15/06/2012


Esta palavra – fé – tem servido para denominar uma variedade de habilidades humanas e que têm afinidade com a capacidade que o homem tem de acreditar ou de confiar em algo, e normalmente refere-se às realidades transcendentais, metafísicas – embora possa servir para fins pragmáticos. Por meio da “fé”, o homem interage com tais “realidades”.

Desde os primórdios, a humanidade procura desvendar os mistérios que a cerca, tais como o sentido da vida, o que há após a morte, as relações de causa e de efeito, a existência de um mundo espiritual e de um Senhor sobre o universo. A partir de tais questionamentos, a diversidade religiosa foi-se formando – e isso sempre exigiu que se acreditasse no que é especulativo a ponto de o especulativo transformar-se em algo certo, crível; e da diversidade religiosa surgiram as diversas culturas, a filosofia e a ciência. Vê-se aí o desenvolvimento da razão, que tem suas bases nas especulações primitivas e que sempre dependeu da crença em algo.

Mesmo com o desenvolvimento científico, a necessidade humana de acreditar em algo e de transformar essa crença numa ideologia é ainda presente a todos os homens: sempre escolhemos alguma ideologia conforme nossas convicções e escolhemos investir nossas vidas em certos sistemas de crenças, seja ele uma crença religiosa, ou ideológica, política, ou científica. Sempre temos que acreditar em algo e esse algo torna-se central em nossas vidas; sobre esse algo nós nos construímos, nos definimos.

Sem que se haja em quê acreditar, o homem perde-se numa imensidão sem respostas ou definições e sua alma se apaga, definha. Não haveria pelo que lutar, nada a construir ou pelo quê viver. Parece que o grande motivador que leva o homem à construção de algo, ao desvendar dos mundos, é sua capacidade especulativa seguida imediatamente por sua capacidade de acreditar e de se apegar a alguma idéia, um norte para o seu caminho.

Embora toda a humanidade seja capaz de acreditar em algo e dependa dessa crença para subsistir, a posição bíblica do que é fé diverge, essencialmente, das demais posições a respeito. Pode-se até atribuir o mesmo nome – fé – mas seus significados não são os mesmos.

Pode-se dizer que o que a fé apresentada na Bíblia tem em comum com a diversidade de fés que a humanidade experimenta diz respeito à capacidade de se acreditar, à crença. Para aproximar-se de Deus, é necessário, em primeiro lugar, acreditar que Ele existe e que galardoa a quem o busca (Hb 11.6), mas isso não corresponde à totalidade da fé.

A fé bíblica, ao contrário das diversas fés do mundo, não é uma habilidade humana, não é uma capacidade sua, inerente, para interagir com o especulativo, sobrenatural, transcendental e metafísico. Ela é uma capacidade que não faz parte de nós, não pertence à nossa natureza, mas é algo que pertence à natureza daquele que dá a nós a fé como um dom (Ef 2.8). Assim se, por meio da fé, interagimos com o mundo espiritual – especificamente com Deus – é porque a fé vem dEle para nós, e não sai de nós no sentido dEle.

A Bíblia revela que estávamos mortos nos nossos pecados (Ef 2.1, 5) e os mortos não podem buscar a Deus (Rm 3.11, 12). Assim, por mais que se possa admitir que toda a humanidade possui um tipo de fé, ela não é aquela fé revelada pelas Escrituras e é inútil como meio de contato com Deus. A “fé” natural dos homens não tem efeito nenhum diante de Deus, sendo apenas uma capacidade humana concernente à graça comum, aquele tipo de dádiva para possibilitar a vida neste mundo – e que talvez tenha algum efeito para diversas práticas religiosas, mas não para a prática da verdadeira religião, o cristianismo bíblico.

A Palavra de Deus, quando é proclamada, é a única formadora da fé que satisfaz a Deus (Rm 10.17) e que estabelece o elo entre Ele e os homens. Cristo é essa Palavra proclamada (Jo 1.1), Ele é o autor e consumador da fé (Hb 12.2), o decreto à vida e a resposta ao seu chamado leva à única resposta possível: a fé, que é um novo viver como filho de Deus (Gl 2.20).

