30/06/2026

Igreja de Laodicéia


A igreja que parece ser predominante na nossa época é muito parecida com a repreensível igreja de Laodicéia, descrita em Apocalipse 3: 14 a 22. Ela é muito parecida com um clube, um encontro de gente que não se considera radical, nem tão santa, nem tão mundana, nem tão zelosa em todo o ensino bíblico, nem tão pecadora. Gente que acredita que está tudo bem em ser morna, que acredita que Deus se contenta com uma expressão de fé mediana, que se devota moderadamente a Deus mas sem radicalismos, sem sacrifícios, sem comprometer suas seguranças neste mundo, seus relacionamentos, seus negócios - afinal, eles se gabam do que são, do que têm, suas biografias são ostentatórias e diante desse precioso patrimônio eles não querem, em hipótese nenhuma, "queimar seu filme" com ninguém, nem com os impios. Ensinos bíblicos sobre a incompatibilidade entre os senhorios de Deus com o senhorio do mundo são relativizados por essa gente ("Infiéis, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus."- Tiago, 4: 4). Pensam, essa gente morna que jura que a sabedoria é evidenciada em manter o equilíbrio entre a vida espiritual e a vida mundana e que para isso evitam temas sensíveis aos seus interesses ou aos dos seus colegas (e que por isso crucificariam ao Senhor Jesus novamente, se tivessem o constrangimento de ter que conviver com um Senhor tão radical, mas o fazem com os discípulos do Senhor como sempre fizeram e sempre que podem, cerceando-os e calando-os, seja por meio da decapitação, ou os jogando ao fogo ou ao limbo da inexistência local na tentativa de anular os mesmos constrangimentos), gente que se reúne com seus semelhantes em entretenimentos religiosos domesticados, superficiais e repletos de artificialidades, em cultos feitos sob medida para as pessoas se sentirem bem na medida em que são expostas a partes selecionadas da verdade de Deus num ambiente de grande apelo sentimental que é facilmente, e de propósito, confundido com o agir do Espírito Santo (e que por isso intensificam a gravidade dos seus pecados - Mateus 12: 32, 32), em reuniões onde a rebelião e a soberba da carne decidem os limites de até onde Deus deve se impor e manipulam a sua vontade revelada, como se essa ingerência fosse eficaz para impedir Deus de ser soberano e de agir como quer. Suas soberbas os fazem esquecer que nem um til da Lei pode ser invalidado.

Dessa igreja, não tão fiel a Deus mas não tão má, construtora de pontes e que, para isso, negocia a verdade e a fatia em pedaços com o descarte e a manipulação de partes "desagradáveis" que poderiam inviabilizar a empreitada, uma forma de igreja condescendente e morna que mantém o Senhor Jesus do lado de fora - Ele não faz parte do que ocorre lá dentro, não está recebendo esse tipo de culto, não é o cabeça nas suas deliberações, não é reconhecido nesse local, não é seu chefe, não é o seu Senhor nem o seu Rei. Na prática os cultos dessa "igreja" são  expressões de hedonismo, são antropocêntricos, feitos pelas pessoas para si mesmas, para a sua auto-legitimação, mas com alguma roupagem cristã que nessa miscelânea não passa de uma caricatura. Isso é grotesco para a santidade do Deus auto revelado em Cristo! 

Mas, mesmo assim, o Senhor está batendo na porta, pelo lado de fora, numa demonstração do seu amor salvador para que alguém o ouça e o deixe entrar para, então, existir comunhão de fato com Ele - e, obviamente, impor uma reforma real, um conserto, uma limpeza geral, pois tudo o que corrompia aquela igreja tem que deixar de existir para dar lugar às práticas saudáveis e fiéis ao Senhor.

