03/04/2011

Efeitos de uma abordagem sensacionalista da religião provocados por um pastor irresponsável.


Um polêmico pastor evangélico americano queimou um exemplar do Alcorão na noite de domingo (27/03/2011) em uma igreja de Gainesville, Flórida, ato que havia desistido de executar há alguns meses após as reações no mundo muçulmano.

O pastor Terry Jones programou um “julgamento” dentro de sua igreja, no qual o livro sagrado muçulmano foi declarado “culpado” de várias acusações, entre elas assassinato. Em seguida a pena foi executada: o exemplar foi queimado.

O livro foi molhado com querosene e colocado em um recipiente de metal no centro do templo da igreja “Dove World Outreach Center”. O exemplar queimou por 10 minutos.

“Tentamos dar ao mundo muçulmano uma oportunidade de defesa de seu livro”, disse o pastor Terry Jones.

O religioso disse ainda que o evento foi um sucesso e uma “experiência daquelas que temos uma vez na vida”.

Em setembro de 2010, Jones despertou a atenção mundial por seu plano de queimar 200 exemplares do Alcorão em sua igreja no aniversário dos atentados terroristas de 11 de setembro nos Estados Unidos.

Após as fortes reações no mundo muçulmano e das críticas de líderes internacionais, incluindo o presidente americano Barack Obama, Jones desistiu da ideia e afirmou que nunca mais voltaria a tentar queimar um Alcorão.

Fonte: AFP


P.S – o “pastor”Jones acabou ganhando um carro 0 Km como prêmio (de um empresário) pela desistência desse ato insano na época, além de uma grande publicidade. Na ocasião, alguns aiatolás do Irã, afirmaram que quem queimar o Alcorão deveria ser morto. Ficou no ar uma promessa de retaliação pela afronta, caso fosse feita...


Os efeitos da ousadia do “pastor” Terry Jones:


Nove pessoas morreram neste sábado em Candahar em novos protestos contra a recente queima de um exemplar do Corão nos Estados Unidos, um dia depois da morte de sete funcionários da ONU no ataque mais violento contra as Nações Unidas desde a invasão do Afeganistão em 2001.

Os protestos deste sábado começaram no centro de Candahar (sul do Afeganistão) e se ampliaram a outros pontos. A polícia enfrentou os manifestantes, que seguiam para os escritórios da ONU e para os edifícios do governo provincial.


"Hoje, como resultado das violentas manifestações em Kandahar, 73 pessoas ficaram feridas e nove morreram", afirma um comunicado da administração local.

"Às 9h (1h30 de Brasília) teve início uma manifestação pacífica contra a queima do Corão nos Estados Unidos. Elementos destrutivos se infiltraram entre a multidão e tentaram gerar violência", declarou à AFP Zalmai Ayubi, porta-voz do governo de Kandahar.

Todos os mortos e feridos são manifestantes. Além disso, 17 pessoas foram detidas.

Os manifestantes atacaram edifícios públicos e privados, e incendiaram veículos.

Na sexta-feira, sete funcionários estrangeiros da ONU, quatro guardas nepaleses e três europeus, morreram em um protesto similar na cidade de Mazar-i-Sharif, norte do país.

Os talibãs assumiram a reponsabilidade do ataque, no qual parte do complexo da ONU foi incendiado.

O governador da província de Balj, Ata Mohammad Noor, informou que outras cinco pessoas, supostamente manifestantes, morreram e pelo menos 20 ficaram feridas. Vinte foram detidas.

Os protestos foram motivados pela queima de um exemplar do Corão no Dove World Outreach Center, uma igreja evangélica de Gainesville, Flórida, no dia 20 de março.

O pastor Terry Jones, líder da igreja, afirmou: "Não nos sentimos responsáveis pelo ataque, porque os elementos radicais do islã estão usando [a queima] como desculpar para promover suas atividades violentas".

...

Comentário:

Os países islâmicos em geral costumam ser intolerantes com as pessoas que professam alguma fé diferente da islâmica, em especial com os cristãos e judeus por causa da associação com a cultura ocidental que é por eles rejeitada. Contudo, os judeus não são praticantes da propagação de sua fé, ao contrário dos cristãos que se dedicam em missões evangelísticas por todo o mundo e, por isso, promovem conversões. Assim, os cristãos não raramente são hostilizados das mais diversas formas nesses países islâmicos por serem considerados traidores, sendo que normalmente as autoridades fazem pouco caso da violência praticada contra os cristãos.

No Afeganistão a tensão é agravada por causa de sua história recente de conflitos internos, de miséria, de guerras e do caos social refreado por forças políticas externas como os EUA que impõem um tipo de paz através de um controle indesejado por muitos. Em tempos de crise, a religião é reforçada por causa do seu uso por parte de líderes visionários e como válvula de escape diante do caos. Neste contexto, os afegãos convivem à força com missões de paz oriundas do inimigo, como é a ONU e ainda são ofendidos por um líder da religião odiada (cristã) por ser a religião do país opressor odiado (EUA). E foi de lá que o pastor ofensor se empenhou em sua odiosa empreitada ao queimar o livro sagrado dos muçulmanos.

Estupidez!

Atos como esse só evidenciam arrogância e produzem reações violentas. Além da destruição do prédio da ONU no Afeganistão com o assassinato de seus funcionários, as conseqüências da ofensa praticada pelo pastor tem sido vistas em diversas manifestações ao redor do mundo e provavelmente não serão vistas por muitas pessoas, nem na grande mídia, mas reais, no acirramento das perseguições religiosas internas, especialmente aos cristãos que sobrevivem dentro dos países islâmicos. Provavelmente este é o lado que mais sofrerá por causa da ousadia de um estúpido que desafiou os muçulmanos para que outros arquem com as conseqüências.


 
Queimar o alcorão não pode, eu concordo. É desrespeito.
Pior do que queimar um livro é queimar pessoas por preferirem o ensino de um outro livro...

(A foto acima é de uma mãe e um filho cristãos queimados vivos no Paquistão por muçulmanos).

23/02/2011

A crise religiosa do nosso tempo e a posição da Igreja a respeito.


Tenho visto muitas publicações em blogs e artigos sobre o decadente cenário evangélico, especialmente o cenário brasileiro e a respeito disso eu tenho algumas considerações:

Estou cansado de simplesmente concordarmos que a situação é lamentável. Isto já está claro e não se espantem, a tendência é a coisa ir de mal a pior. A farofada dos apóstolos modernos e seus pequenos feudos (pseudo-reinos deste mundo), a falta de noção de muitos acerca do que é igreja e do que é ser cristão não pode minar as forças e a atuação da verdadeira igreja dos verdadeiros crentes.

