sábado

Culto na Capelania Evangélica do Hospital São Paulo

"Ao único que é digno"
Culto na capelania do Hospital São Paulo nesta manhã.
Pregação de Filipenses 2 por João Eduardo no culto da Capelania Evangélica do Hospital SP - jun 2014. Confira:

domingo

Algumas reflexões sobre o amor cristão


1) Uma tentativa de explicar o amor, algo que deve ser vivido:

O amor é como a fome e é semelhante à sede, quem experimenta essas coisas não pode ficar inerte pois essas sensações precisam ser saciadas.

O amor é o desejo resultante em ações que buscam a felicidade do outro; é uma necessidade que nos faz usar de esforços e sacrifícios pelo bem concretizado na vida de outra pessoa; é a virtude em sua manifestação máxima para a dignidade e manutenção da vida.

A melhor definição de amor foi o ato divino diante da completa imersão no pecado da sua criatura humana. Por causa do seu amor por nós Deus enviou seu filho Jesus a este mundo, à nossa semelhança, para nos mostrar o caminho da verdade e da vida e para nos salvar dos nossos pecados pagando por eles com sua própria condenação à morte na cruz.

Outra evidência do poder do amor que foi revelado em Cristo é que o verdadeiro amor nunca acaba, sempre vence triunfante, assim como Cristo venceu a morte e triunfou do que era para ser a nossa condenação ao ressuscitar. É por amor que Ele fez tudo o que era necessário para nos salvar.

Deus nos ama e nos quer para si e a fé no filho de Deus é a única resposta possível que podemos dar ao seu chamado de amor e de vida.


2) Sobre a nossa dificuldade dificuldade de praticar o amor:

A grande corrupção humana está na sua incapacidade de cumprir os dois principais mandamentos da Lei de Deus: o amor a Deus e o amor às pessoas.

"E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento.
E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas." (Mateus 22:37-40)

Resistimos ao amor de Deus quando o ignoramos, quando dedicamos maior zelo às coisas mundanas do que à sua glória; quando deturpamos a compreensão da sua graça fazendo com que pareça ser similar aos mesquinhos valores mundanos, quando rebaixamos a grandeza do seu amor ou da sua justiça ou quando nos elevamos a graus indevidos como se isso pudesse minimizar ou relativizar a grandeza e a importância do Criador.

O desamor por Deus é irmão gêmeo da mentira, pois só pode ser justificado com as mais desonestas maneiras de subversão da verdade a fim de que pensemos equivocadamente que de Deus não precisamos ou que não é necessário tributar-lhe a devida honra. Esse desamor só existe com o auto-engano que alimentamos em quase tudo o que fazemos e que coloca nos altares dos nossos corações qualquer ídolo caricato e inútil que inventamos para nos satisfazer, sejam nossos próprios interesses ou sonhos, sejam coisas materiais, valores ocos e manipuláveis ou até a própria subversão na compreensão do ser de Deus com a posição extremada de alguns de negá-lo.

E como conseqüência do desamor por Deus, de não atentarmos para a grandeza do seu ser e nos submetermos agradecidos em adoração a Ele, nosso coração vazio da sua glória se preenche com tristes deformações da verdade e ficamos incapacitados de amar as outras pessoas como deveríamos amar (e deveríamos porque é mandamento divino e esse mandamento ficou marcado na nossa alma). Na nossa incapacidade de amar verdadeiramente, tratamos as pessoas como bens, como coisas, como objetos que podem ser descartados e esse desamor, de forma coletiva, é a causa principal das injustiças que assolam as pessoas em todo o mundo.

O irmão gêmeo do nosso desamor pelas pessoas é nossa avareza, é nosso insaciável desejo de auto-realização, de auto-satisfação, é o desejo intermitente de sermos celebrados, reconhecidos, cultuados e, paradoxalmente, de sermos amados. O desejo por ser amado de forma distorcida é uma evidência da nossa triste incapacidade de amar, porque se amássemos de verdade nós estaríamos satisfeitos, seríamos felizes de verdade e não mendicaríamos amor ou atenção dos outros - já estaríamos muito bem-resolvidos.

Nós fomos criados para amar (a Deus a ao nosso próximo) e amar é servir, é repartir, é doar, amar é encontrar integralmente o nosso lugar seguro, nossa missão, nossa realização existencial que só pode ser concretizada com o amor dedicado a Deus em primeiro lugar e ao nosso semelhante como uma conseqüência real e inegável do poder transformador desse amor.