“Porque andamos por fé, e não por vista”(2 Co 5.7).

17/04/2012

Precisamos Novamente de Homens de Deus



http://www.editorafiel.com.br/artigos_detalhes.php?id=4

A.W. Tozer


A igreja, neste momento, precisa de homens, o tipo certo de homens, homens ousados. Afirma-se que necessitamos de avivamento e de um novo movimento do Espírito; Deus, sabe que precisamos de ambas as coisas. Entretanto, Ele não haverá de avivar ratinhos. Não encherá coelhos com seu Espírito Santo.


A igreja suspira por homens que se consideram sacrificáveis na batalha da alma, homens que não podem ser amedrontados pelas ameaças de morte, porque já morreram para as seduções deste mundo. Tais homens estarão livres das compulsões que controlam os homens mais fracos. Não serão forçados a fazer as coisas pelo constrangimento das circunstâncias; sua única compulsão virá do íntimo e do alto.


Esse tipo de liberdade é necessária, se queremos ter novamente, em nossos púlpitos, pregadores cheios de poder, ao invés de mascotes. Esses homens livres servirão a Deus e à humanidade através de motivações elevadas demais, para serem compreendidas pelo grande número de religiosos que hoje entram e saem do santuário. Esse homens jamais tomarão decisões motivados pelo medo, não seguirão nenhum caminho impulsionados pelo desejo de agradar, não ministrarão por causa de condições financeiras, jamais realizarão qualquer ato religioso por simples costume; nem permitirão a si mesmos serem influenciados pelo amor à publicidade ou pelo desejo por boa reputação.


Muito do que a igreja faz em nossos dias, ela o faz porque tem medo de não fazê-lo. Associações de pastores atiram-se em projetos motivados apenas pelo temor de não se envolverem em tais projetos.



Sempre que o seu reconhecimento motivado pelo medo (do tipo que observa o que os outros dizem e fazem) os conduz a crer no que o mundo espera que eles façam, eles o farão na próxima segunda-feira pela manhã, com toda a espécie de zelo ostentoso e demonstração de piedade. A influência constrangedora da opinião pública é quem chama esses profetas, não a voz de Jeová.


A verdadeira igreja jamais sondou as expectativas públicas, antes de se atirar em suas iniciativas. Seus líderes ouviram da parte de Deus e avançaram totalmente independentes do apoio popular ou da falta deste apoio. Eles sabiam que era vontade de Deus e o fizeram, e o povo os seguiu (às vezes em triunfo, porém mais freqüentemente com insultos e perseguição pública); e a recompensa de tais líderes foi a satisfação de estarem certos em um mundo errado.


Outra característica do verdadeiro homem de Deus tem sido o amor. O homem livre, que aprendeu a ouvir a voz de Deus e ousou obedecê-la, sentiu o mesmo fardo moral que partiu os corações dos profetas do Antigo Testamento, esmagou a alma de nosso Senhor Jesus Cristo e arrancou abundantes lágrimas dos apóstolos.

O homem livre jamais foi um tirano religioso, nem procurou exercer senhorio sobre a herança pertencente a Deus. O medo e a falta de segurança pessoal têm levado os homens a esmagarem os seus semelhantes debaixo de seus pés. Esse tipo de homem tinha algum interesse a proteger, alguma posição a assegurar; portanto, exigiu submissão de seus seguidores como garantia de sua própria segurança. Mas o homem livre, jamais; ele nada tem a proteger, nenhuma ambição a perseguir, nenhum inimigo a temer. Por esse motivo, ele é alguém completamente descuidado a respeito de seu prestígio entre os homens. Se o seguirem, muito bem; caso não o sigam, ele nada perde que seja querido ao seu coração; mas, quer ele seja aceito, quer seja rejeitado, continuará amando seu povo com sincera devoção. E somente a morte pode silenciar sua terna intercessão por eles.

