26/08/2014

O Perdão Eficaz de Deus e a Impossibilidade de se Perder a Salvação.



O perdão de pecados por Deus é dado às pessoas única e exclusivamente por causa dos atos de Cristo - por causa do seu sofrimento e morte na cruz (seguida pela sua ressurreição) para pagar as penas devidas pelas nossas transgressões da Lei de Deus - e esse perdão completo e eficaz é concedido aos eleitos, os salvos, àqueles que são transformados em filhos de Deus pelo seu próprio poder e exclusivamente por obra da sua Graça.

Mas o perdão eficaz exige um requisito: o arrependimento. Para ser perdoado por algo o pecador deve arrepender-se do que fez, caso contrário o perdão que lhe seria concedido seria um desperdício de virtudes e uma demonstração de complacência diante do mal, seria como liberar o criminoso de suas penas sem que esse criminoso realmente se importasse com o que fez, seria um ato de injustiça. Mas, no conceito divino, a relação perdão-arrependimento-regeneração funciona diferente das noções humanas de justiça pelo simples fato de que o padrão da justiça divina é muitíssimo elevado se comparado com as imperfeitas e decadentes virtudes humanas. Nossas mais elevadas virtudes não passam de farelo sujo com ofensas em comparação com o alto padrão da santidade de Deus. Por isso não há como satisfazermos as exigências elevadas do perdão de Deus com nosso suposto arrependimento, que de tão débil cede facilmente a outros pecados consecutivamente – pedimos perdão pelo pecado de hoje, mas amanhã ou depois cometemos outro - ao passo que o perdão divino é definitivo, Deus não mente e não se contradiz e uma vez perdoados por Ele o mal que cometemos não será levado em conta, mas é lançado no fundo do mar do esquecimento.

Então, no que diz respeito à nossa relação com Deus como pecadores e Ele Santo e perdoador, essa dinâmica é bastante diferente daquilo que julgaríamos justo nas nossas relações humanas: o próprio Deus garante os meios necessários para a eficácia do seu perdão mesmo diante dos sucessivos e fracos arrependimentos humanos porque Ele é o principal interessado em nossa salvação – pelo menos o único interessado até que tal interesse e virtude sejam em nosso coração plantados por Ele mesmo através do trabalho transformador do Espírito Santo. Ou seja, até mesmo o desejo e a alegria pela salvação, assim como o arrependimento, o amor por Deus e a fé (entre outros dons e virtudes) são coisas dadas por Deus às pessoas e não são produzidas em nós por nossa vontade ou esforço e também não fazem parte da nossa natureza. Os milagres da regeneração e da santificação são operados por Deus na vida dos crentes, incluindo os princípios, os meios e os fins para a sua realização.

Assim, sobre a relação perdão- arrependimento, devemos entender que o arrependimento é um comportamento que não pode se restringir apenas ao início da vida cristã na chamada conversão, mas é uma prática constante na vida de um cristão ao passo que durante toda a vida somos tentados, e muitas dessas vezes caímos em pecados diversos, em graus maiores ou menores, e que durante todo esse processo que é viver em Cristo, a Graça divina sempre apontará para a santificação continuada, para a virtude e para a verdade numa luta constante de influências onde a salvação nunca poderá ser perdida e onde a Graça triunfará. Ou seja, a salvação é perfeita porque é um ato divino e definitivo ao passo que o arrependimento é imperfeito na medida em que é uma resposta humana à Graça de Deus. Os nossos arrependimentos, assim como qualquer virtude humana, sempre estarão manchados por nossas imperfeições e limitados por nossa finitude.

Esse trabalho divino nas vidas dos crentes, regeneração (fazer nascer uma vida nova) e a santificação (o aperfeiçoamento progressivo em semelhança ao caráter de Jesus), terá somente na Glória, na vida futura com Cristo no paraíso, a sua completa manifestação – somente lá seremos perfeitos e imunes ao pecado e aos seus efeitos e enquanto essa plenitude de vida não é alcançada nós a vislumbramos por fé, baseados nas promessas de Deus enquanto vivemos essa vida, na qual ainda lutamos contra o pecado e ainda somos suscetíveis a ele - mas também estamos seguros por causa da Graça de Deus que nos foi dada e na qual devemos nos firmar - a fé e o amor por Deus são evidências da segurança da salvação. Essa talvez seja a principal batalha pessoal dos cristãos (mas não é a única): perseverarmos no caminho de Cristo enquanto lutamos contra nossa própria natureza suscetível às diversas formas de pecado num mundo caído e hostil à Graça de Deus e que já está condenado à ira da implacável e perfeita justiça do Todo-Poderoso.

Nessa trajetória da vida nós sofremos altos e baixos e infelizmente ela pode ser marcada por fortes crises ou pelo enfraquecimento de fé diversas vezes, uma ameaça real que pode nos levar a sucumbir e ceder novamente à prática de pecados. Somos fracos... Por isso, infelizmente é possível que um salvo por Deus experimente verdadeiros “vales de sombras e de morte” através de angústias, sofrimentos, enfermidades, medos, etc... ou pior, esses vales podem ser vivenciados através de pecados pessoais, de vícios, de traições, de crimes e entre muitos outros pecados mais ou menos extremos alguns acabam se rendendo  à proposta tentadora de fuga que o suicídio oferece (porque na maioria das vezes quem tira a própria vida o faz porque está procurando não acabar com sua existência, mas, num estado de falta de lucidez, acabar com sua profunda angústia, sem contar os casos motivados por graves doenças psicológicas ou cerebrais, coisa de ordem química e biológica). 

Será que perderam a salvação aqueles que verdadeiramente foram salvos um dia, aqueles que demonstraram uma fé verdadeira e um amor verdadeiro por Deus durante uma importante etapa de suas vidas? Se considerarmos que a verdadeira fé e o verdadeiro amor por Deus são dádivas dadas por Ele mesmo, e que Ele não comete injustiças e que seus dons são irrevogáveis, nós podemos concluir, com confiança, que quem possui fé verdadeira nunca o negará verdadeiramente e quem ama a Deus de verdade esse amor nunca deixará de existir, porque essas virtudes são apenas reflexos de algo maior e mais poderoso que é a Graça divina, e absolutamente nada pode separar alguém do poder do seu amor, nem mesmo tormentos que podem ocorrer em tempos de fraqueza pessoal e que podem levar um salvo e filho de Deus a desesperar-se. Podemos afirmar que os verdadeiros salvos nunca perderão a sua salvação, ao passo que os falsos convertidos nunca foram salvos de fato (e não existe salvação para ser perdida nesses casos). Também não cabe a nós tentar discernir os falsos dos verdadeiros crentes, o joio do trigo. Esse julgamento pertence somente a Cristo e quem se atreve nisso comete pecado. 

Mas temos que atentar para a verdade de que se um crente enfraquece em sua fé e acaba cedendo ao pecado é exclusivamente por fraqueza e irresponsabilidade dele em não utilizar-se adequadamente dos meios de Graça (oração, comunhão, vigilância, etc) para manter-se firme que um estado de obscuridade espiritual o atormenta. Todos colhemos o que plantamos, tanto para bem como para o mal - essa é uma lei universal, e na vida cristã não deveria haver espaço para a indolência espiritual. Mas mesmo esse estado decadente, que pode ser provisório e que é comum a todos, não é capaz de anular o que Deus fez, faz e fará. 

