sexta-feira

Parada Gay e Marcha por Jesus


Faz sentido essa confusão altamente contrastante dessas passeatas formadas por milhões de pessoas que se ajuntam para “festejar” e “celebrar” seus modos de vida enquanto reivindicam direitos e proferem suas palavras de ordem num mesmo cenário, numa mesma cidade? Bem nenhum pode ser promovido por coisas assim, embora com aparência pacífica, ambas as “paradas” são prejudiciais ao bem comum.

Na “Parada gay” procura-se a imposição do homossexualismo à sociedade como se fosse algo que deve ser celebrado, absorvido à força, mesmo que ao preço do constrangimento de a sociedade ter que lidar com um apelo homossexual altamente erotizado em plena luz do dia e à vista de todos. Escândalo já não é mais algo que deve ser evitado, mas é quase que um chavão gay, algo que deve ser imposto. Perdeu-se a noção de privacidade, de individualidade e de respeito.

Homossexualismo, a prática sexual entre pessoas do mesmo sexo, é pecado e por isso não é algo natural e nem é saudável e por isso não é, e nunca será, um tipo de prática equivalente ao heterossexualismo, a prática sexual entre homem e mulher.

Por outro lado, o homossexualismo não é crime e por isso, deve-se o devido respeito à pessoa que tem este tipo de prática. Mas existe um abismo entre a não-ostilização ao homossexual com o devido respeito à sua pessoa e à celebração da prática.

Deve-se respeitar à pessoa homossexual, assim como a todas as pessoas, e garantir a ela que viva a sua vida com direitos e deveres como qualquer cidadão comum, sendo-lhe vetados apenas os direitos relacionados ao matrimônio com seu parceiro do mesmo sexo e a participação em certas práticas religiosas como a comunhão dos crentes na Santa ceia ou no batismo cristãos ou ainda, na prática de ministério eclesiástico pois tais práticas cristãs presumem auto-análise e fidelidade ao ensino bíblico. Quem se unir a alguém do mesmo sexo não comete crime, mas persevera no pecado e por isso não se pode reconhecer civilmente e nem como sendo saudável tal união além de serem mantidas certas restrições religiosas por conta da perseverança no pecado.

A discrição é necessária a qualquer relacionamento afetivo-sexual, pois a prática sexual saudável deve ser restrita ao casal. Demonstrações públicas de afeto erotizado não são saudáveis ou construtivas, pois expõem particularidades do relacionamento que deveriam ser mantidas na intimidade do casal. O namoro requer intimidade e a publicidade estraga a beleza do relacionamento afetivo-sexual, expondo-o como algo público, banal, pornográfico. Se ao namoro heterossexual a intimidade deve ser preservada, seria muito mais respeitoso que os homossexuais também fossem discretos, pois todos convivemos numa mesma sociedade e o respeito mútuo é necessário ao bem-viver na coletividade. Por isso, a parada gay é uma prática ofensiva àqueles que sabem que a prática homossexual é, à luz da Bíblia, um pecado e que isso faz muito mal a quem o pratica e à sociedade que o absorve como algo comum e equivocadamente saudável ou natural. O pecado, ao contrário de ser absorvido e festejado, deve ser confessado e abandonado. Diante do pecado sobra-nos apenas a opção do arrependimento (ou as conseqüências eternas da perseverança no erro).

Não se pode dizer ao mentiroso compulsivo que se ajunte a outros mentirosos compulsivos para que juntos façam uma passeata. Não se pode esperar o mesmo dos adúlteros, nem a qualquer outro tipo de pecador que quer se manter assim para que se una aos seus semelhantes para marcharem pela cidade e festejarem enquanto impõem aos demais o seu modo de vida. Como qualquer outro pecado, o homossexualismo não deve ser estimulado, ao contrário, pelo menos por parte da Igreja cristã o estímulo deve ser o do arrependimento. Mas se o arrependimento não ocorrer, que ao homossexual seja dado o direito pleno à sua vida social, mas não à prática do pecado e, por isso, o apoio à prática homossexual, o apoio à sua apologia, o apoio à união civil reconhecida entre homossexuais e o reconhecimento do homossexualismo como sendo uma prática comum e natural não devem ser reconhecidos pela Igreja e isso não porque a Igreja é preconceituosa, mas porque ela segue uma regra de fé que é a razão da existência da própria Igreja, ou seja, é a Bíblia quem diz que o homossexualismo é pecado (entre tantas outras coisas) e a Igreja existe para ensinar e praticar o que a Bíblia diz.

Por isso, é errado afirmar que o cristianismo é homofóbico ou preconceituoso. É bem verdade que muitos grupos cristãos são assim, mas não é este o verdadeiro sentimento do cristianismo bíblico, pois o cristianismo é a religião que o próprio Senhor Jesus criou e esta religião tem por princípio a verdade que todos somos pecadores. Assim, em tese, se o cristianismo fosse uma religião preconceituosa todos deveríamos estar excluídos da sua cobertura. A verdade bíblica é aquela que afirma que por todos sermos pecadores, todos devemos abandonar o pecado e nos arrependermos e nos convertermos à verdade dada por Deus acerca da sua vontade para as nossas vidas, servindo-o. Não é somente o homossexualismo, então, que deve ser repudiado, mas também a mentira, o adultério, a incredulidade, a idolatria, a injustiça, etc e o único modo de nos livrarmos da maldição do pecado e de suas conseqüências eternas de banimento de Deus é a fé em Jesus Cristo, conforme ensinado pelas Escrituras.

Além da passeata temática do pecado homossexual, também faz parte dos grandes eventos de São Paulo a "Marcha por Jesus".


