terça-feira

Sobre os juízos injustos dos moralistas defensores do status quo



É detestável o moralismo falso e pomposo dos que criticam as revoltas dos oprimidos.

Tais críticos nunca sentiram na sua pele o que muitos outros suportaram e por isso seus juízos são destituídos de justiça.

Os oprimidos foram submetidos ao opressor simplesmente porque sua cor ou origem é diferente daquele que possui maior poder militar e econômico. E por isso o opressor acredita que tem uma vocação especial, um "destino manifesto", uma patologia monstruosa que faz com que ele acredite que tem o direito de oprimir, subjugar e se impor. Quando fazem uso de armas, eles pensam que estão exercendo o seu direito e o seu dever de serem agentes do bem e da disciplina, enquanto que as armas dos outros são instrumentos apenas de terrorismo. Por isso somente eles podem lançar bombas atômicas em cidades, armas químicas em povoados, patrocinar revoluções, golpes e guerras civis, afinal estão a serviço do bem. E todos os seus poderes atuais foram acumulados justamente por causa do seu terrível hábito histórico de dominar, oprimir e saquear os mais fracos, afinal eles não são gente que tem a mesma "qualidade" daquele tipo idealizado de gente que o opressor deseja ser.

Um país africano (ou latino-americano, ou asiático...) tem seu povo, suas terras e seus bens expropriados por invasores que a pretexto religioso e racial desmoralizam e subjugam outros povos com a clara finalidade de aumentar sua riqueza. Mas sua rapina está muito mal disfarçada numa suposta intenção de que colonizam para desenvolver e para fazer o bem, mas em total desprezo aos "bárbaros" locais - índios, negros, indianos...

Então, depois de anos de abusos, alguns desses povos oprimidos respondem como podem às agressões sofridas e seus únicos e possíveis aliados são outros povos ou líderes que também detestam o opressor comum - embora suas motivações sejam diversas. E essa resposta à opressão é, evidentemente, caracterizada pela revolta e pela insurgência contra o dominador invasivo e intruso.

E então os críticos tomados pela falsa moral apontam a violência praticada pelo insurgente, e tratam como detalhe pequeno, coisa de somenos, toda a violência que o opressor praticou por décadas ou séculos. Mas esses críticos queriam o quê? Diplomacia? Fala mansa e suave por parte daquele que apanha? Gratidão pelas migalhas pisadas por seu senhorio? Apatia diante da destruição da sua gente e da sua cultura? Ora, convenhamos... às vezes a coisa mais justa que deveria ser feita é a decapitação de alguma rainha opressora, pois ela desfruta de uma pompa ostentatória e ofensiva que custou caro demais aos povos que foram historicamente oprimidos e forçados a serem os grandes patrocinadores do status quo do opressor. Igualmente, às vezes seria justíssimo que burocratas do poder dominante fossem destituídos de suas glórias numa humilhação e condenação exemplar e pública.

Mas, ao invés disso os críticos das revoltas dos oprimidos ainda exigem que sua rainha, que seu burocrata, que as estruturas do poder estabelecido sejam cortejados educadamente por aqueles que tiveram sua dignidade despedaçada por abutres bem nascidos. Sim, como é detestável o moralismo falso e pomposo dos que criticam as revoltas dos oprimidos!

A propósito: quando é que as missões cristãs se desquitarão de vez do colonialismo?
Todo povo, toda língua e toda nação, toda a diversidade humana deve conhecer a Graça de Deus sem que isso implique na imposição da cultura inglesa, americana ou de qualquer outro aproveitador que tem uma aparência superficial de boa-educação e classe, mas que é essencialmente miserável, ganancioso e possuído pela rapina.



"E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue nos compraste para Deus de toda a tribo, e língua, e povo, e nação..." (Apocalipse 5:9)
"E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para o proclamar aos que habitam sobre a terra, e a toda a nação, e tribo, e língua, e povo..." (Apocalipse 14:6)

Se a tua religião tiver as mãos dadas com o poder ao invés de ter suas mãos estendidas aos aflitos, saiba que esse teu sistema de crenças não é o cristianismo.




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Deus é o salvador dos homens e Ele se compadece diante dos que clamam. 
Acaso o choro de uma criança não é um clamor por salvação?

E Ele comissionou a Igreja para fazer o seu trabalho neste mundo e ao percebermos necessidades da Graça de Deus nas pessoas que têm necessidades extremas de socorro e de salvação fica evidente o quão patético e maléfico é o contentamento dos crentes com sua vida confortável de classe média e de miseráveis cultos dominicais.