Somente poderemos entender a eficácia da salvação quando entendermos que ela não é e nunca esteve baseada nas pessoas e que ela não se concretiza por causa do que fazemos, sejam atos bons e virtuosos para que a salvação se cumpra ou atos ruins e reprováveis para que a salvação seja perdida. Ela não existe e não é realizada por causa da igreja, também não é alcançada como consequência da fé pessoal – embora a fé seja fundamental para a salvação no sentido de que a fé é um dom divino que nos é dado para respondermos positivamente ao seu chamado para seguir a Cristo e para viver em fidelidade à sua vontade em sua presença, embora não o possamos ver (ou sentir e comprovar sua existência concretamente - de acordo com os meios materiais humanos) enquanto vivemos nessa atual realidade transitória. A fé é uma resposta necessária e real, uma reação vivificadora do Evangelho (a boa notícia) que desperta nossos sentidos para realidades maiores que as limitações materiais, porém a fé é posterior a uma ordenação divina para a vida, a sua Graça salvadora.

Os cristãos são chamados para a virtude, mas ainda são suscetíveis ao mal e por isso suas vidas devem ser marcadas pela submissão servil a Deus, pela perseverança e pela vigilância. Os resultados dessa disciplina é uma vida cristã vibrante e frutífera! Mas todos nós sabemos que vacilamos freqüentemente e a própria Palavra de Deus é repleta de registros sobre essa realidade, afinal “o bem que desejo eu não faço, mas o mal que reprovo esse eu faço... miserável homem que sou!”

Para os salvos, todos os seus pecados já foram vencidos, pagos e perdoados por Cristo antes mesmo desses pecados terem sido praticados e antes mesmo dessas pessoas existirem. Deus não está limitado naquilo que nós chamamos de tempo. Cristo manifestou-se no mundo naquilo que o Novo Testamento chama de plenitude dos tempos no sentido em que toda salvação, todo perdão divino e toda salvação ocorridas em todos os tempos ao longo da história, e a isso estão incluídas todas as pessoas que viveram muito antes ou muito depois de Cristo e em todos os lugares... Todos os eleitos de Deus foram salvos exclusivamente pelos atos do Filho de Deus, e esses atos ocorreram num momento histórico e numa época central em toda a existência em conformidade com os planos divinos que incluem toda a eternidade. De um ponto específico na história fluiu toda a Graça necessária para cobrir toda a eternidade. Cristo veio ao mundo uma vez como cordeiro para ser sacrificado para salvar e para reivindicar para si tudo o que lhe pertence, e um dia Ele voltará para apropriar-se, vitorioso, do seu prêmio: pessoas redimidas, salvas e um mundo refeito para a sua glória numa nova realidade chamada de “novos céus e nova Terra”. 

Porém, os que não foram salvos permanecerão como são por natureza: réprobos, amantes dos seus pecados e eternamente banidos do Deus Santo que é a fonte de toda vida e por isso esse estado miserável de existência à parte de Deus no chamado inferno é um lugar de juízo e de uma terrível morte eterna (ausência da Graça de Deus, mas não da sua justiça) – afinal foi baseados nisso que esses viveram suas vidas...


Num ato central na história – Cristo – a salvação foi consumada e não há absolutamente nada que possamos fazer para desfazê-la nas vidas daqueles que foram alcançados por seu poder soberano. Resta a nós simplesmente nos curvarmos ao seu senhorio em devoção e em adoração, dizendo-lhe do fundo dos nossos corações que precisamos do seu perdão e da sua salvação e que precisamos serví-lo.

25/07/2014

Padronização e homogeneidade X Evangelho



Toda padronização de comportamento que é imposta às pessoas é uma forma assustadora de imposição de poder sobre os outros. É uma tirania de quem pensa ser dotado de uma autoridade superior para manipular a consciência alheia.

Nessa prática, infeliz e muito comum em ditaduras por todo o mundo e por toda a história, o próximo é diminuído à condição de subalterno e o opressor é elevado à condição de classe superior com direitos privilegiados. Nessa prática a consciência humana é usurpada e dá lugar à robotização, à idiotização, à mera repetição irrefletida de proposições elaboradas por outros e à dependência intelectual de quem acaba ditando as normas. Nessa prática fica fácil identificar quem não está alinhado ao poder imposto e seus insubordinados são logo punidos com toda sorte de disciplinas, incluindo seu banimento e sua desumanização.

O que me perturba é que muitas vezes os agentes dessas padronizações dizem que estão buscando o bem comum, mas erram porque o bem comum inclui a diversidade de culturas, a diversidade de modos e das mais variadas leituras de um mesmo quadro.

E nesse dilema está a Igreja, promotora da vida, do conhecimento de Deus e da liberdade. Ela lida com valores absolutos (Deus, vida, morte, pecado, verdade) e está plantada no mundo dos homens com todas as suas diversidades. A Igreja não pode abrir mão dos seus valores, não pode relativizá-los, não pode se prostituir. Para isso ela precisa saber quais são realmente os seus valores e quais sãos suas prioridades, qual é o seu papel. Cristo deve ser proclamado e sua Graça é multiforme e isso é muito maior do que todos os costumes, maior que toda variedade cultural, maior do que todas as formas como os diversos agrupamentos humanos, em todos os variados contextos, absorvem seus valores absolutos e se reorganizam ao redor desses valores e, por conseqüência, é muito maior que quaisquer instituições, que nada mais são do que ajustes humanos encontrados para organizar certas coisas. Por isso a Igreja não deve se pautar em valores meramente institucionais e não deve impor por constrangimento verdades às consciências e às liberdades individuais, pois esse é o papel exclusivo do Espírito Santo, o verdadeiro convencedor dos corações acerca do pecado, do juízo e da justiça. A Igreja deve apenas proclamar a Cristo e os cristãos devem amar as pessoas incondicionalmente.


Somos limitados e falíveis e, portanto, nossas proposições derivadas de valores absolutos sempre refletirão nossa finitude - mas eu vejo beleza nisso! A beleza de podermos encontrar segurança, não no que somos ou no que fazemos, mas na verdade que transcende nossa realidade, no absoluto em pessoa, na intervenção divina em nossas limitações, num milagre salvador pelo qual nossa alma clama:

"E o Verbo (Cristo) se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade." (João 1:14)

28/06/2014

Culto na Capelania Evangélica do Hospital São Paulo

"Ao único que é digno"
Culto na capelania do Hospital São Paulo nesta manhã.
Pregação de Filipenses 2 por João Eduardo no culto da Capelania Evangélica do Hospital SP - jun 2014. Confira:

15/06/2014

Algumas reflexões sobre o amor cristão


1) Uma tentativa de explicar o amor, algo que deve ser vivido:

O amor é como a fome e é semelhante à sede, quem experimenta essas coisas não pode ficar inerte pois essas sensações precisam ser saciadas.

O amor é o desejo resultante em ações que buscam a felicidade do outro; é uma necessidade que nos faz usar de esforços e sacrifícios pelo bem concretizado na vida de outra pessoa; é a virtude em sua manifestação máxima para a dignidade e manutenção da vida.