Sim, se o cristianismo evangélico tem de permanecer vivo, precisa novamente de homens, o tipo certo de homens. Deverá repudiar os fracotes que não ousam falar o que precisa ser externado; precisa buscar, em oração e muita humildade, o surgimento de homens feitos da mesma qualidade dos profetas e dos antigos mártires. Deus ouvirá os clamores de seu povo, assim como Ele ouviu os clamores de Israel no Egito. Haverá de enviar libertação, ao enviar libertadores. É assim que Ele age entre os homens.


E, quando vierem os libertadores... serão homens de Deus, homens de coragem. Terão Deus ao seu lado, porque serão cuidadosos em permanecer ao lado dEle; serão cooperadores com Cristo e instrumentos nas mãos do Espírito Santo...

16/01/2012

Avivamento genuíno!


A Bíblia chegando ao povo Kimyal from Mero Cristianismo on Vimeo.

Lindíssimo!!
Eis o registro de um avivamento genuíno, notado no amor e numa comoção contagiante por causa do recebimento da Palavra de Deus na língua nativa de um povo que fora evangelizado, mas que ainda não tinha as Escrituras traduzidas para a sua língua local.

05/01/2012

Orfanato

Aprendei a fazer bem; procurai o que é justo; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas. Isaías 1. 17

Hoje estive num abrigo de crianças para adoção e compartilho algumas considerações:

1 - Os bebês que são filhos de usuários de drogas sofrem com crises de abstinência química por aproximadamente 1 ano até serem desintoxicados. Os filhos inocentes pagam caro pelo vício dos pais...

2 - Existe fila de famílias interessadas em adoção e existem muitas crianças à espera de um lar, mas a burocracia da nossa letárgica justiça provoca demora de cerca de 2 anos para que uma criança seja efetivamente adotada. Os bebês crescem nos abrigos, em parte, graças à "eficiente" justiça brasileira. Mas o verdadeiro amor resiste e é perseverante!

3 - Existem muitas opções para ajudar às crianças: doações de roupas, de brinquedos, de produtos de higiene, de serviço voluntário e de carinho sempre são bem-vindos. Pode-se visitar os abrigos para brincar com as crianças, dar-lhes amor e carinho... existe a possibilidade de levar crianças para passearem (isso depois do estabelecimento de uma relação de confiança) e por fim - e melhor de todas - pode-se encontrar num abrigo uma pessoa que encherá o teu coração e, quem sabe, alguém para chamar, definitivamente, de filho.

4 - Talvez (considere isso em tuas orações), o filho ou filha que você tanto deseja pode estar num abrigo para crianças à espera da tua adoção! Sim, existem encontros felizes e sim, milagres existem! Quando existe amor, ele vence sempre!

13/12/2011

Campanha para a diminuição do consumo de bebidas e drogas em festas de final de ano.




Estamos chegando em dias de festas e de férias.

Em meio às festividades existem abusos no consumo de bebidas e drogas e a alegria pode dar lugar à tristeza de forma repentina.

Assista ao vídeo (realista!) clicando no link abaixo e o compartilhe. Talvez consigamos diminuir a incidência dos acidentes que acontecem nas festividades em decorrência dos abusos.

E que a alegria não dê lugar à tristeza repentina...

27/07/2011

Uma reflexão teológica numa carta fictícia sobre a ordenação feminina na Igreja (por Augustus Nicodemus Lopes)

Carta à bispa Evônia (Augustus Nicodemus Lopes)


Augustus Nicodemus Lopes [Nota – é mais uma carta ficticia, gênero que uso como maneira de tornar as minhas idéias mais interessantes para o leitor. Minha esposa não tem (ainda) nenhuma amiga que virou bispa.]

"Minha cara Evônia, Minha esposa me falou do encontro casual que vocês duas tiveram no shopping semana passada. Ela estava muito feliz em rever você e relembrar os tempos do ginásio e da igreja que vocês frequentavam. Aí ela me contou que você foi consagrada pastora e depois bispa desta outra denominação que você tinha começado a frequentar.Ela também me mostrou os e-mails que vocês trocaram sobre este assunto, em que você tenta justificar o fato de ser uma pastora e bispa, já que minha esposa tinha estranhado isto na conversa que vocês tiveram. Ela me pediu para ler e comentar seus argumentos e contra-argumentos.