Se a situação do nosso tempo é crítica, deve-se ressaltar que fomos inseridos neste tempo presente pelo próprio Deus, então eu pergunto: ficaremos apenas choramingando, compartilhando nossas impressões e conhecimentos ou iremos à ação, mostrando ao mundo esse poder transformador que a igreja de fato tem?

Assim, meus irmãos, eu proponho que nos mobilizemos à oração, ao estudo sério das Escrituras sagradas, ao seu ensino, á pregação do Evangelho e mais ainda: proponho que nos desprendamos dos valores e bens mundanos a fim de nos empenharmos por meio de doações de recursos e de trabalho efetivo às causas de resgate do ser humano, seja na área espiritual por meio da pregação da Verdade, seja por ações sociais em que exercemos misericórdia, seja como profetas anunciando o parecer divino acerca das verdades das escrituras que apontam a justiça e a misericórdia diante do erro humano em diversas esferas, especialmente onde se pratica a injustiça - nesses lugares, quaisquer que sejam, nós, por causa do fato de sermos igreja e portadores do dom divino, somos necessários (somos nós quem levamos a luz de Cristo e por sermos o seu corpo, quando estendemos nossa mão é Ele quem o faz). Precisamos investir na recuperação de pessoas e na sua dignidade, precisamos investir em meios para isso, tais como casas de recuperação, abrigos para pessoas desamparadas, lugares onde se exercita o amor sem que se queira algo em troca. Precisamos minimizar nossas diferenças acerca de opiniões teológicas diversas e valorizar mais o que temos em comum: a fé no Senhor Jesus Cristo e a entrega à sua vontade.

Meus irmãos, que nossa união extrapole os limites dominacionais, aliás, se a dominação for um empecilho ao avanço do Reino, "às favas" a denominação! Que estejamos dispostos a dar, não apenas os nossos recursos, não apenas o nosso coração, mas a nossa vida inteira a serviço do Reino, que está "em construção" por obra de Cristo, por obra da Igreja de Cristo - o seu corpo, o meio pelo qual Ele age.

Não precisamos construir grandes igrejas, embora precisemos de muitas igrejas espalhadas estrategicamente por todas as regiões; o que mais precisamos é de encher o mundo com o nosso trabalho e evidenciarmos a luz que em nós já brilha. Precisamos entrar gentilmente nas casas para levarmos o amor de Deus às famílias, precisamos atuar em escolas e criar nossas próprias escolas para atender sem interesse àqueles que querem aprender e dar às crianças a possibilidade de um futuro digno e aos adultos carentes de conhecimento o conhecimento necessário à uma vida digna; precisamos entrar nos hospitais e nos presídios para levar a essas pessoas o amor de Cristo, sua consolação e o seu perdão; precisamos dar abrigo e alimento aos necessitados sem fazer os julgamentos prévios que estamos tão acostumados a fazer, pois Cristo nos amou sendo nós ainda dominados pelo pecado; precisamos compartilhar o amor de Deus com todos os que Deus, por sua sábia providência, nos der para amar.

Como se combate o mal senão fazendo o bem? E se o nosso tempo está sendo marcado pela prática da iniquidade, falta-lhe a justa medida da prática das obras da Graça, coisas que somente a Igreja pode fazer.

Então, você aí que está triste com a situação atual, vai ficar reclamando apenas ou vai se empenhar na prática do amor cristão?

12/09/2010

Depressão espiritual


O termo depressão normalmente é utilizado para nomear um estado psicológico de profunda e persistente tristeza sem que haja um motivo suficientemente capaz para provocá-lo. Quem sofre deste mal sente um profundo abatimento em suas vontades e é dominado por uma duradoura melancolia, capaz de comprometer sua qualidade de vida, sua produtividade, seus relacionamentos e até mesmo a continuidade da vida.

A psicologia e a medicina têm classificado a depressão como uma doença física, de natureza neurológica. Trata-se de uma deficiência hormonal que deve ser tratada como qualquer outra doença que exige acompanhamento médico e o uso de medicamentos. Fazendo-se assim, a depressão pode ser controlada.

A depressão tem sido chamada de a doença do século e estima-se que estamos diante de uma epidemia global, cujas causas estariam associadas ao tipo de vida nas sociedades modernas, marcadas pelo estresse, melo materialismo, pelo individualismo, pela solidão, pelo sedentarismo e pela falta de espiritualidade.

Contudo, no ambiente da espiritualidade os índices de depressão são bastante altos. Estima-se que um alto percentual de pastores evangélicos, por exemplo, sofram de depressão.

E quais seriam as razões para a depressão num ambiente espiritual e cristão, onde fala-se de vida abundante, de paz, de amor e de salvação, coisas incompatíveis à uma tristeza duradoura como a depressão? O estresse de uma vida sobrecarregada, um materialismo escravizante, um individualismo que subsiste mesmo onde deveria existir a comunhão, a solidão mesmo quando congregado, o sedentarismo espiritual das poucas realizações espirituais e a falta de espiritualidade na prática cristã.

Tais coisas podem resultar em decepção. Uma fé norteada por altos ideais contrastada com uma vida medíocre, de constantes altos e baixos, irregular. Uma cansável caminhada rumo à construção de algo que quase não progride ao longo dos anos. Uma fé refreada por realidades que mais parecem um balde de água fria jogado sobre uma pequena fogueira que insiste em queimar. Uma fé sufocada pelo ambiente das igrejas institucionalizadas que engessam a realização de um viver compatível com o Glorioso. Uma fé refreada por uma abordagem falsamente espiritualizada de realidades óbvias que as Escrituras apresentam, como por exemplo a urgente necessidade de servir a quem precisa, dando-lhes pão, abrigo, alimento e amor - ora, não queremos maltrapilhos em nossas igrejas... -  "espiritualização" essa que visa o contentamento com a inércia e a apatia: para realizar coisas maiores temos antes que fazer as menores... antes de sermos uma bênção para os de fora temos que o ser para os de dentro de casa... e como tropeçamos na nossa lição de casa, não nos atrevemos nas demais coisas.