Tudo o que ocorre dentro do recinto com aparência de igreja mas com a ausência do Senhor é inútil, pecaminoso e beira à blasfêmia. Isso porque o mal e a corrupção do pecado podem se apresentar numa embalagem agradável e a boa educação dos homens caídos nos parâmetros mundanos pode disfarçar o mal real. Alguém pode dizer que fulano é tão educado, distinto, cortez, saudável e bem-sucedido que parece nem precisar de salvação, e ele mesmo pode pensar que não precise de Cristo. Na verdade muita gente busca ser bem sucedida segundo os padrões do mundo e usa a Cristo como degrau para isso. Essa corrupção de colocar o ídolo do sucesso mundano como objetivo de fé e não ao próprio Senhor Jesus parece ser o grande mal da igreja de Laodicéia e também parece ser o grande mal da igreja predominante do nosso tempo. Em Laodicéia o descaramento da degradação é tão grande que seus participantes achavam que a fraternidade corrompida dos homens que se gabam do que possuem é equivalente e substitui a presença de Cristo. Eles trocaram a comunhão real com Deus pela confraria dos homens decadentes. Essa igreja virou um boteco goumetizado e seus frequentadores são tão tolos quanto um bêbado na sarjeta. 

Satanás é um sedutor experiente que penteia os cabelos, usa um bom perfume e escova os dentes para cochichar nos ouvidos dos incautos, e eles tolamente acreditam e se gabam de que essas seduções torpes são o melhor caminho.

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O texto de Apocalipse 3: 14 - 21 que descreve a igreja de Laodicéia:

"14. Ao anjo da igreja em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus:

15. Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente!

16. Assim, porque és morno, e não és quente nem frio, vomitar-te-ei da minha boca.

17. Porquanto dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um coitado, e miserável, e pobre, e cego, e nu;

18. aconselho-te que de mim compres ouro refinado no fogo, para que te enriqueças; e vestes brancas, para que te vistas, e não seja manifesta a vergonha da tua nudez; e colírio, a fim de ungires os teus olhos, para que vejas.

19. Eu repreendo e castigo a todos quantos amo: sê pois zeloso, e arrepende-te.

20. Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.

21. Ao que vencer, eu lhe concederei que se assente comigo no meu trono, assim como Eu venci e me assentei com meu Pai no seu trono.

22. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas."

29/06/2026

Deus e as calamidades


Onde está Deus diante do sofrimento de crianças que morrem num incêndio sem receberem socorro algum?

Ótimo questionamento! Deus está onde sempre esteve, no seu trono Soberano e sublime, governando o universo e fazendo com que cada parte dele, cada vida e cada partícula cumpra o seu propósito. O homem, do nosso lugar comum e decadente, ousa tentar colocar a Deus no banco dos réus quando as coisas, da nossa perspectiva, parecem escapar do que seria justo, situações em que cogitamos que faríamos melhor caso tivéssemos poder, caso estivéssemos no lugar de Deus.

Essa é uma aspiração comum que mostra o nosso desprezo comum por Deus, como se ele não soubesse o que faz ou como se fosse impotente. Mas não! Não pensemos que o Todo Poderoso, onisciente e onipotente Deus criador e sustentador de toda a criação seja negligente ou descuidado. O Senhor não dorme e a tudo vê, sobre tudo age. O que ignoramos nos nossos torpes juízos é que somos uma raça humana apodrecida pelo pecado e com o nosso mal intrínseco maculamos o nosso mundo, o nosso cosmos. E nesse lamaçal de trevas e imundície não existe clareza no nosso juízo, pois o pecado que nos degenera não pode ser unido à santidade que define a Deus, um ser perfeito em seus atributos e em tudo o que faz. E a misericórdia de Deus pela sua decadente criatura humana, por quem se afeiçoa, já foi comprovada no que Ele fez ao nos enviar o seu unigênito para servir como holocausto para a remissão de pecadores. Nós o matamos na cruz numa evidência do nosso ódio pela santidade e pelo amor de Deus revelados, mas o seu poder foi maior ao fazer com que seu filho triunfasse sobre o nosso mal, vencendo os poderes do pecado e da morte e salvando aqueles que crêem, pois compreenderam que o amor de Deus está sim evidente na forma perfeita como estendeu o seu braço não para salvar crianças de incêndios, apenas, mas principalmente para salvar pessoas de uma danação eterna.



