta vida com consequências eternas. Nossos ideais de justiça, de verdade, de amor e nossas aspirações por um tipo de vida que não conhecemos neste tempo, mas que mesmo assim almejamos, são pálidas e distorcidas representações das verdades que não podem ser obtidas com nossos esforços, mas que inundam nosso coração quando Cristo é por nós recebido como Senhor e Salvador. Não como os mentirosos dizem, mas como nosso próprio coração anseia e como o próprio Deus diz.

Jesus Cristo, o ato supremo do amor de Deus, é o milagre maior que podemos experimentar, a manifestação do Deus criador através da efêmera criatura humana. Nele o próprio Deus se fez homem para nos apontar o caminho seguro da verdade. Ele agiu misericordiosamente para conosco e tomou sobre si a nossa corrupção, culpa e pecados e num sacrifício definitivo numa cruz as maldições que deveriam cair sobre todos nós não recairão sobre os que receberem sua Graça, porque essas maldições foram pagas em seu martírio. Jesus decidiu sofrer e morrer pelo seu povo para que seu povo receba a sua glória. E sua glória é eterna. E por ser Deus, poderoso e Santo, Jesus venceu também a morte e ressuscitou. Ele foi elevado aos céus, vive e reina sobre todo universo para sempre e o mesmo acontecerá com seu povo amado. Esta é a verdadeira e única realização que preenche nossas almas com os valores que antes podiam ser apenas idealizados, mas que precisam ser vividos. Ter a Deus em sua alma é a maior das realizações e isso nos destina a uma Pátria verdadeira e eterna e a uma morada muito mais elevada.


11/06/2013

Uma breve e simples declaração da fé reformada

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Por Benjamin B. Warfield (1851-1921) 

1. Creio que meu único propósito tanto na vida como na morte deve ser glorificar a Deus e desfrutar dele para sempre; e que Deus me ensina como glorificá-lo em sua santa Palavra, ou seja, a Bíblia, a qual ele deu por inspiração infalível de seu Espírito Santo a fim de que eu possa conhecer o que devo crer acerca dele e, os deveres que ele requer de mim.

2. Creio que Deus é Espírito, infinito, eterno e incomparável em tudo o que ele é; único Deus, mas em três pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, meu Criador, meu Redentor e meu Santificador; em cujo poder e sabedoria, justiça, bondade e verdade com segurança eu posso por a minha confiança.

3. Creio que os céus e a terra, e tudo o que neles há, são obra das mãos de Deus; e que tudo o que ele fez também dirige e governa em todas as suas ações; de tal maneira que elas cumprem o fim para o qual foram criadas, e que confio nele não serei envergonhado, pelo contrário, poderei com segurança descansar na proteção de seu todo-poderoso amor.

4. Creio que Deus criou o homem a sua imagem, em conhecimento, justiça e santidade, e entrou num pacto de vida com ele sobre a única condição de obediência como dever do homem; de modo que ao pecar deliberadamente contra Deus esse homem caiu em pecado e miséria, no qual eu nasci.

5. Creio que estando caído em Adão, o meu primeiro pai, sou por natureza um filho de ira, sob a condenação de Deus e estou corrompido no corpo e alma, inclinado ao mal e merecedor da morte eterna; e deste espantoso estado não posso ser salvo, senão, através da graça imerecida de Deus, o meu Salvador.

6. Creio que Deus não deixou o mundo perecer em seu pecado, senão por um grande amor com que amou, desde toda a eternidade, graciosamente escolheu para si uma multidão que nenhum homem é capaz de contar, para libertá-los de seus pecados e misérias, e destes [eleitos] edificar novamente no mundo o seu reino de justiça: cujo reino eu posso estar certo que terei parte, se confiar em Cristo o Senhor.