"O espírito do Senhor DEUS está sobre mim; 
porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; 
enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos;
A apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; 
a consolar todos os tristes;
A ordenar acerca dos tristes de Sião que se lhes dê glória em vez de cinza, 
óleo de gozo em vez de tristeza, vestes de louvor em vez de espírito angustiado; 
a fim de que se chamem árvores de justiça, plantações do Senhor, 
para que ele seja glorificado." (Isaías 61:1-3)

Desperta! (Efésios 5:14)

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Uma breve reflexão sobre os 2 extremos na atual abordagem dos cristãos evangélicos brasileiros.




Num extremo estão diversas pessoas que tentam transformar a fé cristã numa varinha de condão, num abracadabra em que o nome de Jesus, de forma imprópria e enganosa, é usado como se fosse uma espécie de senha para a obtenção dos mais variados tipos de sucesso pessoal ("vitória", saúde, prosperidade, etc) e essa abordagem mentirosa tem provocado uma sandice histérica, uma estupidez epidêmica facilmente vista nos meios Gospel, Neopentecostal, na vergonhosa bancada evangélica dos nossos nada ilustres deputados e que está contaminando a fé de muitos.

No outro extremo estão aqueles que, numa dedicada tentativa de elitizar e racionalizar a fé cristã, dando-lhe uma roupagem muito mais teórica (filosófica, acadêmica) do que prática, acabam por reduzir essa libertadora e poderosa fé a intermináveis discursos de gente que ama demais seu prestígio e status de "pensador" (conseguem cristianizar o orgulho!), mas que acabam desprezando aqueles atos de misericórdia e de Graça que impressionaram os discípulos de Jesus Cristo quando eles andaram com seu mestre. E são esses mesmos atos que deveriam ser (e que podem ser) a maior marca e a mais poderosa retórica dos cristãos em todos os tempos (incluindo hoje): os atos da misericórdia e do amor de Deus escandalosamente evidenciados em pessoas que ousam ser instrumentos da sua Graça ao fazerem algo muito simples, porém desafiador - amar as outras pessoas, especialmente as que sofrem, como a nós mesmos.

Aprenda "pensador" das torres de purpurina: teu discurso revestido de termos supostamente inteligentes impressionam apenas aqueles que aprenderam a gostar de um mundinho elitista do faz-de-conta que somos igreja e ele não convencerá teus opositores teóricos nos intermináveis debates "acadêmicos", pois essa forma de fazer apologia é boa demais apenas para massagear teu ego. A fé não precisa de defesa, Deus dispensa advogados. Porém, se quiseres realmente ser dotado de uma retórica poderosa, mate teu ego, abandone essa torre do mundo encantado e venha para o mundo real para nele estender tuas mãos, nele chorar, nele viver e nele ser realmente um servo de Cristo. É no mundo real e nas angústias de vidas banidas de Deus que está o campo de trabalho da igreja.

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A idolatria do discurso

Supostos pensadores cristãos que empenham suas vidas unicamente em discussões secundárias que são úteis apenas para o embasamento de doutrinas e de terminologias, mas que colocam em segundo plano as virtudes da compaixão e do amor correm o risco de serem apóstatas e promotores do desvio do caminho de Cristo assim como os falsos profetas que subvertem a Palavra de Deus, pois fazem com que muitos direcionem sua caminhada de fé para uma religião que se contenta apenas com discursos ao invés de seguirem o modelo ensinado por Jesus através das suas palavras mas também através dos seus poderosos atos de amor. 

Não existe discurso mais eficaz do que o amor e a compaixão praticados como expressão da fé em Cristo!


A idolatria do púlpito


A comunhão e o discipulado e não o púlpito são a força motriz da Igreja de Cristo.
Valorizar demasiadamente o púlpito é valorizar profissionais do discurso e isso leva as comunidades à crescente dependência de alguém que pensa por ela, uma usurpação que leva à passividade da própria igreja.
Embora isso não seja assumido, o profissional do púlpito costuma ser tratado como alguém que tem privilegiada comunhão com o Senhor, uma aberração que não somente enfraquece o corpo como faz com que igrejas inteiras sejam anêmicas, apesar de uma suposta qualidade doutrinária, mas meramente discursiva que é trabalhada nos "santificados" púlpitos, uma coisa e um lugar que muitos confundem de forma absurdamente equivocada com um altar - quando na verdade é uma coisa mais parecida com um palco.
Mais do que púlpitos, Cristo usava colinas, mesas, ruas... Seu alvo sempre foram as pessoas ao passo que as subversões valorizam as instituições.