Se alguém diz que ama a Deus mas não é capaz de amar ao seu próprio, saiba, você não ama a Deus. E se alguém trata ao seu próximo como coisa, como objeto útil, mas descartável, saiba, você está completamente perdido num estado miserável de existência e o único remédio para essa forma miserável de vida é encontrar o seu amor fundamental na pessoa de Jesus Cristo. 

As pessoas são tratadas como coisas descartáveis quando as coisas e não as pessoas são prioridade. E perceber isso é um processo desmistificador doloroso de certos valores que não passam de bengalas para muitos, pois a verdadeira fé sempre é acompanhada pelo amor e o verdadeiro amor é por pessoas e nunca por coisas.

"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." (João 3:16)


3) A Igreja como agente do amor:

Existe uma balança reguladora da Graça de Deus (o verdadeiro bem e a verdadeira vida) no mundo e ela é a Igreja de Cristo.

Quando a igreja se deixa dominar pela apatia ou por ensinos e práticas estranhas ao Evangelho, então o mundo perde de vista o seu referencial da verdade e é mergulhado mais fundo nas trevas do engano e do pecado.

Em contrapartida quando a igreja assume seu papel de anunciadora do Evangelho, pregado o amor de Deus com suas palavras e com suas ações de misericórdia e de justiça (e não pode dissociar essas duas formas de proclamação - pregação e ação), então o mundo vê um poderoso referencial da Graça de Deus agindo nas pessoas e apontando para o caminho da vida.

...e se o nosso mundo contemporâneo está ruindo, abraçando o pecado como norma e relativizando a verdade, conclui-se que a igreja contemporânea é um luzeiro quase apagado que precisa ser (re) aceso...

"Vós sois a luz do mundo"
"Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus." (Mateus 5:14 e 16)


4) A Igreja contemporânea predominante, relapsa na prática do amor:

Vida cristã que não sofre com as angústias desse mundo doente não é vida cristã. Também não é nem vida cristã, nem igreja, a simples confraternização de pessoas que apenas compartilham algumas crenças comuns que são pouquíssimo praticadas - e muitíssimo negligenciadas - mas que na verdade se juntam para se sentirem bem e em paz consigo mesmos numa alienação das angústias do mundo e na busca de proteção aos seus valores pessoais e egoístas paradoxalmente construídos em nome da sua fé. 

Na verdade muitos buscam, apenas, se proteger do campo de trabalho e de guerras neste mundo de ilusões e desejam viver uma vida regalada supondo que Deus se satisfaz com músicas sentimentais nos cultos de domingo, com dízimos e com uma vida relativamente moral. O cristão idealizado por muitos hoje em dia é um ser mediano, uma criatura apática e inexpressiva, mero cumpridor de rituais e de algumas regras, mas completamente incapaz de ser agente de salvação num mundo conturbado e vil. Essa caricatura de um cristão é alguém que está indisposto a amar ao seu próximo como a si mesmo, é alguém que estrutura sua fé no medo e que possui um tipo de fé infantilizada, mas bastante teorizada.

Se tem ALGO QUE PRECISA MUDAR na prática evangélica é a disfarçada e não confessada DOUTRINA DO MEDO.

Temos medo de interagir com outras comunidades cristãs para sermos de fato um só corpo em Cristo e uma única (multiforme) e universal igreja visando o Reino de Deus (João 17: 22) por medo de que interfiram em nosso modo de ser, por medo de que influenciem nossa doutrina e por medo de termos nossas tradições mudadas. Certamente haveria interferência mútua nessa união, mas é preciso reconhecer que todos somos imperfeitos e que nossos irmãos cristãos nos completam e que juntos somos eficazes em nossa missão cristã e que é errado pensarmos que essa ideia de corpo refere-se apenas à igreja ou comunidade local porque nossa verdadeira unidade é global, assim como a nossa missão é global (Romanos 12: 5).