Não pretendo ofendê-la de maneira nenhuma – nem mesmo conheço você pessoalmente. Mas faço estes comentários para ver se de alguma forma posso ser útil na sua reflexão sobre o ter aceitado o cargo de pastora e de bispa.Acho, para começar, que você ser bispa vem de uma aude de sua comunidade para com as Escrituras, que equivale a considerá-la condicionada à visão patriarcal e machista da época. Ou seja, ela é nossa regra, mas não para todas as coisas. Ao rejeitar o ensinamento da Bíblia sobre liderança, adota-se outro parâmetro, que geralmente é o pensamento e o espírito da época.E é claro, Evônia, que na nossa cultura a mulher – especialmente as inteligentes e dedicadas como você – ocupa todas as posições de liderança disponíveis, desde CEO de empresas a presidência da República – se a Dilma ganhar. Portanto, sem o ensinamento bíblico como âncora, nada mais natural que as igrejas também coloquem em sua liderança presbíteras, pastoras, bispas e apóstolas.Mas, a pergunta que você tem que fazer, Evônia, é o que a Bíblia ensina sobre mulheres assumirem a liderança da igreja e se este ensino se aplica aos nossos dias. Não escondo a minha opinião. Para mim, a liderança da igreja foi entregue pelo Senhor Jesus e por seus apóstolos a homens cristãos qualificados. E este padrão, claramente encontrado na Bíblia, vale como norma para nossos dias, pois se baseia em princípios teológicos e não culturais. Reflita no seguinte.

1. Embora mulheres tenham sido juízas e profetisas (Jz 4.4; 2Re 22.14) em Israel nunca foram ungidas, consagradas e ordenadas como sacerdotisas, para cuidar do serviço sagrado, das coisas de Deus, conduzir o culto no templo e ensinar o povo de Deus, que eram as funções do sacerdote (Ml 2.7). Encontramos profetisas no Novo Testamento, como as filhas de Felipe (At 21.9; 1Co 11.5), mas não encontramos sacerdotisas, isto é, presbíteras, pastoras, bispas, apóstolas. Apelar à Débora e Hulda, como você fez em seu e-mail, prova somente que Deus pode usar mulheres para falar ao seu povo. Não prova que elas tenham que ser ordenadas.

2. Você disse à minha esposa que Jesus não escolheu mulheres para apóstolas porque ele não queria escandalizar a sociedade machista de sua época. Será, Evônia? O Senhor Jesus rompeu com vários paradigmas culturais de sua época. Ele falou com mulheres (Jo 8.10-11), inclusive com samaritanas (Jo 4.7), quebrou o sábado (Jo 5.18), as leis da dieta religiosa dos judeus (Mt 7.2), relacionou-se com gentios (Mt 4.15). Se ele achasse que era a coisa certa a fazer, certamente teria escolhido mulheres para constar entre os doze apóstolos que nomeou. Mas, não o fez, apesar de ter em sua companhia mulheres que o seguiam e serviam, como Maria Madalena, Marta e Maria sua irmã (Lc 8.1-2).

3. Por falar nisto, lembre também que os apóstolos, por sua vez, quando tiveram a chance de incluir uma mulher no círculo apostólico em lugar de Judas, escolheram um homem, Matias (At 1.26), mesmo que houvesse mulheres proeminentes na assembléia, como a própria Maria, mãe de Jesus (At 1.14-15) – que escolha mais lógica do que ela? E mais tarde, quando resolveram criar um grupo que cuidasse das viúvas da igreja, determinaram que fossem escolhidos sete homens, quando o natural e cultural seria supor que as viúvas seriam mais bem atendidas por outras mulheres (Atos 6.1-7).