7. Creio que Deus redimiu um povo para si através de Jesus Cristo, o nosso Senhor; assim, ele que foi e para sempre será o eterno Filho de Deus, entretanto, nasceu de uma mulher, nascido sob a lei, para que redimisse aos que estão sob a lei: creio que ele levou a penalidade devida pelos meus pecados, em seu próprio corpo sobre o madeiro, e cumpriu em sua própria pessoa a obediência que eu deveria à justiça de Deus, e agora me apresenta a seu Pai como sua possessão adquirida, para o louvor da glória de sua graça para sempre; na qual renuncio a todos os meus méritos, colocando toda a minha confiança somente no sangue e justiça de Cristo Jesus, o meu redentor.

8. Creio que Jesus Cristo, meu redentor, que morreu por minhas ofensas ressuscitou para a minha justificação, e ascendeu aos céus, onde está assentado à destra de Pai Todo-poderoso, intercedendo continuamente pelo seu povo, e governando todo o mundo como a cabeça sobre todas as coisas para a sua Igreja; de modo que, não necessito temer nenhum mal e posso com segurança saber que nada pode me arrebatar das suas mãos e nada pode me separar de seu amor.

9. Creio que a redenção obtida pelo Senhor Jesus Cristo é eficazmente aplicada a todo o seu povo pelo Espírito Santo, que em mim opera a fé em mim, e desse modo me une a Cristo, renovando-me à inteira imagem de Deus, e me capacita mais e mais mortificando para o pecado e vivificando para a justiça; assim, quando esta graciosa obra for completada em mim, serei recebido em glória; em cuja grande esperança permaneço, tendo sempre que lutar pela perfeita santidade no temor de Deus.

10. Creio que Deus requer de mim, sob o evangelho, antes de tudo, que por uma verdadeira percepção do meu pecado e miséria e uma compreensão de sua misericórdia em Cristo, devo separar-me com dor e ódio do pecado e, receber e descansar somente em Jesus Cristo para salvação; de tal maneira, que unido com ele, eu possa receber o perdão por todos os meus pecados e ser aceito como justo ante os olhos de Deus somente pela justiça de Cristo imputada a mim e recebida pela fé somente: e unicamente desta maneira e nada mais, eu creio que sou recebido dentro do número e tenho o direito a todos os privilégios dos filhos de Deus.

11. Creio que, sendo perdoado e aceito em nome de Cristo, se requer de mim também que caminhe no Espírito que ele adquiriu para mim, e por quem o amor é derramado amplamente em meu coração; cumprindo a obediência que devo a Cristo o meu Rei; fielmente cumprindo todos os deveres postos sobre mim pela santa lei de Deus, meu Pai celestial; e sempre refletindo em minha vida e conduta, o exemplo perfeito que foi estabelecido para mim, por Jesus Cristo meu Líder, aquele por mim morreu e me concedeu o seu Santo Espírito, para que eu possa fazer as boas obras que Deus preparou de antemão para que andasse nelas.

12. Creio que Deus estabeleceu a sua Igreja no mundo e a dotou com o ministério da Palavra e as santas ordenanças do Batismo, a Ceia do Senhor e a Oração; a fim que através destes meios, as riquezas da sua graça no evangelho se tornassem conhecidas no mundo, e, pela benção de Cristo e a obra de seu Espírito neles, pela fé as recebem, e os benefícios da redenção sejam comunicados ao seu povo; pelo qual também se requer de mim que atenda a estes meios de graça com diligência, preparação e oração, de tal maneira, que através deles, eu seja instruído e fortalecido na fé, na santidade de vida e no amor; e que eu use de meus melhores esforços para levar este evangelho e comunicar estes meios de graça a todo o mundo.

13. Creio que assim como Jesus Cristo veio uma vez em graça, assim também virá pela segunda vez em glória, para julgar ao mundo em justiça e conceder a cada um a sua recompensa eterna; e creio que se eu morri em Cristo, minha alma será na morte aperfeiçoada em santidade e irá para o lar com o Senhor; e quando ele retornar em sua majestade, serei ressuscitado em glória e perfeitamente abençoado na plena satisfação de Deus por toda a eternidade; consolado por tal bendita esperança se requer de mim, que voluntariamente sofra as privações aqui como bom soldado de Cristo Jesus, sendo assegurado que se eu morrer com ele também viverei com ele, se permanecer, também reinarei com ele.