São funções da igreja orar a Deus por sua misericórdia enquanto é agente dela num mundo de sofrimentos ao mesmo tempo em que é profeta resistindo e denunciando as iniquidades que são cometidas em seu tempo e anunciando a única salvação que é possível através da fé em Cristo.
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Deus exerce o seu poder também nas calamidades deste mundo.

Terremotos, tsunamis, epidemias, guerras... 

Nada é acidente, Deus jamais deixa de ser soberano, nem sábio, nem Santo. Ele jamais deixa de exercer a sua soberana vontade na sua criação. As calamidades fazem parte dos desígnios de Deus num mundo em agonia pela maldição do pecado dos homens. Elas são o gotejar do cálice da justiça de Deus, como os gongos de um sino que anuncia a sua ira iminente.

No dia em que o Senhor Jesus retornar triunfante e sobre as nuvens a este mundo para tomar os seus eleitos para si e impor o juízo sobre os réprobos, a calamidade será muito maior, pois todos os elementos se desfarão nas chamas para darem lugar a novos céus e nova Terra:

"O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; porém é longânimo para convosco, não querendo que ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender-se. Virá, pois, como ladrão o dia do Senhor, no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se dissolverão, e a terra, e as obras que nela há, serão descobertas. Ora, uma vez que todas estas coisas hão de ser assim dissolvidas, que pessoas não deveis ser em santidade e piedade, aguardando, e desejando ardentemente a vinda do dia de Deus, em que os céus, em fogo se dissolverão, e os elementos, ardendo, se fundirão? 

Nós, porém, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e uma nova terra, nos quais habita a justiça."

(2 Pedro, 3: 9 a 13)

A questão não é se Deus exerce sua soberana vontade no mundo, porque Ele exerce e nada escapa dos seus desígnios, mas sim por que a sua indignação se manifesta nas calamidades.

Veja todo o "Sermão profético" pregado pelo Senhor Jesus no Evangelho de Mateus, capítulo 24. As calamidades são sinais do juízo de Deus sobre esta criação que está sob a maldição do nosso pecado e está em agonia, e o propósito maior das calamidades é alertar aos homens de que não há segurança nem salvação neste mundo, que tudo aqui é efêmero e está destinado à morte e que todos devem se arrepender e crer no Evangelho, na salvação operada pelo Senhor Jesus, a única segurança verdadeira cuja salvação é eterna.

E veja também:

Salmo 29

1. Tributai ao Senhor, ó filhos dos poderosos, tributai ao Senhor glória e força.

2. Tributai ao Senhor a glória devida ao seu nome; adorai o Senhor vestidos de trajes santos.

3. A voz do Senhor ouve-se sobre as águas; o Deus da glória troveja; o Senhor está sobre as muitas águas.

4. A voz do Senhor é poderosa; a voz do Senhor é cheia de majestade.

5. A voz do Senhor quebra os cedros; sim, o Senhor quebra os cedros do Líbano.

6. Ele faz o Líbano saltar como um bezerro; e Siriom, como um filhote de boi selvagem.

7. A voz do Senhor lança labaredas de fogo.

8. A voz do Senhor faz tremer o deserto; o Senhor faz tremer o deserto de Cades.

9. A voz do Senhor faz as corças dar à luz, e desnuda as florestas; e no seu templo todos dizem: Glória!

10. O Senhor está entronizado sobre o dilúvio; o Senhor se assenta como rei, perpetuamente.

11. O Senhor dará força ao seu povo; o Senhor abençoará o seu povo com paz.


Jó, 9: 4 - 10

"Ele é sábio de coração e poderoso em forças; quem se endureceu contra ele, e ficou seguro?