4. Tem mais. Nas instruções que deram às igrejas sobre presbíteros e diáconos, os apóstolos determinaram que eles deveriam ser marido de uma só mulher e deveriam governar bem a casa deles – obviamente eles tinham em mente homens cristãos (1Tm 3.2,12; Tt 1.6) e não mulheres, ainda que capazes, piedosas e dedicadas, como você. E mesmo que reconhecessem o importante e crucial papel da mulher cristã no bom andamento das igrejas, não as colocaram na liderança das comunidades, proibindo que elas ensinassem com a autoridade que era própria do homem (1Tm 2.12), que participassem na inquirição dos profetas, o que poderia levar à aparência de que estavam exercendo autoridade sobre o homem (1Co 14.29-35). Eles também estabeleceram que o homem é o cabeça da mulher (1Co 11.3; Ef 5.23), uma ogia que claramente atribui ao homem o papel de liderança.

5. Você retrucou à minha esposa na troca de e-mails que nenhuma destas passagens se aplica hoje, pois são culturais. Mas, será, Evônia, que estas orientações foram resultado da influência da cultura patriarcalista e machista daquela época nos autores bíblicos? Tomemos Paulo, por exemplo. Será que ele era mesmo um machista, que tinha problemas com as mulheres e suspeitava que elas viviam constantemente tramando para assumir a liderança das igrejas que ele fundou, como você argumentou? Será que um machista deste tipo diria que as mulheres têm direito ao seu próprio marido, que elas têm direitos uais iguais ao homem, bem como o direito de separar-se quando o marido resolve abandoná-la? (1Co 7.2-4,15) Um machista determinaria que os homens deveriam amar a própria esposa como amavam a si mesmos? (Ef 5.28,33). Um machista se referiria a uma mulher admitindo que ela tinha sido sua protetora, como Paulo o faz com Febe (Rm 16.1-2)?

6. Agora, se Paulo foi realmente influenciado pela cultura de sua época ao proibir as mulheres de assumir a liderança das igrejas, o que me impede de pensar que a mesma coisa aconteceu quando ele ensinou, por exemplo, que o homosualismo é uma distorção da natureza acarretada pelo abandono de Deus (Rm 1.24-28) e que os sodomitas e efeminados não herdarão o Reino de Deus (1Co 6.9-11)? Você defende também, Evônia, que estas passagens são culturais e que se Paulo vivesse hoje teria outra opinião sobre a homosualidade? Pergunto isto pois em outras igrejas este argumento está sendo usado.

7. Tem mais, se você ainda tiver um tempinho para me ouvir. As alegações apostólicas não me soam culturais. Paulo argumenta que o homem é o cabeça da mulher a partir de um encadeamento hierárquico que tem início em Deus Pai, descendo pelo Filho, pelo homem e chegando até a mulher (1Co 11.3).[1] Este argumento me parece bem teológico, como aquele que faz uma ogia entre marido e mulher e Cristo e a igreja, “o marido é o cabeça da mulher como Cristo é o cabeça da igreja” (Ef 5.23).

Não consigo imaginar uma ogia mais teológica do que esta para estabelecer a liderança masculina. E quando Paulo restringe a participação da mulher no ensino autoritativo –que é próprio do homem – argumenta a partir do relato da criação e da queda (1Tm 2.12-14).[2]8. Você já deve ter percebido que para legitimar sua posição como bispa você teve que dar um jeito neste padrão de liderança exclusiva masculina que é claramente ensinado na Bíblia e na ausência de evidências de que mulheres assumiram esta liderança. Não tem como aceitar ser bispa e ao mesmo tempo manter que a Bíblia toda é a Palavra de Deus para nossos dias. E foi assim que você adotou esta postura de dizer que a liderança exclusiva masculina é resultado da cosmovisão patriarcal e machista dos autores do Antigo e Novo Testamentos, e que portanto não pode ser mais usada em nossos dias, quando os tempos mudaram, e as mulheres se emanciparam e passaram a assumir a liderança em todas as áreas da vida. Em outras palavras, como você mesmo confirmou em seu e-mail, a Bíblia é para você um livro culturalmente condicionado e só devemos aplicar dele aquelas partes que estão em harmonia e consenso com nossa própria cultura. Eu sei que você não disse isto com estas exatas palavras, mas a impressão que fica é que você considera a Bíblia como retrógrada e ultrapassada e que o modelo de liderança que ela ensina não serve de paradigma para a liderança moderna da Igreja de Cristo.Quando se chega a este nível, então, para mim, a porta está aberta para a entrada de qualquer coisa que seja aceitável em nossa cultura, mesmo que seja condenada nas Escrituras. Como você poderá, como bispa, responder biblicamente aos jovens de sua igreja que disserem que o casamento está ultrapassado e que o antes do casamento é normal e mesmo o relacionamento homosual? Como você vai orientar biblicamente aquele casal que acha normal terem casos fora do casamento, desde que estejam de acordo entre eles, e que acham que adultério é alguma coisa do passado?Sabe Evônia, você e a sua comunidade não estão sozinhas nessa distorção. Na realidade esse pensamento é também popularizado por seminários de denominações tradicionais e professores de Bíblia que passaram a questionar a infalibilidade das Escrituras, utilizando o método histórico crítico, ensinando em sala de aula que Paulo e os demais autores do Novo Testamento foram influenciados pela visão patriarcal e machista do mundo da época deles. Só podia dar nisso… na hora que os pastores, presbíteros e as próprias igrejas relativizam o ensino das Escrituras, considerando-o preso ao séc. I e irremediavelmente condicionado à visão de mundo antiga, a igreja perde o referencial, o parâmetro, o norte, o prumo – e como ninguém vive sem estas coisas, elege a cultura como guia.