Para ilustrar isso, tiramos "lições" espiritualescas de trechos como a parábola do bom Samaritano, onde são exaltadas as hipotéticas lições morais da boa motivação deixando de lado o real sentido do texto: a ação não importando de quem por quem, simplesmente a ação. O texto diz: faça! E o texto também diz nas entrelinhas: o que faz não está à altura do seu trabalho por ser sempre imperfeito, pois quem agiu bem foi o indigno samaritano... (indigno na concepção dos ouvintes dessa história dita por Jesus - os Farizeus)

É claro que a motivação cristã visa a glória a Deus, mas ao "espiritualizarmos" tal relação, fazendo com que antes sejam cumpridas certas exigências morais e restringindo a ação a círculos íntimos e pequenos de relacionamentos, o que se segue é uma igreja fraca, incapaz de interagir com a hostilidade exterior, incapaz de impor sua voz entre os muitos discursos proferidos neste mundo, com medo e acuada, incapaz inclusive de fazer alguma coisa pelo único e invisível mendigo que amanheceu encolhido na calçada da igreja e que permaneceu ali mesmo depois do programa religioso cujo tema foi "o serviço cristão"... "ah, mas ele não é membro da igreja e não temos com ele dever nenhum por isso!" diria um "piedoso" que me faria pensar que Jesus esqueceu de relatar que o Samaritano, antes de agir, teria pedido as credenciais e as referências do ajudado.

Cumprimos a Lei no que fazemos. Somos espirituais no que fazemos.

Depressão, causada por desgosto e cansaço. Por não saber o que e como fazer. Por sentir-se perdido em pleno caminho da salvação. Por não ter coragem de estender mãos a Deus e oferecer-lhes os escassos frutos da fé. Por não admirar as obras daqueles que se dizem andar na luz e que pertencem, na verdade, a um tipo de clube que visa uma vida de elevado padrão moral mas de decadente prática espiritual, onde se dá valor aos privilégios barganhados, onde se teme as opiniões divergentes e qualquer tipo de crítica, onde existe o medo de dividir o que se tem e por isso é feita a escolha criteriosa dos seus pares, que precisam cumprir certas premissas, que não devem carecer de coisa alguma e que sejam submissos a certas regras sociais que foram erroneamente canonizadas para que se tenha uma roupagem sagrada no que é, na verdade, um sepulcro caiado. Homogeneidade, uniformidade e esterilidade. Mas existe esperança!

Vejo Jesus escolhendo pessoas muitíssimo diferentes umas das outras para aprenderem com Ele como viver de modo que dignifique a Deus. Vejo Jesus dando tudo de si a pessoas indignas da sua Graça. Vejo Jesus tomando partido pelos que sofrem, pelos perdidos, pelos orpimidos. Vejo Jesus se opondo ferozmente aos poderes opressores tanto humanos como espirituais e enfrentando-os até a morte na cruz. Vejo Jesus pagando um alto preço por aquilo que Ele sabia que era a sua missão. Vejo Jesus sozinho. Vejo Jesus vencendo a tudo e a todos. Vejo Jesus sendo seguido por pouquíssimas pessoas hoje ao passo que muitíssimos invocam o seu nome.

Mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças, apesar de muitas vezes serem semelhantes ao triste profeta Jeremias que chorava pela desolação que o cercava.

Essa depressão é melhor que a utopia dos que vivem sonhos mentirosos, é melhor do que o esconderijo dos medrosos, é melhor do que os palácios de areia dos arrogantes mas, ainda assim, é um estado danoso para quem a sofre.

Que aos tristes por tal situação da Igreja e do mundo, aqueles que realmente esperam em Deus, que sobre eles sopre aquela mesma brisa que sobreveio a Elias nos dias em que uma profunda desilusão o tomou. A brisa dos braços fortes do Pai e sua voz suave e poderosa, reconfortando e dando o devido ânimo para o prosseguimento na missão do Reino. O Reino do vitorioso Senhor Jesus.

04/08/2010

Sobre a nossa liturgia.


A liturgia verdadeira de uma igreja verdadeira foca somente na glória de Deus por meio da vitória do Cristo ressurreto sobre a maldição da cruz. O centro do culto da igreja primitiva era a ressurreição do Senhor Jesus Cristo e isso me leva a considerar alguns contrastes com o nosso serviço religioso. A quem queremos servir?

Considero importante, porque as Escrituras assim o consideram, a formação de um caráter bíblico, cristão. Mas esses assuntos importantes e bíblicos são assuntos dos homens e devem ser tratados em ocasiões oportunas, sejam em estudos, sejam em confraternizações, seja na comunhão que os crentes devem nutrir ou até mesmo em certos momentos específicos em que a explanação da Palavra durante o culto assim apontar; mas não na totalidade do culto, pois no culto o que se deve fazer é adoração à Deus e esse deve ser um momento sublime de atos sublimes em que a humanidade e suas questões se humilham, se prostram, reverenciam, adoram, contemplam e louvam a Deus. No culto que o homem e suas questões sejam diminuídas diante da ênfase e evidência da glória daquele que é cultuado e que é digno.

Mas não tem sido assim conosco.

Em nossos cultos nos esforçamos para contagiar e conquistar nossa platéia. Estamos preocupados em prestar um bom serviço aos nossos ouvintes e gostamos de ostentar nossa capacidade intelectual ou qualidades morais. É o homem e não Deus o assunto central da nossa liturgia.

Se somente o Espírito Santo é capaz de conduzir as pessoas à verdadeira adoração, então por quê nos utilizamos de artifícios meramente humanos com o intuito de produzir alguma reação religiosa? Não seria isso o pecado da idolatria, a tentativa humana de produzir algo que somente o próprio Deus pode produzir: adoração? Por que nossas canções, quase sempre cantadas na primeira pessoa do singular, são tão focadas no homem? Por que gastamos tanto do que deveria ser culto para tratar de lutas e de desejos humanos? Por que não são as Escrituras em si, mas as lições que dela são derivadas e que são ricamente ilustradas que valorizamos? Por que valorizamos mais o método do que o conteúdo? Por que caímos na tentação do uso de imagens artificiais para ilustrar a espiritualidade? Por que reduzimos o texto sagrado a um ponto de partida para discursos morais mas meramente humanos ao invés de ficarmos com o texto sagrado apenas, que é a própria Palavra de Deus? Por que fazemos da Bíblia um trampolim para as nossas idéias? Seriam elas mais importantes ou relevantes do que as Palavras proferidas pela boca do Altíssimo? Tais contradições evidenciam nosso orgulho e vaidade. Evidenciam também quão pequena é nossa fé ou, nos casos grosseiros e infelizmente abundantes daqueles que supõem que é possível de se fazer algum tipo de barganha com Deus através do que se faz num culto como expressão de fé ou de sacrifícios.