Ele é o que remove os montes, sem que o saibam, e os transtorna no seu furor; o que sacode a terra do seu lugar, de modo que as suas colunas estremecem; o que dá ordens ao sol, e ele não nasce; o que sela as estrelas; o que sozinho estende os céus, e anda sobre as ondas do mar; o que fez a ursa, o Oriom, e as Plêiades, e as recâmaras do sul; o que faz coisas grandes e insondáveis, e maravilhas que não se podem contar."


Naum, 1: 3 - 8

"O Senhor é um Deus zeloso e vingador; o Senhor é vingador e cheio de indignação; o Senhor toma vingança contra os seus adversários, e guarda a ira contra os seus inimigos.

O Senhor é tardio em irar-se, e de grande poder, e ao culpado de maneira alguma terá por inocente; o Senhor tem o seu caminho no turbilhão e na tempestade, e as nuvens são o pó dos seus pés. Ele repreende o mar, e o faz secar, e esgota todos os rios; desfalecem Basã e Carmelo, e a flor do Líbano murcha. Os montes tremem perante ele, e os outeiros se derretem; e a terra fica devastada diante dele, sim, o mundo, e todos os que nele habitam. Quem pode manter-se diante do seu furor? e quem pode subsistir diante do ardor da sua ira? a sua cólera se derramou como um fogo, e por ele as rochas são fendidas.

O Senhor é bom, uma fortaleza no dia da angústia; e conhece os que nele confiam. E com uma inundação transbordante acabará duma vez com o lugar dela; e até para dentro das trevas perseguirá os seus inimigos."


Isaías 45: 7 - 9

"Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu sou o Senhor, que faço todas estas coisas.

Destilai vós, céus, dessas alturas a justiça, e chovam-na as nuvens; abra-se a terra, e produza a salvação e ao mesmo tempo faça nascer a justiça; eu, o Senhor, as criei: Ai daquele que contende com o seu Criador! o caco entre outros cacos de barro! Porventura dirá o barro ao que o formou: Que fazes? ou dirá a tua obra: Não tens mãos?


Jeremias 30: 23, 24

"Eis a tempestade do Senhor! A sua indignação já saiu, uma tempestade varredora; cairá cruelmente sobre a cabeça dos ímpios. Não retrocederá o furor da ira do Senhor, até que ele tenha executado, e até que tenha cumprido os desígnios do seu coração. Nos últimos dias entendereis isso."


Romanos 1: 18 a 32

"Pois do céu é revelada a ira de Deus contra toda a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça. Porquanto, o que de Deus se pode conhecer, neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Pois os seus atributos invisíveis, o seu eterno poder e divindade, são claramente vistos desde a criação do mundo, sendo percebidos mediante as coisas criadas, de modo que eles são inescusáveis; porquanto, tendo conhecido a Deus, contudo não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes nas suas especulações se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se estultos, e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. Por isso Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para serem os seus corpos desonrados entre si; pois trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura antes que ao Criador, que é bendito eternamente. Amém. Pelo que Deus os entregou a paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural no que é contrário à natureza; semelhantemente, também os varões, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, varão com varão, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a devida recompensa do seu erro. E assim como eles rejeitaram o conhecimento de Deus, Deus, por sua vez, os entregou a um sentimento depravado, para fazerem coisas que não convêm, estando cheios de toda a injustiça, malícia, cobiça, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, dolo, malignidade; sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais; néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, sem misericórdia; os quais, conhecendo bem o decreto de Deus, que declara dignos de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que as praticam."


Romanos 8: 18 - 23 e 36 - 39

"Pois tenho para mim que as aflições deste tempo presente não se podem comparar com a glória que em nós há de ser revelada. Porque a criação aguarda com ardente expectativa a revelação dos filhos de Deus. Porquanto a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que também a própria criação há de ser liberta do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação, conjuntamente, geme e está com dores de parto até agora; e não só ela, mas até nós, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, aguardando a nossa adoção, a saber, a redenção do nosso corpo."

"Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte o dia todo; fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas presentes, nem futuras, nem potestades, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor."