E a ele, o meu Redentor, junto com o Pai, e o Espírito Santo, Três Pessoas, único Deus, seja a glória para sempre, até o fim do mundo, Amém e Amém.

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Extraído de: John E. Meeter, ed., Benjamin B. Warfield – selected shorter writings (Phillipsburg, P&R Publishing, 2001), vol. 1, pp. 407-410.
Traduzido por: Rev. Ewerton B. Tokashiki
Artigo copiado de:

03/04/2013

Que importa mais: dar ouvido às palavras dos homens ou à Palavra de Deus?


"...Mas Pedro e João, respondendo, lhes disseram: Julgai vós se é justo diante de Deus ouvir-nos antes a vós do que a Deus; pois nós não podemos deixar de falar das coisas que temos visto e ouvido."
Atos 4:19 e 20 

O cristianismo é a religião que o Deus encarnado, Jesus Cristo, criou. Ele nasceu de forma miraculosa, sendo concebido pelo próprio Deus na pessoa do Espírito Santo no ventre da virgem Maria. Nasceu o filho de Deus para cumprir a Escritura, para revelar à humanidade a Palavra de Deus e para salvar o seu povo por meio do seu sacrifício redentor e sua ressurreição. Em sua vitória final, em breve, Cristo retornará ao nosso mundo para exercer juízo e justiça, tomará o seu povo para si em seu Reino, que são aqueles que o receberam como Senhor de suas vidas por meio da fé, e triunfará sobre todas as coisas. Jesus é o Senhor de toda a história e de todo o Universo.

Sendo assim, as Escrituras (a Bíblia) possuem um caráter especial: são as revelações do próprio Deus acerca de si e acerca da humanidade. Trata-se do modo como Deus vê o mundo e os homens, maneira que foi comunicada por meio de homens que Ele mesmo inspirou e que agiram como profetas e como apóstolos em seus ministérios como anunciadores da Santa Palavra divinamente inspirada e necessária para trilharmos o caminho que Deus quer que trilhemos. A Bíblia é, portanto, a autoridade maior, a regra de fé e de prática que aqueles que querem caminhar na presença de Deus devem seguir. Quem me ama, disse Jesus, guarda a minha Palavra.

Uma característica da Bíblia é que ela é reveladora de quem realmente somos aos olhos de Deus e por isso ela aponta os nossos pecados, sendo que todos, sem exceção, somos pecadores e indignos de Deus. Não podemos nos apresentar limpos diante de Deus pois temos uma natureza inclinada para o pecado e nada podemos fazer a este respeito. Somente Deus, em seu filho Jesus, pôde fazer algo a respeito do imenso abismo que entre nós existia. O que a nós era impossível para Jesus não é: Ele, o Criador do Céu e da Terra, o Todo-Poderoso, aquele que não conheceu pecado e que era genuinamente Santo e inculpável, veio ao mundo e se fez homem para assumir as culpas dos pecadores, sendo condenado à morte numa cruz à semelhança de um bandido. Morreu e ressuscitou no 3° dia para reassumir o seu Trono no Reino Eterno para governar todas as coisas e para garantir a salvação aos pecadores que viessem a crer nEle e que, por isso, podem ser justificados pela fé em Cristo e gozar de sua presença, em seu Reino, como filhos amados de Deus para todo o sempre. Obter o perdão de pecados e a salvação, que consiste em ser livre do pecado condenatório é crer em Cristo, e fazemos isso quando ouvimos o que a sua Palavra diz e a praticamos como forma de crer, de servir e de seguir a Jesus.

Por essas razões, a Bíblia é um livro excepcional e a Igreja de Cristo, ou a congregação do povo que nEle crê é, simplesmente, um organismo vivo que tem por função primordial a proclamação desta Palavra que tem poder para nos reunir com Deus e o apontamento de pecados é necessário a fim de que haja a promoção do arrependimento para que esta salvação seja possível.