A melhor definição de amor foi o ato divino diante da completa imersão no pecado da sua criatura humana. Por causa do seu amor por nós Deus enviou seu filho Jesus a este mundo, à nossa semelhança, para nos mostrar o caminho da verdade e da vida e para nos salvar dos nossos pecados pagando por eles com sua própria condenação à morte na cruz.

Outra evidência do poder do amor que foi revelado em Cristo é que o verdadeiro amor nunca acaba, sempre vence triunfante, assim como Cristo venceu a morte e triunfou do que era para ser a nossa condenação ao ressuscitar. É por amor que Ele fez tudo o que era necessário para nos salvar.

Deus nos ama e nos quer para si e a fé no filho de Deus é a única resposta possível que podemos dar ao seu chamado de amor e de vida.


2) Sobre a nossa dificuldade dificuldade de praticar o amor:

A grande corrupção humana está na sua incapacidade de cumprir os dois principais mandamentos da Lei de Deus: o amor a Deus e o amor às pessoas.

"E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento.
E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas." (Mateus 22:37-40)

Resistimos ao amor de Deus quando o ignoramos, quando dedicamos maior zelo às coisas mundanas do que à sua glória; quando deturpamos a compreensão da sua graça fazendo com que pareça ser similar aos mesquinhos valores mundanos, quando rebaixamos a grandeza do seu amor ou da sua justiça ou quando nos elevamos a graus indevidos como se isso pudesse minimizar ou relativizar a grandeza e a importância do Criador.

O desamor por Deus é irmão gêmeo da mentira, pois só pode ser justificado com as mais desonestas maneiras de subversão da verdade a fim de que pensemos equivocadamente que de Deus não precisamos ou que não é necessário tributar-lhe a devida honra. Esse desamor só existe com o auto-engano que alimentamos em quase tudo o que fazemos e que coloca nos altares dos nossos corações qualquer ídolo caricato e inútil que inventamos para nos satisfazer, sejam nossos próprios interesses ou sonhos, sejam coisas materiais, valores ocos e manipuláveis ou até a própria subversão na compreensão do ser de Deus com a posição extremada de alguns de negá-lo.

E como conseqüência do desamor por Deus, de não atentarmos para a grandeza do seu ser e nos submetermos agradecidos em adoração a Ele, nosso coração vazio da sua glória se preenche com tristes deformações da verdade e ficamos incapacitados de amar as outras pessoas como deveríamos amar (e deveríamos porque é mandamento divino e esse mandamento ficou marcado na nossa alma). Na nossa incapacidade de amar verdadeiramente, tratamos as pessoas como bens, como coisas, como objetos que podem ser descartados e esse desamor, de forma coletiva, é a causa principal das injustiças que assolam as pessoas em todo o mundo.

O irmão gêmeo do nosso desamor pelas pessoas é nossa avareza, é nosso insaciável desejo de auto-realização, de auto-satisfação, é o desejo intermitente de sermos celebrados, reconhecidos, cultuados e, paradoxalmente, de sermos amados. O desejo por ser amado de forma distorcida é uma evidência da nossa triste incapacidade de amar, porque se amássemos de verdade nós estaríamos satisfeitos, seríamos felizes de verdade e não mendicaríamos amor ou atenção dos outros - já estaríamos muito bem-resolvidos.

Nós fomos criados para amar (a Deus a ao nosso próximo) e amar é servir, é repartir, é doar, amar é encontrar integralmente o nosso lugar seguro, nossa missão, nossa realização existencial que só pode ser concretizada com o amor dedicado a Deus em primeiro lugar e ao nosso semelhante como uma conseqüência real e inegável do poder transformador desse amor.

Se alguém diz que ama a Deus mas não é capaz de amar ao seu próprio, saiba, você não ama a Deus. E se alguém trata ao seu próximo como coisa, como objeto útil, mas descartável, saiba, você está completamente perdido num estado miserável de existência e o único remédio para essa forma miserável de vida é encontrar o seu amor fundamental na pessoa de Jesus Cristo. 

As pessoas são tratadas como coisas descartáveis quando as coisas e não as pessoas são prioridade. E perceber isso é um processo desmistificador doloroso de certos valores que não passam de bengalas para muitos, pois a verdadeira fé sempre é acompanhada pelo amor e o verdadeiro amor é por pessoas e nunca por coisas.

"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." (João 3:16)


3) A Igreja como agente do amor:

Existe uma balança reguladora da Graça de Deus (o verdadeiro bem e a verdadeira vida) no mundo e ela é a Igreja de Cristo.

Quando a igreja se deixa dominar pela apatia ou por ensinos e práticas estranhas ao Evangelho, então o mundo perde de vista o seu referencial da verdade e é mergulhado mais fundo nas trevas do engano e do pecado.

Em contrapartida quando a igreja assume seu papel de anunciadora do Evangelho, pregado o amor de Deus com suas palavras e com suas ações de misericórdia e de justiça (e não pode dissociar essas duas formas de proclamação - pregação e ação), então o mundo vê um poderoso referencial da Graça de Deus agindo nas pessoas e apontando para o caminho da vida.

...e se o nosso mundo contemporâneo está ruindo, abraçando o pecado como norma e relativizando a verdade, conclui-se que a igreja contemporânea é um luzeiro quase apagado que precisa ser (re) aceso...

"Vós sois a luz do mundo"
"Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus." (Mateus 5:14 e 16)


4) A Igreja contemporânea predominante, relapsa na prática do amor:

Vida cristã que não sofre com as angústias desse mundo doente não é vida cristã. Também não é nem vida cristã, nem igreja, a simples confraternização de pessoas que apenas compartilham algumas crenças comuns que são pouquíssimo praticadas - e muitíssimo negligenciadas - mas que na verdade se juntam para se sentirem bem e em paz consigo mesmos numa alienação das angústias do mundo e na busca de proteção aos seus valores pessoais e egoístas paradoxalmente construídos em nome da sua fé. 

Na verdade muitos buscam, apenas, se proteger do campo de trabalho e de guerras neste mundo de ilusões e desejam viver uma vida regalada supondo que Deus se satisfaz com músicas sentimentais nos cultos de domingo, com dízimos e com uma vida relativamente moral. O cristão idealizado por muitos hoje em dia é um ser mediano, uma criatura apática e inexpressiva, mero cumpridor de rituais e de algumas regras, mas completamente incapaz de ser agente de salvação num mundo conturbado e vil. Essa caricatura de um cristão é alguém que está indisposto a amar ao seu próximo como a si mesmo, é alguém que estrutura sua fé no medo e que possui um tipo de fé infantilizada, mas bastante teorizada.

Se tem ALGO QUE PRECISA MUDAR na prática evangélica é a disfarçada e não confessada DOUTRINA DO MEDO.

Temos medo de interagir com outras comunidades cristãs para sermos de fato um só corpo em Cristo e uma única (multiforme) e universal igreja visando o Reino de Deus (João 17: 22) por medo de que interfiram em nosso modo de ser, por medo de que influenciem nossa doutrina e por medo de termos nossas tradições mudadas. Certamente haveria interferência mútua nessa união, mas é preciso reconhecer que todos somos imperfeitos e que nossos irmãos cristãos nos completam e que juntos somos eficazes em nossa missão cristã e que é errado pensarmos que essa ideia de corpo refere-se apenas à igreja ou comunidade local porque nossa verdadeira unidade é global, assim como a nossa missão é global (Romanos 12: 5).