Temos medo de abrir nossas portas e corações aos estranhos porque temos medo de que eles nos prejudiquem, temos medo de compartilhar, temos medo de perder o que temos e temos medo de colocar em jogo o nosso bem-estar e segurança (Mateus 5: 44). Mas é justamente para isso que fomos chamados: para dar, alimentar, cuidar, servir, amar e se for preciso perder! (Mateus 5)

Temos medo de sermos igreja exercendo sua missão no lugar correto: no mundo, também dentro, mas principalmente fora dos nossos muros (João 17: 18), onde há carência da Graça de Deus, do anúncio e manifestação do seu amor e do milagre do seu perdão restaurador. Mas ao invés disso nos encastelamos em prédios feitos por mãos humanas e lhes damos os equivocados nomes de igrejas e templos, para inventarmos ali ministérios, ocupações e missões como se Deus quisesse apenas que lhe ofereçamos nossos cultos nos domingos... temos medo de acatar às ordens do Senhor e por causa do nosso medo as relativizamos e as interpretamos de modo que nos proporcione paz e segurança (falsas).

Temos medo de nos abrir para o que existe lá fora porque tememos que estraguem nossas igrejas, temos medo de que influenciem mal os nossos filhos, temos medo que deturpem nossa doutrina, temos medo de confrontar nossa fé e por isso nos empenhamos em proteger essas coisas e achamos que fazendo isso estamos fazendo o bem, quando na verdade tomamos em nossas mãos o papel do verdadeiro defensor de Igreja, seu único sustentador, seu rochedo, alicerce, fundamento, guarda, criador e protetor - o próprio Deus.

Jesus fazia das colinas da Galiléia a sua congregação, ele pregava nas margens do mar e ensinava nas sinagogas (igrejas da sua época), mas também nas casas, nas festas, nas ruas e nos lugares mais improváveis Ele fazia manifestada a Graça de Deus. Em todos os lugares o Todo-Poderoso era cultuado com seus gestos e com suas palavras porque Jesus sabia, e fez questão de ensinar aos seus discípulos (dos quais fazemos parte) que nossa missão são as pessoas. São nos corações das pessoas que está a terra que devemos semear e cultivar com sua Palavra.

Por isso, quem ama de verdade não precisa ter medo, não se encastela e não se priva dos riscos de amar ao seu próximo como a si mesmo.
"No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor." (1 João 4:18)


5) As ideologias mundanas contemporâneas que têm influenciado mal a igreja:

"Pós-Pós-modernismo"
O espírito mundano semeando desordem visando a reconstrução de uma nova sociedade alicerçada numa ideologia maligna que está sendo imposta:

1) Ocupe as escolas com ideias nocivas - Conteste valores fundamentais de forma gradual, eduque as novas gerações em ideologias revolucionárias, destrua as noções de verdade e de bem e faça os tiranos parecerem heróis e exemplos a serem seguidos. Mire furiosamente nas instituições tradicionais e as destrua (família e igreja), substituindo-as por novas, frágeis e falsas instituições.

2) Inviabilize governos - Semeie o caos, desestruture a ordem, multiplique e indefina discursos, faça com que os referenciais sejam perdidos, suborne os idealistas, plante mentiras e escândalos, crie armadilhas, compre as lideranças, estabeleça idiotas como líderes, faça dos sindicatos meros instrumentos de poder político e transforme os partidos políticos em empresas de poder e de lavagem de dinheiro. Coloque o bem comum numa escala secundária na pauta política e priorize o jogo do poder, a política pela política e pelo dinheiro. Transforme políticos em ricos mafiosos para serem desqualificados, tendo por fim a completa desqualificação da própria política e a descrença na Democracia. Na desordem fragilize a população, compre a gratidão dos pobres, manipule-os e frustre os outros grupos sociais. Faça com que todos fiquem confusos, desiludidos e desgarrados porque assim serão facilmente dominados. Abra espaço para uma nova forma de governo.

3) Idiotize a população, transforme-a num grande gado que pode ser dominado. Engane-a, faça do acesso à informação um meio de se obter muito conhecimento sobre todas as coisas, mas de forma superficial, rasa e manipulada. Plante valores que podem ser facilmente manipulados, como a corrida pela satisfação material e descartável - coisas que na verdade têm pouquíssima importância e relevância para a vida. O consumismo descartável manterá a engrenagem funcionando, sustentará o status quo, satisfará aos anseios das pessoas robotizadas e as escravizará. Elas ficarão de tal modo envolvidas, ocupadas, hipnotizadas que não se importarão com sua decadência espiritual, moral e existencial e serão subservientes.

Seria isso mera "teoria da conspiração" ou realmente caminhamos para uma redefinição da sociedade de forma previamente planejada?

E diante dessas ameaças a Igreja tem se fechado cada vez mais, ficando cada vez mais parecida com um clube... Igreja? Omissa, fechada em si mesma e fazendo de si um parquinho de diversões para entreter sua frágil membresia... Isso não é igreja!