Assim, o cristianismo não é uma religião que se amolda aos interesses e aos costumes de uma época, qualquer que seja. Ao contrário disso, é a religião que tem por responsabilidade anunciar a Palavra daquele que tudo sabe e que tudo vê, em todos os tempos da história e em todos os lugares. É impossível crer em Jesus e tê-lo como Senhor se o Jesus crido não for aquele relevado pelas Escrituras. Muitos dizem crer em Jesus, mas acreditam num falso e inconsistente Jesus criado por mentes humanas decaídas conforme querem acreditar e não conforme é revelado pelas Escrituras. Muitos interpretam as Escrituras conforme suas mentes pecaminosas e corações enganosos querem interpretar, mas suas crenças são inconsistentes e não amparadas pela verdade. Por isso, a Bíblia não pode ser adulterada e nem suas partes podem ser omitidas conforme as vontades humanas querem fazer, ainda que suas leis assim determinem ou que as multidões assim o queiram. Muitos profetas ou apóstolos foram martirizados no passado por causa da mensagem que tinham que transmitir e esse ainda é o papel da Igreja de Cristo: pregar a Palavra e serví-la, mesmo que a mensagem não agrade e mesmo que sua mensagem resulte em perseguição. Essa é uma verdade fundamental: Não é a religião ou a Igreja a senhora da verdade. Não, não é! A Igreja ou os cristãos não têm o direto de adulterar a Palavra divina. A Igreja cristã é serva da verdade e não tem sobre ela poder, a não ser o de se submeter e de proclamá-la. Somente assim, os cristãos podem se favorecer das promessas contidas nas Escrituras, pois estão comprometidos com a Palavra de Deus em sua totalidade.

Vivemos tempos em que muitos tentam mudar o que a revelação de Deus determina e isso não é algo exclusivo do nosso tempo, pois no passado já tentaram calar aqueles que anunciavam as verdades divinas e por causa disso muitos crentes foram e ainda são perseguidos e até mesmo martirizados por causa da poderosa Palavra de Deus que eles anunciavam. Nosso tempo não é diferente e a Palavra foi e sempre será triunfante: ainda que não sobre nenhum crente, ela se mostrará verdadeira no final dos tempos como testemunho de que a verdade foi dada aos homens, mas muitos a recusaram, desprezaram e odiaram, recusando também a salvação oferecida ao passo que outros desfrutarão de sua promessas eternas ao lado do Pai porque creram.

Hoje, o pecado tem sido celebrado e sua corrupção tem sido exaltada. Querem fazer com que a Igreja se cale, querem fazer com que as verdades bíblicas sejam confundidas com mera opinião religiosa, querem fazer com que a igreja tenha uma fama de retrógrada, de preconceituosa. Outros querem fazer da Igreja um ajuntamento de corruptos, de charlatões, de fanáticos irresponsáveis, de meio de barganha com o sobrenatural... Querem mudar a Palavra de Deus como se Ele não soubesse o que diz!

Não há quem seja inocente de pecado neste mundo e pecado é tudo aquilo que a Bíblia diz que é. Em última análise, o pecado é algo que agrada à nossa carne, nossa natureza pecaminosa e autodestrutiva, algo que deforma a criação de Deus e que ofende ao próprio Deus, nos banindo irremediavelmente dEle. O único modo de sermos salvos é a Fé em Cristo e isso exige arrependimento, mudança de conduta e submissão às Escrituras. A conversão à Cristo é necessária à nossa salvação e todos precisamos disso.

Não adorar a Deus é pecado, incredulidade é pecado, idolatria é pecado, mentira é pecado, adultério é pecado, homossexualismo é pecado, luxúria é pecado, egoísmo é pecado, ganância é pecado, roubo é pecado, cobiça é pecado, corrupção é pecado, desamor é pecado, desonra aos pais é pecado, intolerância é pecado, injustiça é pecado, juízo temerário é pecado, omissão e covardia são pecados (e daí os cristãos não devem se calar)...