Temos medo de abrir nossas portas e corações aos estranhos porque temos medo de que eles nos prejudiquem, temos medo de compartilhar, temos medo de perder o que temos e temos medo de colocar em jogo o nosso bem-estar e segurança (Mateus 5: 44). Mas é justamente para isso que fomos chamados: para dar, alimentar, cuidar, servir, amar e se for preciso perder! (Mateus 5)

Temos medo de sermos igreja exercendo sua missão no lugar correto: no mundo, também dentro, mas principalmente fora dos nossos muros (João 17: 18), onde há carência da Graça de Deus, do anúncio e manifestação do seu amor e do milagre do seu perdão restaurador. Mas ao invés disso nos encastelamos em prédios feitos por mãos humanas e lhes damos os equivocados nomes de igrejas e templos, para inventarmos ali ministérios, ocupações e missões como se Deus quisesse apenas que lhe ofereçamos nossos cultos nos domingos... temos medo de acatar às ordens do Senhor e por causa do nosso medo as relativizamos e as interpretamos de modo que nos proporcione paz e segurança (falsas).

Temos medo de nos abrir para o que existe lá fora porque tememos que estraguem nossas igrejas, temos medo de que influenciem mal os nossos filhos, temos medo que deturpem nossa doutrina, temos medo de confrontar nossa fé e por isso nos empenhamos em proteger essas coisas e achamos que fazendo isso estamos fazendo o bem, quando na verdade tomamos em nossas mãos o papel do verdadeiro defensor de Igreja, seu único sustentador, seu rochedo, alicerce, fundamento, guarda, criador e protetor - o próprio Deus.

Jesus fazia das colinas da Galiléia a sua congregação, ele pregava nas margens do mar e ensinava nas sinagogas (igrejas da sua época), mas também nas casas, nas festas, nas ruas e nos lugares mais improváveis Ele fazia manifestada a Graça de Deus. Em todos os lugares o Todo-Poderoso era cultuado com seus gestos e com suas palavras porque Jesus sabia, e fez questão de ensinar aos seus discípulos (dos quais fazemos parte) que nossa missão são as pessoas. São nos corações das pessoas que está a terra que devemos semear e cultivar com sua Palavra.

Por isso, quem ama de verdade não precisa ter medo, não se encastela e não se priva dos riscos de amar ao seu próximo como a si mesmo.
"No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor." (1 João 4:18)


5) As ideologias mundanas contemporâneas que têm influenciado mal a igreja:

"Pós-Pós-modernismo"
O espírito mundano semeando desordem visando a reconstrução de uma nova sociedade alicerçada numa ideologia maligna que está sendo imposta:

1) Ocupe as escolas com ideias nocivas - Conteste valores fundamentais de forma gradual, eduque as novas gerações em ideologias revolucionárias, destrua as noções de verdade e de bem e faça os tiranos parecerem heróis e exemplos a serem seguidos. Mire furiosamente nas instituições tradicionais e as destrua (família e igreja), substituindo-as por novas, frágeis e falsas instituições.

2) Inviabilize governos - Semeie o caos, desestruture a ordem, multiplique e indefina discursos, faça com que os referenciais sejam perdidos, suborne os idealistas, plante mentiras e escândalos, crie armadilhas, compre as lideranças, estabeleça idiotas como líderes, faça dos sindicatos meros instrumentos de poder político e transforme os partidos políticos em empresas de poder e de lavagem de dinheiro. Coloque o bem comum numa escala secundária na pauta política e priorize o jogo do poder, a política pela política e pelo dinheiro. Transforme políticos em ricos mafiosos para serem desqualificados, tendo por fim a completa desqualificação da própria política e a descrença na Democracia. Na desordem fragilize a população, compre a gratidão dos pobres, manipule-os e frustre os outros grupos sociais. Faça com que todos fiquem confusos, desiludidos e desgarrados porque assim serão facilmente dominados. Abra espaço para uma nova forma de governo.

3) Idiotize a população, transforme-a num grande gado que pode ser dominado. Engane-a, faça do acesso à informação um meio de se obter muito conhecimento sobre todas as coisas, mas de forma superficial, rasa e manipulada. Plante valores que podem ser facilmente manipulados, como a corrida pela satisfação material e descartável - coisas que na verdade têm pouquíssima importância e relevância para a vida. O consumismo descartável manterá a engrenagem funcionando, sustentará o status quo, satisfará aos anseios das pessoas robotizadas e as escravizará. Elas ficarão de tal modo envolvidas, ocupadas, hipnotizadas que não se importarão com sua decadência espiritual, moral e existencial e serão subservientes.

Seria isso mera "teoria da conspiração" ou realmente caminhamos para uma redefinição da sociedade de forma previamente planejada?

E diante dessas ameaças a Igreja tem se fechado cada vez mais, ficando cada vez mais parecida com um clube... Igreja? Omissa, fechada em si mesma e fazendo de si um parquinho de diversões para entreter sua frágil membresia... Isso não é igreja!

(Alguns sintomas da decadência da igreja institucionalizada [e me refiro àquela que tem "zelo" doutrinário] são sua inexpressiva importância como referencial de valores e de impacto social e a dependência crescente do uso de entretenimento tanto para a realização de "evangelismos" cada vez mais parecidos com animações de buffet infantil como para manter sua frágil membresia. 
Precisamos repensar nossas formas de ser igreja contemporânea, para não nos reduzirmos a ser meros clubes onde se faz palestras morais acompanhadas de músicas terapêuticas e emotivas, nem parquinhos de diversões pois essas coisas também são deturpações do Evangelho.)

6) Deus e o amor:

O amor é um dos atributos morais de Deus e essa sua característica em seu estado pleno e perfeito define a Deus como a própria personificação do amor (1 João 4 v. 8 e 16).

O amor significa que Deus se dá, a si próprio, para o benefício, para abençoar aos outros e essa é uma característica do seu ser que ao mesmo tempo não permite que Ele seja indiferente diante de sua criação (que é objeto do seu amor) e nos atrai para Ele. Por amor Deus enviou seu filho Jesus para morrer pela humanidade na cruz, o mesmo Jesus que sempre se relacionou amorosamente com o Pai (Jo. 14.31; 17. 24). 

O amor de Deus nunca se acabará, é inistingüível, não pode ser afetado por forças exteriores (nem pelo nosso pecado), pois tal como Deus é, imutável e eterno, seus atributos também o são e, portanto, seu amor é imutável, pleno e prefeito. Se o amor visa o bem da pessoa amada, e o amor de Deus é o amor em sua totalidade e perfeição, deduz-se que não haja ninguém em toda a existência que queira e faça o bem como Deus o quer e faz e a manifestação plena do nosso bem é a nossa salvação - nossa regeneração, ou conversão, pela fé em Cristo. 