Termino reiterando meu apreço e respeito por você como mulher cristã e pedindo desculpas se não posso me dirigir a você, em nossa correspondência pessoal, como “bispa” Evônia. Espero que meus motivos tenham ficado claros.
Um abraço, Augustus"

_____________NOTAS [1] Esse encadeamento hierárquico se refere à economia da Trindade e trata das diferentes funções assumidas pelas Pessoas da Trindade na salvação do homem. Ontologicamente, Pai, Filho e Espírito Santo são iguais em honra, glória, poder, majestade, como afirmam nossas confissões reformadas.[2] Veja minha interpretação desta passagem e de outras no artigo da Fides Reformata “Ordenação Feminina”. Por Augustus Nicodemus Lopes. Website: tempora-mores.blo.com

03/04/2011

Efeitos de uma abordagem sensacionalista da religião provocados por um pastor irresponsável.


Um polêmico pastor evangélico americano queimou um exemplar do Alcorão na noite de domingo (27/03/2011) em uma igreja de Gainesville, Flórida, ato que havia desistido de executar há alguns meses após as reações no mundo muçulmano.

O pastor Terry Jones programou um “julgamento” dentro de sua igreja, no qual o livro sagrado muçulmano foi declarado “culpado” de várias acusações, entre elas assassinato. Em seguida a pena foi executada: o exemplar foi queimado.

O livro foi molhado com querosene e colocado em um recipiente de metal no centro do templo da igreja “Dove World Outreach Center”. O exemplar queimou por 10 minutos.

“Tentamos dar ao mundo muçulmano uma oportunidade de defesa de seu livro”, disse o pastor Terry Jones.

O religioso disse ainda que o evento foi um sucesso e uma “experiência daquelas que temos uma vez na vida”.

Em setembro de 2010, Jones despertou a atenção mundial por seu plano de queimar 200 exemplares do Alcorão em sua igreja no aniversário dos atentados terroristas de 11 de setembro nos Estados Unidos.

Após as fortes reações no mundo muçulmano e das críticas de líderes internacionais, incluindo o presidente americano Barack Obama, Jones desistiu da ideia e afirmou que nunca mais voltaria a tentar queimar um Alcorão.

Fonte: AFP


P.S – o “pastor”Jones acabou ganhando um carro 0 Km como prêmio (de um empresário) pela desistência desse ato insano na época, além de uma grande publicidade. Na ocasião, alguns aiatolás do Irã, afirmaram que quem queimar o Alcorão deveria ser morto. Ficou no ar uma promessa de retaliação pela afronta, caso fosse feita...