A Bíblia revela o que somos e a Igreja tem o papel de proclamar o que ela diz. Saber que somos pecadores nos faz conscientes de um estado que exige de nós uma decisão sobre o modo como viveremos a vida que temos: ou ignoramos o que a Bíblia diz e simplesmente continuamos a viver a vida do nosso modo, conforme a nossa vontade como se da nossa vida nós mesmos fôssemos os senhores – o que não é verdade, porque de tudo prestaremos contas no Juízo - ; ou, ao tomarmos consciência de quem realmente somos aos olhos de Deus e de vermos a imundície que nos cobre, nos arrependermos e buscarmos a Deus, a fim de que sejamos salvos – e essa é a vontade do próprio Deus, pois foi por amor que Ele enviou Jesus e nos deu as Escrituras.

Assim, não é a alegria passageira, a opinião da maioria, o prazer e as realizações mundanas ou pessoais que podem afirmar se estamos no caminho correto ou não, mas somente o que a própria Bíblia diz, a regra de Fé e de prática, inspirada por Deus e útil para toda a vida e eternidade.

Escolha: podemos dar ouvidos aos homens, mesmo que sejam uma multidão proclamando a uma só voz a mesma coisa; ou a Deus, que proclama a sua Palavra por meio do seu instrumento, a Igreja, mesmo quando perseguida por causa da sua missão. Eu prefiro ouvir a Deus, pois os efeitos disso são uma vida eterna em seu Reino, em sua gloriosa presença como um filho Seu; enquanto que aqueles que desprezarem sua Palavra simplesmente permanecerão eternamente banidos de sua presença num inferno onde não há esperança.

Que a misericórdia de Deus atinja nossos corações a fim de que nos arrependamos e sejamos salvos para a Sua glória e assim tenhamos a verdadeira vida, a verdadeira e eterna alegria e desfrutemos sempre do verdadeiro amor.

23/01/2013

Os clamores da humanidade e o (aparente) silêncio de Deus.


Crê-se, conforme ensina o Evangelho, no amor e na bondade de Deus. Crê-se na sua justiça e que seus ouvidos estão atentos àqueles que o invocam. Crê-se que Ele toma partido pelos fracos, pelos que sofrem e por isso os cristãos valorizam a fé e a esperança. Mas embora estas sejam características da fé cristã, muitas vezes a realidade nos faz cogitar que Deus tem se silenciado perante os clamores dos que clamam, perante a dor dos que sofrem, perante a injustiça descarada e continuada, perante genocídios, pestes, fome, desesperança, violência ou desastres naturais.

Quanta gente teve seu último suspiro sufocado pela desesperança, pela violência e pela dor? Muitos deles, nesses momentos de luta pela vida clamavam com o coração desesperado por misericórdia ou por socorro enquanto o fôlego se lhes esgotava. A vida deles cessou num contexto de sofrimento, de descaso e de um aparente silêncio daquele que cremos ser o salvador. 

Deus se silencia? Se ausenta ou se omite?

A própria Bíblia registra, muitas vezes, tal sentimento humano: o sentimento de quem clama àquele que pode salvar e que é invocado na angústia, mas que se silencia diante de tal clamor. O próprio Senhor Jesus Cristo foi tomado por semelhante sentimento enquanto estava agonizando na cruz.

Eis que clamo: Violência! Porém não sou ouvido. Grito: Socorro! Porém não há justiça. Jó 19:7
Clamo a ti, porém, tu não me respondes; estou em pé, porém, para mim não atentas. Jó 30:20
Deus meu, eu clamo de dia, e tu não me ouves; de noite, e não tenho sossego. Salmos 22:2
E, à hora nona, Jesus exclamou com grande voz, dizendo: Eloí, Eloí, lamá sabactâni? que, traduzido, é: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Marcos 15:34

Certamente Deus ouve aos clamores a Ele feitos, até mesmo os clamores daqueles que o desconhecem mas que suplicam por salvação, misericórdia, justiça ou livramento, pois tais coisas lhes são próprias e exclusivas. Mesmo aqueles clamores silenciosos que são bradados apenas pelos corações enquanto conseguem bater. Mas nem sempre os atos de salvação são vistos no mesmo tempo em que é feito um clamor ou no tempo da necessidade e enquanto "o dia" da salvação não chega, vivenciamos dias, e diversos e repetidos dias em que a salvação parece demorar para chegar.