O amor é um atributo compartilhado com toda a humanidade em diferentes contextos e, portanto, é distribuído por toda a criação como um elemento da graça comum de Deus a fim de que a vida seja possível, desejada e possivelmente agradável. A mesma separação em “dois blocos” principais conforme o tipo também pode ser feita no que se refere aos tipos amor – o amor sentido pelos ímpios e o amor sentido pelos filhos de Deus. A razão humana costuma distinguir o amor em “tipos” conforme a aplicação, tal como o amor entre homem e mulher, o amor entre amigos, o amor de pais para com seus filhos e o amor de Deus. O ser humano é capaz de amar como resultado dessa graça comum, embora o seu amor seja extremamente afetado pela natureza pecaminosa que o deformou, fazendo com que seu amor seja uma deformação do amor perfeito de Deus – mas mesmo assim é amor (verdadeiramente, qualquer mãe “sadia”, apesar de ser pecadora, ama ao seu filho e muitas delas são capazes de dar suas vidas por eles). 

Os cristãos, por obra da regeneração operada pelo Espírito Santo na conversão são capazes de viver um amor aperfeiçoado e muito mais próximo daquele amor que Deus tem por suas criaturas e que é vivenciado entre a Trindade (Pai, Filho - Cristo - e o Espírito Santo), mas que mesmo assim ainda está eternamente distante da plenitude do amor que somente Deus tem e sente - esse distanciamento com sua imperfeição terminarão com a efetivação da nossa redenção (1 Coríntios 13 v. 12 e 13)

14/06/2014

Folhetos





O Evangelho não significa acreditar nas pessoas ou no potencial humano. Pelo contrário, Ele revela a completa falência do gênero humano e aponta para a única esperança possível que está na humilhação, tanto da humanidade em reconhecer-se pecadora e carente da Graça divina como na humilhação do próprio Deus em renunciar a sua Glória para se fazer homem em Jesus Cristo e na sua suprema humilhação em  se deixar condenar à morte numa cruz como um maldito com a finalidade de salvar sua amada criatura humana para a sua glória.
Por isso, o Evangelho aponta a humilhação da cruz como o caminho único possível para a restauração da verdadeira dignidade humana e não existe nenhuma esperança para a humanidade à parte do Evangelho - a boa-nova da salvação operada por Cristo.

"...haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz." 
Filipenses 2:5-8

"Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Alimpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai os corações. Senti as vossas misérias, e lamentai e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo em tristeza. Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará." 
Tiago 4:8-10


24/01/2014

Tente outra vez!


Tente outra vez!

Linda canção de um artista extraordinário! Quase uma mensagem religiosa, quase uma pregação de fé! Quase, mas ainda eternamente distante disso...

Por quê?

Porque mensagens de otimismo, que levantam o moral de alguém que estava prostrado e que nos faz valorizar as coisas boas da vida, os motivos para lutar, para continuar, enfrentar obstáculos, etc são mensagens que têm um efeito positivo momentâneo e a sua natureza é meramente humana, de efeito psicológico e moral. Alguém pode receber uma mensagem assim e continuar vivento de forma otimista e completamente alheio à Cristo.
Esse tipo de mensagem de otimismo que alguns confundem e chamam de fé são ineficazes no campo da espiritualidade, não salvam ninguém, não regeneram ninguém e não preenchem a alma de ninguém com a poderosa e verdadeira presença de Deus.

Fé não é otimismo, fé não é apenas acreditar em algo e fé também não é uma virtude natural humana. Fé é um dom que recebemos de Deus quando a sua Palavra germina em nossa alma, é o resultado vivificador de alguém que recebe a Graça de Cristo nos revelando quem somos de fato: pecadores vazios de Deus e por isso destituídos da vida em sua plenitude, mas que somente por meio de Cristo são plenamente, irrevogavelmente e eternamente vivificados. A fé é um milagre não apenas para "tentarmos outra vez" mas para vivermos uma nova e eterna vida, livre da escravidão do pecado e verdadeiramente unidos com o Criador.

Infelizmente muitos pregadores "cristãos" reduzem sua mensagem de fé, que deveria ser o Evangelho, a proclamação de Cristo, a uma mensagem otimista, de vitória ou de lições para o bem-viver, estimulando seus ouvintes a terem reações positivas perante a vida... mas, lamento dizer, o "Raulzito" soube transmitir esse tipo de mensagem humanista muito melhor que esses pregadores. Este artista transmitiu essa natureza de mensagem no campo da arte, com maestria e beleza, e não no campo da religião como esses equivocados pregadores insistem, empobrecendo a experiência de fé dos crentes com o Senhor na medida em que esses crentes são nutridos com expectativas apenas imediatas e relacionadas aos dilemas e lutas da vida quando, na verdade, deveriam nutrir e experimentar a contemplação profundamente transformadora da Glória e da Majestade do Deus Todo-Poderoso que se fez homem em Cristo e que nos impulsiona a uma relação com a realidade ao nosso redor sob a perspectiva da redenção e da eternidade - coisas que só podem ser conhecidas através da fé, não na humanidade ou em algum tipo de otimismo, mas unicamente em Cristo.

Não é coincidência que predomina nas igrejas cristãs uma grande indiferença com sua missão. Se as pessoas são levadas a olharem apenas para si, dificilmente verão o mundo sob a perspectiva de Cristo.

"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus." Efésios 2:8



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Fé, o que é fé?




Esta palavra – fé – tem servido para denominar uma variedade de habilidades humanas e que têm afinidade com a capacidade que o homem tem de acreditar ou de confiar em algo, e normalmente refere-se às realidades transcendentais, metafísicas – embora possa servir para fins pragmáticos. Por meio da “fé”, o homem interage com tais “realidades”.

Desde os primórdios, a humanidade procura desvendar os mistérios que a cerca, tais como o sentido da vida, o que há após a morte, as relações de causa e de efeito, a existência de um mundo espiritual e de um Senhor sobre o universo. A partir de tais questionamentos, a diversidade religiosa foi-se formando – e isso sempre exigiu que se acreditasse no que é especulativo a ponto de o especulativo transformar-se em algo certo, crível; e da diversidade religiosa surgiram as diversas culturas, a filosofia e a ciência. Vê-se aí o desenvolvimento da razão, que tem suas bases nas especulações primitivas e que sempre dependeu da crença em algo.

Mesmo com o desenvolvimento científico, a necessidade humana de acreditar em algo e de transformar essa crença numa ideologia é ainda presente a todos os homens: sempre escolhemos alguma ideologia conforme nossas convicções e escolhemos investir nossas vidas em certos sistemas de crenças, seja ele uma crença religiosa, ou ideológica, política, ou científica. Sempre temos que acreditar em algo e esse algo torna-se central em nossas vidas; sobre esse algo nós nos construímos, nos definimos.

Sem que se haja em quê acreditar, o homem perde-se numa imensidão sem respostas ou definições e sua alma se apaga, definha. Não haveria pelo que lutar, nada a construir ou pelo quê viver. Parece que o grande motivador que leva o homem à construção de algo, ao desvendar dos mundos, é sua capacidade especulativa seguida imediatamente por sua capacidade de acreditar e de se apegar a alguma idéia, um norte para o seu caminho.

Embora toda a humanidade seja capaz de acreditar em algo e dependa dessa crença para subsistir, a posição bíblica do que é fé diverge, essencialmente, das demais posições a respeito. Pode-se até atribuir o mesmo nome – fé – mas seus significados não são os mesmos.