Para lições e estudos, muitos artifícios são úteis para o aprendizado, mas para o culto quase todos os artifícios são perigosos, sob pena de inutilizar o culto à semelhança dum fogo estranho dentro do santuário como se o Todo-Poderoso Deus precisasse da precária ajuda humana no trabalho que somente seu Espírito Santo tem de nos conduzir em adoração nos seus átrios. No culto nos rendemos e é Ele quem nos conduz a si.

É necessário o resgate da prática do culto pela igreja. Deus reinvindica adoração e ela confere identidade às pessoas pois é para isso que fomos criados e existimos, por meio dela nos aproximamos intimamente do Senhor e ela comunica amor entre o adorador e o adorado.

15/06/2010

Uma reflexão sobre o mistério da Triunidade de Deus e a divindade do homem Jesus conforme Filipenses.



Filipenses 2, versos 5 a 11:

5 De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,
6 Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus,
7 Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;
8 E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.
9 Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome;
10 Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra,
11 E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.


O trecho da carta de Paulo aos Filipenses transcrita acima foi para mim um texto de grande importância para a minha vida cristã. Num momento eu que eu passei a querer entender os fundamentos da fé cristã, deparei-me com um dilema que o bom senso não conseguia resolver. Eu sabia que Deus é um, é único e que não existem outros deuses além dEle e, sendo assim, todas as tentativas de se elaborar ou compreender uma divindade que não seja o Deus bíblico é engano e odioso pecado.

Minha angustiante e sincera questão era a respeito da divindade de Jesus. Eu já era consciente da existência de um Deus único, mas como compreender a unicidade indivisível de Deus nas pessoas do Pai, do Filho e do Espírito Santo? Como conceber o Jesus Cristo bíblico, histórico, o servo sofredor como sendo o Soberano criador dos Céus e da Terra e como compreender a pluralidade de pessoas num único e Todo-poderoso ser? Na matemática três não podem ser um e por isso minha razão lutava para compreender essa definição da teologia enquanto que meu coração se carregava de culpa por causa do questionamento lançado a Deus. Se três formam um, então cada uma das pessoas seria uma parte fracionada e por conseqüência incompleta, pois carecia das outras duas partes para formar o Um e, portanto, cada parte seria imperfeita à parte do Um. Tal pensamento lógico levantou uma questão estúpida acerca da possível fracionalidade de Deus, como se Deus se dividisse na pessoa do Pai, na pessoa do Filho e na pessoa do Espírito Santo. Ele não se divide, ao contrário, Ele subsiste de maneira imutável e eterna nessas três pessoas, que ao mesmo tempo em que são um, este um também é plural por causa da relação que existe entre as, assim compreendidas, três pessoas da divindade que a nós foi revelada pelas Escrituras. Ou seja, um é diferente do outro e assim podemos compreender como pessoas distintas ao mesmo tempo em que os três não formam um, Eles simplesmente são Um.

O termo “Trindade” foi cunhado por uma teologia posterior ao texto bíblico e, portanto, não consta nas Escrituras. Tal terminologia foi elaborada justamente por causa dos questionamentos acerca da natureza divina e dos perigos que tais questionamentos e suas possibilidades gerariam. Deus é um só, ao mesmo tempo em que o Pai a quem Jesus orou é Deus, o próprio Jesus é Deus e o Espírito Santo, o outro Consolador, também é Deus. Nota-se que cada uma das pessoas não constitui um Deus, mas cada uma delas é Deus. Nota-se também que as pessoas da Trindade são distintas, pois Jesus orava ao Pai e foi sucedido por outro Consolador, ou seja, como cunhou a Teologia, uma outra pessoa diferente da sua pessoa. Embora sendo outra pessoa com funções distintas, trata-se do mesmo ser divino. É outro mas é Ele mesmo.

Talvez, essa “economia” divina nos seja evidenciada para fins didáticos por conta das diferentes atribuições de cada uma das pessoas do Ser de Deus. O Pai gera, o Filho redime e o Espírito Santo ministra e talvez tal enumeração de pessoas é a nós conhecida para que tenhamos condições mínimas de compreender o ser divino que é a nós impossível de ser compreendido, medido ou humanamente definido. Somos um grão de areia que se atreve a dialogar com o Universo, e às vezes achamos que podemos manter um diálogo em pé de igualdade.

Essa divisão de pessoas não é criação humana, não é produto de quem quer e se esforça para compreender o ser de Deus, ao contrário disso, é a maneira como o próprio Deus se apresentou a nós em Jesus Cristo, pois Ele se manifesta com amor, como Pai que busca relacionar-se com filhos que foram feitos à sua imagem e semelhança. Embora sejamos mero grão de areia diante do Universo, às vezes nos portamos com certo atrevimento por conta das muitíssimas semelhanças que existem entre o nosso ser humano e o Ser divino. Deus é inatingível por conta de sua natureza tão contrastante com a nossa natureza pecadora e limitada, mas ao mesmo tempo existem muitíssimas coisas comuns entre Deus e nós, pois fomos moldados por Ele mesmo e Ele nos deu vida de uma maneira toda especial, à sua imagem e semelhança.

Há algo de especial na criatura humana. A única marcada com a imagem e a semelhança de Deus dentre toda a criação. A única que sempre foi, desde sua criação, procurada pelo próprio Deus para um relacionamento, para conversas no final da tarde. A única que sempre foi objeto do amor do criador e que, mesmo depois de ter-lhe dado as costas na rebelião do pecado, continuou a ser o objetivo de Deus num mundo condenado.

Mas, quanto a esta relação de amor que existe entre o Criador e sua criatura humana e que é a razão da existência humana, por causa do estrago que o homem causou a si e à criação em seu ato de insurgência, cometendo o injustificável pecado, a justa natureza divina exigiu que a justiça fosse praticada com o derramamento de sua ira por causa do mal cometido para saná-lo. A relação foi quebrada pelo homem, e o homem teria que restabelecê-la, embora não pudesse por causa de suas novas limitações adquiridas com a agora natureza pecaminosa. Como poderia o homem satisfazer a exigência da perfeita justiça com ofertas ou ações maculadas, com imperfeições. Tudo o que o homem faz está impregnado pelo pecado que o nutre, possui e norteia. Ele não mais tinha méritos para reassumir seu antigo lugar de honra e de destaque na presença de Deus. Embora a raça humana esteja decadente, ainda havia nela algo de especial aos olhos do Criador e tal foco nunca foi perdido por Deus. O que é aos homens comuns impossível, não o é para Deus a respeito da justiça necessária à redenção humana.