Sei que parece estranho eu tratar esta “marcha” com o mesmo tom com que tratei a “parada gay”, mas existem razões para afirmar, infelizmente, que a “marcha por Jesus” é um equívoco e que não é uma maneira recomendável para a propagação da fé no Senhor.

Passeatas feitas pela cristandade (aqui, o termo é mais genérico e não necessariamente refere-se à igreja conforme os preceitos bíblicos e inclui grupos distintos, com motivações distintas) sempre aconteceram. Pelo menos a partir da Idade Média, as Cruzadas eram marchas formadas por cristãos, por mercenários e até por crianças que, sob o comando Papal, eram direcionadas para os mais diversos fins, sendo que a princípio lutavam para retomar Jerusalém das mãos dos muçulmanos medievais. Verdadeiras atrocidades foram cometidas e muitas foram as Cruzadas nestes séculos da Idade Média. Já no Catolicismo recente, tem-se a realização das procissões, mobilizações de fé carregada de sentido sacrificial onde os fiéis percorrem certo percurso em nome de sua fé para alcançar algum favor de Deus ou do santo cuja imagem carregam, veneram e ostentam. Esta é uma prática associada ao sofrimento, como se por ele pudéssemos conquistar favores espirituais e é, portanto, pagã, pois tenta diminuir a eficácia do sacrifício de Cristo por nós uma vez que os fiéis também devem se sacrificar; é equivocada por presumir que isso faz com que Deus seja mais piedoso (é impossível Ele ser mais piedoso do que já é) e é idólatra, pois venera-se e tenta-se atribuir poder divino à santos, imagens, estátuas e rituais.

Chegamos, portanto, à Cruzada moderna, à procissão gospel, à “Marcha por Jesus”. Quais seriam os pressupostos para esta empreitada? Se são as históricas, vemos que os equívocos comprometem a razão de ser da coisa. Se razões bíblicas, em nenhum lugar nas Escrituras encontramos tal ordem ou sugestão – a não ser a marcha empreendida por Moisés sob ordem divina para que o povo de Israel saísse do Egito que foi continuada por Josué até a Terra prometida (esta marcha marca o Êxodo e a formação de Israel como Nação e só faz sentido neste contexto).

Como os exemplos anteriores, a “Marcha por Jesus” tem características medievais e pagãs e isso é percebido nas razões de serem desta empreitada. Esta passeata gospel tem sido tratada como um meio para se alcançar alguma graça divina e é uma empreitada de uma organização religiosa “gospel” encabeçada por líderes de reputação claramente maculada, envolvidos em somas de dinheiro conseguidas de forma indigna e cuja motivação central em seus discursos está uma mal-intencionada teologia da prosperidade, anti-bíblica, que apregoa um reino do céu aqui e agora por meio de uma prosperidade material e saúde física como se tais coisas certificassem a benção de Deus de um modo que a Bíblia não promete. Trata-se, portanto, de uma deformação do cristianismo, do papel da Igreja e da pregação da mensagem bíblica; o que deve ser repudiado pela Igreja e tratado como prática e ensino do engano.

Eu tive o desprazer de participar por 2 vezes da “Marcha por Jesus” há uns anos atrás (já fui bastante ingênuo) e tal experiência foi para mim bastante construtiva. No ano de 1995 eu estava na minha 2ª marcha. Talvez por já ter algum conhecimento bíblico, dessa vez eu estava questionando o porquê daquela mobilização. Milhares de pessoas urrando palavras de fé desconectadas de qualquer sentido, trios elétricos barulhentos e a pior experiência: literalmente milhares de “crentes” passando por cima de uns miseráveis sob uma ponte... o que eu estou fazendo aqui? Essa “massa humana” poderia fazer muito mais pela cidade do que simplesmente sair por aí gritando e pulando, fazendo coisas sem propósito conforme orquestravam os “líderes” da igreja organizadora do evento.

Pra que marchar sendo que a falta de caráter e os abusos das distorções bíblicas são tão gritantes? Pra que se submeter a uma empreitada publicitária e vazia que serve apenas para fortalecer o prestígio de quem não o merece? Será que é marchando que a Palavra de Deus é proclamada? Quem coordena o evento distorce a pregação da Palavra. Eventos como este são úteis ou necessários? Não, não são.

A Igreja de Cristo marcha por meio da fidelidade, no dia-a-dia, exercendo o seu testemunho de serva, de amada, praticando o amor de Cristo. A Marcha por Jesus é uma manobra, um fingimento onde faz-se de conta que é feito o que na verdade não se faz; é queimar as possibilidades de se fazer ouvir por causa de uma histeria despropositada. É jogar na lama nomenclaturas que deveriam conferir credibilidade e seriedade como os títulos “evangélico” ou “cristão”, títulos esses que estão tão desacreditados por causa de um modelo “evangélico” desgastado por escândalos, por crimes e por pecados. É confundir erroneamente a missão da Igreja com um evento festivo e passageiro. É acreditar equivocadamente que é assim que se muda o mundo para melhor. O pior é que não é por Jesus que marcham, mas por seus líderes mundanos, por seus próprios impérios pessoais, por sua teologia da prosperidade, por seus negócios e o povo é mera massa de manobra, ou na melhor das hipóteses é mero consumidor de ilusões.

Essas passeatas, paradas, marchas são sintomas de o quanto o povo está perdido, é mero gado sendo guiado por líderes e pastores cegos para abismos onde se perderão de uma vez em seus próprios pecados, acreditando equivocadamente que seus sistemas de vida estão corretos e que suas vidas estão indo bem. O desejo que norteia essas pessoas é um desejo insaciável que a ilusão cria, a ilusão de que estão no caminho certo e que serão felizes. Não serão.