Pode-se dizer que o que a fé apresentada na Bíblia tem em comum com a diversidade de fés que a humanidade experimenta diz respeito à capacidade de se acreditar, à crença. Para aproximar-se de Deus, é necessário, em primeiro lugar, acreditar que Ele existe e que galardoa a quem o busca (Hb 11.6), mas isso não corresponde à totalidade da fé.

A fé bíblica, ao contrário das diversas fés do mundo, não é uma habilidade humana, não é uma capacidade sua, inerente, para interagir com o especulativo, sobrenatural, transcendental e metafísico. Ela é uma capacidade que não faz parte de nós, não pertence à nossa natureza, mas é algo que pertence à natureza daquele que dá a nós a fé como um dom (Ef 2.8). Assim se, por meio da fé, interagimos com o mundo espiritual – especificamente com Deus – é porque a fé vem dEle para nós, e não sai de nós no sentido dEle.

A Bíblia revela que estávamos mortos nos nossos pecados (Ef 2.1, 5) e os mortos não podem buscar a Deus (Rm 3.11, 12). Assim, por mais que se possa admitir que toda a humanidade possui um tipo de fé, ela não é aquela fé revelada pelas Escrituras e é inútil como meio de contato com Deus. A “fé” natural dos homens não tem efeito nenhum diante de Deus, sendo apenas uma capacidade humana concernente à graça comum, aquele tipo de dádiva para possibilitar a vida neste mundo – e que talvez tenha algum efeito para diversas práticas religiosas, mas não para a prática da verdadeira religião, o cristianismo bíblico.

A Palavra de Deus, quando é proclamada, é a única formadora da fé que satisfaz a Deus (Rm 10.17) e que estabelece o elo entre Ele e os homens. Cristo é essa Palavra proclamada (Jo 1.1), Ele é o autor e consumador da fé (Hb 12.2), o decreto à vida e a resposta ao seu chamado leva à única resposta possível: a fé, que é um novo viver como filho de Deus (Gl 2.20).

“Porque andamos por fé, e não por vista”(2 Co 5.7).

Igrejas transformadas em templos do humanismo e do capitalismo


Prédios históricos onde no passado funcionavam igrejas estão sendo transformadas em bibliotecas, bares, cafés, boates...

Há quem diga que isso é bom, e tais pessoas apenas refletem o espírito humanista libertário do nosso tempo relativista e miserável. Eu penso que a entrega desses símbolos cristãos para outros fins apenas mostra um problema anterior: esses povos apostataram da fé faz tempo e esses símbolos realmente perderam seu sentido numa sociedade que baniu Cristo de sua vida...

As deturpações do Evangelho sempre ruem, não o próprio Evangelho!
"Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão." Marcos 13:31 

Em alguns países, o seu cristianismo cultural está sucumbindo diante do humanismo, do secularismo e do crescimento de outras religiões. Mas o cristianismo cultural, assim como o neopentecostalismo e tantas outras deformações do cristianismo, deixou de ser Evangelho quando assumiu características diferentes daquelas ensinadas pelas Escrituras. Nessas deturpações as Escrituras perdem a importância, assim como a doutrina cristã, e tudo o que se faz são meras absorções de alguns valores que têm origem cristã mas que são pinçados e reinterpretados de acordo com os diversos interesses sociais, políticos e religiosos. É a sociedade e não Cristo o foco da glorificação nessas deturpações e o senhorio da pessoa de Cristo é relativizado e substituído por outros valores, pessoas ou interesses. E isso tudo entra em ruína um dia.

Mas sobre o Evangelho, sobre Cristo e sobre a sua Igreja, saiba-se que força nenhuma neste mundo (ou em outro) pode fazê-los ruir:

"Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor." Romanos 8:39

"...e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela..." Mateus 16:18

10/12/2013

Sobre os juízos injustos dos moralistas defensores do status quo



É detestável o moralismo falso e pomposo dos que criticam as revoltas dos oprimidos.

Tais críticos nunca sentiram na sua pele o que muitos outros suportaram e por isso seus juízos são destituídos de justiça.

Os oprimidos foram submetidos ao opressor simplesmente porque sua cor ou origem é diferente daquele que possui maior poder militar e econômico. E por isso o opressor acredita que tem uma vocação especial, um "destino manifesto", uma patologia monstruosa que faz com que ele acredite que tem o direito de oprimir, subjugar e se impor. Quando fazem uso de armas, eles pensam que estão exercendo o seu direito e o seu dever de serem agentes do bem e da disciplina, enquanto que as armas dos outros são instrumentos apenas de terrorismo. Por isso somente eles podem lançar bombas atômicas em cidades, armas químicas em povoados, patrocinar revoluções, golpes e guerras civis, afinal estão a serviço do bem. E todos os seus poderes atuais foram acumulados justamente por causa do seu terrível hábito histórico de dominar, oprimir e saquear os mais fracos, afinal eles não são gente que tem a mesma "qualidade" daquele tipo idealizado de gente que o opressor deseja ser.

Um país africano (ou latino-americano, ou asiático...) tem seu povo, suas terras e seus bens expropriados por invasores que a pretexto religioso e racial desmoralizam e subjugam outros povos com a clara finalidade de aumentar sua riqueza. Mas sua rapina está muito mal disfarçada numa suposta intenção de que colonizam para desenvolver e para fazer o bem, mas em total desprezo aos "bárbaros" locais - índios, negros, indianos...

Então, depois de anos de abusos, alguns desses povos oprimidos respondem como podem às agressões sofridas e seus únicos e possíveis aliados são outros povos ou líderes que também detestam o opressor comum - embora suas motivações sejam diversas. E essa resposta à opressão é, evidentemente, caracterizada pela revolta e pela insurgência contra o dominador invasivo e intruso.

E então os críticos tomados pela falsa moral apontam a violência praticada pelo insurgente, e tratam como detalhe pequeno, coisa de somenos, toda a violência que o opressor praticou por décadas ou séculos. Mas esses críticos queriam o quê? Diplomacia? Fala mansa e suave por parte daquele que apanha? Gratidão pelas migalhas pisadas por seu senhorio? Apatia diante da destruição da sua gente e da sua cultura? Ora, convenhamos... às vezes a coisa mais justa que deveria ser feita é a decapitação de alguma rainha opressora, pois ela desfruta de uma pompa ostentatória e ofensiva que custou caro demais aos povos que foram historicamente oprimidos e forçados a serem os grandes patrocinadores do status quo do opressor. Igualmente, às vezes seria justíssimo que burocratas do poder dominante fossem destituídos de suas glórias numa humilhação e condenação exemplar e pública.

Mas, ao invés disso os críticos das revoltas dos oprimidos ainda exigem que sua rainha, que seu burocrata, que as estruturas do poder estabelecido sejam cortejados educadamente por aqueles que tiveram sua dignidade despedaçada por abutres bem nascidos. Sim, como é detestável o moralismo falso e pomposo dos que criticam as revoltas dos oprimidos!

A propósito: quando é que as missões cristãs se desquitarão de vez do colonialismo?
Todo povo, toda língua e toda nação, toda a diversidade humana deve conhecer a Graça de Deus sem que isso implique na imposição da cultura inglesa, americana ou de qualquer outro aproveitador que tem uma aparência superficial de boa-educação e classe, mas que é essencialmente miserável, ganancioso e possuído pela rapina.