Mistério tão insondável e glorioso, como a Trindade, é o igualmente insondável e glorioso mistério da encarnação da segunda pessoa da Trindade, o Filho de Deus. O próprio Deus se fez homem, sendo, portanto, um homem nascido de mulher com um corpo que perece ao mesmo tempo em que é Deus, Eterno desde sempre e Todo-Poderoso. Assim como cada pessoa da Trindade não é uma fração do Ser de Deus, elas coexistem, o ser da segunda pessoa da Trindade, Jesus Cristo, não é fracionado ou parcialmente homem e parcialmente Deus. Não foi feita a mistura dos seres humano e divino em Jesus, essas duas naturezas distintas não afetaram uma à outra como que se a natureza divina privilegiasse a humana enquanto que a humana comprometesse a divina formando-se assim um semi-deus à semelhança do que os gregos imaginavam. Em Cristo, o mistério e o milagre do verdadeiro e pleno Deus e do verdadeiro e pleno homem estão plenamente e perfeitamente presentes em seu ser. Ele é totalmente humano e isso é necessário para que a condição humana seja restaurada à presença de Deus por seus atos como redentor e Ele é totalmente Deus pois além de ser o criador Ele é aquele que é o Senhor da história e do universo, sendo também capaz, por sacrifício na cruz e ressurreição, de restaurar a criação conforme seus próprios propósitos eternos estabeleceram. Essas duas naturezas, a humana e a divina, em Jesus, coexistem.

A vinda do próprio Deus a este mundo, não em mera forma humana como se essa forma fosse passageira, mas assumindo uma forma e natureza humanas de uma vez para toda a eternidade, é um ato de humilhação e de glorificação do próprio Deus na pessoa do seu filho Jesus Cristo. Deus “desceu” de sua glória na pessoa de Jesus e humilhou-se à forma humana, Ele não usurpou ser igual a Deus, mas esvaziou-se, negou sua própria natureza e nasceu da virgem Maria, submetendo-se a uma natureza inferior, destituída da glória que sempre possuiu para viver entre os homens com o propósito de salvá-los dos seus pecados através do sofrimento e da morte numa cruz, uma condenação costumeiramente conferida a bandidos, a malditos, sendo que tal condenação foi injustamente atribuída sobre o inocente. Sobre Jesus foi derramada toda a maldade humana e a ira de Deus por causa de tal maldade que Ele carregou em seu próprio ser recaiu sobre Ele, satisfazendo a justiça divina em seu próprio Filho. O pecado pôde ser quitado com o sangue de um inocente que se entregou para pagar pelas penas do verdadeiro culpado. A humilhação de Cristo foi a mais penosa humilhação que um ser sofreu e ninguém poderá experimentar algo semelhante. Ninguém poderia pagar tamanho preço e sustentar tamanho fardo. De Deus que é, em sua glória, Jesus submeteu-se aos escárnios, sofrimento e morte de cruz e foi o seu amor que o moveu a destituir-se de uma glória eterna para experimentar tormentos que seriam removidos daqueles que deveriam sofrê-los. Como homem Jesus representou aos homens diante da justiça divina para que pela fé eles pudessem ser justificados, como homem Ele satisfez a ira de Deus que sobre eles seria derramada e como homem Ele adquiriu méritos que asseguram a salvação àqueles que têm fé nEle. Durante sua vida em nosso meio, Jesus orava e se submetia à vontade do seu Pai e como um filho obediente submeteu-se à humanidade e à condenação injusta na cruz para satisfazer a justiça de Deus.

Assim, o Deus Todo-Poderoso criador do Céu e da Terra fez-se plenamente homem na pessoa de Jesus Cristo e este ato foi uma demonstração do seu amor àqueles que nEle crêem. A realidade humana de condenação só poderia ser revertida com a quitação da dívida imposta pelo pecado e a justiça divina exigia tal pagamento que homem nenhum poderia pagar por estar muitíssimo comprometido pelo próprio pecado, e como Jesus não conheceu pecado Ele era a pessoa humana mais apta para este trabalho.

E Jesus é plenamente Deus além e ser plenamente homem, e por ser Deus o Universo se rende àquele que se fez homem, e por ser Deus a morte não poderia reter o Senhor de todas as coisas e autor da vida. Por isso, Jesus ressuscitou, vencendo a morte e tal vitória é compartilhada com todo o seu povo. Mas, antes disso, esta vitória e os atos que a antecederam fizeram com que Cristo fosse glorificado por seu Pai, não que Ele não o fosse antes, pois sempre teve a glória devida, mas agora tal glória é compartilhada com todos aqueles que se beneficiaram de seus feitos e, portanto, é ainda mais elevada. Assim, a justificação obtida pelos crentes em Cristo é uma parte de todos os benefícios que dEle recebemos por seus atos. Ao assumir nossa natureza e compartilhar do nosso ser, e vida, com suas lutas, alegrias e dores, Cristo nos faz compartilhar também da glória que sempre lhe pertenceu e que a Deus é digna. Ele nos faz assentar em lugares celestiais, em sua glória, para desfrutarmos como reis e sacerdotes das excelências que lhe pertencem, realidades antes impensáveis a nós. Ao compartilhar da nossa vida, Cristo compartilha conosco da sua vida e são nestas realidades que os cristãos devem ter firmes os seus olhos e corações, pois num certo momento histórico, Cristo voltará a este mundo para colocar ordem em todas as coisas, restabelecendo seu reino também onde hoje o pecado teima em querer reinar. Consciente dessas verdades, o Apóstolo Paulo recomenda-nos a imitar o que Cristo fez, sabendo que nunca haverá proporcionalidade entre as ações de Cristo e as nossas ações. Que não ousemos pensar que fazemos muito por Deus! Mas que atentemos para o fato de que se Cristo foi capaz de fazer algo tão extraordinário e que por isso desfrutamos hoje de bênçãos imensuráveis que se prolongam para a eternidade que sejamos nós também capazes de nos esvaziarmos de nós mesmos em função de algo ou de alguém que de nós precise, sabendo-se que nossa prioridade é a proclamação da Palavra que conclama as pessoas à salvação que há em Cristo e que tal proclamação serve à glória de Cristo, diante de quem todos os homens de todas as eras se prostrarão no dia do Juízo, confessando a glória daquele que é digno de julgar. Uns farão isso enquanto já desfrutam da glória do Senhor, coisa que continuarão a fazer por toda a eternidade na presença de Deus; enquanto que outros confessarão sua glória na medida em que forem recebendo suas sentenças de banimento da glória de Deus por terem amado mais a glória dos homens e a glória deste mundo transitório e condenado do que a glória de Deus que foi revelada em Cristo durante suas vidas.