Veja também:

Toda a criação foi corrompida pelo pecado.

https://atitudeprotestante.blogspot.com/2026/06/toda-criacao-foi-corrompida-pelo-pecado.html

 

24/06/2026

A ciência pode ser manipulada para disseminar mentiras

 


A "ciência" pode ser um argumento idólatra.

Nessa semana estive num polo astronômico, um lugar que deveria servir à experiência científica baseada em fatos comprováveis. Grande engano!

Logo no início, o profissional que conduzia as experimentações que ainda veríamos, fez uma piada sobre as distinções entre um astrônomo e um astrólogo, deixando claro que a astronomia é a ciência da observação dos corpos celestes em contraste com os misticismos infundados de alguns supersticiosos, aqui tipificados nos astrólogos, que tentam ler as sortes nas estrelas. Até aí estava indo tudo bem, até o astrônomo enfiar a ideia da possibilidade de existir vida alienígena na conversa.

Seguimos, então, o roteiro do passeio e entramos no planetário para iniciar uma sessão de cinema projetado no teto em formato de cúpula que foi uma verdadeira tortura com cerca de 40/50 minutos baseada em especulações.

O filme começou bem, com projeções de constelações e algumas explicações sobre o sol e as estrelas. Mas logo partiu para o questionamento sobre a possibilidade de existência de vida em outros planetas e, daí em diante, apesar de assumir claramente que não existe nenhuma evidência da existência de vida alienígena, toda a narrativa foi baseada em especulações sobre como seriam esses seres alienígenas numa pregação de crenças enfadonhas que empobreceu a experiência e corrompeu o propósito supostamente científico da exposição num conteúdo que parecia um irmão pobre dos cenários e criaturas bizarras do filme Avatar.

Ao ir ao planetário, pensei que iríamos ver projeções sobre fatos, sobre planetas, cometas, estrelas, buracos negros e constelações. Mas em lugar disso vimos um show de especulações sobre vida alienígena, ainda que se tenha assumido que do ponto de vista científico não existem evidências dessa existência. Mas se não existem evidências, por que usar da roupagem científica para pregar uma suposição especulativa que não passa de crença? O que vi naquele planetário foi o uso do aparato científico para propagar ideias não científicas, uma desonestidade imposta numa armadilha, quando o ingresso comprado era para se ver ciência, evidências, fatos que não podemos apreciar a olho nu, mas não servir como plateia cativa para a propagação de ideias infundadas como as crenças em ETs e em seres supostamente mais desenvolvidos do que a humanidade. Apesar da piada inicial que procurou distinguir astrônomos de astrólogos, a narrativa do aparato astrônomo em questão incorreu em puro misticismo.

Ao sair da torturante experiência de lavagem cerebral no planetário, seguimos para ver os telescópios do local para a apreciação real das constelações. Aí sim a experiência foi excelente, sem filminho propagador de crendices travestidas de ciência, mas pura observação de realidades que a olho nu não conseguimos contemplar. Pena que quando os astrônomos tiveram voz ativa eles usaram o argumento da ciência para propagar suas próprias crenças aos seus ouvintes - e eu estou certo de que esse hábito corruptor também é usual e muito comum por parte de todas as categorias de cientistas que usam da sua autoridade no assunto em que se especializaram para embutir em suas narrativas e pareceres as suas predileções, as suas crenças pessoais e as suas distorções, e isso possibilitado também pelos interesses de quem financia o fazer científico, gente que também está interessada na fabricação de narrativas, talvez, para vender um produto - farmacêutico, por exemplo. Até que ponto, por exemplo, essa manipulação no "fazer ciência" não se desdobrou em manipulação das massas como a feita durante a pandemia? A fórmula é simples: adota-se um discurso, dão a ele um rótulo científico para lhe conferir autoridade inquestionável e vende-se uma ideia ou tecnologia que estejam alinhados à premissa. Pronto, muita gente acumula riqueza com essa fórmula, a de se usar o rótulo da "ciência" para validar uma ideia que é imposta à sociedade como verdade inquestionável. O certo é que não existe ciência feita com total isonomia, pureza e honestidade, pois todo o fazer científico é maculado, seja pelo seu financiador que deseja ter os resultados previamente desejados, seja pelo operador da ciência que não é imune às corrupções dos processos e que tem, ele mesmo, as crenças próprias que evidentemente quer comprovar no tipo de ciência que faz. No planetário, por exemplo, ficou evidente que os astrônomos locais queriam sugerir à sua plateia que aliens não apenas podem, mas que muito provavelmente existem - mesmo não existindo nenhuma evidência que corrobore essa ideia meramente especulativa, mas que fizeram parecer ser cientificamente fundamentada. 