"E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue nos compraste para Deus de toda a tribo, e língua, e povo, e nação..." (Apocalipse 5:9)
"E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para o proclamar aos que habitam sobre a terra, e a toda a nação, e tribo, e língua, e povo..." (Apocalipse 14:6)

Se a tua religião tiver as mãos dadas com o poder ao invés de ter suas mãos estendidas aos aflitos, saiba que esse teu sistema de crenças não é o cristianismo.




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Deus é o salvador dos homens e Ele se compadece diante dos que clamam. 
Acaso o choro de uma criança não é um clamor por salvação?

E Ele comissionou a Igreja para fazer o seu trabalho neste mundo e ao percebermos necessidades da Graça de Deus nas pessoas que têm necessidades extremas de socorro e de salvação fica evidente o quão patético e maléfico é o contentamento dos crentes com sua vida confortável de classe média e de miseráveis cultos dominicais.


"O espírito do Senhor DEUS está sobre mim; 
porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; 
enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos;
A apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; 
a consolar todos os tristes;
A ordenar acerca dos tristes de Sião que se lhes dê glória em vez de cinza, 
óleo de gozo em vez de tristeza, vestes de louvor em vez de espírito angustiado; 
a fim de que se chamem árvores de justiça, plantações do Senhor, 
para que ele seja glorificado." (Isaías 61:1-3)

Desperta! (Efésios 5:14)

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Uma breve reflexão sobre os 2 extremos na atual abordagem dos cristãos evangélicos brasileiros.




Num extremo estão diversas pessoas que tentam transformar a fé cristã numa varinha de condão, num abracadabra em que o nome de Jesus, de forma imprópria e enganosa, é usado como se fosse uma espécie de senha para a obtenção dos mais variados tipos de sucesso pessoal ("vitória", saúde, prosperidade, etc) e essa abordagem mentirosa tem provocado uma sandice histérica, uma estupidez epidêmica facilmente vista nos meios Gospel, Neopentecostal, na vergonhosa bancada evangélica dos nossos nada ilustres deputados e que está contaminando a fé de muitos.

No outro extremo estão aqueles que, numa dedicada tentativa de elitizar e racionalizar a fé cristã, dando-lhe uma roupagem muito mais teórica (filosófica, acadêmica) do que prática, acabam por reduzir essa libertadora e poderosa fé a intermináveis discursos de gente que ama demais seu prestígio e status de "pensador" (conseguem cristianizar o orgulho!), mas que acabam desprezando aqueles atos de misericórdia e de Graça que impressionaram os discípulos de Jesus Cristo quando eles andaram com seu mestre. E são esses mesmos atos que deveriam ser (e que podem ser) a maior marca e a mais poderosa retórica dos cristãos em todos os tempos (incluindo hoje): os atos da misericórdia e do amor de Deus escandalosamente evidenciados em pessoas que ousam ser instrumentos da sua Graça ao fazerem algo muito simples, porém desafiador - amar as outras pessoas, especialmente as que sofrem, como a nós mesmos.

Aprenda "pensador" das torres de purpurina: teu discurso revestido de termos supostamente inteligentes impressionam apenas aqueles que aprenderam a gostar de um mundinho elitista do faz-de-conta que somos igreja e ele não convencerá teus opositores teóricos nos intermináveis debates "acadêmicos", pois essa forma de fazer apologia é boa demais apenas para massagear teu ego. A fé não precisa de defesa, Deus dispensa advogados. Porém, se quiseres realmente ser dotado de uma retórica poderosa, mate teu ego, abandone essa torre do mundo encantado e venha para o mundo real para nele estender tuas mãos, nele chorar, nele viver e nele ser realmente um servo de Cristo. É no mundo real e nas angústias de vidas banidas de Deus que está o campo de trabalho da igreja.

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A idolatria do discurso

Supostos pensadores cristãos que empenham suas vidas unicamente em discussões secundárias que são úteis apenas para o embasamento de doutrinas e de terminologias, mas que colocam em segundo plano as virtudes da compaixão e do amor correm o risco de serem apóstatas e promotores do desvio do caminho de Cristo assim como os falsos profetas que subvertem a Palavra de Deus, pois fazem com que muitos direcionem sua caminhada de fé para uma religião que se contenta apenas com discursos ao invés de seguirem o modelo ensinado por Jesus através das suas palavras mas também através dos seus poderosos atos de amor. 

Não existe discurso mais eficaz do que o amor e a compaixão praticados como expressão da fé em Cristo!


A idolatria do púlpito


A comunhão e o discipulado e não o púlpito são a força motriz da Igreja de Cristo.
Valorizar demasiadamente o púlpito é valorizar profissionais do discurso e isso leva as comunidades à crescente dependência de alguém que pensa por ela, uma usurpação que leva à passividade da própria igreja.
Embora isso não seja assumido, o profissional do púlpito costuma ser tratado como alguém que tem privilegiada comunhão com o Senhor, uma aberração que não somente enfraquece o corpo como faz com que igrejas inteiras sejam anêmicas, apesar de uma suposta qualidade doutrinária, mas meramente discursiva que é trabalhada nos "santificados" púlpitos, uma coisa e um lugar que muitos confundem de forma absurdamente equivocada com um altar - quando na verdade é uma coisa mais parecida com um palco.
Mais do que púlpitos, Cristo usava colinas, mesas, ruas... Seu alvo sempre foram as pessoas ao passo que as subversões valorizam as instituições.


Narcisos

O suprassumo da vaidade é um cidadão fazer citações de si mesmo, é empenhar-se para transformar o seu nome numa marca cult, é em tempos de redes sociais fazer fotinho de si mesmo com ares de pensante e postar com uma frase enigmática que leve outras pessoas - seu público alvo - ao consumo do produto em que se transformou.


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Uma análise das mobilizações de caráter político empreendidas por aproveitadores que confundem seus interesses com cristianismo e que pensam estar sofrendo perseguição por causa da sua fé.



É simplesmente lamentável que líderes de caráter questionável de alguns grupos (supostamente) cristãos estejam arrebanhando multidões e direcionando forças para fazerem pressões, ameaças e reivindicações políticas baseadas na crença obscurecida de que seu segmento (cristão) da sociedade esteja sofrendo "perseguição" política por causa da sua fé. 

Essa é uma postura que não tem cabimento por 3 razões principais:

1) Não está ocorrendo tal perseguição! Ainda que hajam medidas políticas que estejam fazendo revisões nas leis sobre alguns dos valores defendidos por cristãos (como o casamento e o direito à vida) essas medidas não oferecem nenhuma ameaça nem ao cristianismo, nem aos valores defendidos pelos cristãos. O objetivo dessas medidas é regulamentar as diversas opções de vida e de conduta, dentre as quais - e ao lado de muitas outras - estão as que são defendidas pelos cristãos. Como reflexo de um Estado Laico, a política e as Leis devem contemplar toda diversidade dentro da mesma sociedade e dentro dessa diversidade o modelo familiar defendido pelos cristãos continua válido e não está sob ameaça. Todo sensacionalismo precisa ser evitado e o cristianismo não tem por função regular nem a política, nem as leis dos homens. O papel do cristianismo é outro: proclamar a salvação por meio da fé em Cristo.