Os efeitos da ousadia do “pastor” Terry Jones:


Nove pessoas morreram neste sábado em Candahar em novos protestos contra a recente queima de um exemplar do Corão nos Estados Unidos, um dia depois da morte de sete funcionários da ONU no ataque mais violento contra as Nações Unidas desde a invasão do Afeganistão em 2001.

Os protestos deste sábado começaram no centro de Candahar (sul do Afeganistão) e se ampliaram a outros pontos. A polícia enfrentou os manifestantes, que seguiam para os escritórios da ONU e para os edifícios do governo provincial.


"Hoje, como resultado das violentas manifestações em Kandahar, 73 pessoas ficaram feridas e nove morreram", afirma um comunicado da administração local.

"Às 9h (1h30 de Brasília) teve início uma manifestação pacífica contra a queima do Corão nos Estados Unidos. Elementos destrutivos se infiltraram entre a multidão e tentaram gerar violência", declarou à AFP Zalmai Ayubi, porta-voz do governo de Kandahar.

Todos os mortos e feridos são manifestantes. Além disso, 17 pessoas foram detidas.

Os manifestantes atacaram edifícios públicos e privados, e incendiaram veículos.

Na sexta-feira, sete funcionários estrangeiros da ONU, quatro guardas nepaleses e três europeus, morreram em um protesto similar na cidade de Mazar-i-Sharif, norte do país.

Os talibãs assumiram a reponsabilidade do ataque, no qual parte do complexo da ONU foi incendiado.

O governador da província de Balj, Ata Mohammad Noor, informou que outras cinco pessoas, supostamente manifestantes, morreram e pelo menos 20 ficaram feridas. Vinte foram detidas.

Os protestos foram motivados pela queima de um exemplar do Corão no Dove World Outreach Center, uma igreja evangélica de Gainesville, Flórida, no dia 20 de março.

O pastor Terry Jones, líder da igreja, afirmou: "Não nos sentimos responsáveis pelo ataque, porque os elementos radicais do islã estão usando [a queima] como desculpar para promover suas atividades violentas".

...

Comentário:

Os países islâmicos em geral costumam ser intolerantes com as pessoas que professam alguma fé diferente da islâmica, em especial com os cristãos e judeus por causa da associação com a cultura ocidental que é por eles rejeitada. Contudo, os judeus não são praticantes da propagação de sua fé, ao contrário dos cristãos que se dedicam em missões evangelísticas por todo o mundo e, por isso, promovem conversões. Assim, os cristãos não raramente são hostilizados das mais diversas formas nesses países islâmicos por serem considerados traidores, sendo que normalmente as autoridades fazem pouco caso da violência praticada contra os cristãos.

No Afeganistão a tensão é agravada por causa de sua história recente de conflitos internos, de miséria, de guerras e do caos social refreado por forças políticas externas como os EUA que impõem um tipo de paz através de um controle indesejado por muitos. Em tempos de crise, a religião é reforçada por causa do seu uso por parte de líderes visionários e como válvula de escape diante do caos. Neste contexto, os afegãos convivem à força com missões de paz oriundas do inimigo, como é a ONU e ainda são ofendidos por um líder da religião odiada (cristã) por ser a religião do país opressor odiado (EUA). E foi de lá que o pastor ofensor se empenhou em sua odiosa empreitada ao queimar o livro sagrado dos muçulmanos.

Estupidez!

Atos como esse só evidenciam arrogância e produzem reações violentas. Além da destruição do prédio da ONU no Afeganistão com o assassinato de seus funcionários, as conseqüências da ofensa praticada pelo pastor tem sido vistas em diversas manifestações ao redor do mundo e provavelmente não serão vistas por muitas pessoas, nem na grande mídia, mas reais, no acirramento das perseguições religiosas internas, especialmente aos cristãos que sobrevivem dentro dos países islâmicos. Provavelmente este é o lado que mais sofrerá por causa da ousadia de um estúpido que desafiou os muçulmanos para que outros arquem com as conseqüências.


 
Queimar o alcorão não pode, eu concordo. É desrespeito.
Pior do que queimar um livro é queimar pessoas por preferirem o ensino de um outro livro...

(A foto acima é de uma mãe e um filho cristãos queimados vivos no Paquistão por muçulmanos).

