24/05/2026

Motivos por que sou contrário à ideia da salmodia exclusiva



Por que eu sou contrário à salmodia exclusiva ou à ideia de que o Saltério é o único hinário adequado ao culto cristão?

1) eu creio na inspiração divina, por consequência, na inerrância de toda a Bíblia - tanto de todos os textos que compõem o Antigo Testamento como os que compõem o Novo Testamento; e sei que os Salmos são, como parte dos textos do Antigo Testamento da Bíblia, igualmente inspirados e inerrantes e que esse mesmo saltério que temos nas nossas bíblias foi usado nos tempos em que existiu um Templo em Jerusalém a partir do reinado de Davi, sendo o livro "oficial" de louvores, dado pelo próprio Deus ao seu povo para cultuá-lo corretamente num tempo de esperança messiânica.

2) ainda que todos os textos que compõem os 66 diferentes livros da Bíblia sejam igualmente inspirados por Deus e inerrantes, existem claras diferenças entre eles quanto à revelação de Deus e da sua vontade, sendo essa revelação da verdade gradual e progressiva, sendo que todos os textos do Antigo Testamento estão num contexto de SOMBRAS (Hebreus 10: 1), pois apontavam para a vinda do Messias, na "plenitude dos tempos" (Gálatas 4: 4), o ponto mais sublime da história por causa da plenitude da revelação de Deus na pessoa encarnada do seu Unigênito, o Senhor Jesus Cristo. 

3) todos os Salmos estão no contexto das SOMBRAS, o contexto da esperança do Messias e da revelação de Deus em sua completude. Essa revelação ocorre quando o Senhor veio ao mundo, uma verdade anunciada pelo EVANGELHO e explicada em todo o Novo Testamento. Assim, o Antigo Testamento é a preparação para a plenitude conhecida no Evangelho e explicada doutrinariamente nos textos do Novo Testamento, contexto em que os modos de se cultuar a Deus da velha aliança CADUCARAM, pois o imperfeito (no sentido de incompleto) deu lugar ao perfeito (a revelação completa de Deus em Cristo).

4) no Novo Testamento existem exemplos de hinos em diversas partes dele, todos cantando claramente a obra de Cristo e exaltando a sua ressurreição e triunfo. Tal clareza proclamatória não é vista em nenhum dos 150 Salmos, que são todos eles textos inspirados e inerrantes mas que apontavam para aquele que viria mais tarde, JESUS, estando então carentes da completude que se revelou ao mundo muitos séculos depois. Nenhum dos Salmos menciona o nome do Senhor Jesus, nome que está sobre todo nome e que é digno de todo louvor, toda glória e adoração (Fp. 2: 9 - 11; At. 4: 12). Nos hinos do Novo Testamento, porém, essa completude é claramente cantada e todos os Salmos, para atenderem ao louvor devido ao Senhor, requerem o complemento cristocêntrico.

5) podemos e devemos cantar os Salmos em adoração a Deus, contudo restringir os louvores ao saltério eliminaria do louvor congregacional o louvor devido ao nome do Senhor e o louvor proclamatório do Evangelho - essa sim, a mensagem que deve ser proclamada por ser o poder de Deus para a salvação de todo o que crê (Rm. 1: 16; Mc. 16: 15). Nos Salmos o Evangelho ainda não está completamente claro, o contexto de todos os textos do Antigo Testamento é de sombras, não de plenas luzes, algo que só aconteceu com a vinda de Cristo ao mundo (João 1). Para ser louvor perfeito, na Nova Aliança, os Salmos requerem a complementação daquilo que eles apontavam - e essa é a realidade de todos os textos do Antigo Testamento, a sua explicação na vida e na obra do Senhor Jesus, assim como Ele mesmo ensinou os seus discípulos sobre como deveriam ler todas as Escrituras (Lucas 24: 27, 44).