2) Ainda que houvesse uma perseguição aos cristãos (que não é fato no Brasil, aqui temos liberdade de culto e de prática religiosa), mas ainda que houvesse, a resposta cristã diante dessa perseguição, conforme ensinada na Bíblia pelo verdadeiro líder e Senhor Jesus Cristo, não é a atuação política belicosa, não é a pressão através de passeatas, nem palavras de ordem com uso de sentenças, reivindicações e ameaças, mas sim um tipo de comportamento registrado em Mateus 5:9-12 e que é bastante diferente do que temos visto:
"Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus;
Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus;
Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa.
Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós." 

3) Essas mobilizações de massas (supostamente) cristãs, na verdade não são mobilizações cristãs! Seus líderes são pessoas equivocadas em busca de poder, fama e dinheiro - veja que estão relacionados com escândalos, com enriquecimento às custas da religião, que são propagadores de teologias que distorcem o Evangelho e de sensacionalismos que são supervalorizados a ponto de substituírem o principal assunto da proclamação cristã: Cristo! Mais do que a salvação em Jesus Cristo, os assuntos que ocupam a agenda desses vendilhões são assuntos meramente morais, e o dinheiro, e os embates com a causa gay. Assuntos muito menores diante do principal que é intencionalmente negligenciado, porque a causa deles deixou de ser o Reino de Deus e a sua justiça para ser a busca por um bom lugar ao sol no reino dos homens deste mundo dominado pelo pecado. Por essas razões, esses líderes e essas mobilizações têm o caráter reprovável do ponto de vista cristão, coisa facilmente vista na desobediência ao texto já citado de Mateus 5.
Em defesa dos direitos de todos - dever do Estado que deve ser apoiado pela igreja cristã - muito bem sintetizado por Voltaire:
"Não concordo com uma palavra do que dizes, mas defenderei até o ultimo instante seu direito de dizê-la."

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CRISTIANISMO E POLÍTICA.

DE UM PADRÃO ELEVADO PARA O PRATICÁVEL.



Nós cristãos vivemos como peregrinos nesse mundo, pois nosso coração almeja o Reino de Deus e a sua justiça, nossa verdadeira Pátria, que será plenamente revelada no futuro, depois que o Senhor dos senhores e Rei dos reis impor-se como o Soberano do novo céu e da nova Terra, o Paraíso.

Mas até que esse mundo perfeito se revele, nós vivemos neste mundo que está destinado para a ruína. Devemos desfrutar do que existe de bom nesse mundo e vida mas devemos estar conscientes que nessa nossa realidade não existe perfeição, nem justiça plena, a verdade é relativizada e às vezes ela é tida como mentira. Este é o nosso mundo dominado por gente falha e pecadora (como eu). 

E por vivermos aqui a nossa missão é aqui. Temos que lidar com este mundo e com sua realidade baseados nos elevados valores de Cristo. Nossos referenciais estão nos valores do Reino de Deus (algo que deve ser buscado desde já) e não na decadente realidade presente. E baseados nos valores de Cristo nós temos que trabalhar e influenciar este mundo para que o bem, a verdade e a justiça sejam manifestadas, ainda que de forma imperfeita, em nossas vidas e em nossa sociedade. E no que diz respeito à sociedade, às relações humanas, essa missão também envolve a política. 

Mas nesse mundo confuso e plural são muitos os ideais que movem as pessoas, são muitas as suas verdades, são diversas as opiniões sobre qualquer coisa e a política é um arranjo humano, um modo de se fazer acordos para que o bem comum seja buscado e para que a vida seja minimamente justa para todos. 

E não dá para satisfazer plenamente aos anseios de um grupo humano quando um outro grupo igualmente legítimo na sociedade tem um modo diferente de pensar, com anseios divergentes em diversas questões. Em casos como esse, muito comuns, onde grupos diferentes buscam o seu espaço justo na sociedade, o papel da política é procurar uma solução equilibrada, um bem relativo que atenda razoavelmente às aspirações de ambos os grupos. Dessa forma, para se alcançar um bem minimamente comum que atenda a ambos não será possível satisfazer plenamente às aspirações desses dois grupos. Busca-se um bem comum que tende a ser relativo e parcial.

Na nossa sociedade deve haver espaço e direito para toda a diversidade que a compõe, e nela estão incluídas as diversas crenças e religiões, aqueles que as rejeitam, as diversas etnias e culturas, as diversas classes sociais, as diversas formas de comportamento (legais), etc. Por isso, na política, esse remendo nas imperfeições humanas, não pode existir predominância de um ideal em detrimento dos outros. Nela os diversos grupos humanos devem ser representados a fim de que todos tenham o seu espaço e o seu direito assegurados. 

Por isso não pode haver uma política predominante teísta, ou ateísta, ou regida por qualquer outra crença ou ideologia exclusivista. Na Democracia (poder do povo) ideal todos os grupos são representados para buscarem o bem comum, respeitando-se as diferenças. Neste mundo a diversidade humana precisa coexistir pacificamente e isso demanda esforço, por isso a política deve ser uma prática humana de tolerância e deve ser laica (do ponto de vista da religião deve manter-se neutra, assegurando a todos o direito de praticar ou de não praticar alguma crença).

O propósito da política não é o Reino de Deus, mas sim o mundo dos homens e aqui neste mundo as coisas são marcadas pelas nossas imperfeições, limitações e pecados e a política sempre será caracterizada por essas marcas da nossa natureza humana.



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Campos da Apologética.



Na época atual, em que as diversas perversões humanas são promovidas, festejadas, gradualmente protegidas por lei e tratadas como comportamentos aceitáveis, sadios e normais, a fé em Cristo é incisivamente combatida e ridicularizada pelos mestres deste miserável sistema mundano e é tratada como expressão da debilidade humana pelos elegantes promotores da iniqüidade. 

E o pior nesse choque de valores onde o pecado é celebrado e a verdade vilipendiada é que a multidão de ímpios é aumentada pelo grande número daqueles que professam uma suposta fé cristã, mas que em oposição aos seus valores enveredam por caminhos de completa insanidade numa fé burra e mística que é serviçal dos anseios mundanos e completamente descomprometida tanto com a verdade como com o caráter cristão. E é por esses ímpios, o joio, as ramificações podres da igreja e chagas abertas por onde entram todo tipo de infecções é que a igreja de Cristo tem recebido suas mais ferozes críticas e seus mais duros golpes. 

Que Deus guarde e conduza os seus remanescentes na proclamação da verdade de Cristo!




A Mania de autoridade de uns...

A síndrome do pequeno Napoleão fica evidente quando alguém que nunca deveria ter recebido uma estrela de xerife resolve por na cabeça que se transformou numa autoridade para falar sobre qualquer coisa e, por conseqüência, de forma megalomaníaca, passa a acreditar que pode gerenciar a vida dos outros. É um mané e um tropeço. 
Na verdade, sobre a maioria das coisas a melhor coisa que o mini-xerife deveria fazer é ficar caladinho pela razão simples de que não faz a menor ideia do que diz ou faz. Mas ele teima em falar pelos cotovelos o que nunca saberá.