24/02/2010

A "dominação" da perversão sexual em nosso tempo.

Recebi um texto por e-mail de um amigo e irmão na fé com reflexões e citações sobre a perverção sexual em nosso tempo e como a mídia e o poder público têm lidado com isso e como a Igreja cristã deve se posicionar a respeito.

Esse amigo e irmão, Cassiano, me autorizou a postagem do seu texto, que segue logo a seguir:

Caros irmãos:

Há pouco tempo atrás, fomos surpreendidos pela investida dos homoafetivos (novo termo carinhoso criado provavelmente por algum deles para disfarçar a sua teratológica preferência sexual), no sentido de tentar legalizar a proibição de ser dito que tal prática vai contra os mandamentos de Deus. Ações judiciais emergiram para coibir editoras bíblicas de imprimirem os versículos que dizem algo a respeito. Só espero que Deus não permita que isso aconteça. Mesmo que um dia eu seja proibido de falar a respeito, não me calarei, pois diante da notória e indiscutível incompatibilidade entre a lei dos homens e a de Deus, devemos seguir a última.

Não muito tempo depois e enquanto o assunto ainda gerava polêmicas, surge o malfadado reality show em sua 10ª edição, que tem muito mais a ver com "amigo da onça" do que com "grande irmão", cuja direção disse não temer a reação da comunidade evangélica pelo fato dessa edição ser a mais promíscua e blasfêmia de todas (com clara apologia ao homossexualismo, com direito a beijos entre homens transmitidos ao vivo), dizendo que somos "desunidos e omissos", provavelmente imaginando estar atacando a sua atual maior concorrente, a TV dos "Bispos".

Para "ajudar a piorar", na calada da noite e em pleno final de ano, para passar desapercebido, o Presidente Lula e sua comitiva de plantão aprovaram o texto do herege Programa Nacional de Direitos Humanos III, o qual defende, entre outras barbáries, a invasão de terras, a relativização do direito de expressão, a proibição do uso de símbolos religiosos e a descriminalização do aborto em qualquer tempo de gestação, dentre outras barbáries, o qual Lula disse ter assinado sem ler (também segue arquivo anexo e estes links: http://www.youtube.com/watch?v=dODTR0jBlGI e http://www.youtube.com/watch?v=rfRxa5r29Wg). Não deixem de assistir os dois, é assustador!


Concomitantemente, uma propaganda do Governo Federal de "conscientização" sobre sexo seguro no carnaval mostra um jovem dialogando com um preservativo animado, o qual lhe incentiva a fazer sexo com outro rapaz em que o protagonista principal, segundos antes, em tons afeminados, diz ter ficado deslumbrado com sua beleza. No final, o slogan dessa propaganda anátema gira em torno de algo assim: "Seja por amor, paixão ou só sexo, use camisinha"! Vejam vocês mesmos: http://www.youtube.com/watch?v=FQrXPR1gOhA&feature=PlayList&p=232ABABAEADEF317&playnext=1&playnext_from=PL&index=2

Como se não bastasse, o cantor Elton John, em entrevista para a revista norte-americana "Parade" disse acreditar que "Jesus era gay"! Segue o link da notícia: http://br.noticias.yahoo.com/s/19022010/48/entretenimento-elton-john-jesus-gay.html. Ora, se ele quer ser gay ou defender os seus direitos de o ser, que não atente afrontosamente contra aquele que morreu na cruz para salvar nossas vidas! Quanta ousadia e petulância impingir ao Filho de Deus uma mácula dessas! Será que ele e sua classe não entendem que é perfeitamente possível um homem não ter relação com uma mulher sem necessariamente ter que ser homossexual? Jesus veio para a Terra para cumprir uma missão muito maior do que a sua mente vazia pode compreender!

Felizmente, sabemos que a vida não se resume a opulência e prazeres carnais! Quantos sinais do final dos tempos! Daqui a pouco, nós seremos os anormais! Não podemos nos calar diante dessas afrontas à humanidade e ao nosso Deus! Façamos a nossa parte de propagar os Seus Sagrados Estatutos!


"Quem defende o aborto e o homossexualismo só o pode fazer hoje graças aos seus pais, que não tiveram a mesma idéia." - Cassiano R. Rampazzo.

09/02/2010

Avivamento evangélico ou decadência?



O Evangelho é a boa-nova da salvação e tal mensagem deve ser proclamada a fim de que Cristo e seus feitos sejam anunciados com o objetivo de glorificá-lo e também de levar outras pessoas à fé, ao ensino das Escrituras e à salvação.

Tal ordem dada pelo próprio Jesus deve ser cumprida e alguns poderão dizer que em nosso tempo, esta proclamação está sendo feita em quantidade nunca antes vista, pois os meios de comunicação estão repletos de evangélicos proclamando a sua fé, ao mesmo tempo em que igrejas evangélicas estão se multiplicando tal como o número de pessoas que as frequentam.

Alguns entusiastas chegam a afirmar que a igreja evangélica está experimentando um período de avivamento, de renovação, um "mover" especial...

Isso é uma meia verdade.

Se é meia verdade, é porque há verdades e também existem equívocos nesse "mover".

É verdade que igrejas estão crescendo, que a mídia está repleta de pregadores, que o nome de Jesus e partes da Bíblia estão sendo pregados.

Mas também é verdade que a pregação está prostituída e que o "evangélico" moderno é fruto de uma abordagem incorreta da Bíblia, pois visa-se o ganho, o individualismo, o triunfalismo num tipo de prática religiosa que nada tem a ver com a prática cristã vivida pela igreja primitiva ou ensinada pelas Escrituras.

O evangélico moderno compra suas "bênçãos" utilizando-se de prática religiosa pagã disfarçada de bíblica, e assim passa a acreditar que Deus fica obrigado a liberar as bênçãos que estavam retidas no céu ou nas mãos do Diabo.

Não percebem que tal prática faz parecer que Deus é mesquinho? Que Ele age em resposta a rituais banais?

Além do interesse, das negociatas com Deus por meio de falastrões gospel, os resultados imediatistas desse tipo de abordagem em nada tem a ver com o tipo de vida que a Bíblia aponta para os seus praticantes. O caráter cristão caracterizado por uma vida devota, servil, marcada pelo amor, pela fé e pela humildade; a prática da gratidão e de súplicas (exigências e decretos nunca!); uma prática espiritual cristã que influencia todas as áreas da vida, que leva a um viver solícito, relevante, pacificador, analítico, construtivo, baseado na verdade.