23/02/2011

A crise religiosa do nosso tempo e a posição da Igreja a respeito.


Tenho visto muitas publicações em blogs e artigos sobre o decadente cenário evangélico, especialmente o cenário brasileiro e a respeito disso eu tenho algumas considerações:

Estou cansado de simplesmente concordarmos que a situação é lamentável. Isto já está claro e não se espantem, a tendência é a coisa ir de mal a pior. A farofada dos apóstolos modernos e seus pequenos feudos (pseudo-reinos deste mundo), a falta de noção de muitos acerca do que é igreja e do que é ser cristão não pode minar as forças e a atuação da verdadeira igreja dos verdadeiros crentes.

Se a situação do nosso tempo é crítica, deve-se ressaltar que fomos inseridos neste tempo presente pelo próprio Deus, então eu pergunto: ficaremos apenas choramingando, compartilhando nossas impressões e conhecimentos ou iremos à ação, mostrando ao mundo esse poder transformador que a igreja de fato tem?

Assim, meus irmãos, eu proponho que nos mobilizemos à oração, ao estudo sério das Escrituras sagradas, ao seu ensino, á pregação do Evangelho e mais ainda: proponho que nos desprendamos dos valores e bens mundanos a fim de nos empenharmos por meio de doações de recursos e de trabalho efetivo às causas de resgate do ser humano, seja na área espiritual por meio da pregação da Verdade, seja por ações sociais em que exercemos misericórdia, seja como profetas anunciando o parecer divino acerca das verdades das escrituras que apontam a justiça e a misericórdia diante do erro humano em diversas esferas, especialmente onde se pratica a injustiça - nesses lugares, quaisquer que sejam, nós, por causa do fato de sermos igreja e portadores do dom divino, somos necessários (somos nós quem levamos a luz de Cristo e por sermos o seu corpo, quando estendemos nossa mão é Ele quem o faz). Precisamos investir na recuperação de pessoas e na sua dignidade, precisamos investir em meios para isso, tais como casas de recuperação, abrigos para pessoas desamparadas, lugares onde se exercita o amor sem que se queira algo em troca. Precisamos minimizar nossas diferenças acerca de opiniões teológicas diversas e valorizar mais o que temos em comum: a fé no Senhor Jesus Cristo e a entrega à sua vontade.

Meus irmãos, que nossa união extrapole os limites dominacionais, aliás, se a dominação for um empecilho ao avanço do Reino, "às favas" a denominação! Que estejamos dispostos a dar, não apenas os nossos recursos, não apenas o nosso coração, mas a nossa vida inteira a serviço do Reino, que está "em construção" por obra de Cristo, por obra da Igreja de Cristo - o seu corpo, o meio pelo qual Ele age.

Não precisamos construir grandes igrejas, embora precisemos de muitas igrejas espalhadas estrategicamente por todas as regiões; o que mais precisamos é de encher o mundo com o nosso trabalho e evidenciarmos a luz que em nós já brilha. Precisamos entrar gentilmente nas casas para levarmos o amor de Deus às famílias, precisamos atuar em escolas e criar nossas próprias escolas para atender sem interesse àqueles que querem aprender e dar às crianças a possibilidade de um futuro digno e aos adultos carentes de conhecimento o conhecimento necessário à uma vida digna; precisamos entrar nos hospitais e nos presídios para levar a essas pessoas o amor de Cristo, sua consolação e o seu perdão; precisamos dar abrigo e alimento aos necessitados sem fazer os julgamentos prévios que estamos tão acostumados a fazer, pois Cristo nos amou sendo nós ainda dominados pelo pecado; precisamos compartilhar o amor de Deus com todos os que Deus, por sua sábia providência, nos der para amar.

Como se combate o mal senão fazendo o bem? E se o nosso tempo está sendo marcado pela prática da iniquidade, falta-lhe a justa medida da prática das obras da Graça, coisas que somente a Igreja pode fazer.

Então, você aí que está triste com a situação atual, vai ficar reclamando apenas ou vai se empenhar na prática do amor cristão?