A nós cabe orar e perseverar em oração, e isso em obediência ao próprio Deus que requer dos crentes que orem. Mas isso não obriga a Deus, que é soberano, a agir em resposta às nossas orações e súplicas. Deus age conforme a sua livre e soberana vontade, quando e se quiser. Contudo Ele não pode se contradizer. Portanto, embora a prática de orações seja um meio de graça que é ensinado na Bíblia e ordenadas por Deus, isso não significa que Deus dê ou faça o que lhe pedimos e, por isso, na caminhada de fé dos crentes, sejam nos tempos bíblicos ou nos nossos tempos, estão previstos tempos de provações, de travessias em desertos e de sensação provisória de desolação, mas, ainda que não vejamos a providência de Deus ou sintamos o seu cuidado ou presença, o fato é que Ele jamais deixa de ser o cuidador dos seus filhos.
Então, em tempos de aparente silêncio da parte de Deus em resposta às orações dos crentes, provavelmente não estamos vendo o que gostaríamos de ver, mas também não estamos atentos a todo o bem que o Deus que ouve as orações dos seus filhos tem feito, e isso ininterruptamente. Por vezes tiramos nossos olhos e fé da obra consumada pelo Senhor Jesus na cruz para perdermos o olhar em outras coisas. A obra da salvação, segura e completa, não pode ser perdida. Constantemente não vemos a quantidade de livramentos e de bençãos que nem percebemos, e aconteceram sem que tomemos ciência. Quantas vezes o perdão real de Deus sobre nossos inúmeros pecados impediu que consequências ruins que seriam justas nos sobreviessem? Quantas vezes a multiforme graça de Deus nos abrigou em alegrias, consolações e dádivas que nem percebemos e tratamos essas coisas como comuns do dia-a-dia? Deus é e age no invisível, mas está sempre lá, mesmo quando na nossa pequenez e teimosia reclamamos da sua impossível ausência. A solidão e o silêncio no deserto ou a sensação momentânea de estar à deriva, mas sempre com Deus, é apenas parte de uma bem-aventurada jornada para as glórias prometidas do porvir.
