Tempos de paz diante do fim?
Nas décadas recentes vivemos um período de utopia, de relativa paz entre os povos (ou boa parte deles), uma época de "globalização" sob as sombras de um país hegemônico - os EUA, com sua proeminência cultural, bélica e econômica - que, à semelhança da "pax romana", nos permitem interagir com relativa segurança, viajar pelo mundo, trocar experiências e produtos. Nunca antes, em toda a história das civilizações, se viveu tamanha "paz" - claro, não perfeita nem plenamente, porque nunca deixaram de ocorrer conflitos e guerras pontuais.
Mas parece que esse tempo de "paz" do atual globalismo está ruindo, está caminhando para o fim, para um novo período que começa a se desenhar. Os tempos de relativa paz exigiram dos países mais desenvolvidos que afrouxassem suas fronteiras, e assim os povos com suas culturas locais foram enfraquecidos a ponto de às vezes parecerem estar em vias de serem apagados pela substituição por outros povos com suas culturas, que migraram dos seus decadentes locais de origem para se imporem nos locais onde o desenvolvimento com suas promessas de bem estar eram maiores. O multiculturalismo inevitavelmente produziria, como já se vê, a reação das culturas locais em reação, e defesa, contra aqueles que se impõem como parasitas que se assenhoram do que foi cultivado e que pertence a outros. Na história das cilivizações, o outro povo sempre tende a ser uma ameaça, um inimigo - e essa distinção do outro sempre é percebida na distinção religiosa, ou de costumes, ou da cor da pele, ou da origem geográfica, da língua, ideologia, etc. O outro é o "não eu" e portanto é uma ameaça ao que eu sou, a cosmovisão do outro não pode coexistir com a "minha" cosmovisão. O homem é o lobo do homem e a sua história sempre foi, e será, a história do embate das civilizações, de um povo tentando tomar as terras e riquezas do outro povo, e tentando impor sobre ele a sua cultura, domínio, religião e cosmovisão.
A relativa paz que temos, até então, nunca foi fruto de uma ampla fraternidade e aceitação. Mas sim a imposição por força de quem poderia obrigar os demais a aceitar os termos do dono do tabuleiro. E, apesar da imposição à força, o ideal do "destino manifesto" dos EUA forjou um mundo mais inclusivo e global. Se na história sempre se tem um reino impositivo, parece-me que a proeminência histórica e ainda vigente dos EUA fez do mundo um local relativamente mais justo, embora, obviamente, sempre despótico - nenhum "senhor" é realmente democrático. Mas nos bastidores todos conspiram, armam reações, ciladas, e era perfeitamente previsível, se considerarmos a natureza humana exposta pela nossa história, que a falsa e forçada paz dos nossos tempos um dia iria colapsar. Muito provavelmente estamos vivendo os últimos tempos de um tipo de civilização sob as sombras e a proeminência dos EUA. Os outros "reinos" (ou nações) também querem o seu destaque e hegemonia. Os povos não são iguais, são rivais, e todos anseiam pelo seu tempo de glória. Sempre foi assim e sempre será assim. E a alternância dos poderes na reorganização do mundo sob uma nação, reino ou cultura dominante sempre é feita através da disputa de forças, sempre é por meio da guerra.
Provavelmente as peças do tabuleiro do jogo do poder no mundo estão se organizando para uma nova guerra de proporções mundiais em que boa parte da população mundial (atualmente mais de 8 bilhões de pessoas - um número excessivo e problemático) morrerá, não acidentalmente, mas intencionalmente a fim de que se reconfigure, também, o fluxo das coisas e a economia mundial.
Essa realidade perversa foi apontada pelo Senhor Jesus:
"Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; eu não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize." (João, 14: 27)
Palavras ditas pelo Senhor Jesus Cristo aos seus discípulos para distinguir a paz que Ele dá ao seu povo (à igreja, como embrião do seu Reino neste mundo perverso) em contraste com a "pax romana" como modelo transitório, decadente e inconsistente da paz mundana.