Narcisos

O suprassumo da vaidade é um cidadão fazer citações de si mesmo, é empenhar-se para transformar o seu nome numa marca cult, é em tempos de redes sociais fazer fotinho de si mesmo com ares de pensante e postar com uma frase enigmática que leve outras pessoas - seu público alvo - ao consumo do produto em que se transformou.


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Uma análise das mobilizações de caráter político empreendidas por aproveitadores que confundem seus interesses com cristianismo e que pensam estar sofrendo perseguição por causa da sua fé.



É simplesmente lamentável que líderes de caráter questionável de alguns grupos (supostamente) cristãos estejam arrebanhando multidões e direcionando forças para fazerem pressões, ameaças e reivindicações políticas baseadas na crença obscurecida de que seu segmento (cristão) da sociedade esteja sofrendo "perseguição" política por causa da sua fé. 

Essa é uma postura que não tem cabimento por 3 razões principais:

1) Não está ocorrendo tal perseguição! Ainda que hajam medidas políticas que estejam fazendo revisões nas leis sobre alguns dos valores defendidos por cristãos (como o casamento e o direito à vida) essas medidas não oferecem nenhuma ameaça nem ao cristianismo, nem aos valores defendidos pelos cristãos. O objetivo dessas medidas é regulamentar as diversas opções de vida e de conduta, dentre as quais - e ao lado de muitas outras - estão as que são defendidas pelos cristãos. Como reflexo de um Estado Laico, a política e as Leis devem contemplar toda diversidade dentro da mesma sociedade e dentro dessa diversidade o modelo familiar defendido pelos cristãos continua válido e não está sob ameaça. Todo sensacionalismo precisa ser evitado e o cristianismo não tem por função regular nem a política, nem as leis dos homens. O papel do cristianismo é outro: proclamar a salvação por meio da fé em Cristo.

2) Ainda que houvesse uma perseguição aos cristãos (que não é fato no Brasil, aqui temos liberdade de culto e de prática religiosa), mas ainda que houvesse, a resposta cristã diante dessa perseguição, conforme ensinada na Bíblia pelo verdadeiro líder e Senhor Jesus Cristo, não é a atuação política belicosa, não é a pressão através de passeatas, nem palavras de ordem com uso de sentenças, reivindicações e ameaças, mas sim um tipo de comportamento registrado em Mateus 5:9-12 e que é bastante diferente do que temos visto:
"Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus;
Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus;
Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa.
Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós." 

3) Essas mobilizações de massas (supostamente) cristãs, na verdade não são mobilizações cristãs! Seus líderes são pessoas equivocadas em busca de poder, fama e dinheiro - veja que estão relacionados com escândalos, com enriquecimento às custas da religião, que são propagadores de teologias que distorcem o Evangelho e de sensacionalismos que são supervalorizados a ponto de substituírem o principal assunto da proclamação cristã: Cristo! Mais do que a salvação em Jesus Cristo, os assuntos que ocupam a agenda desses vendilhões são assuntos meramente morais, e o dinheiro, e os embates com a causa gay. Assuntos muito menores diante do principal que é intencionalmente negligenciado, porque a causa deles deixou de ser o Reino de Deus e a sua justiça para ser a busca por um bom lugar ao sol no reino dos homens deste mundo dominado pelo pecado. Por essas razões, esses líderes e essas mobilizações têm o caráter reprovável do ponto de vista cristão, coisa facilmente vista na desobediência ao texto já citado de Mateus 5.
Em defesa dos direitos de todos - dever do Estado que deve ser apoiado pela igreja cristã - muito bem sintetizado por Voltaire:
"Não concordo com uma palavra do que dizes, mas defenderei até o ultimo instante seu direito de dizê-la."

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CRISTIANISMO E POLÍTICA.

DE UM PADRÃO ELEVADO PARA O PRATICÁVEL.



Nós cristãos vivemos como peregrinos nesse mundo, pois nosso coração almeja o Reino de Deus e a sua justiça, nossa verdadeira Pátria, que será plenamente revelada no futuro, depois que o Senhor dos senhores e Rei dos reis impor-se como o Soberano do novo céu e da nova Terra, o Paraíso.

Mas até que esse mundo perfeito se revele, nós vivemos neste mundo que está destinado para a ruína. Devemos desfrutar do que existe de bom nesse mundo e vida mas devemos estar conscientes que nessa nossa realidade não existe perfeição, nem justiça plena, a verdade é relativizada e às vezes ela é tida como mentira. Este é o nosso mundo dominado por gente falha e pecadora (como eu). 