Oras, se ciência for exame de fatos, então a forte sugestão especulativa vendida não é ciência, é pregação de crença, e esse tipo comum de deturpação da ciência já vendeu ideias como as neuroses coletivas sobre o fim do petróleo, o buraco na camada de ozônio, a superpopulação da Terra, o aquecimento global, etc. O ex presidenciável dos EUA que vendeu seu discurso viral em "Uma verdade inconveniente" ficou muito mais rico com o que na época parecia ser um alerta mas que hoje se comprovou falso - tudo supostamente científico...


Veja também:

Toda a criação foi afetada pelo pecado do homem (também sobre a impossibilidade da existência de vida alienígena)- https://atitudeprotestante.blogspot.com/2026/06/toda-criacao-foi-corrompida-pelo-pecado.html

A obra do Senhor Jesus Cristo https://atitudeprotestante.blogspot.com/2023/11/a-obra-do-senhor-jesus-cristo.html

23/06/2026

Toda a criação foi corrompida pelo pecado.



Toda a criação foi corrompida pelo pecado.

Eu vi essa cena de uma minhoca sendo atacada por um exército de formigas numa calçada, que registrei com meu celular, e isso me levou a uma sucessão de reflexões que resultaram no texto a seguir:

* Sobre a existência do mal e do caos no universo e da impossibilidade da existência de vida alienígena.

O capitulo três do livro de Gênesis descreve o pecado original e suas consequências não apenas na comunhão do homem com Deus mas também todas as consequências dessa ruptura. O ser humano, como cabeça da criação, a única criatura que tem em si o privilégio, a honra e a autoridade distintivos de ser feito imagem e semelhança do próprio Deus (Gênesis 1: 26 e 27) e que, por isso, dada a sua distinção das demais coisas criadas, com o seu pecado condenou tudo o que estava confiado à sua autoridade à degeneração que a rebelião do pecado lhe imputou.

Recebemos morte espiritual e física, como consequência da nossa inimizade com Deus, e além dessas coisas também fomos submetidos às consequências do nosso banimento da santidade de Deus nas múltiplas maneiras como o mal é cultivado e colhido não apenas nas nossas vidas, mas também em toda a criação. Todas as coisas que podemos conhecer da atual criação, sejam as coisas microscópicas ou as que fazem parte do universo ainda desconhecido, sejam os modos como vivem os seres vivos ou quaisquer ecossistemas, tudo foi afetado pelo mal do pecado e prossegue para a ruína do juízo. Embora haja ordem em todas as coisas criadas e todas elas apontem para as perfeições dos atributos conhecíveis do Deus criador, a criação está em agonia na expectativa pelo seu fim e renovação.

A nossa natureza foi transformada com o advento do pecado, nós fomos degenerados, não somos mais como éramos antes da queda de Adão. Mas não somente a nossa natureza, como também a natureza de toda a criação foi transtornada, subvertida e corrompida pela maculação do pecado no que outrora era santo. Quando Adão pecou o que antes era límpido tornou-se contaminado e houve severa ruptura entre Deus e nós porque santidade e pecado são opostos e irreconciliáveis - e esse problema só poderia ser resolvido pela obra vicária do Senhor Jesus Cristo e toda a criação "geme" numa expectativa pela redenção que será vista nos remidos por Cristo (Romanos 8: 19 - 22). 