Vivemos um "livro da história" e estamos apenas no meio dessa história em trânsito, onde somos personagens únicos e centrais segundo as nossas próprias perspectivas individuais, mas esta história da qual participamos é universal e somos apenas uma personagem dentre tantas que se suscedem geração após geração, apesar de cada pessoa ter uma importância única, pois cada um de nós possui a imagem impressa em si do próprio criador. Mas, o propósito maior é o todo nessa história e seu tema central é a evidência do amor do seu autor, que nem sempre é claramente percebido em certos momentos dessa história ou em muitas vidas que a compõem. Vemos que a aflição tem acometido gerações e culturas inteiras e como no exemplo bíblico do povo israelita escravizado no Egito, a salvação chegou a eles de forma poderosa mas até que chegasse, passaram-se mais de 400 anos de servidão. Muitos morreram no sofrimento antes que a poderosa mão de Deus se manifestasse e muitos teriam se deixado levar pela conclusão de estarem abandonados. Não, não estavam abandonados, mas a misericórdia chegou triunfante num futuro distante para alguns e que hoje é um passado distante para nós. Alguns poderiam deduzir que foi tarde demais, mas não o foi sob a óptica do todo, da história e do propósito. Esse acontecimento foi apenas um capítulo da história que ainda segue e da qual participamos, assim como seguem as tragédias e os sofrimentos aparentemente sem salvação ou resposta que vemos. As pessoas também não deixam de existir quando morrem e a esperança estrapola a presente vida.

Certamente Deus se pronunciará, pois haverá um dia em que a perfeita e imaculada justiça será feita, os injustiçados serão vingados, os clamores atendidos, os ofensores justamente punidos e a inviolável felicidade na eternidade alcançada por aqueles que no Senhor esperam. Mas a plenitude desses atos divinos se consumarão num tempo futuro, quando a atual e condenada época sucumbir dando lugar a um novo tempo, como já vem sendo sinalizado e cujos sinais podem ser vistos ao longo da história conforme Jesus Cristo ensinou (Mateus 25), como Ele "lia"a história. 

Fomos destinados ao conhecimento do bem e do mal em suas manifestações diversas no tempo presente, nesta vida e criação, sejam por meio do amor vivenciado, do recebimento da Graça divina, da vivência familiar, do carinho, do abraço, dos sorrisos e dos sonhos como das dores e das fomes, das pestes e das catástrofes, da injustiça provisória e do silêncio divino indesejado enquanto que o discorrer de uma história passageira caminha para o seu desfecho. História essa que foi escrita à duas mãos, uma dos homens segundo o conselho de seus próprios corações com suas consequências desastrosas para si e para o seu mundo e outra divina, conforme sua soberania permitindo que o tempo presente fosse afetado pelo gênero humano, o corrompendo, para depois dar lugar a uma nova história escrita exclusivamente por Deus com o sangue de Jesus Cristo, sendo este o salvador triunfante de um estado caótico que faz parte do que somos e do lugar em que vivemos.

Sendo soberano, Deus fez da humanidade a sua mais estimada criatura, feita à sua própria imagem e semelhança e por isso dotada de certos atributos, como a possibilidade de viver fielmente em sua presença ou à parte dela. Qualquer que fosse a escolha, as consequências recairiam sobre o seu destino e sobre o seu mundo. A escolha humana foi a ambição e dela vieram os frutos da ruína. Mas o ato mais extraordinário do amor de Deus não está numa intervenção sua agora ou no futuro, mas foi vista quando Jesus Cristo, por amor a nós e sua criação, se fez homem para intervir de uma vez por todas no caos em que estamos inseridos a fim de nos resgatar para a sua glória, ensinando-nos a verdade sobre o amor de Deus e sua salvação e morrendo por nós para pagar pelas nossas culpas pelo caos que plantamos, a fim de que aqueles que por fé em sua pessoa e em seus atos, possam participar da felicidade que certamente porá um fim a esta história atual e que dará lugar a uma nova história, começada nesta, mas livre do caos e por isso, marcada por aquela felicidade que todo anseio humano busca, aquela salvação que todos queremos, aquela paz e felicidade, que no fundo dos nossos corações está apenas germinada.