O novo evangélico do "avivamento" percebido em nosso tempo não é atraído pelo Evangelho ou por Cristo, mas pelas promessas deturpadas de um tipo de mensagem que mistura textos da Bíblia utilizados para finalidades bastante diferentes daquelas que são marcas do cristianismo bíblico. Ao invés de uma vida de devoção e piedade, o "motor" desse mover "evangélico" atual é o marketing e a propaganda. A fé deu lugar a um capitalismo caricaturizado, gospel.

Além disso, esse sistema religioso sustenta pregadores orgulhosos, insanos, que com técnica convencem suas platéias a não serem críticas e a acreditarem em seus poderes sobrenaturais. Eles têm o poder de determinar milagres, de estender as mãos para liberar bênçãos, de gritar baboseiras que todo o inferno teme e que Deus atende (perceba o absurdo!), sua voz, suor e lágrimas têm poderes sobrenaturais... e a corrupção, as mentiras, a falta de caráter, o amor ao dinheiro, o charlatanismo, os conchaves políticos, os favorecimentos, as fraudes, as usurpações, os golpes, etc, etc... tais coisas absurdas e impensáveis em servos de Cristo não chegam a macular as imagens desses "ungidos". E isso porque suas platéias não estão interessadas numa vida cristã e muito menos no Senhor, estão interessadas em resultados imediatos, em terem os seus interesses mundanos atendidos e para isso um comportamento ético pouco interessa.

Tais embusteiros são, na verdade, incrédulos! Ora, se acreditassem realmente em Deus não o ofenderiam tanto com suas práticas depravadas! Somente são capazes de agir assim porque não temem a Deus e só não o temem porque não o conhecem. O desprezam!

Até aqui, pelo que vimos, parece que essa fórmula dá certo, afinal as igrejas estão crescendo...A fórmula de misturar a água do evangelho com a lama do capitalismo, do paganismo, do imediatismo, etc. Mas dessa mistura sobra apenas a lama (talvez mais aguada, mas ainda assim apenas lama...). Deus não endossa o erro, não sustenta a subversão da sua Palavra, não se contamina, é Santo...

Assim, pode-se fazer uma previsão desse "avivamento" evangélico: Como os pressupostos desse mover não são o arrependimento, ou o discipulado genuinamente bíblico, mas ao invés disso, são as promessas, os ganhos, as realizações de sonhos, o triunfalismo nesse mundo, etc... e como Deus não está nesse mover (ora o que temos não é a água que limpa, mas a lama aguada que suja...) deduz-se facilmente que essa fórmula evangélica atual se desgastará na medida em que as promessas plantadas nas platéias forem se frustrando (ora, Deus não as atenderá!). Assim, pode-se prever que este "avivamento" gerará uma decepção generalizada com o Deus da Bíblia! Ora, não importa se a coisa foi muito mal trabalhada, deturpada, prostituída e portanto, vazia de Deus. O que importará é que não funcionou (é claro!) e obviamente a culpa será por eles, os decepcionados, atribuída a Deus e não aos embusteiros que subverteram a mensagem e que, portanto, mentiram! Deus não os terá por inocentes...

Este mover evangélico, gospel, apostólico, triunfalista tem fortíssimas chances de dar lugar ao ateísmo ou ao avivamento de religiões como o islamismo, o espiritismo, o hinduísmo, o budismo, etc, que se apresentarão como opções de abordagem religiosa a um grande público fragilizado e decepcionado com sua fé. Os muçulmanos brasileiros já estão trabalhando muito nesse sentido (ver www.islan.com.br)

Espero que muitos se voltem para o verdadeiro Evangelho, sem necessariamente esperarem o desapontamento que uma abordagem corrompida gera.

O Evangelho consiste no que Deus fez por nós na pessoa de seu filho Jesus. Ele deu-se por amor a nós! Deus não faz negociatas com os homens (quem somos nós?). Todos estávamos perdidos, em trevas absolutas por conta dos nossos pecados que nos separavam eternamente dEle. Em toda a história, em todas as culturas, sempre existiu uma busca angustiante por este que se revelou em Cristo. Aqueles que não o conheceram tiveram que criar os seus meios para tentar viver da melhor forma por meio de suas crenças, rituais e ideologias... tudo o que podiam era apenas tentar encontrar a salvação de suas almas, mas nada podemos fazer para sermos salvos... somente Deus o poderia fazer, e Ele fez a única coisa que poderia ser feita para que as trevas do pecado se dissipassem: Deus, em Cristo, fez-se homem para ensinar-nos o caminho e a verdade e assumiu nossa culpa, pagando pelos nossos pecados na cruz, nos apresentando justificados por Cristo diante de Deus.

Quando recebemos tal dádiva por meio do Evangelho - a boa-nova da salvação, a angústia da perdição, da escravidão ao pecado dá lugar à liberdade que a verdade proporciona. Pela fé em Cristo recebemos todo o favor de Deus, somos salvos pela sua graça, os atos de Deus a nosso favor são gratuítos. Ele se dá a nós e nós correspondemos ao seu amor com uma vida de devoção e isso é o viver cristão, algo essencialmente diferente dessa prática no atual mercado gospel.

O cristão verdadeiro exterioriza em seus atos de amor e devoção transformações profundas que Deus já realizou em seu interior e isso é salvação. Tal vida, livre da escravidão e da escuridão do pecado, mudado de um modo de viver afastado Deus para um modo novo de viver repleto da presença de Deus, é eterna porque tal como Cristo ressuscitou, vencendo a morte e o pecado, todo aquele que simplesmente crer nEle também vencerá.

03/02/2010

Chefe da ONU alerta para futuro terrível sem acordo climático



http://br.noticias.yahoo.com/s/reuters/090811/manchetes/manchetes_ambiente_onu_chefe

Ter, 11 Ago, 08h17

SEUL (Reuters) - O fracasso em agir rapidamente para combater as mudanças climáticas pode provocar o aumento da violência e uma grande instabilidade no mundo, uma vez que os padrões climáticos globais mudam drasticamente, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, nesta terça-feira.

Se nós falharmos em agir, a mudança climática vai intensificar as secas, as enchentes e outros desastres naturais", disse Ban em um fórum próximo de Seul que acontece semanas antes de uma conferência do próprio secretário-geral sobre as mudanças climáticas, em setembro.

"A falta de água vai afetar centenas de milhões de pessoas. A subnutrição vai tragar grandes partes do mundo em desenvolvimento. As tensões vão piorar. A instabilidade social -- incluindo a violência -- pode acontecer", afirmou Ban no evento em Incheon.