6) não existe nenhum texto em toda a Bíblia que ordene ou ensine que devemos cantar apenas os Salmos nos cultos cristãos, contudo existem textos no Novo Testamento (Cl. 3: 16, Ef. 5:19) orientando os crentes a cantarem salmos, hinos e cânticos espirituais (considerados formas de instrução úteis para a edificação da fé dos crentes) e dentre os próprios salmos temos orientações aos crentes que cantem ao Senhor um novo cântico (Salmos 96, 98, 149) deixando claro que ainda que a coleção do saltério esteja encerrada nos seus 150 Salmos isso não significa que devamos nos restringir a eles para cantar ao Senhor e que é esperado dos crentes que sejam feitas novas composições para serem cantadas no louvor a Deus..

7) evidentemente existem muitas tolices, distorções e heresias que são cantadas em muitos cultos cristãos (vivemos uma pandemia de antropocentrismo e de sentimentalismo nos louvores do evangelicalismo atual) e a correção desses tipos de corrupção do louvor ao Senhor deve ser feita pelo exercício constante do zelo e fidelidade às doutrinas bíblicas, extraindo delas o que deve ser cantado pelo povo de Deus, e essa correção não deve ser por meio da adoção de regras sem embasamento bíblico (como a de que devemos cantar somente os salmos - isso apenas parece ser bom remédio...), correndo-se o risco de cair no pecado do legalismo - a adoção de regras que têm aparência de piedade mas que são corruptoras da Graça de Deus e das suas implicações, como se somente por meio da obediência de certas regras inventadas por homens e pela imposição de fardos supostamente espirituais as nossas práticas seriam aceitáveis por Deus. Todo legalismo provém do coração enganoso de quem quer exercer domínio sobre o povo de Deus com o grave pecado de acrescentar ideias humanas ao que Deus disse (tanto tirar ensinos da Bíblia como acrescentar coisas novas ao que Deus disse e encerrou nas Escrituras são pecados graves - Ap. 22: 18, 19) e, principalmente, contaminar e corromper a fé em Deus com ideias falsas sobre Ele (dizer que Deus disse ou requer o que Ele nunca disse nem requereu é mentir sobre Deus e persuadir as pessoas a crer nessa mentira - Ez. 13)..

8) o argumento para a adoção da salmodia exclusiva baseado nas práticas adotadas em certos períodos da história da igreja (como a Reforma Protestante de Genebra), por mais admiráveis que sejam, não passa de saudosismo de um modelo cultural e de tradições de homens que não têm força canônica. Toda cultura e toda tradição dos homens são efêmeros.

9) as formas como os Salmos eram cantados nos tempos do Templo de Jerusalém se perderam na história e as tentativas de resgate desse costume não reproduzem a métrica, a poesia e a musicalidade da língua original na cultura temporal original. Necessariamente cantar Salmos requer adaptação cultural e impor certos modelos efêmeros antigos como se fossem mais espirituais do que outros é atribuir valor espiritual ou canônico a coisas que não têm esse poder ou autoridade, caindo-se assim em mera preferência por razões não autoritarivas, ou pior, numa idolatria da forma.

10) usar qualquer texto do Antigo Testamento sem o exercício apostólico (nosso fundamento) de ler esses textos na vida e na obra do Senhor Jesus Cristo não nos faz diferentes dos mestres da Lei que foram contemporâneos do Senhor e que apesar de conhecerem a Lei e os Salmos de cor e salteado mataram o Senhor, o mesmo Messias que o seu saltério apontava - ou seja, a leitura não cristocêntrica dos textos do Antigo Testamento não tem validade espiritual nenhuma.

22/05/2026

Pregadores do Evangelho são profetas.


Pregadores do Evangelho são profetas. 