Sim, Deus atende aos clamores e é salvador e todo aquele que o invocar será salvo e é exatamente por isso que a sua Palavra e salvação devem ser proclamadas.


João Eduardo Duarte

04/01/2013

A fé a serviço dos anseios do coração humano.


O trabalho de Satanás é mentir e nos induzir à mentira,
é dizer: dê ao povo as ilusões que eles querem,
faça-os se sacrificarem para não considerarem o sacrifício de Cristo,
faça com que confiem em si mesmos e em suas próprias forças,
faça com que não se importem com seus pecados,
faça acreditarem que a fé cristã é um show, um espetáculo meramente prazeroso,
e que Deus está à disposição para servir aos interesses humanos...
Faça com que a Palavra de Deus seja relativizada!
Infelizmente, a maioria das igrejas cristãs do nosso tempo colocou Cristo para fora de suas portas para servirem aos egos das pessoas... (Ap. 3.20)
Sejam felizes! Essa é a infeliz e vazia mensagem pregada por muitos,
quando a verdadeira mensagem é: chorem, lamentem, se arrependam e creiam em Cristo,
aquele que por nos amar morreu por nossos pecados para que possamos ser salvos!

“Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?” Jeremias 17:9

“Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira.” João 8:44

03/11/2012

Enfrentando as tempestades da vida.

Ficheiro:Rolling-thunder-cloud.jpg

"Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará." (Salmos 91)

As crises pessoais, existenciais ou familiares, apesar de nos causarem profundo desconforto, medo e às vezes dor, precisam ser enfrentadas com serenidade. Nessas tempestades tendemos ao descontrole, ao destempero, à busca por soluções desesperadas; gritamos e brigamos conosco, e com o mundo, e com Deus; nelas intercalamos lucidez com loucura... 

Mas é importante que tenhamos em mente que essas tempestades indesejáveis são muito comuns, todos enfrentamos tormentas diferentes em diferentes momentos da vida e essas tormentas quase sempre nos pegam desprevenidos. Mas nós podemos lidar bem com isso!

Nessas ocasiões a melhor coisa que devemos fazer, em primeiro lugar, é buscar um lugar de sossego e suficientemente seguro onde possamos repousar nossa alma cansada, confusa e fragilizada e esse lugar é Cristo. Ao invés de corrermos para todos os lados e bater
mos em todo tipo de porta em busca de soluções irrefletidas, nós precisamos definir o quê será o fundamento, a rocha, o alicerce, a segurança onde nos ancoraremos e a partir de onde reconstruiremos, se for o caso, o caos que a tempestade causou. 

Precisamos saber que enquanto a tempestade vigora a melhor coisa a ser feita é defender-se dela refugiando-se num abrigo seguro porque não se luta contra uma tempestade, podemos apenas nos proteger dela enquanto ela dura. A quietude do coração e da mente, e não o desespero, deve ser buscada.

Toda tempestade cessa, embora não tenhamos como saber quando, e toda tempestade deixa marcas, causa estragos e muitos deles irreversíveis. Mas toda tempestade pode levar ao progresso, à reconstrução, ao crescimento, assim como pode causar apenas ruína. Seu desfecho é definido pela maneira como a vivenciamos: com serenidade e fé ou com desespero, deixando-nos dominar pela angústia e por atos irrefletidos?

Toda tempestade pode ser considerada uma provação e toda provação pode nos levar à aprovação ou à reprovação da nossa conduta, da nossa fé.

As tempestades são alguns dos muitos meios usados por Deus para formar nosso ser, nossa história e nosso mundo e a maneira que lidamos com esses meios define se nossa vida está ou não alinhada com Deus, o Senhor da história e do Universo. 

Jesus falou sobre isso numa parábola: 

"Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; e desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha. E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; e desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda." (Mateus 7:24-27)