A violência da "natureza" degenerada pelo mal do nosso pecado com seus "cardos e abrolhos" (uma descrição de Gênesis 3: 18 que sintetiza essa degeneração decorrente do pecado original) é um mal comum em toda a criação, tanto nesse nosso mundo como também em todo o restante do universo, um mal que será mudado apenas quando forem feitos "novos céus e nova Terra" após o retorno do Senhor Jesus a este mundo e a realização do juízo final (Apocalipse 21: 1 - 4; Isaías 65: 17; 2 Pedro 3: 13), uma esperança bíblica que mostra que a rebelião do homem contra Deus evidenciada no pecado original de Adão afetou não apenas a sua própria natureza e do seu mundo como também toda a criação, todo o universo, todo o Cosmo. Essa esperança bíblica, uma promessa, ensina que todas as coisas, céus e Terra, serão recriadas por Deus como efeito completo da obra de redenção que já foi realizada pelo Senhor Jesus na cruz do Calvário (Colossenses 1: 20), pois na sua obra vicária o Senhor Jesus reconciliou toda a criação com Deus, o seu Criador, e essa é uma obra que está se concretizando ao longo da história que ainda vivenciamos.


Um desdobramento desses fatos bíblicos...

Podem existir formas de vida ou outras criações além do que é descrito nas Escrituras?

Diante desses fatos das doutrinas bíblicas acerca da criação, da queda, da redenção e da consumação, a conclusão lógica é a de que este nosso mundo com o destaque que é dado à humanidade são centrais e determinantes para a existência e para o destino de todo o restante da criação de Deus em todo o universo. O pecado de Adão condenou toda a criação aos efeitos do seu pecado e a obra salvadora realizada por Cristo está redimindo não somente a humanidade degenerada, mas também toda a criação, com o iminente juízo para a atual realidade de todas as coisas maculadas pelo mal do pecado. O centro do universo é a história da redenção, tendo a glória do Salvador como o seu fundamento. Diante disso torna-se impossível presumir a existência de vida relevante (física e material) em outros lugares do universo a não ser a vida existente neste nosso mundo, pois se existirem formas de vida fora do planeta Terra, elas também estariam sujeitas às maldições do pecado de Adão e também careceriam da redenção do Senhor Jesus - uma hipótese que não lhes foi oferecida. Quando a atual criação for destruída pelo juizo de Deus para dar lugar a novos céus e nova Terra, os mundos dos supostos aliens e seus OVNIS também seriam destruídos como efeito das aplicações das penas decorrentes do pecado de Adão, não importando se esses supostos seres fossem mais ou menos desenvolvidos dos pontos de vista tecnológico, biológico ou até mesmo moral, do que nós, humanos. E o Senhor Jesus é Deus que se fez homem neste mundo (Filipenses 2), não extraterrestre. Ou seja, não existe previsibilidade bíblica nenhuma para as teorias meramente especulativas sobre a existência de alienígenas e fica biblicamente impossível presumir que existam formas de vida mais desenvolvidas do que a vida humana em algum lugar material e físico (porque formas de "vida" espirituais existem - os anjos e demônios - mas esse é outro assunto) além do que existe no planeta Terra. 

Embora a teoria do geocentrismo tenha sido superada pelas descobertas científicas da astronomia e da física, o fato bíblico é o de que o que acontece no lugar que antes tinha o Éden, e que é a habitação dos homens que foram feitos à imagem e semelhança do próprio Deus e que posteriormente foi o lugar onde o Deus encarnado viveu, morreu e ressuscitou é o centro definidor dos destinos de toda a abrangência do universo. É aqui que tudo se define.


Veja também:

A ciência pode ser manipulada para disseminar mentiras - https://atitudeprotestante.blogspot.com/2026/06/toda-criacao-foi-corrompida-pelo-pecado.html

A obra do Senhor Jesus Cristo https://atitudeprotestante.blogspot.com/2023/11/a-obra-do-senhor-jesus-cristo.html