E por vivermos aqui a nossa missão é aqui. Temos que lidar com este mundo e com sua realidade baseados nos elevados valores de Cristo. Nossos referenciais estão nos valores do Reino de Deus (algo que deve ser buscado desde já) e não na decadente realidade presente. E baseados nos valores de Cristo nós temos que trabalhar e influenciar este mundo para que o bem, a verdade e a justiça sejam manifestadas, ainda que de forma imperfeita, em nossas vidas e em nossa sociedade. E no que diz respeito à sociedade, às relações humanas, essa missão também envolve a política. 

Mas nesse mundo confuso e plural são muitos os ideais que movem as pessoas, são muitas as suas verdades, são diversas as opiniões sobre qualquer coisa e a política é um arranjo humano, um modo de se fazer acordos para que o bem comum seja buscado e para que a vida seja minimamente justa para todos. 

E não dá para satisfazer plenamente aos anseios de um grupo humano quando um outro grupo igualmente legítimo na sociedade tem um modo diferente de pensar, com anseios divergentes em diversas questões. Em casos como esse, muito comuns, onde grupos diferentes buscam o seu espaço justo na sociedade, o papel da política é procurar uma solução equilibrada, um bem relativo que atenda razoavelmente às aspirações de ambos os grupos. Dessa forma, para se alcançar um bem minimamente comum que atenda a ambos não será possível satisfazer plenamente às aspirações desses dois grupos. Busca-se um bem comum que tende a ser relativo e parcial.

Na nossa sociedade deve haver espaço e direito para toda a diversidade que a compõe, e nela estão incluídas as diversas crenças e religiões, aqueles que as rejeitam, as diversas etnias e culturas, as diversas classes sociais, as diversas formas de comportamento (legais), etc. Por isso, na política, esse remendo nas imperfeições humanas, não pode existir predominância de um ideal em detrimento dos outros. Nela os diversos grupos humanos devem ser representados a fim de que todos tenham o seu espaço e o seu direito assegurados. 

Por isso não pode haver uma política predominante teísta, ou ateísta, ou regida por qualquer outra crença ou ideologia exclusivista. Na Democracia (poder do povo) ideal todos os grupos são representados para buscarem o bem comum, respeitando-se as diferenças. Neste mundo a diversidade humana precisa coexistir pacificamente e isso demanda esforço, por isso a política deve ser uma prática humana de tolerância e deve ser laica (do ponto de vista da religião deve manter-se neutra, assegurando a todos o direito de praticar ou de não praticar alguma crença).

O propósito da política não é o Reino de Deus, mas sim o mundo dos homens e aqui neste mundo as coisas são marcadas pelas nossas imperfeições, limitações e pecados e a política sempre será caracterizada por essas marcas da nossa natureza humana.



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Campos da Apologética.



Na época atual, em que as diversas perversões humanas são promovidas, festejadas, gradualmente protegidas por lei e tratadas como comportamentos aceitáveis, sadios e normais, a fé em Cristo é incisivamente combatida e ridicularizada pelos mestres deste miserável sistema mundano e é tratada como expressão da debilidade humana pelos elegantes promotores da iniqüidade. 

E o pior nesse choque de valores onde o pecado é celebrado e a verdade vilipendiada é que a multidão de ímpios é aumentada pelo grande número daqueles que professam uma suposta fé cristã, mas que em oposição aos seus valores enveredam por caminhos de completa insanidade numa fé burra e mística que é serviçal dos anseios mundanos e completamente descomprometida tanto com a verdade como com o caráter cristão. E é por esses ímpios, o joio, as ramificações podres da igreja e chagas abertas por onde entram todo tipo de infecções é que a igreja de Cristo tem recebido suas mais ferozes críticas e seus mais duros golpes. 

Que Deus guarde e conduza os seus remanescentes na proclamação da verdade de Cristo!




A Mania de autoridade de uns...

A síndrome do pequeno Napoleão fica evidente quando alguém que nunca deveria ter recebido uma estrela de xerife resolve por na cabeça que se transformou numa autoridade para falar sobre qualquer coisa e, por conseqüência, de forma megalomaníaca, passa a acreditar que pode gerenciar a vida dos outros. É um mané e um tropeço. 
Na verdade, sobre a maioria das coisas a melhor coisa que o mini-xerife deveria fazer é ficar caladinho pela razão simples de que não faz a menor ideia do que diz ou faz. Mas ele teima em falar pelos cotovelos o que nunca saberá.