As emissões de gases causadores do efeito estufa são consideradas a principal causa para o aquecimento global. Os países vão se reunir em Copenhague em dezembro para trabalhar em um novo acordo climático global para reduzir as emissões que substituirá o Protocolo de Kyoto, que termina em 2012.

Ban, que considerou a mudança climática um tema fundamental para a humanidade, pediu que líderes mundiais atuem rapidamente para que um acordo possa ser alcançado em Copenhague.
Esta semana representantes de 180 países se reúnem em Bonn, Alemanha, para negociar sobre o clima, em meio a alertas de que o tempo está passando para que um acordo bastante completo seja concretizado até o fim do ano.

(Por Jon Herskovitz; com reportagem de Alister Doyle em Bonn)

**O encontro ocorrido em dezembro passado, em Copenhague, não deu em nada...

Alguém pode se perguntar por que postei essa matéria aqui neste blog para reflexões cristãs?

Antes de associar os fatos que já nos ameaçam com os sinais dos tempos, porque tais sinais tem sido sentidos ao longo da história e o problema simplesmente se agravará até o retorno do Senhor para julgar o mundo (Mateus 24 e 25), o que eu pretendo com a publicação da matéria acima é promover a reflexão na Igreja a respeito do seu papel profético num mundo decadente, especialmente em tempos de grandes tribulações.

Lembro-me que a função do homem, conforme descrita no final de Gênesis 1, ao ser criado e ser colocado no jardim de Deus (o Éden) era de cuidar tanto do jardim como do restante da criação e esta ainda é a nossa responsabilidade.

Foi o pecado humano que colocou toda a criação em estado de agonia (Romanos 8. 22) e o que se vê em nosso mundo é um efeito do que a humanidade faz diante de Deus, seu pecado, sua rebeldia e insubordinação, seu desamor e o culto à criatura em vez do culto à Deus.

Além de o pecado nos destruir, ele destrói também o mundo que nos cerca. Estamos colhendo o que plantamos (Gálatas 6. 7)... (estou falando da humanidade)

Oremos sim, para que haja misericórdia, todos queremos abundância de àgua, de alimento, de saúde, de alegria... mas num certo tempo a humanidade estará sujeita a tempos difíceis e, pelo que as evidências apontam, estamos muito próximos de tempos de muita escassez.

Somos cerca de 6,5 bilhões de pessoas sobre a face da Terra e seus recursos estão em colapso para atender às nossas necessidades, principalmente por causa da ganância daqueles que detém o poder capitalista.

Então, o que a Igreja deve fazer?

1 - Pregar e praticar o Evangelho com dedicação e zelo, conclamando os povos ao arrependimento.
2 - Praticar a vigilância sempre, pois não sabemos quando certas tribulações acometerão a humanidade. Devemos estar preparados sempre e atentos!
3 - Valorizar a humildade, o amor e o contentamento com uma vida simples, com gratidão a Deus. Se o contentamento com uma vida simples fosse praticada, certamente comprometeríamos menos recursos naturais do nosso planeta para a nossa subsistência.
4 - Tratar toda a criação de Deus com respeito, amor e gratidão. Nossa função é cuidar do que Deus fez e tudo o que Ele fez é muito bom (Genesis 1. 31).
5 - Ser realista sem ser extremista e enfrentar o problema com fé, consciência e, acima de tudo, submissão a Deus, sabendo que ser realista nada tem a ver com falta de fé. Ignorar o problema é estar despreparado para enfrentá-lo!
6 - Preparar-se para lidar com as necessidades humanas mais elementares como a fome, a sede e a dor e suas consequências como o desamparo, o desespero e a violência, lançando-se ao socorro dos aflitos.
7 - Ter a consciência que somente ela (a Igreja) é a voz de Deus para consolar o aflito, para apontar a salvação, para estender a mão compassiva do Senhor (de quem ela - a Igreja - é o corpo).
8 - Desapegar-se das bobagens de um "evangelho" da prosperidade e pregar o verdadeiro Evangelho que aponta para a glória de Deus e dos seus redimidos. Este Evangelho deu força aos cristãos primitivos enquanto eram perseguidos por Roma e dará força aos cristãos em tempos de aflição, pois sua paz e amor excedem todo entendimento (Efésios 3. 19, Filipenses 4. 7).
9 - Praticar fervorosamente a oração, a adoração a Deus, o amor ao próximo, a disciplina e a mordomia cristã com integridade de caráter.
10 - Olhar sempre para Jesus, o autor e o consumador da fé (Hebreus 12. 2), de quem vem a renovação de nossas forças e o apontamento do caminho correto.
11 - Admitir a possibilidade de não termos bom êxito em nossas empreitadas nesse mundo, mas não fraquejarmos por isso, pois nossa vitória final e recompensa será desfrutada no dia em que Cristo nos disser: "Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo..." (Mateus 25. 34)
12 - Compreender que, em última análise, todos os acontecimentos estão dentro do propósito soberano de Deus e nada escapa ao seu senhorio. O mundo está em convulsão e está dando os sinais do retôrno de Cristo para julgar o mundo e tomar para si o seu povo para reinar eternamente com Ele. Maranata!

Não dá para saber se vivenciaremos realidades assim, mas não podemos nos omitir diante das evidêcias. Muitas pessoas já vivenciam coisas semelhantes em outras partes do mundo e a tendência é de que isso seja ampliado às outras regiões do globo. De qualquer forma, é a Igreja, e não os governos ou a ONU, que possui a responsabilidade e o poder de anunciar a salvação e de evidenciar o amor de Deus.

BISPO PREVÊ FIM DA IGREJA

Dirigente da Igreja Cristã Nova Vida, uma igreja que abriu caminho para o modelo neopentecostal brasileiro, aponta as deficiências no movimento evangélico brasileiro e chega a prever o fim da igreja – não o corpo místico de Cristo, que segundo ele “nunca falirá”, mas o atual conceito de igreja no Brasil. “A Igreja Evangélica hoje não cresce, incha. A diferença é que um corpo, quando cresce, mostra saúde; já o inchaço é sintoma de alguma doença”, aponta.
Como outros indícios desse mal, o bispo aponta a superficialidade, o mundanismo, a falta de ética e a corrupção. “Aliás, no que tange à corrupção do mundo secular, ela em pouco difere da que se alastra nos meios cristãos”, lamenta.

Leia a matéria na integra em:
http://cristianismohoje.com.br/ch/observador-do-seu-tempo/

Fonte: Cristianismo Hoje