(Alguns sintomas da decadência da igreja institucionalizada [e me refiro àquela que tem "zelo" doutrinário] são sua inexpressiva importância como referencial de valores e de impacto social e a dependência crescente do uso de entretenimento tanto para a realização de "evangelismos" cada vez mais parecidos com animações de buffet infantil como para manter sua frágil membresia. 
Precisamos repensar nossas formas de ser igreja contemporânea, para não nos reduzirmos a ser meros clubes onde se faz palestras morais acompanhadas de músicas terapêuticas e emotivas, nem parquinhos de diversões pois essas coisas também são deturpações do Evangelho.)

6) Deus e o amor:

O amor é um dos atributos morais de Deus e essa sua característica em seu estado pleno e perfeito define a Deus como a própria personificação do amor (1 João 4 v. 8 e 16).

O amor significa que Deus se dá, a si próprio, para o benefício, para abençoar aos outros e essa é uma característica do seu ser que ao mesmo tempo não permite que Ele seja indiferente diante de sua criação (que é objeto do seu amor) e nos atrai para Ele. Por amor Deus enviou seu filho Jesus para morrer pela humanidade na cruz, o mesmo Jesus que sempre se relacionou amorosamente com o Pai (Jo. 14.31; 17. 24). 

O amor de Deus nunca se acabará, é inistingüível, não pode ser afetado por forças exteriores (nem pelo nosso pecado), pois tal como Deus é, imutável e eterno, seus atributos também o são e, portanto, seu amor é imutável, pleno e prefeito. Se o amor visa o bem da pessoa amada, e o amor de Deus é o amor em sua totalidade e perfeição, deduz-se que não haja ninguém em toda a existência que queira e faça o bem como Deus o quer e faz e a manifestação plena do nosso bem é a nossa salvação - nossa regeneração, ou conversão, pela fé em Cristo. 

O amor é um atributo compartilhado com toda a humanidade em diferentes contextos e, portanto, é distribuído por toda a criação como um elemento da graça comum de Deus a fim de que a vida seja possível, desejada e possivelmente agradável. A mesma separação em “dois blocos” principais conforme o tipo também pode ser feita no que se refere aos tipos amor – o amor sentido pelos ímpios e o amor sentido pelos filhos de Deus. A razão humana costuma distinguir o amor em “tipos” conforme a aplicação, tal como o amor entre homem e mulher, o amor entre amigos, o amor de pais para com seus filhos e o amor de Deus. O ser humano é capaz de amar como resultado dessa graça comum, embora o seu amor seja extremamente afetado pela natureza pecaminosa que o deformou, fazendo com que seu amor seja uma deformação do amor perfeito de Deus – mas mesmo assim é amor (verdadeiramente, qualquer mãe “sadia”, apesar de ser pecadora, ama ao seu filho e muitas delas são capazes de dar suas vidas por eles). 

Os cristãos, por obra da regeneração operada pelo Espírito Santo na conversão são capazes de viver um amor aperfeiçoado e muito mais próximo daquele amor que Deus tem por suas criaturas e que é vivenciado entre a Trindade (Pai, Filho - Cristo - e o Espírito Santo), mas que mesmo assim ainda está eternamente distante da plenitude do amor que somente Deus tem e sente - esse distanciamento com sua imperfeição terminarão com a efetivação da nossa redenção (1 Coríntios 13 v. 12 e 13)

sábado

Folhetos





O Evangelho não significa acreditar nas pessoas ou no potencial humano. Pelo contrário, Ele revela a completa falência do gênero humano e aponta para a única esperança possível que está na humilhação, tanto da humanidade em reconhecer-se pecadora e carente da Graça divina como na humilhação do próprio Deus em renunciar a sua Glória para se fazer homem em Jesus Cristo e na sua suprema humilhação em  se deixar condenar à morte numa cruz como um maldito com a finalidade de salvar sua amada criatura humana para a sua glória.
Por isso, o Evangelho aponta a humilhação da cruz como o caminho único possível para a restauração da verdadeira dignidade humana e não existe nenhuma esperança para a humanidade à parte do Evangelho - a boa-nova da salvação operada por Cristo.

"...haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz." 
Filipenses 2:5-8

"Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Alimpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai os corações. Senti as vossas misérias, e lamentai e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo em tristeza. Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará." 
Tiago 4:8-10