A pregação do Evangelho requer a confrontação de pecados, o Evangelho exige o arrependimento de pecados. Sem a conclamação ao arrependimento de pecados não é possível desfrutar da Graça do Evangelho. Não existe fé salvadora sem conversão ao senhorio de Cristo. Não existe vida eterna sem renúncia do velho eu, do ser degenerado que vive sob a égide do pecado, é necessário o novo nascimento sob a Graça de Cristo com sua subsequente santificação.

O Evangelho deve ser pregado por toda parte, em todos os lugares, em tempo e fora de tempo. O confronto de pecados, sejam particulares ou públicos, pessoais ou coletivos é requisito na pregação do Evangelho. 

Mas muitos pregadores perverteram o trabalho sagrado da pregação do Evangelho, pois tornaram-se tagarelas de um tipo estranho e esvaziado de cristianismo que convive muito bem com o pecado. Pecado, aliás, só é grave se for público (como alguns, maldosamente, pensam e já ouvi pregador defendendo isso)- então essa gente se aperfeiçoa nas artes da hipocrisia, de manter as coisas escondidas, disfarçadas - e esse é um hábito antigo que foi publicamente rechaçado do pelo Senhor Jesus. Como acontecia antigamente, as carreiras de muitos clérigos são marcadas por verdadeiros jogos políticos e de interesses onde se pratica o desprezível toma-lá-dá-cá numa corrupção institucionalizada cada vez mais descarada, e agindo assim nas instituições "sagradas", de onde essas autoridades eclesiásticas poderiam tirar alguma condição moral para denunciarem as corrupções políticas? Provavelmente isso explique porque temos visto tantos desses líderes frequentando coquetéis de autoridades políticas confabulando com quem deveriam confrontar. Mas não! Estão todos no mesmo saco e isso é nojento.

E assim, esses pregadores que ousam ter Deus em demasiado nas suas bocas sujas e sempre esvaziado dos seus inseparáveis significados quebram recorrentemente o terceiro mandamento e se desfiguram em profissionais de discursos estranhos que são ofensivos ao Senhor da Verdade e da Justiça, uma vez que reduziram a pregação cristã a discursos esvaziados ou distorcidos, e se reduziram a ser fantoches das ambições mundanas que não têm coragem nem caráter para pregarem o arrependimento de pecados e, como faziam os profetas bíblicos, denunciarem os pecados das autoridades da nação e do seu povo. Esses meninos de púlpitos que gostam de ser reverenciados são covardes que temem as consequências do confronto de pecados, e por isso apequenam a pregação do Evangelho, e é assim que a luz se apaga, com a corrupção da pregação da verdade, e assim o povo perde de vista o senhorio do Rei Jesus e se perde nas trevas das suas próprias concupiscências.

Considerando o alto percentual de cristãos (algo em torno de 30%) na população brasileira seria impossível o Brasil ser tão decadente e corrupto como é, pois se a luz do poder e da verdade de Cristo realmente brilhasse nesse povo, certamente ela iluminaria e influenciaria poderosamente todo o país. Então por que essa multidão é tão irrelevante? Por que temos tão grande incoerência? Isso é fruto do tipo frouxo de pregação feita numa abordagem (1) antropocêntrica em vez de ser cristocêntrica, (2) destituída do ensino dedicado das doutrinas bíblicas, (3) voltada para o bem-estar do "crente"(excesso de sentimentalismo) e (4) sem denúncia de pecados, sejam pessoais, culturais ou das autoridades, requerendo os seus necessários arrependimentos.

Nos casos das autoridades, o que vemos, é acomodação passiva e, pior, bajulação idólatra. Daí se decorre que a luz da pregação eficaz está comprometida porque grande parte dos que deveriam ser profetas (embora sempre existam os remanescentes fiéis - creio serem minoria e quase sempre estão fora dos holofotes) são apenas hipócritas, são meros profissionais de púlpito preocupados em dar às pessoas o tipo de bem-estar que elas querem ouvir em tipos domesticados e distorcidos de cristianismos infiéis ao Senhor.

Os corruptores da fé são inimigos de Cristo.